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Bye bye Suzana Herculano-Houzel, neurocientista brasileira

Bye bye Suzana Herculano-Houzel. Saiu na Revista Piauí que a neurocientista está indo embora do país.

Eu entendo perfeitamente, antes mesmo de ter chegado à universidade. Parei antes. Desisti de tentar. Abandonei minha carreira de educador ambiental e biólogo, talvez no meio, talvez um pouco mais.

Por que Suzana Herculano-Houzel está indo embora?

Já falei por aí as razões, mas repito.

Eu não tenho mais nenhuma pretensão acadêmica. Diversos e pontuais acontecimentos me fizeram tomar um certo nojo pela academia.

Certa vez fiz um concurso para a UERJ. Eram três candidatos(as). Uma faltou à prova, ficamos só dois. A outra candidata foi mal na prova escrita e foi desclassificada. Eu passei com uma nota 8,5 e fui à prova de aula sozinho. 

Caiu no sorteio um tema que não era exatamente o meu de preferência, mas lá fui eu.

Fui desclassificado e reprovado – professor e palestrante há mais de 20 anos na área ambiental – na “prova de aula”; mesmo havendo somente eu de candidato para uma vaga; mesmo sabendo que estes concursos são difíceis de serem liberados pelo poder público; mesmo sabendo que a UERJ vive em crise e com falta de professores.

Como eu entendi? Ora, como o de sempre: não era “eu” que queriam naquela vaga. 

Na época eu fiquei chateado. 

Mas hoje, com o pezão como governador e vendo todas as notícias que vejo em relação ao governo estadual – falta de pagamentos, falta de repasses às instituições, etc. – , eu agradeço às professoras que me reprovaram numa prova de aula para a vaga de professor da UERJ, mesmo tendo somente eu como candidato.

Hoje, de salário, ganho mais como professor de ensino fundamental do município de Niterói indo trabalhar 3 manhãs do que ganharia se tivesse passado no concurso pra trabalhar 40 horas.

Muito obrigado, professoras!

Com a estrutura que as universidades têm, com as brigas internas, com as falcatruas que vemos acontecer todos os dias diantes de nossos olhos sem poder falar nada, é um difícil.

Grana, não tem, só pra quem sabe trabalhar por baixo dos panos e serpentear pela política.

Outro exemplo de minha vida: eu organizei, junto com outras pessoas, um fórum de educação ambiental a nível nacional, aqui no Rio de Janeiro, em 2009.

Vocês não imaginam a dificuldade de conseguir e ter acesso a um financiamento para desenvolver o evento. Tive que passar por momentos tão desagradáveis que caí em depressão. À época quase perdi meu doutorado.

Saí do fórum com dívidas – acreditem, com dívidas!

E as mesmas instituições que vemos gastando milhões – quiçá bilhões – em obras superfaturadas, obras que desabam, compras milionárias SEM LICITAÇÃO, ou não deram nem um centavo ou deram muito pouco ou, até mesmo, prometeram dinheiro e depois retiraram. Isso aconteceu: disseram que iam dar e depois tiraram o dinheiro. Inclusive o próprio ministério do meio ambiente, à época com o minc como ministro. Não esqueço desta rasteira.

Saí em depressão, endividado e quase perdendo o doutorado por conta de um desafio que aceitei fazer. Dentro da própria universidade onde ocorreu o evento há um dos mais conceituados grupos de pesquisas em educação ambiental; sabe o que fizeram? NADA. Sabe o que ajudaram? NADA.

Brigas políticas, dirão alguns. Mas é briga mesmo pelo EGO e por grana.

Enfim, meu ego não chega a tanto e meu interesse por dinheiro não me faz passar por cima de ninguém.

Suzana Herculano-Houzel

Então, bye bye, Suzana Herculano-Houzel

Desisti. E ela, a Suzana Herculano-Houzel, de certa forma, desiste também aqui do Brasil.

Ela tem os motivos dela, eu os meus… e os seus?

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira

A Carta de Belém e a Educação Ambiental

Durante o VIII Fórum Brasileiro de Educação Ambiental, ocorrido em Belém em dezembro de 2014, a REBEA, como sempre faz em seus encontros, gerou um  documento de referência da Rede Brasileira de Educação Ambiental para discussão com o poder público e todos os setores da sociedade.

Os itens do documento foram discutidos com os representantes e Facilitadores da Rede durante todo o encontro e, ao final, ele foi lido e aclamado na Plenária.

A Carta de Belém, contém uma análise da conjuntura atual e indica as reivindicações e proposições dos educadores ambientais para a formulação de políticas públicas e ações conjuntas entre os diversos setores, na busca de sociedades sustentáveis.

Vamos à Carta de Belém:

Fórum Educação Ambiental

O coletivo de facilitadores (as) representantes das redes da malha da Rede Brasileira de Educação Ambiental – REBEA, presentes no VIII Fórum Brasileiro de Educação Ambiental, que comemora seus 26 anos, realizado no Campus da Universidade Federal do Pará entre os dias 03 e 06 de dezembro de 2014, e que teve como objetivo geral: Fortalecer a Educação Ambiental brasileira em suas diversas matizes, por meio da consolidação de experiências desenvolvidas nos mais variados contextos, através dos atores sociais que se articulam por meio da malha da Rede Brasileira de Educação Ambiental (REBEA),criando mecanismos de maior divulgação, intercâmbio e avaliação dessas experiências.

O VIII Fórum foi promovido de forma participativa pelos facilitadores da malha de mais de 50 redes da Rede Brasileira de Educação Ambiental – REBEA –, e revisitando as considerações e deliberações da Carta da Praia Vermelha, produzida no VI Fórum do Rio de Janeiro, e referendada na Cúpula dos Povos, em 2012, esse coletivo de redes apresenta aos gestores públicos, sociedade civil, movimentos sociais e comunidades e povos tradicionais e indígenas as considerações e deliberações da plenária final do evento:

1) Considerando que a Constituição Federal, em seu artigo 225, §1º, inciso VI, a Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, determinam que o Poder Público deve promover a Educação Ambiental (EA) em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente;

2) Considerando que, nos termos da Lei Federal nº 9.795, de 27 de abril de 1999, que instituiu a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA), regulamentada pelo Decreto nº 4.281, de 25 de junho de 2002, a Educação Ambiental é um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, e institui a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA), referendada pela Resolução Nº 2, de 15 de junho de 2012 que estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental,

3) Considerando a preocupação das redes e movimentos sociais participantes do VIII FBEA quanto às contradições entre as ações do governo federal, no que diz respeito à articulação entre as políticas públicas de Educação, Educação Ambiental e Meio Ambiente, e o embate político, interesses e pressão econômica das grandes corporações, provocando o enfraquecimento da legislação, de gestão e licenciamento ambiental no país;

4) Considerando a urgência de empoderar e fortalecer a representação do Órgão Gestor e do Comitê Assessor da Política Nacional de Educação Ambiental, em todas as esferas de governo (Estados, Municípios e o Distrito Federal) de forma a assegurar as ações conjuntas entre o MEC, por meio da Coordenação Geral de Educação Ambiental (CGEA), órgão da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão – SECADI, e o MMA, por meio do Departamento de Educação Ambiental (DEA), órgão da Secretaria de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental, cumpram seu papel de estabelecer, de forma participativa, ações conjuntas para implementação das Políticas Públicas de Educação Ambiental, em especial, o Sistema Nacional de Educação Ambiental (SISNEA), monitoramento e avaliação de programas, projetos e ações e metodologias participativas, em diálogo permanente com as redes, coletivos e movimentos sociais;

5) Considerando a necessidade do diálogo governamental com as redes, coletivos, movimentos sociais, comunidades e povos tradicionais, indígenas, e o restante da sociedade brasileira, para se ter clareza de quais são as prioridades da agenda do novo governo federal para o campo socioambiental, de forma a garantir um planejamento sistêmico e os espaços conquistados para participação social no país, respeitando a dimensão local e global, para a transformação e transição para sociedades sustentáveis includentes e justas;

6) Considerando o avanço na implementação da dimensão ambiental no ensino, e os desafios para a construção de melhores relações dos seres humanos entre si e com a natureza, e das instituições educacionais – da Educação Infantil à Educação Superior – realizarem a transição para se constituírem como espaços educadores sustentáveis, o que exige maior divulgação da Resolução n. 2 do Conselho Nacional de Educação que criou as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNEA);

7) Considerando a necessidade de aprovação de Projetos de Lei, como os 4361/2012 e 3215/2012, que regulamentam o financiamento das ações de Educação Ambiental;

8) Considerando as conclusões da UNESCO no encontro de Nagoya, Japão, destacando as experiências da Educação Ambiental brasileira, que convergem com a Década do Desenvolvimento Sustentável, como é o caso dos coletivos educadores, municípios sustentáveis, e no âmbito das redes universitárias, os indicadores para sustentabilidade, bem como os compromissos do país no que diz respeito aos processos formativos para enfrentamento das mudanças climáticas e redução de riscos de desastres, e sobre os Objetivos do Milênio (ODM), e a agenda pós 2015, onde serão adotados novos objetivos para a humanidade e a necessidade da educação ambiental estar incorporada transversalmente nas prioridades nacionais;

9) Considerando a importância do acolhimento e inserção da juventude e suas pautas nas redes estaduais e temáticas que compõem a REBEA, e reconhecendo seu papel histórico como protagonistas do diálogo intergeracional, no intuito de oxigenar a própria REBEA e fortalecer as ações deste campo, na formulação e efetivação de políticas públicas voltadas à juventude ambientalista brasileira;

10) Considerando as ações de cooperação bilateral e multilateral que incluem em suas partes programas e ações de Educação Ambiental.

Pleiteamos:

– a urgência de fortalecer e ampliar a integração entre as redes e coletivos para o empoderamento social com as comunidades para o diálogo com os governos panamazônicos e latino-americanos e do Caribe para a proteção da vida nos territórios, com especial atenção no fortalecimento e implementação da formação de pessoas para a conservação e uso dos bens e serviços ecossistêmicos na Amazônia, previstos no Tratado de Cooperação Amazônica (TCA);

– a necessidade do engajamento no diálogo sobre a gravidade da crise ambiental, representada pelos efeitos da mudança climática global, acelerada pela ação humana, atingindo no momento milhões de brasileiros com a seca histórica que afeta as Regiões Nordeste e Sudeste, com a ameaça de colapso no abastecimento de água nestes territórios, contradições do sistema capitalista e neoliberal que acabam provocando sérios problemas socioambientais e econômicos, como o êxodo de populações em busca de melhores condições econômicas e de qualidade de vida;

– a necessidade de valorizar e respeitar a diversidade socioambiental e etnocultural dos povos que habitam as grandes bacias hidrográficas transfronteiriças como a andina, amazônica e do Prata, as quais co-habitam com uma rica diversidade biológica que precisa ser preservada para as atuais e futuras gerações, para além do utilitarismo;

– a urgência da aproximação da pauta ambiental com os direitos humanos, especialmente na redução de barreiras para a igualdade de oportunidades para todas as pessoas, garantindo assim, um desenvolvimento humano justo, acessível, portanto, inclusivo;

– estratégias por parte do governo, por meio do Órgão Gestor da EA brasileira que considerem o processo de internacionalização das redes de educadores e de universidades consolidando a integração de universidades-elos do Brasil com a Alianza de Redes Iberoamericanas de Universidades por la Sustentabilidad y el Ambiente (ARIUSA), GUPES latinoamerica, Rede de Indicadores de sustentabilidade nas universidades – Rede RISU, e também com a Rede Lusófona de EA (países CPLP), REATur e Rede PLANTEA;

– que as Instituições de Educação Superior (IES) promovam diagnósticos, políticas e programas universitários de Educação Ambiental, como uma perspectiva ampliada de ambientalização e sustentabilidade dos campi universitários, nas dimensões do ensino, pesquisa, extensão e gestão, bem como na estruturação do Programa Nacional Universidades Sustentáveis, em parceria com as redes e Instituições de Educação Superior (IES);

– a necessidade de avaliar e ampliar politicas de estado que se institucionalizem em politicas públicas, como: a Conferência Infanto-juvenil para o Meio Ambiente o Programa Mais Educação, PDDE – Escolas Sustentáveis reforçando as Agendas 21 Locais, Comissões de Meio Ambiente e Qualidade de Vida – COM VIDA, previstas no Programa Nacional Escolas Sustentáveis (PNES), em parceria com as redes e Instituições de Educação Superior (IES);

– intensificar o processo de divulgação e implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNEA) em todos os níveis de ensino;

– o fortalecimento da Coordenação Geral de Educação Ambiental (CGEA), vinculada ao MEC, e o Departamento de Educação Ambiental (DEA), vinculado ao MMA, que compõem o Órgão Gestor da Política Nacional de Educação Ambiental;

– garantir a paridade entre governo e sociedade civil, reconhecendo, legitimando e ampliando legalmente a participação no âmbito dos diálogos inter-redes da REBEA, da REJUMA, RUPEA e outras como representantes da malha de redes nacionais no Comitê Assessor da PNEA, fóruns e colegiados de discussão e controle social das políticas públicas em educação, Educação Ambiental e Meio Ambiente;

– revitalizar, rearticular e fortalecer as Comissões Interinstitucionais de Educação Ambiental (CIEAs) e Câmaras Técnicas em Colegiados Socioambientais, como Conselhos de Educação e Meio Ambiente, Comitês de Bacia, Conselho Gestor de Unidade de Conservação ampliando o dialogo e participação desses coletivos na implementação das Políticas de EA, bem como que o MEC, as Secretarias Estaduais e Municipais de Educação, juntamente com a sociedade civil encaminhem esforços concretos para garantir que os planos estaduais e municipais de Educação contemplem as diretrizes e metas do Plano Nacional de Educação, com especial atenção à promoção dos princípios do respeito aos direitos humanos, à diversidade e à sustentabilidade socioambiental;

– definição de normas e mecanismos para direcionar parte dos recursos obtidos pela aplicação das multas ambientais à implementação das políticas públicas e ações em Educação Ambiental, de forma que a DEA-MMA e a CGEA-MEC disponham da autonomia e recursos financeiros previstos na legislação para a gestão dos programas e projetos em Educação Ambiental em andamento no país, alguns deles estagnados ou paralisados por falta de corpo técnico para acompanhamento e avaliação;

– abertura do diálogo com os órgãos do licenciamento ambiental federal e estaduais, e com o Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA) e Conselho Nacional de Recursos Hídricos para estabelecimento de normas e critérios para construção participativa de todas as etapas estruturantes dos programas de Educação Ambiental sintonizados com os princípios da Política Nacional e Estaduais de Meio Ambiente e de Educação Ambiental e suas práticas;

– revisão da Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA), que completou seus 15 anos, o que exige um processo de diagnóstico, avaliação e reformulação frente aos desafios da problemática socioambiental no âmbito nacional e internacional;

– que todos os órgãos de Meio Ambiente e Educação de Estados, e Munícipios e Distrito Federal disponham de unidades administrativas de Educação Ambiental a fim de garantir a Educação Ambiental como um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, de acordo com a PNEA e os princípios e objetivos da DCNEA;

– que todos os Estados, Municípios e Distrito Federal desenvolvam e implementem suas políticas e programas de Educação Ambiental, conforme a legislação vigente;

– que as CIEAs garantam, quando for o caso, a representatividade de comunidades e dos povos tradicionais/indígenas;

– promover o diálogo, para definir uma ecologia de saberes que nos aponte as convergências entre as diferentes filosofias, epistemologias e metodologias que fundamentam as práticas e ações em Educação Ambiental no país, diante dos desafios e vulnerabilidades a que estamos expostos com a degradação da capacidade de suporte de vida no planeta pela espécie humana e demais seres que com ela coabitam;

– a facilitação dos órgãos responsáveis pela implementação da política externa brasileira, nomeadamente o Ministério das Relações Exteriores, no âmbito de suas funções para a consolidação de diálogos e articulação de ações e projetos com Redes afins no contexto da ONU, dos países e blocos que o Brasil integra, a exemplo do BRICs, Mercosul e demais instituições como o TCA;

– fortalecer as ações do campo socioambiental, na formulação e efetivação de políticas públicas voltadas à juventude ambientalista brasileira.

Concluindo, acolhemos as novas Redes criadas no âmbito da malha da REBEA: Rede de Educação Ambiental para Escolas Sustentáveis, Rede de Educação Ambiental na Agricultura Familiar e reiteramos a pauta de reivindicações anunciadas na Carta da Praia Vermelha, aprovada na plenária Final do VI Fórum Brasileiro de EA, realizado no Rio de Janeiro em 2009, e reafirmamos o nosso compromisso como brasileiros e brasileiras, educadores, militantes e sujeitos engajados da área socioambiental em ampliar e promover o debate sobre os desafios necessários a serem enfrentados para a consolidação e construção de políticas públicas e ações da sociedade, em geral, que promovam mudanças políticas, econômicas, sociais e culturais, visando a construção de sociedades sustentáveis, entendidas como aquelas assentadas sobre os princípios da equidade, da justiça, da sustentabilidade socioambiental e econômica.

Finalizando, conclamamos o Governo Federal, os Governos Estaduais, Municipais e do Distrito Federal a assumirem os compromissos aqui elencados por meio da implementação de políticas públicas participativas, engajando, em especial, os movimentos sociais diversificados nas transformações pelo que pleiteamos e assentados sobre a ética de defesa e promoção da vida, no controle da sociedade sobre o Estado e na construção da agenda pactuada na Cúpula dos Povos e nos Fóruns Sociais Mundiais.

Belém-PA, 06 de dezembro de 2014

Assinam a presente Carta os facilitadores da Malha de redes da Rede Brasileira de Educação Ambiental presentes ao VIII Fórum Brasileiro de Educação Ambiental.

1. Rede de Educação Ambiental do Rio de Janeiro – REARJ

2. Rede Capixaba de Educação Ambiental – RECEA m

3. Rede Mineira de Educação Ambiental – RMEA

4. Rede Paulista de Educação Ambiental – REPEA

5. Rede de Educação Ambiental da Bacia do Rio São João – REAJO

6. Rede de Educadores Ambientais da Baixada Fluminense (RJ)

7. Rede de Educadores Ambientais da Baixada de Jacarepaguá (RJ)

8. Rede Estrada Parque de Educação Ambiental – (Barbacena – MG)

9. Rede de Educadores Ambientais do Médio Paraíba do Sul (RJ)

10. Rede de Educação Ambiental da Bahia – REABA

11. Rede Alagoana de Educação Ambiental – REAL

12. Rede de Educação Ambiental do Rio Grande do Norte – REARN

13. Rede de Educação e Informação Ambiental de Goiás – REIA-GO

14. Rede Paraense de Educação Ambiental – REDEPAEA

15. Rede de Educação Ambiental de Rondônia

16. Rede Sul Brasileira de Educação Ambiental – REASUL

17. Rede Paranaense de Educação Ambiental – REA-PR

18. Rede de Educação Ambiental Escolar- IIDEA

19. Rede ECOSURFI

20. Rede de Centros de Educação Ambiental – REDE CEAS

21. Rede Materiais de Educação Ambiental – REMATEA

22. Rede da Juventude pelo Meio Ambiente e Sustentabilidade – REJUMA

23. Rede Olhares da Juventude

27. Rede Brasileira de Informação Ambiental- REBIA –

28. Rede Ambiental da Primeira Infância – REAPI 29. Rede de Educadores Ambientais de Niterói e Leste da Baia de Guanabara (RJ)

30. Rede de Educação Ambiental da Serra dos Órgãos – REASO (RJ)

31. Rede Carajás de Educadores Ambientais – Rede Carajás

32. Rede Amazonense de Educação Ambiental – RAMEA

33. Rede Universitária de Programas de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis – RUPEA

34. Rede de Educação Ambiental na Agricultura Familiar(criada no âmbito deste Fórum)

35. Rede Aguapé de Educação Ambiental no Pantanal – Rede Aguapé – MS

36. Rede de Educação Ambiental da Paraíba – REA-PB

37. Movimento Unido dos Povos e Organizações Indígenas da Bahia – MUPOIBA

38. Rede Cearense de Educação Ambiental – RECEBA

39. Rede de Educação Ambiental da América Latina – Rede EALatina

40. Rede de Educação Ambiental Costeira e Marinha – REACOMAR

41. Rede Cearense de Juventude pelo Meio Ambiente – RECEJUMA

42. Rede de Educação Ambiental para Escolas Sustentáveis (criada no âmbito deste Fórum)

Assinam também esta Carta:

43- Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais – FBOMs

44- Rede Brasileira de Agendas 21 Locais – REBAL

Veja também os outros artigos sobre Educação Ambiental.

O que são as “Jornadas” dos Fóruns Brasileiros de Educação Ambiental?

Continuando a série sobre os Fóruns Brasileiros de Educação Ambiental, agora vamos tratar de um de seus elementos principais, as Jornadas.

Mais uma vez, recorro a Jacqueline Guerreiro, que é quase uma biblioteca ambiental ambulante, para nos explicar o que são as Jornadas que ocorrem no âmbito dos Fóruns.

Cada Jornada é organizada por uma ou mais rede do Brasil. A escolha do tema é livre por quem organiza, sendo, obviamente, o tema de acordo com a vida profissional dos enredados ou da rede.

A participação é aberta a todos que querem dar sua colaboração, basta chegar.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira

O que são as Jornadas dos Fóruns Brasileiros de Educação Ambiental

As Jornadas no âmbito dos Fóruns iniciam-se no V Fórum em Goiânia (2004) e consolidam-se no VI Fórum no RJ (2009).

O V Fórum estava sob a coordenação da Patrícia Mousinho, então secretária da REBEA. E quando esta me convidou para trabalhar com ela na estruturação deste Fórum eu sistematizei as discussões sobre a identidade de nossos fóruns a partir do eixo Fortalecimento da REBEA, que era um dos eixos principais desta secretaria da rede. Assim, organizamos o ” espaço das redes” com três territórios : o dos Stands das Redes, o do Encontro da REBEA e os das Jornadas. As Jornadas, neste momento, ainda se configuraram num misto entre demandas das redes e indicações da coordenação do fórum. Era um experimento, diríamos assim.

No VI Fórum, organizado por mim e pelo Declev Dib-Ferreira, este Espaço das Redes se consolida a partir do diálogo constante com os facilitadores das redes da malha da REBEA e então tivemos novamente os Stands das redes, o Encontro da REBEA e as Jornadas:

1- Stands: Seguiram a proposta do V Fórum, ou seja, são stands tradicionais, todos juntos num mesmo espaço, em que cada rede se apresenta aos educadores ambientais presentes ao Fórum. Às vezes, várias redes compartilham um mesmo stand se assim acharem pertinente. Nestes stands são apresentados os materiais elaborados pelas redes, suas histórias, são organizadas atividades. Como estão todos juntos, apesar de delimitados pela estrutura tradicional dos stands de eventos, os seus corredores acabam se tornando “espaços de trocas e diálogos”. É o espaço onde os enredados se encontram, reencontram, tecem parcerias, comem e bebem (as redes levam produtos regionais), cantam e dançam, etc.

Uma questão com relação aos stands é que no VI Fórum pudemos também ter stands para as nossas redes-irmãs. Assim, a REBEA proporcionou stands para o FBOMS e a REBAL.

2- Encontro da REBEA: No VI Fórum, após as discussões anteriores ao evento, decidiu-se que o Encontro da REBEA nos fóruns deveria não apenas ser um encontro “administrativo” da rede, onde várias decisões sobre o funcionamento da rede e os futuros encaminhamentos seriam decididos, mas também deveria ser um encontro onde a rede tecesse posicionamentos políticos claros sobre questões nacionais e globais. Assim, nesta dimensão, o Encontro da REBEA inserido no VI Fórum definiu:

a) a Carta da Praia Vermelha como norteador político dos posicionamentos da rede em questões chave.

b) o apoio da REBEA à Jornada do Tratado de EA, que se consubstanciaria, no que tange aos Fóruns em um stand em todos os próximos Fóruns para as informações acerca do Tratado Internacional de EA de 1992, que é a Carta de Princípios da REBEA.

3 – Jornadas: As Jornadas são organizadas pelas redes, não por indivíduos enredados, são as facilitações das redes que apresentam a proposta, seguindo os eixos do Fórum. As redes possuem autonomia para pensarem o formato, os nomes, os produtos, evidentemente em diálogo com a Coordenação do Fórum. É o espaço onde os saberes e experiências das redes podem ser apresentados aos participantes dos fóruns, já que os espaços mais tradicionais dos fóruns (conferências, mesas, etc.) possuem muitos indicadores a serem levados em consideração na sua organização (políticos, regionais, financeiros…).

No VII Fórum na Bahia (2012) este espaço das redes não foi totalmente consolidado, mas agora no VIII Fórum (3 a 6 de dezembro em Belém), organizado pela Rede Paraense, nos nomes da Marilena Loureiro e do Fidelis Paixão, estes consensos foram reiterados e estes 3 espaços-tempo (Stands das redes, o Encontro da REBEA e as Jornadas) existirão.

No caso dos Stands já estamos coletivamente na Facilitação fazendo um levantamento das redes; as Jornadas já estão também sendo objeto de reflexão e organização; e o Encontro da REBEA ainda deverá ser objeto de reflexão na Facilitação Nacional.

Seguindo nossos consensos, o Colegiado Nacional da REBEA (redes do RJ, do PA, BA, SUL, MS e SP) auxiliará a Coordenação do Fórum na estruturação destas três dimensões, pois dá um baita trabalho.

Apenas para lembrar porque eu e vários já respondemos dúvidas aos montes sobre isso: o próximo fórum da REBEA (IX) será na região Sul do país, pois o consenso estabelecido no V Fórum em Goiânia foi de uma região por vez. Depois, o X retorna ao Centro-Oeste (e a rede do Mato Grosso do Sul, no VII Fórum já apresentou a possibilidade de ser lá).

Por fim, a Jornada do Tratado de EA deverá, seguindo nossos consensos, ter um stand específico. No VII Fórum isto não foi possível, mas temos que viabilizar desta vez.

Os Fóruns Brasileiros de Educação Ambiental e seus diálogos com outros coletivos e movimentos

Os  Fóruns Brasileiros de Educação Ambiental são eventos em que se busca ampliar a discussão e participação social relacionadas à implantação da educação ambiental em todos os setores da sociedade.

Desta forma, para que não fique somente no âmbito dos próprios educadores ambientais, estes eventos vêm ampliando o leque de participação e buscando dialogar com diversos outros grupos de atuação política.

Recebi esta mensagem por email, escrita pela Jacqueline Guerreiro. Copio-a aqui para ajudar no entendimento do que sejam estes fóruns e para manter um registro das ações.

Como eu já divulguei por aqui, este ano acontecerá o VIII Fórum Brasileiros de Educação Ambiental.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira

Os Fóruns Brasileiros de Educação Ambiental e seus diálogos com outros coletivos e movimentos

Desde o V Fórum (Goiânia, 2004) que os Facilitadores da REBEA estamos preocupados com estes diálogos com outros coletivos e movimentos.  Estes diálogos foram um dos Eixos da estruturação do V Fórum, coordenado pela então Secretária Executiva da REBEA Patricia Mousinho, que se empenhou pessoalmente no levantamento de recursos para que pudéssemos propiciar um encontro dos membros do GT de Educação Ambiental do FBOMS – Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais – e do Colegiado Nacional da REBAL – Rede Brasileira de Agendas 21 Locais. A proposta era de construção de uma agenda comum.

Este Eixo  também foi um dos alicerces na construção do VI Fórum (RJ, 2009). Neste Fórum os diálogos na Facilitação da REBEA ampliaram a perspectiva de construção de uma Agenda Comum de lutas e, neste sentido, tivemos nas mesas do Fórum representantes do FBOMS, REBAL, Rede Ecossocialista, Rede Brasileira de Justiça Ambiental, CUT, Rede de ONGs da Mata Atlântica, dentre outros. Propiciamos também a vinda para o Fórum de várias lideranças indígenas (inclusive Caciques), lideranças quilombolas, lideranças de movimentos de mulheres, dos movimentos negro, do campo e sindicais. Tivemos também, pela primeira vez, a perspectiva das pessoas com deficiência. Nos stands tivemos não apenas as redes de educação ambiental da malha da REBEA como também conseguimos disponibilizar stands para o FBOMS, REBAL, CNMA, os Povos Indígenas, etc.

Todo este movimento de diálogos e aproximações resultou na Carta da Praia Vermelha, onde algumas das perspectivas trazidas por estes diálogos foram inseridas.

Em janeiro de 2012 no Fórum Mundial em Porto Alegre os facilitadores da REBEA presentes salientamos a necessidade de continuidade destes diálogos e construímos um percurso mais objetivo em que os diálogos seriam um dos eixos primordiais do VII Fórum ( março, 2012) e do espaço da REBEA na Cúpula dos Povos (julho, 2012). Infelizmente não conseguimos concretizar estes diálogos no VII Fórum.

Estes diálogos iniciados em 2004 no V Fórum foram primordiais para nossa inserção na luta do campo ambiental por ocasião da Cúpula dos Povos. Lutamos junto com vários coletivos (notadamente o FBOMS que foi um grande arquiteto na construção de uma pauta comum), e conseguimos um território na Cúpula dos Povos para o campo ambiental e inserido neste território a nossa Tenda da REBEA/REBAL, em parceria com o Instituto Terra. Nesta nossa Tenda pudemos retomar estes diálogos políticos e eles são  um dos eixos de construção do VIII Fórum (Belém, 2014), pois todos os consensos estabelecidos pela Facilitação da REBEA , o que inclui a perspectiva destes diálogos com movimentos e coletivos, estão sendo respeitados pela Rede Paraense de Educação Ambiental,  organizadora do evento, nas pessoas dos Facilitadores Marilena Loureiro e Fidélis Paixão.

Mas há um ponto fundamental que é a fragilização da Educação Ambiental no PNE. Lembro que muito antes do Vítor da RUPEA chamar atenção aqui na lista da REBEA sobre esta questão, o Celso Sanchez (REARJ) e o Jorge Amaro (REASUL) já tinham enviado um texto sobre a necessidade de a REBEA ser mais pro-ativa para que a Educação Ambiental pudesse ter um espaço no PNE. Infelizmente não soubemos ser ágeis o bastante e fica um alerta para os futuros desafios.

Mas gostaria de lembrar que na Programação da Tenda da REBEA/REBAL na Cúpula tivemos a oportunidade de trazer todas as comunicações acerca da Educação Ambiental que foram propostas por representantes de universidades. Eu integrei o GT de Metodologia da Cúpula dos Povos como estratégia conjunta FBOMS-REBEA exatamente para visualizar o panorama das inscrições e arrebatar para a nossa Tenda as propostas que tivessem a Educação Ambiental em seu eixo e enviar para o FBOMS aquelas focadas na questão socioambiental. Nossa perspectiva (e afirmei isto em email para a lista de discussão do GT de EA da ANPED) era de um diálogo entre as  universidades que estavam a estudar a EA e os consensos políticos da REBEA no que tange à inserção da rede nos movimentos de luta social e ambiental. E isto poderia incluir uma discussão sobre o PNE. Infelizmente isto não ocorreu porque os representantes das universidades presentes apenas quiseram falar para eles mesmos, apresentando suas pesquisas uns para os outros. Foi um dos fracassos de nossa Tenda.

Mas temos também que pensar que a REBEA está num novo momento político (Carta da Praia Vermelha) e novo patamar de sua gestão (Colegiado Nacional, Facilitação Nacional) e que os processos de diálogos são sempre difíceis . Além disso, ainda falta fazermos uma análise mais qualificada de nossa participação na Cúpula dos Povos e na Rio+20.

Jacqueline Guerreiro

Livro de entrevistas sobre Educação Ambiental

Foi lançado um livro com a compilação das entrevistas sobre Educação Ambiental da Revista Eletrônica Educação Ambiental em Ação.

O livro é digital e está disponível para download gratuito.

O livro foi organizado por Berenice Adams, idealizadora do GEAI, pesquisadora, autora de diverso livros sobre educação ambiental.

Livro: “Coletânea de Entrevistas da Revista Eletrônica EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM AÇÃO”.

Entrevistas

São mais mais de cinquenta experiências, de diferentes atores sociais que, direta ou indiretamente, possuem vínculo com a Educação Ambiental.

Todos foram entrevistadas ao longo dos 12 anos da revista virtual Educação Ambiental em Ação (entre 2002 e 2014).

Para download do livro, clique neste link.

Eu participo com uma entrevista.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira

 

Escola ou posto de saúde?

A mãe liga pra escola de manhã, meia hora antes de começar a aula:

– Escola Ypsilon, bom dia!

– Oi, aqui é a mãe do aluno Fulano de Tal. Eu tô ligando pra dizer que tivemos um problema aqui, um vaso de cerâmica caiu na testa do meu filho, que estava dormindo, e abriu a testa dele. Era um vasinho de cerâmica que ganhei de presente, tava ainda no plástico, mas tava numa janela acima da cama aí caiu e machucou ele. Eu estou ligando pra dizer que já coloquei um band-aid no ferimento e mandei ele pra escola pra fazer o curativo aí, com o enfermeiro.

– Mas, mãe, aqui não é um posto de saúde, o enfermeiro não é pra fazer curativos. Se ele machucou, tem que levar ao hospital ou ao posto de saúde. Tem um aqui perto, leva ele pra lá!

– Ah, não. Ele já saiu daqui. Deve estar chegando aí. [e o telefone: pu pu pu pu pu pu….]

– ….

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira

Revista Eletrônica Educação Ambiental em Ação

A dica de hoje é a Revista Educação Ambiental em Ação. Ela é eletrônica e nasceu a partir do Grupo de Educação Ambiental da Internet – GEAI, em 2002. Este grupo mantém uma lista de discussão, onde a ideia surgiu e foi posta em prática por Berenice Adams, idealizadora do GEAI, pesquisadora, autora de livros sobre educação ambiental e uma das editoras da Revista EA, junto com Sandra Barbosa e Júlio Trevisan.

educação ambiental

A revista eletrônica Educação Ambiental em Ação publica trabalhos que estejam relacionados com os seguintes eixos temáticos:

  • Relatos de Práticas de Educação Ambiental;
  • Diversidade da Educação Ambiental;
  • Educação Ambiental e Seus Contextos;
  • Educação Ambiental e Cidadania;
  • Sensibilização e Educação Ambiental;
  • Reflexões para Conscientização.

Além dos artigos, a revista traz outras seções interessantes, como Dicas e Curiosidades, Reflexões, Textos de sensibilização, Dinâmicas, Entrevistas, Culinária, Arte e ambiente, Divulgação de Eventos e muitos outras.

Você pode enviar artigos ou outras colaborações. Vejam as normas de publicação. É interessante para o currículo porque a revista tem ISSN, sob o número 1678-0701.

Eu já participei duas vezes, uma com uma entrevista e outra com um artigo publicado.

Você pode também se cadastrar para receber as novidades em seu email.

E neste endereço você pode ver todas os artigos e textos de todas as edições.

Dê uma passada por lá e veja se não vale a pena!

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira

Reciclar é a solução? Não.

Reciclar é a solução para o problema do lixo? A resposta é não.

Reciclar é bom? A respostra é talvez, pode ser.

Talvez, porque dependendo do uso ideológico, mercadológico, capitalista e propagandista que se faça, a reciclagem pode ser nada mais do que uma grande desculpa para continuarem-se a consumir, consumir, consumir…

Então, melhor do que a reciclagem é “consertagem“, o trabalho e o cuidado para que as coisas não se tornem lixo.

Venho afirmando isso nas oportunidades que tenho. É só ver meus trabalhos por aí, como minha dissertação de mestrado (especialmente os dois últimos parágrafos) e o post Por que sempre precisaremos de um aterro sanitário?.

Claro que minha visão vem sendo construída através de minhas leituras e absorções de outros pensamentos:

  • ética do cuidado que já vem sendo falada por Leonardo Boff e outros autores.
  • Meu orientador no mestrado, Emílio Eigenheer, que falava de Pedagogia da Degenerescência.

Digo tudo isso para lhes apresentar o mote do site Plataform 21 [em inglês]. É um site holandês de design.

Eles apostam na ideia “pare de reciclar, comece a consertar!”, o que eu, particularmente, acho o máximo.

Sempre fui meio “catador” de lixo, juntando minhas quinquilharias, meu “museu”, guardando e consertando coisas que qualquer pessoa jogaria fora. Gosto, portanto, de ver esses movimentos nascerem.

Copio e colo aqui o manifesto traduzido. Mas vale a pena uma passada pelo Plataform 21 e fuçar outras pérolas.

1. Faça seus produtos durarem mais!
Consertar significa a oportunidade de dar a um produto uma segunda vida. Consertar não é anticonsumo: é antidesperdício.

2. As coisas têm que ser projetadas para poderem ser consertadas
Designer de produtos: faça coisas consertáveis. Forneça informações claras sobre como consertar. Consumidor: compre coisas que você sabe que podem ser consertadas, ou descubra por que elas não existem. Seja crítico, faça perguntas.

3. Consertar não é substituir uma peça
Não estamos falando em jogar fora a parte que está quebrada, mas de realmente remendar criativamente.

4. O que não mata engorda
Toda vez que você conserta algo você acrescenta ao seu potencial, à sua história, à sua alma e à sua beleza inerente.

5. Consertar é um desafio criativo
Fazer reparos é bom para a imaginação e ensina a usar novas técnicas, ferramentas e materiais.

6. Conserto não sai de moda
Não se conserta para deixar os produtos na moda. Não há datas de validade para produtos que podem ser reparados.

7. Consertar é descobrir
Ao consertar você descobre coisas incríveis sobre como os objetos funcionam. Ou não funcionam.

8. Conserte – mesmo quando a crise acabar
Se você acha que este manifesto tem a ver com a recessão, esqueça. Não estamos falando de dinheiro, mas de mentalidade.

9. Coisas consertadas são únicas
Mesmo falsificações se tornam originais quando você as conserta.

10. Consertar é ser independente
Não seja um escravo da tecnologia – seja seu mestre.

11. Você pode consertar tudo, mesmo um saco plástico
Mas nós recomendamos arrumar uma sacola que dure mais. E, quando ela estragar, consertá-la.

Pare de reciclar! Comece a consertar!

Fantástico, não?

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira

Dica de Filme: Estamira

Estamira é um filme sobre uma pessoa de nome Estamira.

Uma catadora de lixo com sua filosofia própria.

Estamira é uma mulher do povo, catadora em um dos lixões da Baixada fluminense. Dizem que é doida de pedra, mas é de uma lucidez delirante, tem um discurso apocalíptico, o que teria um Nietzsche antes de mergulhar na escuridão, ou de um Glauber Rocha, na fase em que anunciou ao universo ser o General Golbery do Couto e Silva um gênio da raça, ou um Geraldo Vandré, ao propor uma santa como padroeira do Exército. 

Ela sofria de distúrbio mental, mas suas palavras fazem nossa cabeça pensar.

Ela catava lixo no aterro de Jardim Gramacho.

Estamira morreu em 2011, mas sua vida ficou registrada em um premiado documentário.

Vale a pena conferir:

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira

Copa do Mundo 2014 e os investimentos em educação

Os protestos contra a copa do mundo sempre vêm acompanhados de motes como “quero educação padrão fifa” ou “da copa eu abro mão, quero dinheiro para saúde e educação”.

Ao contrário do que pensam, estas reivindicações fazem sentido. Quem está dentro da escola é que sabe que o dinheiro “da educação” não é somente “para a educação”.

Para fazer qualquer coisa na escola é um sufoco. Obra, climatização, compra de materiais, aluguel de ônibus para passeios, dentre outros,  são sempre acompanhados de um “não tem dinheiro” ou de uma burocracia sem fim que, ora inviabiliza a concretização, ora faz demorar meses e meses para fazê-lo. As pequenas verbas que as escolas recebem são sempre “carimbadas” e com 1001 exigências.

Então, se tem dinheiro, não se usa; se se usa, é pouco; se é suficiente, é mal empregado. Poderia dar inúmeros exemplos, mas não é caso deste artigo.

E, enquanto isso, 99% das escolas, para ser bondoso, não têm as condições ideais de funcionamento.

Para os professores, nunca se tem dinheiro para melhoria salarial ou do plano de carreira. A regra do 1/3 do horário do professor que deve ser dedicado ao planejamento de suas aulas não é cumprida e vem sendo de toda forma burlada pelos gestores, com a desculpa de que “não tem dinheiro”. Em breve vou escrever, assim que tiver estômago para isso, sobre as tentativas de burlar a lei que estão ocorrendo nos municípios do Rio e Niterói, dois dos mais ricos do Brasil.

Ora, quando pedimos aumento, não tem dinheiro. Quando queremos 1/3 do tempo para planejamento, não tem dinheiro [pois teriam que contratar mais professores].

Mas, para dizer que os 30 BILHÕES gastos para a copa do mundo equivale a “apenas” 1 mês do que é “gasto” com a educação, enchem a boca!!!

Copa equivale a um mês de gastos com educação http://brasil247.com/+luwd8 – Alvo central das manifestações de rua e greves que perturbam o país, investimento público no Mundial, destinado a estádios, projetos de transporte urbano e aeroportos, soma R$ 25,8 bilhões – o equivalente, por exemplo, a 9% das despesas públicas anuais em educação, de R$ 280 bilhões; valor do evento foi o mesmo gasto em Belo Monte, maior obra financiada pelo governo.

A matéria da Folha de São Paulo sobre os gastos com a Copa e a educação: http://goo.gl/WpDUmF

E ainda fazem “figurinhas” pra tentar desqualificar a luta dos professores:

Copa do Mundo

Então, deixe-me fazer algumas ponderações sobre isso para as Polianas…

Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Dinheiro pra saúde e educação é obrigação, inclusive previsto na Constituição: os três níveis de governo devem destinar um percentual mínimo da arrecadação para a educação (18% no caso da União, e 25% no caso dos Estados e municípios).

E não é um simples “gasto” nem é o mesmo tipo de investimento que em estádios. É o investimento primordial que um país deve realizar, pois dele advém todos os outros: saúde, comportamento, civilidade, segurança, etc.

Agora, vamos comparar também. Consideremos os 30 bilhões gastos com a copa. Só com meia dúzia de estádios foram 8 bilhões.

Só um adendo: veja a figura da direita acima em que a assessoria da dilma coloca INCIATIVA PRIVADA na construção dos estádios (como se BNDES não fosse dinheiro do governo) e leia este artigo: Governo admite que não conseguiu mobilizar iniciativa privada para a Copa.

Mas vejamos agora o que é gasto com a educação – uns 280 bilhões, certo?

Neste valor ANUAL (cerca de 23 bilhões por mês) estão TODAS as universidades federais (quase 70!), escolas técnicas, institutos de educação, colégios de aplicação, além de todo o dinheiro dos fundos (FUNDEB, FNDE, etc.) que vão para estados e municípios; o dinheiro do PDE (Dinheiro Direto na Escola); o dinheiro de 30 milhões de livros do PNLD… o que mais?

Que comparação esdrúxula é essa???

Uma coisa é manter-se toda esta estrutura da educação, outra coisa é gastar-se bilhões em obras faraônicas que, possivelmente, em breve muitas nem estarão mais em condições nem de ser usadas, pois provavelmente poderão nem ter como se manter, nem terão público para tanto.

Vide, por exemplo, algumas obras que foram feitas para o Pan, aqui mesmo no Rio, que estão ou ficarão inoperantes, desabando e que nem servem mais para uso, por exemplo, nas olimpíadas. Observe a “previsão de custo” e o custo final.

Mas você acha que não acontecerá o mesmo com estas de agora??

Então, não é só uma simples questão de “quantidade” de dinheiro, mas também da qualidade de seus gastos. Não é possível achar-se “normal” ou “necessário” o gasto que se teve para colocar abaixo o maracanã e “reformá-lo”, agora, praticamente, para uso da elite (pois pobre está socio-cultural-financeiramente excluído dali). Só ali foram enterrados, literalmente, mais de 1,3 BILHÃO de reais!

E, mais um detalhe: quem vai LUCRAR com o maracanã? Uma empresa privada!

Governo gasta com estádios, mas não vai controlar nenhum depois da copa

Se você acha isso normal, eu não acho.

Não gastasse todas estas elucubrações, ainda podemos dizer que estes eventos tem sido mote para uma série de desocupações e outras barbáries, por exemplo, com o povo aqui do Rio:

E, enquanto isso, sim, É VERDADE que temos escolas e hospitais públicos caindo aos pedaços, mesmo com tantos “bilhões” “investidos” nestes setores.

Tem algo errado.

Para quem acha que ter este tipo de pensamento e protestar contra a copa é ter um “complexo de vira-latas” e tem o discurso de “viva a Copa povo brasileiro, aproveite este momento, valorize o papel que o Brasil tem no mundo”, chegando a cúmulo de achar que “o que tinha que ser roubado já foi” [!!!], eu tenho um recado: leia novamente os dois itens lá em cima e repare na expressão utilizada duas vezes “por pressão popular”, deixe de ser Poliana e comece a raciocinar.

Você pode se surpreender.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
f* a copa, quero aumento de salário e condições de trabalho