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Entrevista para o Programa Conversas, de Cabo Frio

Participei, há algumas semanas, de uma entrevista para o Programa Conversas, de um canal fechado de Cabo Frio, Rio de Janeiro (o Jovem TV, canal 8).

A dona do programa e entrevistadora é Natália Reynier, moradora de lá e uma “agitadora” social, política, cultural da região.

Coloco abaixo a entrevista, na qual conversei sobre educação ambiental, com foco nos resíduos sólidos.

Espero que gostem!

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira

https://www.youtube.com/watch?v=9Ft9ZOTNv8E

Não deixem também de ler alguns de meus escritos (monografia, dissertação, tese e outros).

Entrevista para o Programa Quebra-Cabeças na GNT sobre Meio Ambiente

Entrevista para o Programa Quebra-Cabeças na GNT sobre Meio Ambiente.

Hoje, dia das crianças, fui agraciado com a apresentação do programa Quebra-Cabeças, da GNT, sobre meio ambiente, no qual participo como entrevistado.

Foi um programa que acompanhou duas crianças em seu dia a dia e suas relações com o meio ambiente.

Eu entro com algumas falas.

No site do programa tem um pequeno pedaço da entrevista, no caso falando sobre a importância da reeducação alimentar para o meio ambiente.

Insiro o vídeo aqui, espero que gostem:

http://globotv.globo.com/gnt/quebra-cabeca/v/a-importancia-da-reeducacao-alimentar-para-o-meio-ambiente/1659226

Link do vídeo

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Colaborando

Sistema reprodutor, sexualidade, educação sexual: sexo na escola…

Não sou sexólogo, mas, como professor – especialmente como professor de ciências –, sou quase sexólogo.

Poderia lançar mão da opção de tratar superficialmente este tema, trabalhando apenas aspectos técnicos, tais como a estrutura dos sistemas reprodutores, por exemplo, mas enveredo pelos aspectos sociais e pessoais da questão.

Passa a ser uma forma de trabalhar o conteúdo curricular corpo humanosistema reprodutor e, ao mesmo tempo, desenvolver uma educação sexual, tão necessária à faixa etária à qual leciono – entre 11 a 14 anos.

Procuro deixar os alunos e alunas à vontade, falando abertamente de quaisquer questões e respondendo todas as dúvidas.

Para isso, este ano fiz a seguinte dinâmica:

  • Distribuí pedaços de papel em branco, iguais, para os alunos escreverem perguntas sobre qualquer assunto relacionado ao grande tema sexualidade.
  • Cada aluno poderia escrever quantas perguntas quisesse, uma em cada pedaço de papel.
  • As perguntas foram feitas anonimamente. Assim, ninguém saberia quem escreveu esta ou aquela – ao menos que as fizessem juntos, o que também poderia. Nem eu mesmo sabia de quem era.
  • Os pedaços de papel foram colocados em uma “urna” – qualquer recipiente –, da qual eram retirados um a um, tendo sua pergunta respondida e debatida.

Isso gerou um grande interesse, lógico… este assunto eles adoram debater.

E se sentiram, ao mesmo tempo, livres para falar de todas as dúvidas.

Inclusive para fazer uma série de perguntas sobre… minha vida sexual!

Adolescentes!

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Professor sexólogo

Entrevista no Site Gestão Educacional

Olá,

Copio abaixo matéria que saiu no Site Gestão Educacional, na qual eu participo.

A matéria pode ser encontrada neste link.

Não lembro a data certa, mas acho que é de 2008.

Espero que gostem.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira

Educação ambiental é tudo de bom

Toda escola pode desenvolver seu projeto de educação ambiental. Mas a iniciativa deve envolver, de preferência, toda a comunidade escolar, e ser realizada de forma responsável, desde o seu planejamento. Não basta ter boas idéias, é preciso desenvolvê-las, planejá-las e discuti-las dentro do contexto do cotidiano em que a escola está inserida. Principalmente porque os projetos de educação ambiental, normalmente, ocorrem por tempo determinado. Por isso – e aproveitando a temática para uma analogia – as sementes têm de ser plantadas e cuidadas, para mais tarde darem frutos. Nesse caso, a semente é a da consciência ambiental e o campo a ser semeado é o intelecto dos alunos. Para o educador ambiental Declev Reynier Dib-Ferreira, a prática traz benefícios futuros, muito mais que imediatos, a toda a sociedade. A descoberta, por parte dos alunos, de poder contribuir com uma causa maior, em benefício coletivo, desperta um sentimento de solidariedade que os acompanhará durante toda a vida. Mas alguns pontos devem ser observados:

1. Para iniciar qualquer projeto de educação ambiental na escola, o gestor precisa, em primeiro lugar, envolver o corpo docente no desenvolvimento dessa idéia. A participação de todos os professores da instituição é o ideal. Porém, isso depende da disponibilidade de cada um;

2. Desenvolver um projeto de educação ambiental demanda tempo, estudo e dedicação. Se cada professor utilizar parte do seu tempo desenvolvendo o projeto, já é um grande passo;

3. Conhecer os problemas que são enfrentados ao redor da escola, as dificuldades dos alunos e da sua comunidade são pontos essenciais para traçar os objetivos do projeto. Então, é hora de criar atividades que façam os alunos pensarem sobre esses problemas, sobre a situação com a qual convivem diariamente. Juntos, alunos e professores irão desenvolver ações que proponham soluções – ou atenuações – das questões ambientais da região.

Doutorando em Meio Ambiente pela UERJ, Dib-Ferreira acumula muitos anos de experiência em projetos de educação ambiental em escolas do município de Niterói (RJ). Em uma delas – que ficava ao lado do aterro de lixo – o projeto realizado há cerca de quatro anos ainda é lembrado pelos alunos. “Desenvolvemos lá diversas atividades que fizeram as crianças terem maior auto-estima, conhecimento e respeito pelo local onde moram. Trabalhamos, entre outras coisas, com uma maquete do lugar, onde cada criança fez e colocou sua casa, fizemos o aterro, as ruas, os problemas, os valões, etc. Lembro-me de relatos de mães dizendo que a criança agora estava ‘uma chata’, porque brigava com elas dizendo que não podiam jogar lixo no chão”, recorda o professor. Sinal de que o aprendizado ambiental adquirido pelos alunos conseguiu ultrapassar os muros da escola.

Diante de tantas questões que a educação ambiental envolve, como saber qual é a melhor para se trabalhar na escola? Uma boa dica é abordar um tema que esteja presente na vida das crianças. Isso pode envolver o ambiente em que vive fora de casa – desmatamento, poluição do ar e dos rios – ou dentro – desperdício de água e de alimentos, geração de lixo, consumo exacerbado. Independente do assunto escolhido para o projeto, o mais importante é discutir as causas do problema, não só as conseqüências. Caso contrário, a abordagem pode se tornar superficial e não surtirá o efeito esperado. “Pode-se fazer campanha sobre o desperdício de água e energia, sim, mas sempre trabalhando de onde vem esta água, a importância das nascentes, das matas ciliares, as forma de geração de energia. As questões trabalhadas nunca devem ficar no âmbito das ações individuais, simplesmente de forma comportamental. Devem ser discutidas, analisadas, debatidas”, completa o professor.

Marketing Ambiental

Ao fazer a sua parte, o Colégio São Luís, em São Paulo, une o útil ao agradável. Além de educar os alunos sobre a importância da preservação do meio-ambiente, suas ações refletem no posicionamento como prestador de serviço consciente. É um exemplo de instituição de ensino beneficiada, mesmo que sem querer, pelo marketing ambiental, ferramenta estratégica capaz de projetar e sustentar a imagem de qualquer empresa, destacando sua diferenciação ecologicamente correta junto à sociedade, fornecedores, funcionários e consumidores. O professor Fábio Brandão, que leciona geografia e é assessor de ensino na disciplina de história, diz serem perceptíveis os efeitos positivos dos projetos verdes. São vários os pais de alunos que telefonam querendo saber mais. E a repercussão vai além dos muros da escola, com divulgação na imprensa local, por meio de jornais, sites e rádios.

Atualmente, há planos que estão em execução. Como forma de compensar o carbono emitido por alunos, professores e funcionários, até o fim de 2008 o São Luís terá plantado três mil árvores de espécie nativa na região de Cotia, Grande São Paulo. Pode-se acompanhar o crescimento das árvores pelo site www.saoluis.org. Trata-se de mais uma ação do projeto ComPensar, iniciado no segundo semestre, em parceria com a empresa Brasil Flora. Outra ação bem interessante é que todos da escola receberam uma caneca que simboliza as árvores plantadas. A idéia do presente foi proposta pelos alunos do ensino médio, objetivando reduzir o uso de copos descartáveis.

“Buscamos dar a melhor orientação para formarmos cidadãos conscientes e responsáveis pelo mundo em que vivem”, explica a diretora pedagógica Denise Krein. Geralmente, as escolas fazem parcerias diretamente com ONGs. O Instituto Triângulo, de São Paulo, é referência: idealizou o projeto “Ecologia Também se Aprende na Escola”, que oferece trabalho de mobilização ecológica de sala em sala, com intervenção teatral e outras investidas.

Minha tese de doutorado

Depois de alguns meses…

Acho que chegou a hora de divulgar minha tese de doutorado.

Sim, sobrevivi…

O trabalho foi desenvolvido no doutorado em Meio Ambiente na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Chama-se Educação Ambiental na Educação Formal: do Paradigma Moderno ao Paradigma da Complexidade.

Eis o resumo:

DIB-FERREIRA, Declev Reynier. Educação ambiental na educação formal: do paradigma moderno ao paradigma da complexidade. 193f. Tese (Doutorado em Meio Ambiente) – Instituto de Biologia Roberto Alcântara Gomes, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2010.

A educação ambiental vem sendo disseminada por grande parte das escolas do país, conforme atestam pesquisas oficiais, mas uma lenta transformação a acompanha no que diz respeito à mudança dos princípios do modelo de desenvolvimento industrial, que enfatiza o consumismo como estratégia de reprodução. Ao mesmo tempo em que as pesquisas sugerem uma ampliação da consciência ambiental da sociedade como um todo, percebe-se um acirramento dos problemas socioambientais e soluções sendo alcançadas em escala inferior ao patamar considerado desejado. Onde estaria, então, o problema? Qual a razão desta possível defasagem educação ambiental x resultados? Foi com o intuito de responder a estas perguntas que essa tese foi realizada. Parte-se de uma percepção de que a Educação Ambiental praticada na escola reflete e acentua o paradigma moderno hegemônico, que se baseia em uma concepção dualista homem / natureza, em que uma está a serviço do outro, sem promover o questionamento sobre os desdobramentos da adoção dos valores da sociedade de consumo no desequilíbrio da vida no planeta. Essa dicotomia entre cultura e natureza, sociedade e ciência, sujeito e objeto se reflete na busca de soluções parciais, incompletas, visando-se apenas a uma parte do problema socioambiental, que não é visto como um sistema complexo. A educação ambiental realizada nessas bases dificulta a reunião das condições necessárias à mudança das estruturas da atual sociedade brasileira e à busca das soluções dos seus problemas socioambientais. Nessa perspectiva, esse trabalho objetiva criar subsídios para um caminho para a educação ambiental que possa contribuir para uma visão complexa da realidade e dos problemas socioambientais, na busca de soluções mais abrangentes. Para isto, procura entender: a) como a teoria da complexidade poderia colaborar para esta mudança; b) em quais modelos práticos e teóricos a Educação Ambiental ocorre no Brasil, ou seja, quais as diversas tendências da educação ambiental brasileira; e c) como esses modelos se expressam nas práticas dos professores analisando-se artigos publicados em anais de seminários, congressos e/ou encontros sobre o tema.

Palavras-chave: Educação Ambiental. Educação Formal. Paradigmas. Complexidade.

Ei-la. Divirtam-se:

Tese de Doutorado – Declev Reynier Dib-Ferreira

Declev Reynier Dib-Ferreira
Sobrevivente

VI Fórum Brasileiro de Educação Ambiental… meu filho nasceu!

Pois é… acho que é o mais perto que eu posso chegar de uma gravidez. Com a exceção de que a barriga não diminuiu… rs.

Nasceu, finalmente, o VI Fórum Brasileiro de Educação Ambiental!

Foram meses, mais especificamente e exatamente 9 meses até que ele fosse realizado.

Nunca sofri tanto na minha vida, posso dizer sem receios.

Nunca me aborreci tanto, posso dizer sem receios.

E não me perguntem se estou arrependido… pois não saberia o que responder.

Sei que foi.

  • Mais de 7 mil m2 de cobertura construída.
  • 4 dias.
  • Cerca de 3 mil participantes de todo o país.
  • Cerca de 12 mesas redondas.
  • Cerca de 100 mini-cursos e oficinas.
  • Cerca de 20 jornadas Temáticas.
  • Cerca de 10 Encontros Paralelos.
  • Diversos documentos gerados.

Hoje ainda ando envolvido com prestação de contas de dinheiro que já saiu; com tentativa de liberação de dinheiro que não saiu; e com a produção de centenas e centenas de certiicados…

Muitos e muitos problemas foram superados para que o evento acontecesse – e esses de agora também o serão.

Algumas informações sobre o fórum vocês conseguem em três endereços principais:

  • No SITE do evento
  • No NING do evento (espaço aberto e colaborativo, sempre atualizado)
  • No site do Observatório Humano-Mar (que fez uma ótima cobertura em vídeo)

No VI Fórum foi gerado um documento, batizado de Carta da Praia Vermelha, que tem a pretensão de fazer chegar aos governantes os nossos desejos, apreensões e exigências em relação às políticas de educação ambiental no Brasil.

Bom, o VI Fórum bombou. É só dar uma perguntada ao deus google, pra ver que tá espalhado por aí.

E apesar de alguns maleducados acharem que são meus patrões só porque pagaram a inscrição, tenho recebido muitos elogios por email, que têm me deixado feliz e emocionado:

O evento foi um sucesso e parabéns pela organização;

Tenho que elogiar a eficiência de vocês, pois quando solicitei  os meus certificados em caráter emergencial, vocês foram de uma agilidade incrível!

Eu é quem gostaria de agradecer por terem preparado tão bem o nosso grande evento de EA. Parabéns pelo ótimo trabalho!

Antes de tudo, agradeço imensamente pelo Forum organizado por vocês. Lindo! Emocionante, riquíssimo! Comentando com meu parceiro de trabalho sobre as reverberações, desconstruções e emoções experimentadas durante o Forum, ele me disse que seria ótimo termos um forum desses por mês! Verdade!!!! Recebi mil informações que fizeram meus pensamentos tomarem um rumo, encontrarem um sentido, meus desejos tomaram forma e encontraram um caminho. É um processo de desconstrução, de uma nova compreensão de tudo, até mesmo do significado e sentido das palavras e dos atos. Jung teria delírios de prazer se eu contasse meus sonhos (durante o sono) dos dias do Fórum, em que voltei a sonhos antigos, sonhados repetidas vezes, e descontruí os padrões contidos neles. Fiquei impressionada! Muito bem impressionada! Minha essência de ser entrou em contato com a unidade do mundo verdadeiramente.

Olá Declev, parabéns pelo forum. Temos ciência que a realização foi uma força concentrada da enorme equipe participante,mas entendemos que se a coordenação não funcionar, não há equipe que sobreviva.

O Fórum foi bastante enriquecedor para mim, porque comecei a trabalhar com Educação Ambiental no ensino formal e informal. Agradeço a todos que estiveram à frente ou que colaboraram com a organização do evento, mas muito especialmente a ti, porque sei que estivesse 100% envolvido.

Agradeço a todos, imensamente, pelo apoio que nos foi dado.

O próximo já se definiu que será na Bahia, em 2011.

Quanto a mim… Estou de volta à vida.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira

O que se aprende em uma Conferência de Meio Ambiente?

A descoberta de ter o prazer de ser o mais velho, professor, tutor, guardador, guia, educador e ser respeitado por isso.

A sensação de prazer e alegria no outro ao te ver.

O agradecimento sincero pelo que você faz, sem esperar agradecimento.

O sorriso no rosto, o chamamento carinhoso.

Os beijos lançados e os beijos aplicados.

Os abraços. Duplos, triplos, coletivos.

Tudo isso me fez tanta falta, agora eu sei. Agora eu sei quanto tempo eu perdi.

Como eu posso ter aprendido tanto em tão pouco tempo?

.

Este artigo / poesia é só para agradecer àqueles e àquelas que me ensinaram tanto.

Muto obrigado.

01 - Bom dia (2) 01 - Bom dia (3)

01 - Bom dia (4) 01 - Bom dia (5)

06 - Nós na Conferência (8) 03 - Nós no intervalo  (10)

03 - Nós no intervalo  (3) 03 - Nós no intervalo  (4)

06 - Delegados do Rio na Conferência (28) 06 - Nós na Conferência (13)

06 - Nós na Conferência (19) 06 - Nós na Conferência (34)

06 - Nós na Conferência (22) 08 - Reunião sobre a continuidade dos trabalhos no Estado do Rio (14)

01 - Apresentação das Oficinas (52) 02 - Nós na Conferência (5)

02 - Nós na Conferência (6) 02 - Nós na Conferência (11)

02 - Nós na Conferência (13) 02 - Nós na Conferência (14)

02 - Nós na Conferência (15) 02 - Nós na Conferência (16)

02 - Nós na Conferência (42) 02 - Nós na Conferência (40)

02 - Nós na Conferência (39) 02 - Nós na Conferência (34)

02 - Nós na Conferência (29) 03 - Nós no intervalo  (6)

08 - Reunião sobre a continuidade dos trabalhos no Estado do Rio (6) 01 - Último dia no evento (3)

02 - Ônibus para aeroporto (4) 02 - Vôo para Brasília (17)

03 - Concentração antes do evento de encerramento (13)

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira

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Prticipe do Movimento:

SE EU FOSSE SECRETÁRIO(A) DE EDUCAÇÃO, O QUE EU FARIA?

Entrevista para o jornal Folha Dirigida

Tive o privilégio de ser convidado a conceder uma entrevista ao jornal Folha Dirigida, aqui do Rio.

É um jornal especializado em concursos diversos, mas tem seções e cadernos direcionados à Educação e aos professores.

Eles chegaram até moi através deste belo site que vos é lido. Bacana, não?

O interesse veio pelo artigo Ser professor é correr riscos?.

Saiu na Folha Dirigida do dia 15 de outubro de 2008, Suplemento do Professor, caderno 2, página 15. O nome da chamada foi “Professor, profissão perigo” e o entrevistador e autor foi o Renato Deccache.


Divirtam-se…

Professor, profissão perigo

Renato Deccache – Folha Dirigida, 15/10/08

Entrevista com Declev Reynier Dib-Ferreira

“Se o professor tivesse R$5 mil de salário, possivelmente também trabalharia em três ou quatro escolas para ganhar R$15 mil a R$20 mil por mês. Então, acho que é preciso criar condições de fazer com que o professor se dedique mais à escola e não à profissão exatamente”

“Salário não é sinônimo de bom trabalho. É só pensarmos em políticos e juízes. Eles têm ótimos salários mas não vemos um trabalho condizente com o que recebem”

“Há um aluno em uma de minhas turmas que não faz nada, por mais que eu tente formas diferentes. Conversei com a mãe dele, que disse não saber o que fazer. Ela queria colocá-lo para trabalhar, mas não pode, por ser menor de idade. Ela é obrigada a colocá-lo na escola, mesmo sem ele querer, pois, do contrário, pode sofrer sanções penais. E se nem a mãe sabe o que fazer, o que eu faço com um caso destes?”

O professor Declev Reynier Dib-Ferreira fala de experiências vividas por ele – e por seus colegas de profissão – envolvendo casos de agressão de alunos, sentimentos de impotência, somatização de doenças e até conflitos de autoridade com os conselhos tutelares. Dificuldades que, experimentadas no dia-a-dia, traduzem os muitos percalços enfrentados por todos aqueles que, apesar de tudo isso, ainda encontram prazer no labor do magistério.

Há cerca de nove anos o então biólogo Declev Reynier Dib-Ferreira deixava de lado a pretensão inicial de ser pesquisador para tornar-se professor de Ciências Biológicas no ensino fundamental. O período, dedicado a uma escola municipal de Niterói e outra da rede municipal do Rio na qual trabalha até hoje, foi suficiente para conhecer de perto alguns dos riscos da profissão. O mais temido deles, ser vítima de violência por parte dos próprios alunos, ele viu de perto. E não só na condição de alvo – por pouco não foi atingido por uma pedrada que estraçalhou o vidro da sala em que estava. O educador também assistiu ao drama de colegas agredidos e humilhados por bandidos, alunos ou não.

“Este risco passa pela própria profissão, que não é valorizada, e ainda pela impunidade que existe em toda a sociedade e que se reproduz na escola”, analisa Declev, que é mestre em Ciência Ambiental pela UFF, cursa doutorado em Meio Ambiente na Uerj e coordena a área de Ciências Naturais da Fundação Municipal de Educação de Niterói.

Para contar suas experiências em sala, Declev criou o Diário do Professor, um blog em que escreve artigos sobre assuntos variados, a maior parte deles relacionados ao cotidiano da escola. No espaço, ele fala não só dos riscos da profissão, mas mostra a visão otimista de quem acredita que, na maior parte dos casos, é possível fazer o aluno gostar de estudar. Para isto, defende, é preciso mudar alguns parâmetros do ensino de hoje. “Uma coisa é ter salas de aula que têm carteiras viradas para um quadro, outra é ter um espaço com uma disposição que facilite um trabalho mais dinâmico.”

Nesta entrevista, Declev mostra algumas das preocupações de quem ensina nas salas de aula Brasil a fora. Para ele, bom salário é, sem dúvida, importante, mas falta mais atenção às condições de trabalho. Os mestres se ressentem também de infra-estrutura para dar aulas melhores e de apoio, em especial nos casos de alunos que nem os pais conseguem controlar. “Se ele ficar em minha sala, quieto, pelo menos dou aula para os outros. Agora, se ele resolve bagunçar? Me preocupo com ele ou com os outros 25, 30 que estão na mesma sala?”, questiona o professor que, mesmo diante das dificuldades, conseguiu descobrir o caminho para se realizar no magistério. “Acho que está valendo a pena ser professor por sempre tentar fazer algo diferente”, concluiu Declev Dib-Ferreira.

Em seu blog, “Diário do Professor”, o senhor escreveu um artigo no qual fala sobre os riscos de ser professor. Quais são eles?

Declev Dib-Ferreira — Para começar, nem sempre trabalhamos nas regiões centrais das cidades. Dependendo de onde se localiza a escola, muitas vezes, se trabalha em locais perigosos. Se há um tiroteio, uma guerra entre policiais e traficantes, estamos no meio do confronto. Eu nunca passei por uma situação como esta, mas já ouvi relatos de muitos colegas que, durante a aula, tiveram de se jogar no chão quando ocorrem tiroteios próximo de onde trabalham. No meu blog, mostro a foto de uma pedra atirada contra a escola, que quebrou a janela de minha sala e passou entre mim e uma aluna. Então, há este risco da própria violência local, que, muitas vezes, entra na escola. A região do colégio em que trabalho, no bairro do Caju, é dominada por mais de uma facção criminosa. E estamos no meio desta guerra. Não temos muito problema pois há alunos que pertencem a estas facções. Mas, muitas vezes, a violência entra mesmo. São vários os casos em que controlamos brigas, encontramos revólveres e facas com alunos e percebemos a entrada de pessoas do bairro que não são estudantes. Estamos sujeitos a isto no dia-a-dia.

O senhor relatou o caso de uma pedra que foi jogada em sua sala de aula e que quase o atingiu. Também não é raro ouvir relatos de professores que são agredidos por alunos. Por que se perdeu o respeito?

Não foram só os alunos que perderam este respeito. Todo mundo perdeu. A própria educação perdeu o valor. E se isto aconteceu, aqueles que são responsáveis pelo trabalho educacional também passam a não ter valor. Antigamente, as pessoas estudavam para ganhar dinheiro e ser alguém na vida. Hoje em dia, parece que não há mais esta perspectiva entre nossos estudantes. E também, antigamente, este respeito à escola e aos professores existia muito por um certo medo que os estudantes tinham dos professores e dos pais. Hoje, não há mais esta rigidez. Muitas vezes, nem os pais agüentam estes alunos mais problemáticos e são agredidos por eles. Imagine como fica a situação do professor. No meu blog eu relato o caso de uma professora, uma senhora de 50 anos, que teve a bolsa pichada com xingamentos e a sigla de uma facção criminosa. Na minha escola, há o caso de uma professora negra que tem de ouvir as mais preconceituosas baixarias de estudantes. E não se faz nada. Se o aluno tivesse algum tipo de punição, talvez pudesse existir algum freio. Mas nada acontece… E daí surge a impunidade. Este risco passa pela própria profissão do professor, que não é valorizada, e ainda pela impunidade que existe hoje em dia em toda a sociedade e que se reproduz na escola.

O que autoridades e até alguns estudiosos em Educação defendem é que, em situações como esta, a melhor estratégia é conquistar o estudante e levá-lo a gostar da escola. E sustentam ainda que o trabalho do professor é fundamental para este objetivo. O senhor acredita nisto?

Acredito que é possível. Mas, temos vários poréns. Em primeiro lugar, o professor precisa estar motivado para isto e preparado. O que não é possível para quem tem três, quatro, cinco empregos. O professor entra na escola, vai para a sala e, quando termina a aula, é para sair da escola. Então, não há nem tempo para se preparar, fazer uma pesquisa, reunir materiais. E em casa não dá porque ele já chega exausto. O segundo ponto é a própria estrutura da escola. Conheço vários professores que tentam fazer alguma coisa e que não conseguem. Aí, me refiro a problemas de estrutura física, rigidez dos horários, pouco tempo que o professor tem na escola para fazer coisas diferentes, a falta de material. Tudo isto atrapalha. Há também o número de alunos. Motivar 15 estudantes é uma coisa, 40 é outra completamente diferente. Uma coisa é ter salas de aula que têm carteiras viradas para um quadro, outra é ter um espaço com uma disposição que facilite um trabalho mais dinâmico, que é o que tento fazer lá. Então, resolvendo-se estes pontos, que são gargalos, acho que é possível motivar a maior parte dos alunos. Em geral, os casos de professores que conseguem isto são aqueles em que o número de alunos nas salas é menor, as escolas possuem melhor estrutura, há tempo de planejar as aulas ou é possível realizar atividades no contra-turno. Ou seja, tem alguma coisa a mais e bem diferente do que é a maioria das escolas, onde os alunos entram para ficar quatro horas, sentados em uma cadeira para assistir aulas e depois ir embora.

Em uma das passagens encontradas em seu blog, o senhor diz que o professor se sente, por muitas vezes, como “Daniel na cova dos leões”. O que quis dizer com isto?

Talvez seja até uma posição pessoal minha, pois detesto esta estrutura de sala de aula que existe. Nos dias de hoje, em que há inúmeros recursos disponíveis como televisão, jogos, computador, internet, tudo isto que é tão dinâmico, o que se faz é colocar os alunos em uma sala de aula em que ele só tem cadeira, quadro e um livro didático que, na maior parte dos casos, nem é tão interessante assim. Há turmas em que até se consegue trabalhar com isto. Mas, há casos em que não tem jeito. Em uma turma de 40 adolescentes, cujo interesse não é exatamente a matéria que o professor quer ensinar, é complicado. O professor só tem a si próprio e um quadro. Não há profissionais de apoio na retaguarda. Falta também tempo, materiais e uma estrutura diferente de escola. É como se dissessem: se vira com seus 40 alunos. E muitas vezes, o professor é considerado bom quando consegue fazer com que seus 40 estudantes fiquem sentados, quietos, sem fazer nada.

Hoje em dia, o magistério compõe uma classe numerosa e com um certo poder de fogo. Por que, então, é tão difícil reunir forças para uma mobilização que traga melhorias efetivas para questões básicas, como as condições de trabalho? Acha que o foco da mobilização sindical está errado?

Acho que está. Sou contra qualquer sindicato. Não gosto de nada corporativo. Não temos de lutar por uma causa só de uma profissão, de um profissional. Então, sempre que vejo a luta de um sindicato, a realização de greves, em geral, a maior motivação é conseguir aumento salarial. Mas, o salário não é o único problema. É o salário, a falta de tempo, a estrutura da escola, tudo o que já comentei. E esta estrutura de horário de hoje, em que os professores têm de trabalhar em várias escolas, acaba por desmobilizar a categoria. Imagine se os professores trabalhassem só em uma escola, durante todo o dia. Aí teríamos tempo de conversar, discutir, debater e até fazer uma pressão para melhorar. Na escola em que trabalho, há cerca de 50 professores. Se eu encontro com dez, semanalmente, é muito. E como vamos nos fortalecer sem nos ver? É complicado.

Nas pautas dos sindicatos, realmente a questão do reajuste salarial é prioritária, mas há também outras reivindicações referentes às condições de trabalho. Qual o problema então?

O problema é que estes outros itens são pouco trabalhados. Não há uma pressão para que estas reivindicações sejam atendidas. Se dobrássemos, triplicássemos os salários, não mudaria muito. Se o professor tivesse R$5 mil de salário, possivelmente também trabalharia em três ou quatro escolas para ganhar R$15 mil a R$20 mil por mês. Então, acho que é preciso criar condições de fazer com que o professor se dedique mais à escola e não à profissão exatamente. Ela tinha de estar a serviço de uma escola. Quando alguém leciona em duas, três, vai só para dar aula e não para fazer uma educação diferente, pois não há meios de fazer isto. Os professores deveriam se mobilizar mais pela melhoria das condições de trabalho. Hoje, em uma greve que tenha dezenas de reivindicações na pauta, se o reajuste salarial for concedido, acaba o movimento. Não quero dizer que não é preciso aumentar a remuneração, mas que este é só um dos pontos. Salário não é sinônimo de bom trabalho. É só pensarmos em políticos e juízes. Eles têm ótimos salários mas não vemos um trabalho condizente com o que recebem.

Uma boa relação na sala de aula é fundamental para o bom aprendizado. Muitos professores, no entanto, hoje sofrem na posição de quase reféns, sob ameaça de estudantes. Como se comportar nesta situação? Como reverter isto?

É possível resgatar o respeito e a autoridade que o professor já teve em outras épocas. Mas, acredito que isto tem que ser feito pedagogicamente. Por isto, acho que a escola tem que mudar. Querer que 30, 40 adolescentes fiquem sentados em uma cadeira lendo um livro, assistindo a uma aula, é difícil. E, teoricamente, eles vão para a escola só para fazer isto. Acho que se tivéssemos uma dinâmica diferente, trabalhando com oficinas, atividades extra-classe intercaladas com as aulas, atuando com grupos menores, talvez conseguíssemos fazer com que os estudantes se interessassem e nos respeitassem um pouco mais.

Diante de um quadro onde falta respeito dos alunos, parceria com as famílias, respaldo das autoridades educacionais, entre outros problemas, o professor se sente impotente?

Acho que se sente impotente. E, com isto, fica doente. Conheço vários colegas que estão de licença por depressão, crise nervosa. E não se trata, como muitos dizem, de pegar licença para ficar sem trabalhar. Eles estão de fato doentes, justamente por esta impotência. Não é que queiram fugir do trabalho. Mas, se não têm condições de ensinar as pessoas, sente-se reféns. E o detalhe é que, em muitos casos, temos de ensinar àqueles que não querem aprender, por mais que nos esforcemos para fazer algo diferenciado, interessante. Há um aluno em uma de minhas turmas que não faz nada, por mais que eu tente formas diferentes. Conversei com a mãe dele, que disse não saber o que fazer. Ela queria colocá-lo para trabalhar, mas não pode, por ser menor de idade. Ela é obrigada a colocá-lo na escola, mesmo sem ele querer, pois, do contrário, pode sofrer sanções penais. E se nem a mãe sabe o que fazer, o que eu faço com um caso destes? Se ele ficar em minha sala, quieto, pelo menos, dou aula para os outros. Agora, se ele resolve bagunçar? Me preocupo com ele ou com os outros 25, ou 30 que estão na mesma sala? É principalmente em casos como estes que nos sentimos reféns.

O senhor também critica muito, em seu blog, a atuação dos conselhos tutelares, do Ministério Público. Por quê?

Somente em uma oportunidade vi um conselheiro tutelar, que deu uma palestra na escola em que trabalho, comentar e até ser incisivo com os pais sobre as obrigações do estudante para com a escola. Ele frisou que o aluno não tem só direito, que pode fazer o que quer. Só este disse que pode haver punição. Todas as outras experiências que tive com conselho tutelar não foram positivas neste ponto educativo, principalmente nos casos de alunos que trazem mais problemas. Pode ser que exista, mas ainda não vi uma parceria da escola com o conselho tutelar, como também não há parceria com o posto de saúde, com o clube da região local. E o aluno precisa da parceria com todas estas instituições, deste trabalho conjunto.

A formação dos professores nas universidades, em geral, não dá conta desta realidade que vocês, por vezes, enfrentam? O que é preciso existir nestes cursos para que o professor chegue mais preparado para o pior que ele pode enfrentar em uma sala de aula?

Por melhor que possa ser a formação inicial, só mesmo a prática e a formação continuada e em serviço é que podem fazer o professor aprender. Uma das formas seria apostar mais nos estágios. É preciso que exista maior vivência do dia-a-dia da escola por parte do professor em formação. Talvez seja interessante também estreitar o contato entre universidade e escola. Professores universitários e da educação básica vivem realidades totalmente diferentes. Então, se um professor universitário não passou pelo ensino básico, pelo menos, tem poucas condições de passar esta realidade das escolas. Por isso, acho importante estreitar esta relação, talvez conversando mais com profissionais da educação básica ou levando alunos para conhecer colégios.

Diante de todas estas adversidades e riscos colocados, o senhor diria que ainda vale a pena ser professor?

Eu gosto. Não queria, mas gosto. E gosto por tentar fazer algo diferente. Desde que comecei a dar aulas, sempre atuei com projetos. Sou professor de Ciências e, por isso, sempre procurei trabalhar com aulas práticas, principalmente em laboratórios. Na escola em que trabalho, no Caju, tenho a bênção de ter uma sala de Ciências e procuro organizá-la da forma que uma escola tem que ser. Em vez de carteiras individuais, colocamos mesas para trabalho em grupo; tenho aquário, terrários, livros, dicionários, enciclopédias, materiais de exposição, arte, tudo espalhado pela sala. Acho que toda sala de aula deveria ser desta forma. Temos de quebrar este paradigma de que sala de aula é só carteira e quadro-negro. Toda sala deveria ter computador, televisão. Acho que está valendo a pena ser professor por sempre tentar fazer algo diferente.

Cartilha sobre coleta seletiva “Lixo, o que fazer”

Prezades amigues,

Eis-me aqui, mais uma vez, para vos brindar com algo que creio interessante.

Como sabem (ou não), trabalhei como coordenador de educação do Projeto CatAÇÃO-RIO, desenvolvido pelo Instituto Baía de Guanabara e patrocinado pela Petrobras.

Foi um projeto (foi, porque acabou e ainda não renovamos) para a organização de catadores de materiais recicláveis em cooperativas. Quem quiser mais detalhes, vai no saite já lincado acima e aqui de novo.

De qualquer forma, estou aqui não para falar do projeto, mas da cartilha que de lá surgiu.

Fizemos, entre muitas coisas, trabalhos de palestras e oficinas em escolas do entorno das cooperativas. Para auxiliar o fluxo de informações acerca do lixo e da coleta seletiva – foco também do projeto – desenvolvemos a cartilha em questão, que agora ofereço aqui, para baixar.

É isso. Espero que gostem e que ajude em algma coisa.

Divirtam-se:

Cartilha “Lixo: o que fazer?”

Evento na Ilha da Conceição vai reunir Cinema e Meio Ambiente na praça

Eis um programa de Educação Ambiental que participei como aluno, apesar de não ser morador da ilha da Conceição. Fui como membro do Núcleo de Educação Ambiental da Fundação Municipal de Educação de Niterói, que apoiou o programa na cidade.

É baseado na produção de um documentário pelos participantes, onde criamos desde o roteiro até a edição final, passando pela pesquisa, filmagem, entrevistas, etc.

Foi gratificante e agora teremos a exposição do resultado, com a apresentação em praça pública dos curtas, seguida de debates.

Quando eu tiver o filme e a autorização para colocá-lo aqui, farei-o.

Quem estiver por Niterói, no Estado do Rio de Janeiro, aproveite.

Este é o release do evento…

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