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Mortes de policiais – o que podemos pensar a respeito

As mortes de policias está em todas as notícias ultimamente.

Nesta guerra o pessoal gosta de dizer que “escolhe” o policial ao bandido, ou seja, que prefere que o “bandido” morra ao policial.

Simplório. Eu, particularmente, não desejo a morte de ninguém. Desejo Justiça. E ela não é tão simples como a morte de pessoas às pencas.

Em primeiro lugar, policial não mata só “bandido”. Eles promovem verdadeiras chacinas nas favelas, onde qualquer jovem preto pobre é, para eles, um “bandido” em potencial e, por isso, pode ser morto.

Mas quantos inocentes também se vão nestes extermínios? A polícia do Brasil é a que MAIS MATA NO MUNDO. [Opa! Mais um recorde pro Brasil!!]

Mas a violência só aumenta, então a conta não fecha.

Os casos de policiais pegos forjando flagrantes são prova de que não matam somente bandidos. E não são poucos os que ficamos sabendo, imagina a quantidade de casos que não vemos.

Ora, e estes que “escolhem” o policial, desejando a morte de “bandidos”, falam como se policial não pudesse ser, ele próprio, um bandido.

Também não é o que percebemos pelas notícias. Com uma pequena pesquisa pode-se ter milhares de resultados de policiais, mas bandidos de farda e distintivo.

Você não viu o Tropa de Elite não? Deveria ver.

Mas é claro que não se pode generalizar, não é? Eu mesmo não generalizo e não posso dizer que são TODOS bandidos, mas a INSTITUIÇÃO polícia, especialmente a polícia militar, não é flor que se cheire.

Quantos policiais honestos que querem fazer um bom trabalho de fato conseguem?

Este é um debate que deve ser feito.

Mas, com certeza, quem só vê a questão como “policial é o bonzinho”, “bandido é o bandido” é o mesmo povo que generaliza dizendo que “político é tudo igual, é tudo corrupto”.

Ora, pode generalizar ou não?

Numa disputa política se ausenta, generaliza e coloca todos como “farinha do mesmo saco”, deixando de ver as idiossincrasias. Deixa de ver, por exemplo, que um determinado candidato, um deputado ou um partido NÃO TEM nenhum processo, nem uma acusação, etc., e que, portanto, NÃO SÃO todos iguais.

Sabe porque eles ‘se esquecem” destas diferenças? Porque, em geral, estes políticos honestos são justamente aqueles que são de outra ideologia da deles.

Sim, os políticos mais sujos, os mais corruptos são justamente os que pensam como eles: “prefiro o policial e bandido bom é bandido morto”.

Que sinuca de bico, hein?

Mas você consegue perceber que tudo está ligado?

É assim: a corrupção na polícia – sim, caro conservador, ela existe, e muito! – é o que faz com que as armas cheguem aos “bandidos”, que as droga cheguem nos morros, que as drogas sejam vendidas… Ou seja, é a corrupção policial que mantém a própria atividade ilegal dos”bandidos”.

E quando entram em confronto, são as armas que lá chegam pela própria polícia (ou facilitado pela polícia) que matam a própria polícia.

Já parou pra pensar nisso?

E o Estado Policial assassino e violento é o que faz com que a violência chegue aos extremos como estamos neste momento.

Se a polícia só sabe trabalhar com a perspectiva da morte, da chacina e do extermínio da população jovem negra e pobre, é só isso o que eles podem receber de volta.

O logo das polícias de elite chega a ser uma caveira com facas enfiadas no crânio. As músicas são exaltando a morte dos outros.

Já viu o filme Tropa de Elite? Deveria rever.

E queriam receber o quê? Flores?

Espero que você não termine de ler este textão e entenda tão somente “Declev quer que policiais morram!”. Como eu disse, não desejo a morte de ninguém. Mas precisamos rever o conceito de combater violência com violência e a dualidade “mocinhos x bandidos”.

Ambas são premissas falsas.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira