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A quem cabe fazer a educação formal?

Mais uma vez, os professores são jogados à escanteio.

Niterói tira dos profissionais da educação para fazer parceria com ONG.

Diga-se de passagem, não é somente em Niterói que isso acontece, mas virou moda dar pagar a educação a institutos, ONGs, Fundações… ao professor, exploração e esmola.

[No município do Rio, foram 100 milhões à empresa sangari, para desenvolver projeto de Ciências.]

Recebi pelo Facebook a notícia de que se iniciou, na rede municipal, projeto com o Instituto Fernanda Keller. Serão duas escolas atendidas inicialmente, sendo uma delas a que eu trabalho.

Notícia boa, se não olharmos o que vem por trás e as letras miúdas.

Quem tem Facebook pode ver a notícia e fotos aqui.

Para quem não tem [alguém não tem?] copio o texto abaixo:

A Secretaria e a Fundação Municipal de Educação de Niterói (SME/FME) deram início no dia 11 [agosto] ao Projeto Correndo por um Ideal, em parceria com o Instituto Fernanda Keller. Primeiramente, as ações acontecerão nas escolas municipais Professora Maria Ângela Moreira Pinto, em São Francisco e José de Anchieta, no Morro do Céu. O objetivo é incentivar os alunos à melhoria da qualidade de vida por meio da prática de atividades físicas e da boa alimentação. Além disso, o projeto visa também informar sobre o quanto os transtornos alimentares podem interferir no processo ensino-aprendizagem. As fotos foram tiradas na E.M. José de Anchieta.

Já falei por aqui sobre o pagamento de quase 3 milhões à editora melhoramentos para o desenvolvimento do projeto magia de ler.

Porém, mas, contudo, todavia…

Antes do recesso de julho escrevi um ótimo projeto [modéstia à parte] para trabalhar com blogs na educação, mas ele não foi aprovado.

Sabem por quê? Hãn, hãn… sabem?

Porque não tinham dinheiro para pagar aos professores trabalharem além de sua carga horária!!

Sobre a “parceria” com o Instituto Fernanda Keller, algumas perguntas:

  1. Alguém duvida que o professor de educação física da escola (concursado) seja capaz de realizar este trabalho?
  2. Alguém acha que ele pode realizar este trabalho com o parco tempo que ele tem de aula em cada turma, quando ele tem que ministrar suas aulas?
  3. Alguém acha que foi oferecido a ele tempo extra para desenvolver um projeto deste tipo, para além do tempo de suas aulas?
  4. Alguém acha que ele não tentou desenvolver um projeto deste tipo na escola, mas o projeto foi simplesmente negado ou desprezado?

Sim, ele tentou.

É isso o que eu quero dizer quando apelo: parem de inventar projetos, projetinhos e projetões!

Deem a educação ao professor!

Deem tempo, salário digno, oportunidades, materiais adequados, e os professores podem realizar a tão necessária revolução na educação.

Parem de vender a educação!!

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Sem tempo extra para realizar projeto, porque a FME “não tem dinheiro” para o professor

Sobre Declev Dib-Ferreira

Declev Reynier Dib-Ferreira é professor, biólogo, educador ambiental, especialista em EA pela UERJ, mestre em Ciência Ambiental pela UFF, doutor em Ciências pela UERJ.

Um comentário

  1. Honestamente,cara,como é que podem ser tão caras-de-pau?E no final?O projeto será avaliado?Os alunos envolvidos serão monitorados?Tenho quase certeza de que:1. o “projeto”não vai resolver absolutamente nada e 2.não vai haver prestação de contas.Talvez,se envolvessem os professores,este seria um PROJETO mesmo e mais barato e muito mais bem sucedido.
    Aqui em Sampa não houve algo do tipo ainda(que eu saiba),mas um dia alguem vai ter uma ideia dessas.
    Abraço.