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Lançamento do livro “Lembranças do Vazio”

Capa livro

A obra captura a vida de dois irmãos, tornando-a imortal nas páginas de um romance singular. Uma leitura que nos faz refletir sobre o mundo e sobre nossos próprios atos.

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Sobre o livro

O que fazer quando nos deparamos com perdas irreparáveis ao longo da vida? Encarar os vários estágios de superação ou se entregar à dor, à sensação de vazio que insiste em preencher os dias?

Os irmãos Leônidas e Oscar, que cruzam as páginas deste romance, atravessaram inúmeros momentos como esses, em que o forte laço que os unia consolidou-se no alicerce que os mantinha de pé, mesmo quando seus caminhos se distanciavam.

Não se trata, contudo, de uma história de tristezas. “Lembranças do Vazio” é, acima de tudo, uma obra feita de memórias e trajetórias individuais, por onde desfilam amores, dúvidas, conflitos, experiências que acabam por unir pessoas para além dos laços de sangue.

Luiz Eduardo Farias tece sua narrativa com sensibilidade e bom humor. Leônidas se torna alguém familiar ao leitor, que percorre as aventuras e desventuras do protagonista em sua longa caminhada na construção de si como ser humano. Uma história que é, afinal de contas, um pouco a história de cada um de nós.

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Sobre o autor

Apaixonado por livros, cachorros e pelo Botafogo, Luiz Eduardo Farias é historiador e professor, lecionando no Colégio Municipal Delce Horta (Fevre) e no Colégio Estadual Baldomero Barbará. Natural de São Gonçalo (RJ), atualmente mora em Volta Redonda (RJ). Escreve crônicas e desabafos ligados a sua  profissão há alguns anos. Lembranças do Vazio é seu primeiro romance.

https://www.youtube.com/watch?v=-OAIO1iyDVQ

Onde comprar?

No Mercado Livre

No site do autor

Quero agradecer ao Declev pela oportunidade de divulgar meu livro aqui. Fico feliz de compartilhar esse momento tão marcante com todos vocês do Diário.

Evento: VII Congresso Ibero-americano de Educação Ambiental

O VII Congresso Ibero-americano de Educação Ambiental será realizado de 10 a 12 de setembro deste ano, na cidade de Lima, Peru.

VII Íbero EA

O evento é organizado pelos Ministérios do Meio Ambiente e da Educação do Peru, no âmbito da Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP20).

A congresso reunirá especialistas em educação ambiental e representantes de instituições públicas e privadas que fazem a educação ambiental na América Latina e tem como objetivo contribuir para a sustentabilidade e na construção de uma cidadania ambiental a partir das experiências e propostas de educação ambiental formal e comunitária.

Site: www.cidea7.pe 

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira

Programa Escolas Sustentáveis em Consulta Pública

O Programa Nacional Escolas Sustentáveis está em Consulta Pública.

Consulta Pública é uma forma de coletar opiniões da sociedade sobre determinados temas, permitindo que a sociedade participe da formulação e definição de politicas públicas.

Então, temos a possibilidade de ler, entender e ajudar a fazer o texto do Programa Nacional Escolas Sustentáveis.

Escolas sustentáveis

O texto ficará em consulta pública até o dia 18 de junho de 2014 neste link.

As sugestões ao texto (alterar, incluir, substituir ou suprimir) devem vir com indicações da página, parágrafo e linha onde serão feitas as alterações. Para isso, pode-se:

1. Utilizar o botão “comments” do google drive para inserir um comentário (o botão encontra-se no canto superior à direita)

ou

2. Encaminhar as sugestões diretamente para o este e-mail: ea@mec.gov.br

O mesmo e-mail pode ser utilizado para dúvidas.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira

PSICOLOGIA E EDUCAÇÃO

Rio de Janeiro, 18 de março de 2014.

PSICOLOGIA E EDUCAÇÃO

Boa tarde a todos!

Fiquei um tempo sem aparecer por aqui, cansada demais, física e emocionalmente, para manter o mesmo nível de debate constante sobre Educação em nosso país.

Mas volto agora, talvez mais como psicóloga do que como professora e pedagoga, nesse momento, pois conheço de perto o quanto é importante e útil o conhecimento básico da Psicologia, para todos os profissionais que trabalham com gente.

Utilizei a imagem de Einstein aqui, com a seguinte mensagem: “E se este homem tivesse passado por um manicômio? Deixar nosso preconceito pode mudar a História”. Escolhi essa imagem e texto porque Einstein é um exemplo do que acontece até hoje: em determinado momento, foi considerado “retardado e incapaz de aprender”, por uma escola onde estudou na infância, o que foi dito à seus pais. Ele era apenas disléxico e, por isso, começou a falar tarde, tinha raciocínio lento e baixo rendimento escolar. Só conseguiu ser alfabetizado aos 9 anos. E, mesmo com todos esses efeitos da dislexia, ele foi, na verdade, um gênio na História da humanidade! Já pensaram o que aconteceria se os pais dele seguissem o que a escola lhes disse sobre seu filho e desistissem dele?

Por questões parecidas com essa e por ter percebido a carência de tantos profissionais de Educação em relação a como compreender e lidar melhor com alunos que parecem ter algum problema psicológico (ou neuropsicológico) sério, deixo uma sugestão, para nossos próximos encontros por aqui: perguntem o que tiverem vontade, especialmente sobre Psicologia (sobre Pedagogia também podem perguntar), para que eu possa ajudá-los em seu trabalho escolar, com informações, relatos de experiências e dicas.

Hoje a dica é ler um artigo ótimo, sobre os absurdos que ainda acontecem em nosso país, relacionados a internações de crianças e adolescentes em instituições psiquiátricas, sem necessidade. É um verdadeiro crime o que acontece!

E, nas escolas, quantas vezes ouvi: “esse menino não é bom da cabeça”, “aquela mãe toma remédio controlado – é doida mesmo!”, “ih, essa aí? Não tem jeito não: é maluca! E os filhos também são, claro!”, entre outras provas de preconceito e ignorância como essas.

Muitos alunos não têm problemas de saúde mental e sim problemas oriundos da absurda injustiça social e péssima distribuição de renda em que ainda vivemos no Brasil. O fato de crescerem nesse meio pode acabar até levando-os a algum transtorno mental grave sim, mas a principal origem é social e nessa ninguém quer tocar. Falarei mais sobre isso em meu próximo artigo aqui no Diário do Professor.

De qualquer forma, procurem ler o artigo que citei no início deste meu texto, pois é objetivo e esclarecedor, realista e atual . Vocês podem encontrá-lo em: http://brasil.elpais.com/brasil/2014/03/17/opinion/1395072236_094434.html

Antes de me despedir, deixo aqui, com vocês, a introdução do artigo, que resume o assunto tratado ali:

Como se fabricam crianças loucas

Os manicômios não são passado, são presente. Uma pesquisa realizada no hospital psiquiátrico Pinel, em São Paulo, mostra que, mesmo depois das novas diretrizes da política de saúde mental no Brasil, crianças e adolescentes continuaram a ser trancados por longos períodos, muitas vezes sem diagnóstico que justificasse a internação, a mando da Justiça. Conheça a história de Raquel: 1807 dias de confinamento. E de José: 1271 dias de segregação. Ambos tiveram sua loucura fabricada na primeira década deste século.”

Vale a pena ler o artigo todo! Não é só para psicólogos ou psiquiatras e sim para pais, professores e todos que lidam com gente diariamente, especialmente para os que lidam com pessoas ainda em sua formação básica: crianças e adolescentes.

Até nosso próximo encontro por aqui!

 Abraços,

 Regina Milone

(professora, pedagoga, arteterapeuta e psicóloga clínica).

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7º ano e não sabe como usar e organizar um caderno. Culpa do professor, claro.

7º ano.

Passo um trabalho do livro, com perguntas, exercícios, práticas a serem feitas.

– Professor, copiei – chega-me um aluno à mesa.

Dou uma olhada e tem uma página toda escrita à lápis, sem pular linha, quase ilegível.

– Você fez as práticas? Respondeu?.

– Não… copiei.

– Cadê o exercício anterior, da outra aula? Você fez aquele quadro para as anotações das observações?

– Que quadro?

– … [respiro fundo]. Esse quadro – mostro no livro.

– Ah… fiz, quer dizer, tá no caderno do fulano, do meu grupo, mas eu tenho, não sei, tá aqui… – abre o caderno, folheia-o.

Percebo que o caderno tem um parágrafo escrito em uma folha, outra em branco, uma folha escrita um parágrafo, outra em branco. Pego o caderno para ver. Ao procurar a outra aula, percebo que as matérias estão todas misturadas: uma página com Português, outra em branco, outra com Matemática, outra em branco, outra com Geografia

– Cadê a matéria de Ciências??

– Eu não tenho…

– Como não tem? Cadê a parte de Ciências?

– Eu não tenho separação…

– Como não?

– Eu coloco tudo junto.

– … [vontade de morrer] Você está no 7º ano, nunca te ensinaram que você tem que ter uma parte do caderno pra cada matéria? Assim, como você vai achar a matéria pra continuar o trabalho, pra estudar?

– … [cabeça abaixada movimenta-se timidamente dizendo não].

– Você tem outro caderno?

– Tenho.

– Pega ele lá.

– Não está aqui, está em casa. Minha mãe falou que só quando acabar esse aqui. Já está acabando.

– Ela não vê que você mistura tudo?

– Vê

– E ela não fala nada?

– … não..

– … [Meodeus, penso] Olha só, pegue esta folha, faça a aula 3 (a anterior), perguntas a caneta, pula linha, respostas a lápis. Depois traz o outro caderno [este estava acabando] e a gente cola esta folha lá, depois de separar uma parte pra Ciências. Pegue este material para fazer a parte prática, aqui o livro explica como você deve fazer, leia o livro, faça a prática, escreva as observações e as respostas. Se tiver dúvida, me chame.

O aluno vai para sua mesa com os materiais.

– Professor – me chama logo assim que senta.

– Tem uma caneta pra emprestar?

Estamos em outubro, último bimestre. Como este aluno chega até aqui com um caderno assim? Eu sempre dou visto nas atividades, eles sempre trabalham em grupo, um ajuda o outro. Pelo visto, dei visto nas atividades, mas não percebi que o caderno estava todo misturado, e o mesmo deve ter ocorrido com os outros professores.

Só porque tenho, nessa escola, 4 turmas com 35-40 alunos ou mais? Só porque tenho que arrumar a sala antes e depois de cada aula, considerando que as aulas são absolutamente coladas umas nas outras? Só porque tenho que ver sozinho um monte de materiais para as práticas robotizadas que o grande sistema pedagógico revolucionário milionário da sangari me obriga? Só porque tenho que ficar tomando conta de um monte de alunos que fazem bagunça em sala? Só porque tenho agora que me adaptar a um sistema de diário virtual sem ter nem mesmo internet em sala? Só porque tenho que corrigir, olhar, responder, analisar, arrumar, dar bronca, conversar, tirar dúvidas, avaliar coisas de 35-40 alunos por aula? Só porque cada aluno é um mundo e eu tenho uns 150 nesta escola?

E os grandiosos gestores da educação acham que ser professor é como um trabalho burocrático qualquer e que, por isso, podem contrata-lo por 40 horas e cobrar exatas 40 horas, com mais de 30 em sala de aula; podem simplesmente muda-los de escola a seu bel prazer; podem mudar todo o sistema de uma hora pra outra e os professores que se virem; podem inventar dezenas de “projetos” e os professores que se enquadrem!

Mas, sobre isso, esmiuçarei mais em outro artigo.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Operário

Livros grátis para download no Portal Multirio

Livros grátis para download no Portal Multirio.

A Multirio é a Empresa Municipal de Multimeios, que desenvolve ações nos setores educacional e cultural.

Lá no site tem três opções para os professores interessados em desenvolver atividades mais dinâmicas em sala de aula, grátis, para baixar:

Quadrinhos – Guia Prático apresenta os principais conceitos utilizados na criação de HQs, como o tempo da narrativa, o uso de balões e letras, o desenho de personagens e a elaboração de roteiros.

Mestre do Tempo Conta Histórias do Rio – Convida a fazer um passeio pela cidade, não apenas com a finalidade de instruir sobre os aspectos históricos, o crescimento e as transformações, mas também com o intuito de aproximar a criança do seu ambiente e elevar sua estima pelo lugar em que vive. [Coitada da cidade do Rio com este prefeito… é bom as crianças conhecerem enquanto podem]

A Escola entre Mídias – Oferece um planejamento de produção com o uso de diferentes ferramentas tecnológicas em favor da dinâmica do trabalho nas salas de aula, com o passo-a-passo para o planejamento de produções de vídeo, de áudio e de web, com modelos de formulários que podem ser adaptados a cada necessidade e especialidade.

Para baixar os arquivos, vá no site da Multirio (esse link deve entrar direto).

Mas lá tem mais coisas, você pode fuçar na seção Biblioteca.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Leitor

Veja mais livros grátis aqui no Diário do Professor.

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Lições de casa, alunos e professores…

Ok, ok, eu devo estar ficando paranoico.  Ou talvez não, apenas um bom observador. Quem sabe?

Quando leio algo sobre educação, pode ser até mesmo uma simples frase, dependendo de onde vem eu penso: “lá vem besteira” ou “lá vem pancada nos professores”.

Exagero meu? Vejamos.

Esta foto eu peguei no Facebook, postada pelo site da editora abril educar para crescer:

Lição de casa

À primeira vista parece uma singela frase sobre lições de casa, inofensiva. Mas, para mim, tem uma mensagem subliminar – mas ao mesmo tempo muito clara – desqualificando o trabalho dos professores.

Vejam o que diz, vou separar as frases:

“Alunos que RECEBEM e FAZEM lição de casa

Têm desempenho 23% maior

Do que os que NÃO RECEBEM”

Ora, não tem algo errado?

Se você vai comparar uma “categoria” de alunos com outra, você tem que comparar com o oposto desta categoria!

Qual seria o oposto da categoria “alunos que RECEBEM e FAZEM” as lições de casa?

Ora, seria “alunos que RECEBEM e NÃO FAZEM” as lições de casa!

Simples.

Mas o site oficial da editora abril decide comparar com “alunos que NÃO RECEBEM” lições de casa.

É uma diferença sutil, mas que faz TODA diferença no imaginário popular, como uma mensagem subliminar.

A frase poderia até ser

“Alunos que RECEBEM lição de casa têm desempenho 23% maior do que os que NÃO RECEBEM”.

Aí, sim, estariam comparando duas categorias opostas.

Mas, acontece que o caso não é esse, pois não basta receber a lição de casa, tem que fazê-la!

Então, eles tomaram esta decisão de “confundir” as coisas por quê?

Simples. Para expressar o que eles pretendiam, a frase correta seria:

“Alunos que RECEBEM e FAZEM lição de casa têm desempenho 23% maior do que os que RECEBEM e NÃO FAZEM”

Mas, neste caso, a “culpa” seria dos alunos, porque não fazem a lição que o professor envia.

Sem entrar no mérito das razões, das dificuldades, da falta de apoio da família, etc. – que sabemos ser verdade – o fato é que a “culpa”, nesta frase, é do aluno, pois não faz.

Mas quando eles colocam a frase deste jeito:

“Alunos que RECEBEM e FAZEM lição de casa têm desempenho 23% maior do que os que NÃO RECEBEM”

A “culpa” passa a ser do professor, porque não envia lição de casa.

Mesmo sabendo que a comparação não é real, dão um jeito de jogar a culpa nos docentes.

Percebem?

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Professor que já DESISTIU de enviar lições de casa, porque os alunos NÃO FAZEM… mas que ainda tenta…

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Conhecendo nossos alunos: como a criança e o adolescente se desenvolvem

Como a criança e o adolescente se desenvolvem? Como é possível trabalhar bem com crianças ou adolescentes sem o conhecimento dessas etapas? Só a experiência prática basta? Como algo tão fundamental é tão pouco estudado pelos professores, entre outros educadores? Como a Psicologia, entre outros conhecimentos, pode nos ajudar nisso?

Quando falamos em crianças ou em adolescentes precisamos saber um pouco mais sobre o que define essas fases de desenvolvimento bio-psico-sociais humanos, se quisermos trabalhar bem na área de Humanas.

Mas, infelizmente, o que se estuda sobre isso é pouquíssimo e o que mais vemos e ouvimos nas escolas são “achismos” vindos do senso comum, muitos absolutamente fora da realidade, sem base nenhuma, embora o conhecimento a respeito já exista há décadas!

Na própria internet, se um educador – pai, mãe, avós, profissionais de educação, etc. – quiser saber mais sobre o assunto, inúmeros artigos, dissertações, teses, matérias jornalísticas e entrevistas são encontradas, algumas muito boas. Portanto, hoje em dia, o acesso a esse tipo de informação é rápido, fácil e, em geral, pode ser feito dentro de nossas próprias casas ou ambiente de trabalho.

Por isso, não ficarei aqui listando as diversas fases e etapas e sim mostrarei e questionarei um pouco das diversas reações que se tem, nas escolas e nas famílias, em relação a comportamentos de crianças e adolescentes que, na verdade, são absolutamente naturais nas fases que estão vivendo, embora muitos adultos reajam como se fossem absurdos. Acho que saber mais sobre isso pode ajudar a todos, especialmente aos professores. E, como professora, pedagoga, psicóloga, arteterapeuta e mãe (ufa!!!), posso ajudar.

É importante lembrar que as idades ligadas a cada fase são aproximadas, isto é, variam um pouco de acordo com os estímulos ou falta de estímulos recebidos. No caso dos alunos das escolas públicas de periferia, principalmente, muitos estímulos estão em falta e muitas atitudes prejudiciais são consideradas “normais” na educação familiar e escolar deles, o que vai levando a um atraso intelectual, emocional, social e, portanto, de compreensão do mundo. Muitas superstições, crenças baseadas em preconceitos, senso comum sendo tomado como “verdade” – tipo: “sempre fizeram assim comigo e deu certo, então faço o mesmo com meus filhos ou alunos” -, falta de vontade de aprender seja lá o que for que coloque em dúvida alguma dessas certezas, enfim… Atitudes defensivas, ignorância e preconceito atrapalham muito, o tempo todo, não só quando vem das famílias e dos alunos como, também, quando vem dos professores e demais educadores.

Por exemplo, a sexualidade humana existe desde sempre. A criança passa uma fase em que é absolutamente natural a curiosidade em relação ao próprio corpo e ao do colega do mesmo sexo e de sexo diferente. No entanto, em pleno terceiro milênio, muitos ainda se chocam quando sabem que a menina ou menino estavam mostrando seus corpos no banheiro, um pro outro, na hora do recreio, por exemplo. E, vejam bem, estou falando de crianças da mesma idade ou próxima, porque quando uma é muito mais velha do que a outra, aí já é preocupante e temos que ver se a maior não está se aproveitando, de alguma forma, da menor.

O que eu ouvi de gente muito religiosa, por exemplo, dizendo que a criança estava fazendo “coisas do Diabo”, “coisas feias”, enchendo a cabeça das crianças de culpas sem sentido, assustando essas crianças com essas reações, enfim… Perdi a conta de quantas vezes vi esse tipo de coisa acontecer! E, mesmo levando informação a respeito, as reações dos adultos dificilmente mudam, pois já possuem os próprios sentimentos de culpa arraigados dentro de si! É triste… E é uma tremenda bobagem, pois é até um momento de curiosidade relativamente curto, já que a libido da criança, sua energia, será vivida em outras esferas, naturalmente, nessas fases iniciais. Satisfeita a curiosidade, passa-se a outras brincadeiras e pronto! É só mais uma brincadeira pra eles. Não tem o peso que o adulto dá. Os adultos é que maliciam, equivocadamente, muita coisa.

E a sexualidade ainda é uma das coisas que mais assusta realmente. Na adolescência também. Nesse caso, porque os hormônios estão a mil e a sexualidade que era vivida mais na base da sublimação com brincadeiras, jogos e estudos nas fases anteriores (infância), aqui passa a querer ser vivida com o outro, o amigo(a), o “ficante”, o namorado(a). É uma explosão! Tesão correndo solto, corpos se modificando rapidamente e sentindo coisas antes desconhecidas, a vontade de desejar e ser desejado pelo outro, etc. E a isso se junta a vontade de ser aceito e querido, o que, muitas vezes, leva os meninos e, principalmente, as meninas, a fazerem péssimas escolhas em relação ao momento e a pessoa com quem começar essa “brincadeira” nova.

O adolescente quer ser aceito pelo grupo. Os pais e os adultos em geral é que são os estranhos para eles, nessa fase. Querem distância desses, pois acham sempre que não os entendem, os constrangem, etc. A adolescência é uma fase super complicada e contraditória: ao mesmo tempo que o adolescente não quer perder o carinho e os mimos da infância, não quer mais ser cobrado e tratado como criança, pois realmente não é mais! Só que também ainda não é adulto. Está em transição. É uma fase intermediária. E é por essas e outras que essa não é a melhor fase para engravidar e virar mãe ou pai antes da hora. A gravidez joga o adolescente de forma brusca pro mundo adulto, sem que ele tenha ainda a menor maturidade para isso, o que costuma trazer conseqüências nem sempre boas depois. Mas esse é um assunto pra muitos e muitos outros artigos…

Nesse artigo, só quero citar também a agressividade na adolescência e na infância. Quando criança, se a agressividade está exagerada, pode ser simplesmente um pedido de socorro. Se pro adulto muitas vezes é difícil verbalizar o que está sentindo, imaginem pra criança! Com a criança tudo passa muito pelo corpo e pela imaginação. Então, é observando a forma como ela brinca, com o que e com quem está brincando, que podemos muitas vezes ver que algo não vai bem. E a agressividade, nesse sentido, é sadia, pois serve mesmo como um pedido de ajuda, um alerta, ao qual não devemos ficar surdos!

Já com o adolescente, a agressividade, as horas a mais de sono, a rebeldia, o incômodo com toda figura de autoridade, tudo isso é natural. É assim mesmo. Ficar dizendo “Fulano foi meu aluno e não era assim; como ele está diferente”, de forma reprovadora, mostra ignorância, pois o adolescente está vivendo mil mudanças realmente e, se estivesse igualzinho à como era na infância, aí sim seria preocupante!

O adolescente questiona a autoridade, se rebela, percebe as pequenas e grandes hipocrisias dos adultos e, por essas e outras, quer mesmo é a companhia dos outros adolescentes e não dos adultos. Os adultos que lhes interessam são os seus ídolos, do esporte, das artes (da música, especialmente) e, muitas vezes, da comunidade (entre esses, infelizmente, muitas vezes traficantes e/ou milicianos…).

Aqueles adolescentes que sofrem bullying também ficam traumatizados (não só as crianças), sofrem muito, pois o que mais querem é ser queridos por seus colegas! Já os populares, ficam cheios de si e acabam, em geral, se arriscando demais em várias situações, pois estão “agradando”. Na verdade, tudo é uma grande experimentação da vida, do mundo, agora sem um adulto sempre por perto dizendo o que ele pode ou não fazer. Acabam abusando, por causa disso, muitas vezes.

Crianças e adolescentes precisam de limites sim. Pedem por isso agressivamente às vezes, por não saberem verbalizar ou simplesmente por não saberem que é isso que estão precisando, pois suas reações são muito emocionais. Adolescentes, em geral, são dramáticos e isso deve ser respeitado, pois sentem nessa intensidade realmente. Por isso, quando um adolescente fala em suicídio, por exemplo, isso deve ser levado muito a sério, pois é uma enorme besteira dizer que “quem avisa ou ameaça que vai fazer isso, não faz”. Muito pelo contrário!

Mas adolescentes e crianças precisam saber o porquê daqueles limites que lhes são impostos. O adolescente, então, mais ainda, pois criticará e questionará aquilo até que faça sentido, já que está na fase de questionar tudo no mundo, o que é uma qualidade e não um defeito!

Crescer não é fácil. Muitas vezes dói, fisicamente, emocionalmente e na vida social também. Ainda mais num mundo tão cheio de contrastes, injustiças, desarmonia e violência como o que nós, adultos, estamos entregando pra eles.

Citei aqui, rapidamente, apenas dois temas importantes – sexualidade e agressividade – em relação ao desenvolvimento de crianças e adolescentes, mas são temas tão importantes que, se fossem estudados com profundidade nas formações de educadores, fariam enorme diferença e evitariam muitos confrontos infantis e desnecessários que acontecem, quando, muitas vezes, os educadores se comportam de forma tão ou mais infantil ou adolescente que seus filhos ou alunos, muitas vezes porque também passaram aos trancos e barrancos pela própria infância e adolescência e, emocionalmente, ainda estão “presos” lá. Como, por exemplo, já vi professores homens querendo sair no tapa com alunos adolescentes dizendo: “o que ele está pensando que eu sou? Eu sou homem!”, sem perceber que estava parecendo mais adolescente do que o próprio que havia sido grosseiro ou debochado com ele…

Só para citar um exemplo da Psicologia, W. Reich, um grande médico psiquiatra já falecido, criador das primeiras psicoterapias corporais, dizia algo muito interessante sobre o quanto a sexualidade esfuziante dos adolescentes deixam tantos adultos incomodados. Ele dizia que isso acontecia por estes estarem vivendo mal a própria sexualidade há muito tempo e vê-la florescendo de forma tão escancarada nos adolescentes era quase insuportável para estes adultos…

Enfim…

Esse artigo foi só pra mostrar um pouquinho do quanto é importante conhecer como funcionam as fases de desenvolvimento da criança e do adolescente para poder saber com quem se está trabalhando, como abordá-los, como reagir a eles em diferentes situações, etc. Quantos mal-entendidos e quanto estresse seria poupado assim… Será que um dia ainda chegaremos lá??? Disso não desisti não! Se quiserem me perguntar qualquer coisa sobre o que pode ser considerado natural ou não nessas etapas da vida, contem comigo! Óbvio que sempre terei muito mais a aprender sobre esse assunto fascinante, mas já sei bastante pra ajudar. J

Abraços…

 

Regina Milone
Pedagogia, Arteterapeuta, Psicóloga

Rio, 20/11/2012

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Escola, mas pode chamar de Casa da Mãe Joana

Estou trabalhando com construção de modelos de máquinas, como guindastes, com roldanas, planos inclinados, etc.

Os alunos têm a disposição madeira, serrote, pregos, martelo, isopor, papelão, cola, tesoura…

Apesar de não aprofundar nos conteúdos propriamente ditos, assim tento fazer uma aula diferente, mais interessante e que possa absorver os faz-nada das turmas.

Vem dando “certo”, se se pode dizer isso. Mas, sempre tem os contratempos dos faz-nada.

Numa das aulas, três alunos pegam seringas escondidos e, no recreio, ficam molhando todo mundo com elas.

Aí, pergunto: tenho que dar aulas, explicar, ajudar os que estão construindo as maquetes, ou tenho que ficar tomando conta daqueles que, mesmo assim, não querem nada e ainda por cima roubam meus materiais?

Ahtá, tenho que fazer tudo, e bem! Rasgo minha camisa e sai de dentro um uniforme do “super-professor”.

Noutro dia, solicitei gentilmente que esses três ficassem na sala de leitura fazendo um exercício do livro, enquanto fiquei com o resto da turma na sala de ciências, continuando o trabalho.

Estou em sala fazendo o possível, segurando daqui e dali, mandando sentar, ajudando um grupo, colocando aluno pra dentro de sala, pegando material, limpando bagunça, respondendo dúvidas, martelando aqui, serrando ali, pregando acolá, pedindo pra sentar na cadeira e sair da mesa quando, de repente, uma “mãe” aparece na frente da escola e, com a porta entreaberta, os alunos a veem.

Alvoroço geral, “a mãe veio pegar fulano”, “vai bater em cicrano”, “vai passar sabão”, “bateu na filha dela”, “jogou areia na menina”, “agora f*”.

Corre pra cá, corre pra lá. “Agora vai, fulano”; “Vai encarar?”; “Sai da sala!”; “Eu não, eu não!”…

Chega a outra turma na porta, pois o tempo acabou e agora tenho que ser ator de outra. A que está dentro não quer sair, a que está fora entra.

Duas turmas na sala de ciências que mal cabe uma.

Mais uns minutos, a mãe na porta, bate boca com um, discute com outra.

Junta gente no corredor pra ver.

Um ou dois alunos continuam o trabalho. Sim, alheios a tudo, continuam o trabalho.

A mãe discute. Uns fogem, outros calam.

Chamo a coordenadora e peço para levar a mãe.

Uma turma sai, com esforço.

Outra turma já tá dentro.

Eu morro.

Mas deve ser culpa minha, porque sou professor, incompetente, sem formação e preguiçoso.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Buscando a porta de saída

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Roteiros de Viagem Turista Profissional

Vou fugir um pouco do tema central do blog – educação –, mas por uma boa causa.

Vem chegando as merecidíssimas férias dos professores, e nada mais justo que uma boa viagem.

Eu e minhas esposa somos o que se pode dizer “viajantes quase profissionais”, tanto que é este o nome do blog dela: Turista Profissional.

Eu colaboro com o blog com artigos e as fotos, que são quase todas minhas. Dê uma olhada e veja se levo jeito pra coisa.

Nós escrevemos dois roteiros de viagem, um de Paris outro de Buenos Aires:

Roteiro de 7 dias em Paris e Arredores

Roteiro de 7 dias em Buenos Aires e Arredores

Eles contém um passo-a-passo para se visitar essas cidades e algumas outras atrações por perto, com dicas diárias.

Ou seja, a cada dia tem um roteiro que pode ser feito praticamente a pé, mostrando os pontos turísticos de uma determinada parte da cidade.

Desta forma, você conhecerá praticamente toda Paris ou toda Buenos Aires, de forma simples e barata.

Além disso, eles contém dicas de como ir do aeroporto ao centro da cidade, dicas de onde se hospedar, de onde comer e de onde fazer compras mais baratas.

Quem estiver pensando em viajar, eu recomendo.

Você compra pela internet de forma segura e recebe um link para baixá-los em seu computador em PDF. Depois disso, pode utilizá-los em um tablet ou imprimir, pois estão configurados para isso.

Cada um custa 12,90 Euros, o que deve dar, mais ou menos, uns R$ 30,00.

Baner Lateral Buenos Aires - 2

Paris PB

Abraços, e boa viagem,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Viajante e fotógrafo

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