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Escola é chata porque não faz sentido

Escola é chata porque não faz sentido é o título de uma notícia do Jornal da Ciência.

É quase que chover no molhado esta afirmação hoje em dia. O problema é como fazer sentido no mundo de hoje…

Como fazer fazer sentido, principalmente com o público com o qual atuo, que vive num bairro pobre, violento, onde só tem caminhão, poeira e bandidos heróis?

No artigo, algumas das causas são as disciplinas desconectadas do cotidiano, professores desmotivados e reprovações. Ô coisinha difícil de mudar né?

Como ficar motivado sendo professor neste país de… de… de merda? Como conectar as disciplinas ao cotidiano, se o nosso cotidiano é totalmente diferente dos alunos? Se nosso mundo e o deles são mundos paralelos, que não se encontram?

Hoje em dia não sou a favor da reprovação (ainda reflito sobre isso, um dia eu escrevo), mas o que fazer se o aluno não faz, não se interessa, não estuda, não aprende, não desenvolve como sabemos (ou pelo menos queremos) que ele deva e pode fazer?

Não queremos que ele aprenda – pelo menos eu penso assim – por aprender, mas porque acreditamos que será importante para a vida dele, para que possa mudar sua própria condição de vida!

Rubens Alves diz que para reverter o quadro deve-se mudar “a cabeça e o coração do professor”. Bonito… concordo… mas como? Achacando seu salário? Enfurnando-o em uma sala de aula com o quadro e o giz e 30-40 alunos? Fazendo-o ir de uma escola para outra tendo que almoçar correndo ou mesmo nem almoçar? Como? Trabalhando em 3 turnos, como eu conheço muitos que fazem? Pois é assim que somos “motivados” a motivar os alunos!

Eu, Rubens, acho que para reverter o quadro deve-se mudar a cabeça e o coração dos gestores da educação!!!

Diz ainda que “a escola não tem nada a ver com a vida dos jovens da periferia”. Não faz sentido pra vida do jovem. E não tem a ver nem faz sentido mesmo! Concordo… mas como mudar?

O que faz sentido pra vida daquele aluno que vive ali, muitas vezes é, segundo a experiência que tenho, o bandido, a arma, o namoro…

Difícil competir com as “armas” que nos dão! Difícil competir quando nos encontramos com eles poucas horas por semana, enquanto o lado mais divertido da vida deles está quase o dia todo em sua companhia!

O que você acha? Tem alguma ideia?

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Para mudar

 

 

Sobre Declev Dib-Ferreira

Declev Reynier Dib-Ferreira é professor, biólogo, educador ambiental, especialista em EA pela UERJ, mestre em Ciência Ambiental pela UFF, doutor em Ciências pela UERJ.

3 comentários

  1. Também não resisto a deixar o comentário…

    É a escola que não faz sentido, ou é a vida desses jovens da periferia que não faz sentido?…

    Vá convencer a garota-de-programa que fatura em um fim-de-semana o que um professor não ganha em um mês, que ela tem que “largar essa vida”… Argumente que ela vai ter uma “vida-útil” de, no máximo, uns cinco anos… Ou argumente a mesma coisa com um garoto “soldado-do-tráfico”…

    A “opção de vida” deles já veio pronta, da “fábrica”…

  2. Ola!

    Querido João entendo sua tristeza perante a situação, mas como diz sabiamente Bertold Brecht Nada é impossível mudar.
    Desconfiai do mais trivial,
    na aparência singelo.
    E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
    Suplicamos expressamente:
    não aceiteis o que é de hábito como coisa natural,
    pois em tempo de desordem sangrenta,
    de confusão organizada,
    de arbitrariedade consciente,
    de humanidade desumanizada,
    nada deve parecer natural
    nada deve parecer impossível de mudar.

    Se aceitarmos que isso é pré definido não nos daremos a chance de fazer algo, de repente não mudamos o mundo, mas fazemos algo por alguém que poderá fazer algo por outro alguém, e assim sendo sujeitos da nossa história podemos levar outros a tb reconhecerem assim … podem achar que estou sonhando, e é isto mesmo sonho com um mundo melhor porque foi sonhando um mundo melhor para mim que deram a oportunidade de ter vida vindo de onde vim… Então é preciso acreditar que é possivel mudar, fazer algo … um beijo a todos e que possamos pensar nesta possibilidade!

  3. torno minhas as suas palavras. Sinto-me extamente como voce. Coragem para todos nos, Um grande abraco

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