Professor? Pois não?

Sobre as perguntas “padrão” dos alunos, eu já escrevi por aqui.

Sempre foram as mesmas. Sempre são as mesmas.

As mesmas. As mesmas. As mesmas.

Mas a cada dia parece que eles se superam, pois a mesmice se aprofunda…

Mao

Você fica 10-20 minutos explicando o trabalho proposto. Fala tim-tim por tim-tim o que é pra fazer. No meio da explicação (sim, te interrompem), uma pergunta:

– Professor?
– Oi
– Posso ir no banheiro?

Você ignora o fato. Chama a atenção para que eles prestem atenção. Termina a explicação, bem explicada, abordando todos os pontos do trabalho. Senta em sua cadeira, esperando que eles comecem o que é pra fazer.

– Professor?
– Oi
– Olha aqui, tá me batendo!!

Ignora o fato. Afinal, eles sentam juntos, em grupo (é sempre o mesmo grupo, por afinidade, escolhido por eles mesmos). VocÊ fica atento pra ver se estão começando a fazer o trabalho, se eles estão com dificuldades, etc.

– Professor?
– Oi
– Ele pegou minha borracha!
– Que que você quer queu faça?
– Manda ele me entregar
– Entrega a borracha – falo, com ironia e com cara de saco cheio.

Você se vira para o outro lado e continua o que está fazendo, esperando uma dúvida sobre o trabalho que teoricamente deveriam estar fazendo.

– Professor?
– Oi – É agora!, você pensa…
– Tem lápis?
– Cadê seu material?
– Eu não tenho.
– Pede do colega ao lado.
– Roubaram.

Você manda ele pedir um à direção (um aviso: NÃO EMPRESTE os seus, porque senão você vira refém e vira fornecedor!) e vai andar pela sala, vendo o que estão fazendo [ou não].

– Professor? – chama uma aluna lá no outro canto.
– Oi? – você chega perto para saber a dúvida.
– Tá em que página?

Considerando que o que você passou é uma pesquisa, para que eles procurem as informações, consigam estudar e aprender algo… eu desisto e espero o sinal tocar.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Oi?

A Síndrome da uniformização do pior de tudo

Fico pensando que nós estamos celebrando uma época de bestialização, que o pior de tudo é o que as pessoas querem pra suas vidas. Ou, ao menos, que acham que querem, pois não sabem o que fazem.

Parece que quanto pior for alguma coisa, maior a tendência das pessoas aceitarem-na e reproduzirem-na, gerando uma uniformização do pior de tudo.

Hoje, mesmo com as infinitas opções que temos para quaisquer coisas as pessoas tendem a repetir à exaustão aquilo que tem de pior.

Por exemplo, nós temos, praticamente, o mundo em nossas mãos 100% do tempo, através da internet. Mas o que é visto e buscado na internet? O pior dela.

Seja em qualquer campo: música, leitura, política, etc., as pessoas vão como rios para um mar de coisas ruins.

Na música, quanto menos letra, mais repetições de sílabas aleatórias, menos acordes e mais superficial a melodia, mais vende. Não preciso dar exemplos, pois acho que todo mundo já sabe do que falo.

É sempre uma nova “música” que estoura, fica uns poucos meses (ou mesmo semanas), depois vem outra retirada do lodo da mediocridade para tocar à exaustão.

Mas as melodias mais elaboradas, com letras que dizem algo, ficam restritas a um pequeno e mesmo grupo de pessoas.

Outro exemplo: existem centenas de revistas e publicações de tudo quanto é tipo, sobre tudo quanto é assunto.

Mas, quando vamos a um consultório de médico, dentista, um departamento burocrático qualquer, um escritório, seja lá onde for no qual teremos que esperar sentados em um banquinho com uma mesinha ao lado na qual dispõem-se revistas… encontraremos a “caras” e a “veja”.

Só nestes locais temos milhares de assinaturas das piores revistas que existem no mercado, só com fofocas da pior baixeza sobre a vida dos outros ou sobre política. Lixo.

Na política, então, os mais bostas, com as piores receitas, os que mais agridem os outros com atrocidades verbais, são os mais votados. São endeusados. Reflexo da uniformização do pior de tudo.

Mais um exemplo do cotidiano: tenho uma filha de 1 ano e 4 meses. Quando a levo ao pediatra ou a qualquer outro lugar e as pessoas querem agradá-la e distraí-la, pensam em colocar algo na tv ou no computador ou no tablet para ela assistir. Aí colocam SEMPRE… a “galinha pintadinha”.

Um SACO, chato pra cassete, músicas com arranjos péssimos, estridentes, acho horrível. Mas só colocam – automaticamente, como se só existisse isso – a bosta da galinha pintadinha.

E me diziam, assim que ficamos grávidos, que “não tem como escapar”, “ela VAI assistir, com certeza”, “ela VAI adorar a galinha pintadinha e não tem nada que você possa fazer quanto a isso”, blá blá blá.

Agora, acreditem, sabe quando ela vê galinha pintadinha? NUNCA! Quer dizer, só quando estamos em um dos locais que falei acima e não temos opção (e mesmo assim, tenho dito para não colocar). Em casa ou conosco? Nunca.

Mas, então, ela vê o quê? Ora, ignaros, há centenas de (boas) opções na internet. Pode-se no computador, no tablet, na televisão (conectando o computador na tv, por exemplo) centenas de outros bons desenhos, educativos, com boas músicas, não estridentes ou esquizofrênicos como esta galinha.

Entretanto, as pessoas, sem pensar (claro, SEM pensar) automaticamente fazem a ligação: criança = assiste galinha pintadinha idiotizante.

As pessoas se prendem às piores coisas, como a um cavalo amarrado numa cadeira de plástico.

cavalo amarrado na cadeira de plastico

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira

A escola tá um caos! – Por que será?

Chego à escola meia hora atrasado, atipicamente, depois de uma hora e quarenta minutos de trânsito, em pé em ônibus lotados e quentes – quando demoro, em dia normal, em média 40-50 minutos pra chegar.

No portão da escola, uma mãe irritada vem saindo e me pergunta: “Você é professor?”

– Sou.

– É novo?

– Ãhn?

– É novo na escola?

– Não. – Respondo, já sem paciência… (tenho 11 anos nesta escola).

– Você veio pra ajudar?

– Ãhn?

– Você veio pra ajudar a escola?

– Ãhn?

– A escola tá quase sem professor, um monte de turmas em horário vago, sem ter aula!

E ela veio falar isso PRA MIM, como a reclamar DE MIM, que sofro as mazelas da escola junto com os alunos, lá dentro e fora dela???

Mexeu com a pessoa e na hora erradas.

Respondo, ao final, já irritado de

  • 1:40h de engarrafamento;
  • salário achatado;
  • terem retirado o difícil acesso porque aqui “tem mais de duas linhas de ônibus” (menos R$ 222,00 no já baixo salário);
  • terem retirando e modificando as regras do plano de saúde;
  • receber apenas 12,00 de alimentação por dia de trabalho;
  • não ter ar condicionado na sala dos professores;
  • não ter nem bebedouro para os professores;
  • a escola estar sem cadeiras nem mesas para os alunos;
  • ter sala sem portas;
  • ter salas sem ar condicionado NEM ventilador…

– Tá sem professor porque as pessoas não aguentam, muitos estão doentes, de licença! Elas faltam porque não são respeitados, tiram tudo da gente e daqui a pouco estaremos pagando pra trabalhar. E tudo cai na cabeça do professor!! Assim é melhor ficar em casa!!!!

Entrei e fui trabalhar.

Está em curso um processo muito bem engendrado de falência intencional da educação pública na cidade do Rio de Janeiro.

Mas a secretária que começou isso saiu com láureas e o prefeito que impõe a falência é reeleito.

E um bando de ignóbeis ainda vocifera “chega de Paulo Freire”.

Pais lindo, povo gentil.

Abraços,

Declev Reynier Dib Ferreira
Cansado

Escola não é para fazer pensar

O aluno “não consegue achar” o assunto que pedi para pesquisar no livro.

“Não tem!”, afirma ele.

Abro o livro no sumário e o primeiro assunto é… o mesmo que havia pedido e que “não tinha” naquele livro.

“Você sabe o que é e para que serve o sumário?”, pergunto.

“Não” – cara de quem está ouvindo alguém falar em russo.

Eu suspiro.

Percebo – aliás, reafirmo o que eu já sabia – que no 7º ano os alunos não sabem o que é um sumário.

Praticamente todos. Isso quer dizer que estes alunos passaram 7 anos, no mínimo, na escola e não aprenderam o que é um sumário, o básico do básico para começar a fazer uma pesquisa.

Claro, a escola não é para fazer pensar, nem para pesquisar, nem mesmo para aprender ou aprender a aprender.

A escola – dos pobres, diga-se de passagem – é para manter os jovens dentro de um prédio. E os professores passaram a ser seres que tomam conta dos alunos para não se matarem.

É um projeto muito bem elaborado: finge-se que a educação é “para todos”, que é de qualidade, etc., enquanto desenvolve-se o emburrecimento – em relação à cultura letrada – de uma grande massa.

E nisso são gerações perdidas. Por mim já passaram umas duas.

Dos meus alunos, já não cabem em meus dedos aqueles que foram assassinados, presos, acidentados.

É uma vitória quando encontro algum ou alguma em um subemprego, ralando para ganhar quase nada e ter menos ainda, mas tendo uma vida, de certa forma, digna.

São vários os indícios deste projeto de bestialização social dos mais pobres – o que vai garantir eternamente o voto de cabresto, a mão de obra semi escrava e que o Brasil seja, por exemplo, um dos poucos países do mundo em que há empregadas domésticas em quase todas as residências.

Nós, professores, somos massacrados de todos os lados:

  • O salário do professor no Brasil é dos piores do Mundo;
  • Os professores no Brasil têm as maiores cargas de trabalho do mundo;
  • As salas são cada vez mais lotadas, o que impede qualquer tipo de trabalho diferenciado com os alunos, fora do famoso “copia do quadro”;
  • Os materiais vêm prontos e acabados ditando as regras, como apostilas, provas e materiais elaborados por nobres institutos e ong’s “educativas”;
  • Os alunos podem TUDO, mas a cobrança que podemos fazer é cada vez menor. Basta ir à escola – e às vezes nem isso. Não precisa estudar, nem fazer nada;
  • Se você é um profissional crítico, pensante, que tenta inserir algo diferente no dia a dia da escola, será mais massacrado, defenestrado, maldito e sacaneado ainda. Será, quiçá, banido. Estes podem ainda sofrer assédio moral;
  • Aliás, contra estes que pensam até mesmo leis estão sendo criadas, como a “Lei contra doutrinação ideológica” – o que querem dizer com esta lei? “Não pensem nem façam pensar”

Enfim, estar na escola tentando fazer os alunos PENSAREM, para além de decorar algo para cuspir numa prova “oficial”, destas dezenas de testes e provas para compor índices que para nada servem, é impossível.

TODOS os que conheci que tentaram, foram massacrados e desistiram. Inclusive eu.

Que venha a nossa Idade Média. Ela virá.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira

Teatro na escola: o que aprendi?

Existe muita coisa errada na Educação. Nada que não tenha sido exaustivamente discutida por muitos especialistas. Como não considero um deles, vou apenas fazer algumas considerações baseadas em ideias que tenho há algum tempo e que foram reforçadas com uma experiência maravilhosa que tive em uma das minhas escolas: o Teatro na escola.

Pra início de conversa: escola não é fábrica! Portanto, não devemos comprar o modelo industrial para produzir seres moldados conforme o padrão do mercado. Retiramos a humanidade da escola (se é que algum dia ela esteve presente) e viramos formadora de especialistas. Não importa o que ele vai fazer com esse conhecimento, basta tê-lo. Será?

Uma das maiores atrocidades da História (para alguns – a maior) foi fruto de uma sociedade extremamente organizada, disciplinada e muito bem escolarizada. Os alemães eram grandes especialistas. Tanto é verdade que conseguiram exterminar 6 milhões de judeus com uma velocidade e precisão digna de um país altamente desenvolvido.

Estamos formando engenheiros que são perfeitos conhecedores das ciências exatas, mas que é capaz de construir um prédio com areia da praia. Os políticos que hoje assombram o país com escândalos de corrupção passaram pela escola e aprenderam direitinho as lições de Português. São belos oradores. E os médicos? 10 em ciências! Que formidável! Mas é o mesmo que assina o ponto no Hospital público e vai embora correndo ganhar mais dinheiro na sua clínica particular.

Sei que você pode pensar: “Mas essas questões éticas são responsabilidade da família”. Sim, concordo plenamente. Mas o que fazer quando ela não cumpre o seu papel? A escola deve simplesmente ignorar? Se preocupar apenas com o conteúdo curricular?

Desenvolver o aspecto cognitivo é tarefa primordial da escola, mas sem valores humanos não temos uma sociedade melhor. E é papel da escola buscar uma sociedade melhor. Como fazer isso?

Deixar o aluno sentado em uma cadeira por horas e depois mandar ele pra casa com certeza não é o caminho. A escola supervalorizou a sala de aula. Daí estarmos com uma legião de alunos entediados, torcendo para ter uma aula vaga. Só assim ele tem um momento de liberdade, para movimentar o corpo, viver experiências.

A escola aprisiona os corpos dos alunos e eles resistem. Como pássaros, só querem voar. Mas por que não voar dentro da escola?

O colégio dos meus sonhos tem muito mais do que salas de aula. Nela há um auditório de música, onde os alunos podem aprender diversos instrumentos e soltarem suas vozes em lições de canto. Dentro do ginásio, existem diversas modalidades esportivas. É só escolher uma: tem um time de futebol, outro de basquete, vôlei, handebol, judô, ginástica, tênis de mesa… Na sala de artes encontramos quadros sendo pintados, desenhos ilustrando belas histórias e até mesmo pequenas esculturas sendo moldadas.

E, é claro, um belo espaço para um grupo de Teatro, onde os alunos podem explorar sua criatividade, o convívio em grupo, o controle sobre seu corpo, sua voz, e tudo isso sem deixar de estudar, pois o texto, a temática, o cenário, a música, o figurino e vários outros elementos do universo teatral são frutos de muito estudo.

Sei que foi uma introdução longa, mas tudo isso que escrevi até agora é apenas para mostrar pra vocês como estou feliz e realizado de ter conseguido montar uma peça teatral em uma das minhas escolas.

Nosso trabalho: Teatro na escola

O trabalho que fizemos em poucos meses de preparação e ensaios foi muito maior do que todos nós imaginávamos, inclusive eu. Começamos só com uma ideia e em pouco tempo estávamos com um espetáculo, em todos os sentidos.panfleto_Je suis sobrevivente

A peça tratava do Holocausto, mas usava a intolerância do mundo atual como gancho inicial e reflexão final. Foram 12 alunos envolvidos, que aceitaram ficar além do horário sem ganhar nenhum décimo de nota em troca. Eu fiz o mesmo. Passei horas, antes destinadas ao descanso, dirigindo os ensaios e cuidando de toda a produção da peça, sem ganhar um centavo a mais de salários. Pelo contrário, parte dele foi usado em alguns momentos, pois não queria pedir nada à escola.

Meu objetivo era simples: queria mobilizar os alunos, professores, equipe pedagógica e direção para provar que fazer arte na escola não é uma atividade complementar. Isso deve ser incentivado com a mesma importância que as disciplinas tradicionais. Nada mais convincente do que mostrar uma experiência de sucesso. E ela aconteceu!

Meus alunos fizeram várias apresentações, levando a mensagem da peça para cerca de 500 pessoas, entre pais, colegas, professores e funcionários. O impacto foi impressionante. O espetáculo emocionou a todos, inclusive nós que proporcionamos a existência dele.

Não tenho mais palavras para agradecer esses meus queridos alunos que entraram nesse barco comigo sem imaginar que chegaríamos em terra firme. Tenho orgulho de cada um deles, desde os que chegaram sem conseguir falar uma palavra, passando pelos que choravam só de pensar em falar na frente das pessoas até os mais habilidosos que fizeram tudo com uma leveza de profissional, todos eles são inesquecíveis.

O Teatro na escola, portanto, me proporcionou não só uma realização profissional. As horas de convivência desenvolveram uma admiração mútua, uma amizade sincera e um sentimento de ter feito parte de algo que não vai ser esquecido.

Após esta experiência, pude ver que meus pupilos são mais humanos. Eu me tornei mais humano. A escola se abriu para a possibilidade de ser mais humana. Missão cumprida!

Teatro na escola

Sobre saber ler e entender

Sobre Leitura e escrita, saber ler e entender.

Meio de maio de 2015. Lá se vão uns 3 meses de aula no 7º ano.

Alunos de 12-13 anos que estão, no mínimo, em seu sétimo ano dentro de uma escola.

Situação 1

Indico o exercício a ser feito.

No quadro: “ler e fazer a apostila até a página 12”.

Todos vão direto para a página 12, afinal, o professor mandou fazer a página 12…

Mudo a frase para “ler e fazer a apostila DA PRIMEIRA PÁGINA ATÉ a página 12”.

Reclamam que é muita coisa.

Situação 2

Na página 12, ao explicar uma experiencia a ser feita, dentre os materiais necessários tem-se a frase: “alimento já pronto como arroz cozido, canjica ou mingau de bebê”.

Uma aluna me pergunta: “professor, pode ser outra coisa ao invés da canjica?”.

Leio pacientemente com ela a frase, explicando-lhe a diferença entre o “ou” e o “e”.

– Aaaah tá…

Situação 3

Tenho um crachá para sair da sala. Quem precisar sair para beber água, ir ao banheiro, falar com alguém ou qualquer outra coisa não precisa nem me pedir, basta pegar o crachá, que fica sempre em um canto na minha mesa, e sair. Quando volta, deixa-se o crachá no mesmo lugar e outro aluno pode sair. Sempre um por vez.

Invariavelmente alguém vem à minha mesa e pergunta: “professor, cadê o crachá?”.

– Pense – respondo eu.

– Eu não sei!

– Onde está o crachá?, pergunto.

– Eu não sei, eu te fiz esta pergunta!

– Vamos pensar: onde o crachá fica?

– Aqui.

– Para que ele serve?

– Para sair de sala.

– Ele está aí?

– Não.

– Então onde ele pode estar?

– Com alguém lá fora.

– Então… onde está o crachá?

– Lá fora com alguém.

– O que você tem que fazer?

– Esperar ele voltar.

– Ok.

[…]

Vem outro e…

– Professor, onde esta o crachá?

[…]

Abraços,

Declev Reynier Dib Ferreira

Desistir de novo

Eu já tinha desistido da educação, mas ainda não consegui sair.

Mas a cada dia que passa sinto que estou mais longe. Aliás, MUITO longe…

Depois de duas semanas viajando, entro na escola e em meia hora de conversa com colegas professores sobre a situação do Brasil, antes das aulas, ouço pérolas como:

bandido tem que morrer…

depois vem este pessoal dos direitos humanos…

quero ver os direitos humanos pra trabalhador…

a polícia prende mas os direitos humanos soltam…

na época da ditadura tinha muita coisa errada, mas tinha muita coisa boa…

Coloco o fone de ouvido com uma música no volume máximo e me calo, com meu interior piorando minha gastrite.

Toca o sinal e estes sobem para dar aulas para adolescentes da periferia do Rio de Janeiro, em bairro totalmente desassistido pelo Estado, neste espaço que deveria ser o da construção da cidadania (escola).

Nossos alunos não têm garantidos seus direitos: educação decente, saúde, moradia, segurança, cultura, possibilidades de futuro… mas os seus professores acham que deve-se encarcerar todos, inclusive os pré-adolescentes (tem que diminuir a idade penal), que preso tinha que trabalhar em colônia penal, que polícia não é toda bandida e bandido tem que morrer, na ditadura era bom, entre outras pérolas.

Então eu me calo, subo e entro em minha sala.

De cara, duas alunas me perguntam “professor, porque o senhor voltou, porque não ficou viajando?”

Então, depois da pá de cal eu me convenço que, realmente, não sou deste mundo, que nada mais tenho a oferecer.

Acabou, só ainda não consegui enterrar.

Declev Reynier Dib Ferreira

Quero que o Flamengo se exploda!!!

Aliás, quero que o flamengo, o vasco, o fluminense, o botafogo, o corínthians, o santos e todos os times de futebol se explodam!

Quero que o futebol se exploda!

Todo pré, durante e pós jogos “importantes” é a mesma coisa: meu facebook fica lotado de provocações, xingamentos, implicâncias, baixarias e outras baboseiras dos torcedores de um time contra os outros.

Como se fossem uns melhores que outros.

Sim, eu já torci um dia. Um dia fui flamenguista. Nasci numa família de flamenguista, fui influenciado desde criança e achava, inconscientemente, que tinha que ser como os outros.

Mas um dia me libertei e descobri que não preciso. Não preciso ter um time, não preciso “pertencer” a nenhuma “nação”.

Nem mesmo ao “brasil” do futebol, pelo qual não derramo nem uma lágrima nem adrenalina quando joga.

Há muitos anos, em um determinado dia, lembro muito bem, desisti de torcer. Foi quando li uma notícia sobre o hoje senador Romário. Bom político, por sinal.

A notícia nos dava a informação que o jogador, que tinha passado pelo vasco e pelo flamengo mas não estava em nenhum dos dois, ainda deveria receber algo em torno de 150 mil mensais DE CADA TIME, durante uns 10 anos!

Ainda deve estar recebendo.

Eu pensei: um jogador recebe MILHÕES pra muitas vezes fazer m em campo, sai de um time vai pra outro, volta pro mesmo, beija o escudo de todos, barganha, faz chantagem, foge de concentração, chuta pênalts pra fora e nós, torcedores, vamos ficar tristes, bravos, brigar, chorar e até matar pelos times?

Tô fora.

Desde este dia eu simplesmente apaguei qualquer ranço de torcedor de futebol que havia em mim.

E hoje, depois de alguns jogos “importantes”, tenho minha timeline do facebook inundada de provocações, implicâncias, xingamentos de uns contra os outros só por conta de o outro ser de outro time. E então estou no ônibus e vejo uma notícia na televisão que os empresários inventaram para ganhar mais um trocadinho às nossas custas:

Corínthians

Percebem? Não? Vou aproximar a imagem pra vocês perceberem melhor a que ponto chegamos:

Corínthians chacina

Enquanto “mulambada”, “vice”, “florminense” e outros xingamentos são destilados – muitos deles frutos SIM de nossos preconceitos – e um juiz que erra é massacrado publicamente, a notícia de uma chacina de 8 mortos é inserida no caderno “Cotidiano”.

País lindo, povo gentil.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Sem time.

A Carta de Belém e a Educação Ambiental

Durante o VIII Fórum Brasileiro de Educação Ambiental, ocorrido em Belém em dezembro de 2014, a REBEA, como sempre faz em seus encontros, gerou um  documento de referência da Rede Brasileira de Educação Ambiental para discussão com o poder público e todos os setores da sociedade.

Os itens do documento foram discutidos com os representantes e Facilitadores da Rede durante todo o encontro e, ao final, ele foi lido e aclamado na Plenária.

A Carta de Belém, contém uma análise da conjuntura atual e indica as reivindicações e proposições dos educadores ambientais para a formulação de políticas públicas e ações conjuntas entre os diversos setores, na busca de sociedades sustentáveis.

Vamos à Carta de Belém:

Fórum Educação Ambiental

O coletivo de facilitadores (as) representantes das redes da malha da Rede Brasileira de Educação Ambiental – REBEA, presentes no VIII Fórum Brasileiro de Educação Ambiental, que comemora seus 26 anos, realizado no Campus da Universidade Federal do Pará entre os dias 03 e 06 de dezembro de 2014, e que teve como objetivo geral: Fortalecer a Educação Ambiental brasileira em suas diversas matizes, por meio da consolidação de experiências desenvolvidas nos mais variados contextos, através dos atores sociais que se articulam por meio da malha da Rede Brasileira de Educação Ambiental (REBEA),criando mecanismos de maior divulgação, intercâmbio e avaliação dessas experiências.

O VIII Fórum foi promovido de forma participativa pelos facilitadores da malha de mais de 50 redes da Rede Brasileira de Educação Ambiental – REBEA –, e revisitando as considerações e deliberações da Carta da Praia Vermelha, produzida no VI Fórum do Rio de Janeiro, e referendada na Cúpula dos Povos, em 2012, esse coletivo de redes apresenta aos gestores públicos, sociedade civil, movimentos sociais e comunidades e povos tradicionais e indígenas as considerações e deliberações da plenária final do evento:

1) Considerando que a Constituição Federal, em seu artigo 225, §1º, inciso VI, a Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, determinam que o Poder Público deve promover a Educação Ambiental (EA) em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente;

2) Considerando que, nos termos da Lei Federal nº 9.795, de 27 de abril de 1999, que instituiu a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA), regulamentada pelo Decreto nº 4.281, de 25 de junho de 2002, a Educação Ambiental é um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, e institui a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA), referendada pela Resolução Nº 2, de 15 de junho de 2012 que estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental,

3) Considerando a preocupação das redes e movimentos sociais participantes do VIII FBEA quanto às contradições entre as ações do governo federal, no que diz respeito à articulação entre as políticas públicas de Educação, Educação Ambiental e Meio Ambiente, e o embate político, interesses e pressão econômica das grandes corporações, provocando o enfraquecimento da legislação, de gestão e licenciamento ambiental no país;

4) Considerando a urgência de empoderar e fortalecer a representação do Órgão Gestor e do Comitê Assessor da Política Nacional de Educação Ambiental, em todas as esferas de governo (Estados, Municípios e o Distrito Federal) de forma a assegurar as ações conjuntas entre o MEC, por meio da Coordenação Geral de Educação Ambiental (CGEA), órgão da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão – SECADI, e o MMA, por meio do Departamento de Educação Ambiental (DEA), órgão da Secretaria de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental, cumpram seu papel de estabelecer, de forma participativa, ações conjuntas para implementação das Políticas Públicas de Educação Ambiental, em especial, o Sistema Nacional de Educação Ambiental (SISNEA), monitoramento e avaliação de programas, projetos e ações e metodologias participativas, em diálogo permanente com as redes, coletivos e movimentos sociais;

5) Considerando a necessidade do diálogo governamental com as redes, coletivos, movimentos sociais, comunidades e povos tradicionais, indígenas, e o restante da sociedade brasileira, para se ter clareza de quais são as prioridades da agenda do novo governo federal para o campo socioambiental, de forma a garantir um planejamento sistêmico e os espaços conquistados para participação social no país, respeitando a dimensão local e global, para a transformação e transição para sociedades sustentáveis includentes e justas;

6) Considerando o avanço na implementação da dimensão ambiental no ensino, e os desafios para a construção de melhores relações dos seres humanos entre si e com a natureza, e das instituições educacionais – da Educação Infantil à Educação Superior – realizarem a transição para se constituírem como espaços educadores sustentáveis, o que exige maior divulgação da Resolução n. 2 do Conselho Nacional de Educação que criou as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNEA);

7) Considerando a necessidade de aprovação de Projetos de Lei, como os 4361/2012 e 3215/2012, que regulamentam o financiamento das ações de Educação Ambiental;

8) Considerando as conclusões da UNESCO no encontro de Nagoya, Japão, destacando as experiências da Educação Ambiental brasileira, que convergem com a Década do Desenvolvimento Sustentável, como é o caso dos coletivos educadores, municípios sustentáveis, e no âmbito das redes universitárias, os indicadores para sustentabilidade, bem como os compromissos do país no que diz respeito aos processos formativos para enfrentamento das mudanças climáticas e redução de riscos de desastres, e sobre os Objetivos do Milênio (ODM), e a agenda pós 2015, onde serão adotados novos objetivos para a humanidade e a necessidade da educação ambiental estar incorporada transversalmente nas prioridades nacionais;

9) Considerando a importância do acolhimento e inserção da juventude e suas pautas nas redes estaduais e temáticas que compõem a REBEA, e reconhecendo seu papel histórico como protagonistas do diálogo intergeracional, no intuito de oxigenar a própria REBEA e fortalecer as ações deste campo, na formulação e efetivação de políticas públicas voltadas à juventude ambientalista brasileira;

10) Considerando as ações de cooperação bilateral e multilateral que incluem em suas partes programas e ações de Educação Ambiental.

Pleiteamos:

– a urgência de fortalecer e ampliar a integração entre as redes e coletivos para o empoderamento social com as comunidades para o diálogo com os governos panamazônicos e latino-americanos e do Caribe para a proteção da vida nos territórios, com especial atenção no fortalecimento e implementação da formação de pessoas para a conservação e uso dos bens e serviços ecossistêmicos na Amazônia, previstos no Tratado de Cooperação Amazônica (TCA);

– a necessidade do engajamento no diálogo sobre a gravidade da crise ambiental, representada pelos efeitos da mudança climática global, acelerada pela ação humana, atingindo no momento milhões de brasileiros com a seca histórica que afeta as Regiões Nordeste e Sudeste, com a ameaça de colapso no abastecimento de água nestes territórios, contradições do sistema capitalista e neoliberal que acabam provocando sérios problemas socioambientais e econômicos, como o êxodo de populações em busca de melhores condições econômicas e de qualidade de vida;

– a necessidade de valorizar e respeitar a diversidade socioambiental e etnocultural dos povos que habitam as grandes bacias hidrográficas transfronteiriças como a andina, amazônica e do Prata, as quais co-habitam com uma rica diversidade biológica que precisa ser preservada para as atuais e futuras gerações, para além do utilitarismo;

– a urgência da aproximação da pauta ambiental com os direitos humanos, especialmente na redução de barreiras para a igualdade de oportunidades para todas as pessoas, garantindo assim, um desenvolvimento humano justo, acessível, portanto, inclusivo;

– estratégias por parte do governo, por meio do Órgão Gestor da EA brasileira que considerem o processo de internacionalização das redes de educadores e de universidades consolidando a integração de universidades-elos do Brasil com a Alianza de Redes Iberoamericanas de Universidades por la Sustentabilidad y el Ambiente (ARIUSA), GUPES latinoamerica, Rede de Indicadores de sustentabilidade nas universidades – Rede RISU, e também com a Rede Lusófona de EA (países CPLP), REATur e Rede PLANTEA;

– que as Instituições de Educação Superior (IES) promovam diagnósticos, políticas e programas universitários de Educação Ambiental, como uma perspectiva ampliada de ambientalização e sustentabilidade dos campi universitários, nas dimensões do ensino, pesquisa, extensão e gestão, bem como na estruturação do Programa Nacional Universidades Sustentáveis, em parceria com as redes e Instituições de Educação Superior (IES);

– a necessidade de avaliar e ampliar politicas de estado que se institucionalizem em politicas públicas, como: a Conferência Infanto-juvenil para o Meio Ambiente o Programa Mais Educação, PDDE – Escolas Sustentáveis reforçando as Agendas 21 Locais, Comissões de Meio Ambiente e Qualidade de Vida – COM VIDA, previstas no Programa Nacional Escolas Sustentáveis (PNES), em parceria com as redes e Instituições de Educação Superior (IES);

– intensificar o processo de divulgação e implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNEA) em todos os níveis de ensino;

– o fortalecimento da Coordenação Geral de Educação Ambiental (CGEA), vinculada ao MEC, e o Departamento de Educação Ambiental (DEA), vinculado ao MMA, que compõem o Órgão Gestor da Política Nacional de Educação Ambiental;

– garantir a paridade entre governo e sociedade civil, reconhecendo, legitimando e ampliando legalmente a participação no âmbito dos diálogos inter-redes da REBEA, da REJUMA, RUPEA e outras como representantes da malha de redes nacionais no Comitê Assessor da PNEA, fóruns e colegiados de discussão e controle social das políticas públicas em educação, Educação Ambiental e Meio Ambiente;

– revitalizar, rearticular e fortalecer as Comissões Interinstitucionais de Educação Ambiental (CIEAs) e Câmaras Técnicas em Colegiados Socioambientais, como Conselhos de Educação e Meio Ambiente, Comitês de Bacia, Conselho Gestor de Unidade de Conservação ampliando o dialogo e participação desses coletivos na implementação das Políticas de EA, bem como que o MEC, as Secretarias Estaduais e Municipais de Educação, juntamente com a sociedade civil encaminhem esforços concretos para garantir que os planos estaduais e municipais de Educação contemplem as diretrizes e metas do Plano Nacional de Educação, com especial atenção à promoção dos princípios do respeito aos direitos humanos, à diversidade e à sustentabilidade socioambiental;

– definição de normas e mecanismos para direcionar parte dos recursos obtidos pela aplicação das multas ambientais à implementação das políticas públicas e ações em Educação Ambiental, de forma que a DEA-MMA e a CGEA-MEC disponham da autonomia e recursos financeiros previstos na legislação para a gestão dos programas e projetos em Educação Ambiental em andamento no país, alguns deles estagnados ou paralisados por falta de corpo técnico para acompanhamento e avaliação;

– abertura do diálogo com os órgãos do licenciamento ambiental federal e estaduais, e com o Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA) e Conselho Nacional de Recursos Hídricos para estabelecimento de normas e critérios para construção participativa de todas as etapas estruturantes dos programas de Educação Ambiental sintonizados com os princípios da Política Nacional e Estaduais de Meio Ambiente e de Educação Ambiental e suas práticas;

– revisão da Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA), que completou seus 15 anos, o que exige um processo de diagnóstico, avaliação e reformulação frente aos desafios da problemática socioambiental no âmbito nacional e internacional;

– que todos os órgãos de Meio Ambiente e Educação de Estados, e Munícipios e Distrito Federal disponham de unidades administrativas de Educação Ambiental a fim de garantir a Educação Ambiental como um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, de acordo com a PNEA e os princípios e objetivos da DCNEA;

– que todos os Estados, Municípios e Distrito Federal desenvolvam e implementem suas políticas e programas de Educação Ambiental, conforme a legislação vigente;

– que as CIEAs garantam, quando for o caso, a representatividade de comunidades e dos povos tradicionais/indígenas;

– promover o diálogo, para definir uma ecologia de saberes que nos aponte as convergências entre as diferentes filosofias, epistemologias e metodologias que fundamentam as práticas e ações em Educação Ambiental no país, diante dos desafios e vulnerabilidades a que estamos expostos com a degradação da capacidade de suporte de vida no planeta pela espécie humana e demais seres que com ela coabitam;

– a facilitação dos órgãos responsáveis pela implementação da política externa brasileira, nomeadamente o Ministério das Relações Exteriores, no âmbito de suas funções para a consolidação de diálogos e articulação de ações e projetos com Redes afins no contexto da ONU, dos países e blocos que o Brasil integra, a exemplo do BRICs, Mercosul e demais instituições como o TCA;

– fortalecer as ações do campo socioambiental, na formulação e efetivação de políticas públicas voltadas à juventude ambientalista brasileira.

Concluindo, acolhemos as novas Redes criadas no âmbito da malha da REBEA: Rede de Educação Ambiental para Escolas Sustentáveis, Rede de Educação Ambiental na Agricultura Familiar e reiteramos a pauta de reivindicações anunciadas na Carta da Praia Vermelha, aprovada na plenária Final do VI Fórum Brasileiro de EA, realizado no Rio de Janeiro em 2009, e reafirmamos o nosso compromisso como brasileiros e brasileiras, educadores, militantes e sujeitos engajados da área socioambiental em ampliar e promover o debate sobre os desafios necessários a serem enfrentados para a consolidação e construção de políticas públicas e ações da sociedade, em geral, que promovam mudanças políticas, econômicas, sociais e culturais, visando a construção de sociedades sustentáveis, entendidas como aquelas assentadas sobre os princípios da equidade, da justiça, da sustentabilidade socioambiental e econômica.

Finalizando, conclamamos o Governo Federal, os Governos Estaduais, Municipais e do Distrito Federal a assumirem os compromissos aqui elencados por meio da implementação de políticas públicas participativas, engajando, em especial, os movimentos sociais diversificados nas transformações pelo que pleiteamos e assentados sobre a ética de defesa e promoção da vida, no controle da sociedade sobre o Estado e na construção da agenda pactuada na Cúpula dos Povos e nos Fóruns Sociais Mundiais.

Belém-PA, 06 de dezembro de 2014

Assinam a presente Carta os facilitadores da Malha de redes da Rede Brasileira de Educação Ambiental presentes ao VIII Fórum Brasileiro de Educação Ambiental.

1. Rede de Educação Ambiental do Rio de Janeiro – REARJ

2. Rede Capixaba de Educação Ambiental – RECEA m

3. Rede Mineira de Educação Ambiental – RMEA

4. Rede Paulista de Educação Ambiental – REPEA

5. Rede de Educação Ambiental da Bacia do Rio São João – REAJO

6. Rede de Educadores Ambientais da Baixada Fluminense (RJ)

7. Rede de Educadores Ambientais da Baixada de Jacarepaguá (RJ)

8. Rede Estrada Parque de Educação Ambiental – (Barbacena – MG)

9. Rede de Educadores Ambientais do Médio Paraíba do Sul (RJ)

10. Rede de Educação Ambiental da Bahia – REABA

11. Rede Alagoana de Educação Ambiental – REAL

12. Rede de Educação Ambiental do Rio Grande do Norte – REARN

13. Rede de Educação e Informação Ambiental de Goiás – REIA-GO

14. Rede Paraense de Educação Ambiental – REDEPAEA

15. Rede de Educação Ambiental de Rondônia

16. Rede Sul Brasileira de Educação Ambiental – REASUL

17. Rede Paranaense de Educação Ambiental – REA-PR

18. Rede de Educação Ambiental Escolar- IIDEA

19. Rede ECOSURFI

20. Rede de Centros de Educação Ambiental – REDE CEAS

21. Rede Materiais de Educação Ambiental – REMATEA

22. Rede da Juventude pelo Meio Ambiente e Sustentabilidade – REJUMA

23. Rede Olhares da Juventude

27. Rede Brasileira de Informação Ambiental- REBIA –

28. Rede Ambiental da Primeira Infância – REAPI 29. Rede de Educadores Ambientais de Niterói e Leste da Baia de Guanabara (RJ)

30. Rede de Educação Ambiental da Serra dos Órgãos – REASO (RJ)

31. Rede Carajás de Educadores Ambientais – Rede Carajás

32. Rede Amazonense de Educação Ambiental – RAMEA

33. Rede Universitária de Programas de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis – RUPEA

34. Rede de Educação Ambiental na Agricultura Familiar(criada no âmbito deste Fórum)

35. Rede Aguapé de Educação Ambiental no Pantanal – Rede Aguapé – MS

36. Rede de Educação Ambiental da Paraíba – REA-PB

37. Movimento Unido dos Povos e Organizações Indígenas da Bahia – MUPOIBA

38. Rede Cearense de Educação Ambiental – RECEBA

39. Rede de Educação Ambiental da América Latina – Rede EALatina

40. Rede de Educação Ambiental Costeira e Marinha – REACOMAR

41. Rede Cearense de Juventude pelo Meio Ambiente – RECEJUMA

42. Rede de Educação Ambiental para Escolas Sustentáveis (criada no âmbito deste Fórum)

Assinam também esta Carta:

43- Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais – FBOMs

44- Rede Brasileira de Agendas 21 Locais – REBAL

Veja também os outros artigos sobre Educação Ambiental.

Que esta mensagem te dê esperanças

Escrevo isso no primeiro dia de 2015. Ontem, ano passado, uma mensagem me emocionou.

Nas últimas horas de 2014 recebi um chamado no Facebook por mensagem in box. Era uma ex-aluna, que já saiu da escola fazem mais de dois anos.

O diálogo com ela me emocionou. Eu já falei algumas vezes por aqui de minha desmotivação, descrença na profissão e falta de relacionamento com os/as alunos/as:

Mas também já falei de alguns bons acontecimentos:

Agora, este tipo de conversas que travo me dão uma nova esperança, mostrando que, na verdade, os professores têm muito mais força do que supomos. Mostram que, na verdade, podemos, sim, fazer a diferença, mesmo que dentro de alguns indivíduos.

Não me venham dizer que isso SEMPRE acontece, ou que é normal, ou que os professores/as sempre têm que ter um bom relacionamento com os alunos. Não, nem sempre temos um bom relacionamento com os alunos. Nem sempre gostamos de todos os alunos. Nem sempre temos diálogo com os alunos.

Mas, quando temos, é maravilhoso.

E, portanto, acho que é isso o que eu (e você também, professor/a) temos que fazer em nossa lida diária: olhar o/a aluno/a, e não o sistema. Quer dizer, lutar contra o sistema, sempre, até que ele seja bom o suficiente (e talvez isso nunca chegue), mas agir mais com o/a aluno/a.

É algo como aquela frase do meio ambiental: “Pensar globalmente, agir localmente”.

Nem sempre consigo enxergar desta forma. Mas a conversa talvez me ajude a abrir (novamente) os olhos.

Vamos, então ao nosso diálogo (suprimindo o nome e com autorização):

– Boa tarde professor

– Oi Aluna! [eu disse o nome dela, mas suprimi aqui]

– Lembra de mim ainda?

– Claro!

– Vim dar ótimas notícias ao senhor

– O que tem feito?

– Consegui bolsa no curso de moda no Senac de Copacabana. Vou fazer pré-vestibular na UFF

– Oba, muito bom! Eu sabia que você conseguiria muita coisa. Não tinha dúvidas.

– E por causa das suas palavras eu decidi fazer a faculdade de Cinema

– Sério?

– Sim

– Que lindo! Você vai ser grande, vai fazer o que quiser! Como eu disse, nunca tive dúvidas!

– Sempre me apoiou em relação ao teatro. Muito obrigado professor.

– De nada. Este foi um ótimo presente que recebo neste fim de ano.

– Você me inspira bastante, nunca esquecerei do que falou. Muito obrigada por tudo.

– Eu que agradeço, estou emocionado.

– Ainda da aulas na Escola?

– Ainda…

– Mas sem nenhuma aluna como você e seu irmão…

– Obrigada. Pretendo visitá-lo. Pra colocar a conversa em dia

– Vá sim.

– Vou sempre esta mandando noticias e lhe agradecendo. Bjs e de novo, muito obrigada.

– Muito obrigado. Feliz 2015 pra você e sua família. Mande um beijo a todos.

– Mandarei. Feliz 2015 ao senhor e Ana Catarina.

É isso.

Não é o máximo?

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira

Por Declev Reynier Dib-Ferreira e colaboradores