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Aluno leva tiro na cabeça dentro de sala de aula – Escolas Roletas-Russas

Esta semana fomos surpreendidos pela notícia de um aluno que foi baleado na cabeça dentro de uma escola no Rio de Janeiro. Aconteceu na Cidade de Deus, bairro imortalizado em um filme e com famoso histórico de violência.

O aluno estava SENTADO em sala de aula do TERCEIRO andar, quando caiu da cadeira. Os amigos pensaram que ele tinha levado uma pedrada e chamaram o professor, quando este percebeu que se tratava de uma bala “perdida”. Mais uma bala perdida que se acha.

Soube que NINGUÉM do SEPE ligou pra escola nem foi lá.

Soube que NINGUÉM da CRE [Coordenadoria Regional, órgão da Secretaria de Educação] ligou ou foi lá prestar algum auxílio. Somente depois de tudo é que eles “telefonam pra dizer o que fazer”. Segundo a secretaria, ela “mantém um programa em que envia pedagogos, psicólogos e assistentes sociais às escolas em casos de situações difíceis” (fonte).

Como sei disso? Uma amiga minha dá aulas naquela escola e estava lá no dia. Ela ajudou a socorrer e acalmar o caos que a escola ficou.

Nós estamos sujeitos a isso todos os dias. É uma roleta-russa diária. Podem querer argumentar que qualquer pessoa está sujeita a estes acontecimentos em qualquer lugar. Mas não é a mesma coisa.

Praticamente os únicos profissionais que entram nos locais de conflito por estas bandas – que matam mais que qualquer guerra no mundo – são os policiais e os professores.

Com a diferença que os policiais entram armados e para matar. Os professores entram “na mão”.

Mais ninguém.

A fatalidade que atingiu este aluno poderia ter ocorrido com qualquer outra pessoa que estivesse ali dentro daquela sala de aula. E, adivinhem: quem mais estava lá dentro, além dos alunos e professores?

Alguém da secretaria de educação? Não.

Algum policial? Não.

Algum político? Não.

Algum especialista em educação dos que ficam verborragiando suas verdades e nos dizendo como devemos proceder na escola? NÃO mesmo!

Por acaso o empresário economista que se diz “especialista em educação” gustavo ioschpe que adora dizer que os professores são incompetentes estaria lá? NUNCA!

Algum deles, por acaso, algum dia poderia ter a mínima chance de lhes ocorrer alguma fatalidade dentro de uma sala de aula?

NUNCA! Sabem por quê? Porque a sala de aula NÃO É nem NUNCA FOI o local de trabalho deles! É somente o local do qual adoram falar sobre, sem NUNCA terem tido nem mesmo uma semaninha de experiência de tratar com uma turma de crianças e adolescentes de uma escola de periferia ou de comunidade violenta.

E, quem já entrou e saiu, esqueceu.

Mas, claro, adoram defecar asneiras pela boca, afirmando que as escolas devem ser classificadas em “Melhores” ou “piores” conforme as “notas” do alunos. Ou que os professores não devem ganhar bem porque não sabem trabalhar. Ou que somente devem receber “bônus” salariais aqueles que tiverem “bons resultados”.

Vejam alguns posts nos quais já falei sobre isso:

Agora gostaria que estas ANTAS (já pedindo perdão aos amigos perissodáctilos) me digam que justiça se tem em comparar os resultados obtidos nestas escolas localizadas em áreas de verdadeiras guerras urbanas com outras localizadas em áreas mais nobres da cidade.

Gostaria que as BESTAS defensoras da meritocracia me digam: como se estuda decentemente nestes lugares?

Se a violência não entra na escola janela adentro, entra no imaginário, no psicológico, na estrutura emocional, na fala, nas atitudes dos alunos.

Mas entra.

E enquanto a violência entra nas escolas de todas as maneiras, dissimulações, imbecilidades, falcatruas, roubos, desvios e propostas idiotas saem “pelo ladrão” de dentro dos podres poderes.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Sobrevivente

O que é um “bandido” para você?

Quando eu tinha uns 17 ou 18 anos, não lembro, já na época da faculdade, comecei a furtar pequenos itens em um supermercado perto de onde eu estudava.

Íamos beber cerveja num bar por perto e, para comer alguma coisa, eu ia lá no supermercado e colocava uns amendoins, uns chocolates e coisas assim, pequenas, no bolso ou dentro do casaco. Fiz isso algumas vezes, não muitas. Mas fiz.

Uma vez, com um amigo, estávamos saindo do mercado “carregados”. Passamos pelo caixa para pagar alguns itens, para disfarçar. Quando saímos do caixa, um segurança nos cutucou os ombros e disse “venham comigo!”. Olhei pra trás e um homem enorme, negro, nos encaminhava para dentro de uma pequena sala no subsolo.

Todos nos olharam com caras de “hiii… fizeram besteira”.

Ninguém nos xingou, ninguém quis nos bater. Ninguém chamou a polícia. Ninguém disse “bandido bom é bandido morto”. Ninguém quis nos linchar. Ninguém nos chutou. Ninguém incitou a violência contra nós. Ninguém gritou “bate!!!; Chuta!!!; Mata!!!”.

Ele, o segurança, nos levou, sem nos empurrar, nem mesmo nos tocar. Lá fomos nós… Ele nos pediu para tirar o casaco, a camisa, retirar as coisas dos bolsos. Não lembro se tive que ficar de cuecas, mas acho que sim.

– “E aí?” – perguntou ele.

– “É…” – nem tínhamos o que dizer.

– “Vocês estudam? Moram perto? Têm dinheiro? Passam fome?”, ele fez algumas perguntas.

Respondemos que estudávamos ali perto e, pelas nossas respostas, viu que éramos nada mais do que dois idiotinhas classe média que furtavam por nada, só por “diversão”.

Passou-nos um sermão, dizendo que não tínhamos porque fazer aquilo, que era arriscado, que a gente não precisava… “por que fazer isso?”… ele poderia chamar a polícia… essas coisas.

Eu nem tinha o que dizer. Pedi desculpas – sinceras, morrendo de vergonha – e ele nos fez pagar o que pegamos e nos liberou. “Da próxima vez, levo pra delegacia!”.

Acho que foi a partir daí que eu decidi que não faria mais, lógico. Decidi pela honestidade, em todas as minhas ações. Não sei se de lá pra cá consegui 100%, acho que não, mas coisas assim, nunca mais. Tenho tentado sinceramente cumprir esta determinação em todas as nuances de minha vida.

Nunca contei isso a ninguém, pois é um episódio de minha vida que não me orgulho.

Mas me veio à tona depois desta série de imolações e justiçamentos públicos de jovens negros.

É muito fácil gritar horrores e clamar justiça pelas próprias mãos (ou pelas mãos de outrem) quando se tem como protagonista um jovem pobre negro. Ou jovem pobre. Ou pobre negro.

Difícil é ver que nós mesmos, ou parentes ou amigos, também temos ações reprováveis, ou estamos suscetíveis a isso. Ora, quem tem filhos ou netos ou amigos que pode dizer NUNCA nenhum deles se envolverá com nenhuma contravenção ou crime?

Não, não podemos dizer “nunca”.

Além de mim mesmo, tenho conhecidos, amigos e pessoas da família que fizeram besteiras parecidas no passado: envolver-se com roubos, furtos, com uso e venda de drogas.

Nenhum deles foi taxado de bandido; nenhum deles foi preso (sim, algumas vezes pagou-se para a honestíssima polícia liberar); nenhum deles foi chutado, xingado, imolado.

São todos brancos.

Em um dos casos relativamente recentes de imolação pública, mais um dos que me deixaram chocado, um garoto pobre negro foi pego furtando um xampu e um condicionador das lojas americanas. Ele foi pego por transeuntes aos gritos de “pega bandido” e coisas mais, foi jogado ao chão, teve seu pescoço apertado por um joelho justiçador e foi levado pela honestíssima polícia.

Sei lá pra onde.

Li um comentário no Facebook de uma menina que presenciou o fato. Ela disse o que eu gostaria de dizer, de uma forma tão linda e poética que eu pedi permissão a ela para copiar aqui.

Não, eu não fico feliz quando um menino – seja ladrão ou o que for – é pego, preso, arrastado, socado, chutado, xingado em público.

Eu sinto uma tristeza profunda por essas coisas [ainda] acontecerem.

Eu sinto vergonha.

Pra mim, é um soco no estômago, como esta narrativa:

bandido bom

“Hoje eu vi olhos que talvez eu nunca esqueça. Olhos de um marginal, com a retina quente e descendo lágrimas finas na pele escura. Eram os olhos de José Roberto, que vou chamar de Roberto porque tenho um carinho particular por esse nome. Roberto tem onze anos e olhar mais desesperado que eu encontrei longe das fotografias. Minha colisão com ele foi repentina, entre as solas apressadas e as buzinas da Praça Saens Peña. Uma verdadeira roda viva ao seu redor e Roberto ali, estendido no chão, apavorado, culpado sob gritos revoltosos que ainda não consegui digerir ”preto tem que morrer!!!!!”, ”Se não gostou leva pra casa!!”… Enquanto isso um homem em cima do seu corpo magro, segurando o pescoço fino naquele tribunal de rua. Roberto era réu de mais de trinta vozes diferentes. Era causa e não efeito. No seu rosto estava desenhado o ódio. Levantaram-o e suas calças arriadas de onde escorregou a prova do crime hediondo. Um shampoo e um condicionador tirados das mãos da vítima arrasada. Lojas Americanas. E a polícia chega, a população envaidecida aplaude e mal consigo dizer algumas palavras para Roberto, puxado pelo braço para entrar na viatura. E aqueles olhos, que ao invés de um livro, enxergavam um fuzil. Ouvidos que ao invés de um ”vai com deus, filho” ao pé da porta antes de ir para escola, ouviram ”bandido bom é bandido morto”, mãos que ao invés de encostarem num violão, tocaram um canivete. Não porque Roberto escolheu, mas porque escolheram Roberto. [Catarina Brito – via Facebook]

Lindo, Catarina, muito lindo.

Muito obrigado.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Culpado

Mais um jovem assassinado

Mais um jovem assassinado

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Rio de Janeiro, 29 de abril de 2014

Amigos,
Dessa vez escrevo apenas uma homenagem, uma carta, algumas palavras vindas direto do coração, para cada aluno e aluna que tive e que vive ou gostaria de viver como o garoto “DG”, que foi covardemente assassinado na terça-feira passada, em uma comunidade vizinha à minha casa.
Ouvi todo o tiroteio, as bombas, a fumaça do fogo… Tudo isso chegou aqui, como se fosse embaixo das janelas da minha casa, em Copacabana.
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Não pude ver o programa “Esquenta!”, que eu adoro, neste domingo, mas fiz questão de ver no computador –http://globotv.globo.com/t/programa/v/nos-bastidores-dg-aparece-sempre-brincalhao-veja-video/3308507/ – e fiquei super emocionada, chorei pra caramba, lembrei de cada aluno com quem tive contato nas comunidades onde trabalhei, lembrei de tanta coisa, da VIDA pulsando naqueles meninos e meninas, cheios de energia, ritmo, alegria e sonhos. Gente pobre, sofrida, mas muito mais rica, em tantos momentos, do que aqueles que só tem riqueza material e um puta medo de se arriscar minimamente nessa vida. O DG, pra mim, está em cada um desses criativos garotos e garotas das periferias do Brasil. O DG, agora que se foi, permanece e permanecerá aqui, no sorriso, no desejo, na brincadeira, na música e na dança de cada um que sabe o que é nascer e viver numa favela!
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Lembrei também dos tantos (muitos!!!) alunos que perdemos precocemente, vítimas do tráfico ou da polícia, da violência doméstica ou do racismo…
E justamente por ser uma história que se repete sem parar no Brasil, pela quantidade de jovens que tiveram suas vidas interrompidas tragicamente, enfim, por tudo isso acho que vale a pena assistir ao curta que acabou se revelando “profético”, que DG realizou há alguns meses, com um grupo ótimo – pretendiam apresentar em festivais – e onde é o ator principal:
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Nesse momento, não quero discutir a manipulação existente na propaganda, que infelizmente vai moldando, desde muito cedo, valores “tortos” e criando “necessidades” totalmente desnecessárias, que povoam a cabeça de milhares de crianças, adolescentes e adultos.
Não quero discutir ideologias, políticas públicas e nem o caráter de tantos políticos.
Não quero discutir se há ou não alguma coisa depois da morte. Eu tenho a minha fé oscilante e ela me basta.
Não quero discutir.
Só quero chorar.
Só quero não esquecer nunca dos tantos alunos com quem convivi e que eram, em muitos aspectos, outros “DGs”. E desejo que eles continuem existindo, cantando, dançando, rindo e nos lembrando que pra viver com originalidade e alegria é preciso CORAGEM, e isso quem nasce, sobrevive e cresce no morro sabe muito bem. E a gente, que mora aqui embaixo, no asfalto, dificilmente tem ou compreende profundamente a dimensão disso tudo.
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Vá em paz, garoto bonito… Fique com Deus.
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Um beijo e um abraço apertado pra vc, onde estiver, e pra sua mãe, pra sua filha e pra todos que sentirão diariamente a sua falta por aqui…

Regina Milone

(professora, pedagoga, arteterapeuta, psicóloga, mãe, filha, irmã, amiga… cidadã)

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Violência escolar e conquista da paz – mais equívocos da nossa educação

Começo este artigo fazendo algumas observações preliminares:

– SIM, sofremos com a violência nas escolas – mas a violência não está nas escolas, mas na sociedade, nos estádios, nos bares, nas ruas.

– SIM, os alunos estão, em certa medida, ultrapassando os limites.

– SIM, deve-se fazer algo – deixar ao laissez-faire não é a solução.

– Escola é, SIM, para EDUCAR e, nesse quesito, entra a educação em relação à violência.

Entendido isso, vamos à notícia que deu origem ao post:

Em Goiás, algumas escolas públicas foram repassadas para a administração da polícia militar para “conter a violência”.

Segundo a notícia, a “polícia impõe disciplina militar”.

Algumas pessoas com certeza acharão a notícia ótima, dizendo “é isso mesmo”, “é assim que se faz”, “essa é a solução para o Brasil” e baboseiras do tipo.

Eu considero que essas são pessoas que não pensam , não refletem, não estudam, não analisam e não olham todos os lados de uma determinada questão, pois que uma questão NUNCA tem apenas um viés, mas muitos. Como eu digo em minha tese, a educação é complexa.

Então, NÃO, esta não é a solução.

Esta é amesma lógica, por exemplo, das “pacificações” das favelas levadas à cabo pelo governo do estado do Rio de Janeiro: enfia-lhe pela garganda a repressão policial, sem investimento social ou em qualidade de vida.

A notícia é tão bizarra que eu teria um livro para escrever. Mas vou tentar ser sucinto e colocar meus pontos de vista justamente como “pontos”, pra ficar mais fácil e  menos enfadonho.

1 – Paz sem voz não é paz, é medo;

2 – A violênia está fora, mas adentra a escola por sujeitos que vivem fora (óbvio, não?);

3 – A paz e ordem mantidas com repressão e medo, não existem de fato. Uma vez cessada a repressão e medo, voltaria a violência;

4 – A repressão dentro da escola os fará não serem violentos lá fora? Eu acho que não. Neste caso, acho até que podem ficar ainda mais;

5 – A polícia militar que administra as escolas para conter a violência é a instituição mais violenta do Brasil. E a polícia militar de Goiás não foge à regra.

Ups! Quanto a esta questão, olha a contradição: colocar a polícia militar, a instituição MAIS VIOLENTA do Brasil, para acabar com a violência dentro das escolas!

Vejamos alguns exemplos de Goiás:

Escola e Violência

https://www.youtube.com/watch?v=R_c9ghNlglM

Então, é esta a instituição que pretende “acabar com a violência” nas escolas?!? Aqueles que “matam por satisfação”???

No mínimo, uma idiotice.

Mas, então, Declev, há outros caminhos?

Ora, é uma pergunta altamente retórica e, até mesmo, desnecessária. Basta pensar um pouco, basta pesquisar, ter vontade política e investir no que se deve investir: EDUCAÇÃO, e não repressão policial.

Posso, igualmente, oferecer uma série de exemplos práticos:

Agora, a antítese absoluta desta ignonímia:

“Depois de ser considerada uma das cinco piores escolas do estado de Massachusetts e chegar ao ponto de proibir os alunos de levar mochilas por medo de esconderem armas, a Orchard Gardens adotou medidas drásticas. Demitiu a maioria dos funcionários da segurança e investiu o dinheiro na contratação de professores de arte.”

Só um detalhe para finalizar: nada impede, entretanto, uma real parceria com a polícia, para se tratar dos casos reais de polícia.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Chocado

Morre mais um ex-aluno – morre a educação a cada dia

Antes do carnaval minha escola em Niterói fechou as portas, no dia 25/02/14, por falta de segurança.

Foram tiros e mais tiros várias madrugadas a dentro, 4 mortes, polícia e tráfico travando uma batalha.

São exatos 15 anos que estou por ali, tendo começado em janeiro de 1999.  Fiz minha pesquisa para Especialização ali [História Ambiental do Morro do Céu] e a pesquisa para o mestrado [As Diversas Visões do Lixo]. Já andei muito pelo local, com alunos, fazendo trabalhos, passeando, fazendo coletas, desenhando mapas, tirando fotos.

Violência sempre existiu e volta e meia ficávamos sabendo de um ex-aluno que morreu pelas mãos desta guerra que vivemos, ou o tráfico impunha seu “luto” pela morte de alguém. Mas eram eventos esporádicos.

Ultimamente, porém, a situação está insustentável.

Culpo – sem bases científicas, mas empíricas – o governo do estado com o apoio, anuência e cumplicidade do partido dos trabalhadores, inclusive do prefeito desta cidade, que está conseguindo afundá-la ainda mais do que o antecessor.

A política de segurança do estado é baseada nas UPPs – Unidades de Política Pacificadora (sic) – que, teoricamente, ocupa algumas favelas da cidade do Rio de Janeiro. Mas ocupa apenas com força policial, claramente nem sempre “pacificadora”. Este adjetivo fica por conta da ocupação “pacífica” na teoria, pois ao anunciar a instalação de uma determinada UPP, visivelmente há um acordo tácito entre o poder público e o poder paralelo do tráfico, a quem é deixado “abandonar” o local e “migrar” para outros espaços.

Esta migração tem sido feita para outras cidades do entorno, incluindo esta em que habito. Onde, sim, já havia tráfico, agora tem uma intensificação de conflitos, com disputa de territórios, além da disputa com a polícia, quando esta resolve agir.

Mas a ação e repressão baseada em violência gera, obviamente, muito mais violência. A polícia, como sabemos, não age com a inteligência necessária para desbaratar, desmantelar e prender a rede do tráfico, mas age introduzindo uma violência muito maior nas áreas que já são violentas pela ação dos traficantes. E isso, claro, só em relação aos traficantes varejistas, pois os atacadistas e mantenedores, engravatados, não são importunados.

Hoje, então, ao voltar à escola depois do recesso do carnaval, soube de um [outro] ex-aluno que foi morto pela polícia. Estava no “movimento”, todo mundo sabia.

educação pública

Não é o primeiro aluno ou ex-aluno que vejo morrer, nem o primeiro a ser assassinado, seja em “combate”, seja covardemente, como normalmente a polícia e os traficantes agem.

Convivi bastante com ele, que, aliás, não era fácil. Não era estudioso, como mais de 90% dos meus. Queria ser jogador de bola, como mais de 90% dos meus. Dançava maravilhosamente bem e sabia desenhar. Deixa uma filha, feita há alguns anos com uma outra ex-aluna.

Para a sociedade, para a polícia, para o governo do estado, para a prefeitura, mais um traficante que morre num “auto de resistência”.

Para nós, educadores, mais uma frustração.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira

Cada um tem o apoio que merece

A secretária de educação do Rio de Janeiro, claudia costin, recebeu pelo Twitter uma frase de “apoio” de um professor da Universidade de Brasilia – UnB.

Segundo o ilustre professor,

“Solidariedade de @tocqweb [Paulo Kramer] a Cláudia Costin, que com espírito público e elegância, enfrenta uma corporação egoísta, obtusa e irresponsável!”

Ela cordialmente agradece ao “querido”.

Vejam o print:

paulo kramer racismo

Mas, eis que, então, recebo um link (de 2007) que se refere ao ilustre professor com a seguinte chamada:

Professor da UnB acusado de racismo é suspenso

Eu tenho, sim, algumas críticas a minha categoria de professores. Mas não acho que seja uma categoria egoísta, obtusa e irresponsável. Essa opinião eu tenho, justamente, da secretaria de educação e do governo.

E eu acho que uma das coisas que justamente concorre para a má fama da nossa categoria de “professores”, muitas vezes, são notícias como esta na imprensa.

Mas uma coisa eu tenho certeza que não somos, como uma categoria: racistas.

Ups!, foi mal…

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
NÃO racista e CONTRA o racismo

p.s: Cada um tem o apoio que merece:

Artistas se engajam no apoio aos professores do Rio

 

Descaso e violência aos professores – Homenagem do estado e prefeitura do Rio de Janeiro

Ontem foi Dia dos Professores.

Apesar de não ter tanto a comemorar, tentei fazer um post que fosse agradável e esperançoso.

Mostrei algumas das diversas homenagens e palavras de carinho que recebemos dos nossos alunos.

Hoje, vou mostrar a vocês como o Estado e o Município do Rio de Janeiro na gestão do sérgio cabral e eduardo paes, respectivamente – ambos do pmdb e apoiados pelo pt, ex-partido dos “trabalhadores” – tratam seus professores.

Fiquem com as imagens:

Batalhão de choque

Professores em greve são chamados para explicar faltas à Secretaria do Rio

Telegrama professores

Spray pimenta

Professora é eleita personalidade educacional do ano de 2013  EBAPE  FGV

 

Foi mal professor

Polícia retira à força

'Estado do Rio paga os melhores salários para professores', diz Cabral

paulo kramer

pedro paulo

Spray de pimenta

Presidente da Câmara do RJ diz que não vai retirar professores à força - Notícias - UOL Educação - Google Chrome

Professores grevistas são retirados da Câmara à base de força - Rio - O Dia - Google Chrome

Spray

RJTV 1ª Edição - Professores da Rede Pública fazem nova greve no Rio  globo.tv - Google Chrome

Pai preocupado 2

Pai preocupado

Balas

Pra finalizar, algumas notícias relacionadas, mas que ainda me debruçarei sobre elas.

Se alguém tem alguma dúvida de que elas estão intimamente ligadas, com todo respeito, assine a revista veja, porque se merecem.

Brasil fica no penúltimo lugar em ranking de valorização do professor

Brasil é um dos países que menos respeita professor, diz estudo

Professor brasileiro é um dos mais mal pagos do mundo

Versus

Brasil fica no 88º lugar em ranking de educação da Unesco

Brasil avança, mas educação freia desenvolvimento, indica IDH dos municípios

Sem mais.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Professor

Bombas de efeito imoral

greve professores rj

O Estado do Rio de Janeiro apagou as luzes do saber nas últimas semanas. Vestidos de preto em sinal de luto (entenda como substantivo e verbo!), professores das Redes Municipal e Estadual do Rio deixaram suas casas e seus trabalhos para reivindicar uma educação pública de qualidade.

A causa de toda a manifestação popular carioca não abrange somente questões salariais, como a mídia faz parecer, questões estas que, por si só, já ferem a dignidade e a inteligência de qualquer cidadão. A causa é um grito preso na garganta há décadas! Grito de uma classe de trabalhadores cujo maior desejo é lutar pelo ideal de uma sociedade igual para todos. É claro que esse grito é temível e assusta os nossos governantes. Aliás, assustar é pouco: nosso grito apavora os governantes! Por isso tantas bombas sobre nós!

Dar condições de trabalho dignas e educação de qualidade na escola pública é perigoso. Formar cidadãos conscientes, que não serão manipuláveis, que não servirão de massa de manobra fácil para os políticos no futuro, é altamente perigoso! Poucos enxergam isso; muitos não querem enxergar; e outros se beneficiam da falta de visão da maioria da população. Em uma sociedade cega e surda, é preciso clamar bem alto! Ir às ruas, convocar uma legião, buscar um caminho, ainda que doloroso, ainda que solitário (solitário já não é mais!)

Em tempos de democracia, vivemos uma ditadura velada. Vivemos hoje numa sociedade onde o professor, que luta por uma educação pública de qualidade e denuncia o sistema educacional falido e ineficaz, esbarra na postura opressiva de um governo ditador, governo este cujo papel deveria ser o de proteger a sociedade e dar a ela a tão desejada educação pública acima citada. Governo este que deveria garantir aos cidadãos uma sociedade mais justa; afinal, não é para isso que os governantes são remunerados??? E MUITO BEM REMUNERADOS, por sinal! Mas não é o bastante para eles. Nunca é. A política carioca está desacreditada, e só o que aparece é a lama instaurada pelos políticos corruptos, que passeiam com o dinheiro público e gastam com transportes diferenciados para “trabalhar”! É claro que o trânsito não se aplica a esses seres, que se julgam acima do bem e do mal.

Os privilégios dessa elite ganham apenas um rasteiro comentário da grande mídia, que fala dos nossos governantes e de seus “passeios” de helicóptero só para constar; mas na hora de olhar para os professores e sua luta legítima, tal mídia coloca os fatos como se a nossa classe de trabalhadores fosse composta por seres mal agradecidos, incapazes de entender o “excelente” Plano de Cargos e Salários (que deveria ser chamado de REFORMA EDUCACIONAL), aprovado sob  pancadaria na última terça-feira. Tal mídia, ainda por cima, deixa que a palavra final seja sempre a de quem “banca” seus projetos, o que faz dessa relação – mídia e governo corrupto – um grande círculo vicioso. O que mais assusta é que não existe ninguém nas emissoras de grande audiência que dê um basta, que saia do roteiro e seja capaz de falar por si!

Nesse contexto, portanto, as bombas jogadas nos professores não podem ser chamadas de “bombas de efeito moral”, visto que não é aos professores que a moral está faltando. Não há moralidade no governo e, se houvesse, algo seria feito contra esta ditadura mascarada de democracia que se instaurou no Rio de Janeiro! Aliás, não há nada mais imoral do que um governo que não respeita seus professores, que são a matriz de todas as profissões.

É hora de acender de novo as luzes. Lutar com os olhos bem abertos. Aprender a lição de casa. Cada um, mesmo que não seja profissional da educação, deve lutar pela educação pública em sua cidade, em seu estado. É hora de mostrar a estes governantes que 2013 É O ANO QUE AINDA NÃO TERMINOU!

Por:  Emily Coutinho e

Evelyn Almeida

Será que o TDAH existe?

Primeiro vejamos o significado da sigla: TDAH = Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade.

Lendo mais um excelente texto sobre isso – http://equilibrando.me/2013/05/21/o-tdah-existe/ -, refleti, de novo, sobre essa questão: será que o TDAH existe?

Um dos trechos mais verdadeiros no texto, em minha opinião, é:

“Portanto, a resposta à pergunta: “Será que o TDAH existe?” realmente depende da agenda do observador. Pessoalmente, acho que é mais útil descobrir as causas sociais subjacentes da inquietação ou distração da criança e fazer alterações específicas no ambiente social para remover os estressores. A criança ouve seus pais brigando ou discutindo o tempo todo? A criança está sendo abusada? A criança tem um professor que não é capaz de lhe dar a atenção extra que ela precisa, porque tem que lidar com uma sala de aula superlotada?”

Vou procurar responder, a partir de pesquisas e experiências profissionais que tenho/tive tanto como pedagoga, quanto como arteterapeuta e psicóloga.  Quando era apenas professora, ainda não havia estudado esse assunto com o mínimo de profundidade, o que é um absurdo (continua sendo, nas formações de hoje…), porque toda formação de professor tinha que ensinar isso, debater, refletir a respeito, etc. Até porque esse tipo de transtorno pode ser encontrado tanto nos alunos quanto nos próprios profissionais da Educação também, assim como nas famílias dos alunos.

Concordo muito com o autor do artigo citado acima. Medicação forte, ainda mais em crianças, só se deve usar em último caso. Porém, é importante não radicalizarmos para um lado ou para o outro. Se há excesso de diagnósticos mal feitos e de medicalização por um lado, muitas vezes sem necessidade ou sem se haver tentado alternativas, outras vezes também há excesso de pensamentos do tipo “resolvo isso sozinho; basta o amor da família e dos amigos; se houver mudança em relação a desigualdade social em que vivemos tudo se resolverá;  essa pessoa (criança, adolescente ou adulto) precisa é de limites; etc.”

Radicalizar para um lado ou para o outro é perigoso, pois, agindo assim, pode-se colocar muita gente em risco de vida e isso pode e deve ser evitado. Os transtornos existem (e podem, entre outras coisas, levar ao suicídio…), tem muita relação com o ambiente social e familiar sim (as neurociências tem provado várias coisas, nesse sentido), mas não tem a ver SÓ com isso, então é preciso ver caso por caso.

Tanto na Pedagogia quanto na Psicologia Social há uma tendência de só se ver causas sociais para tudo. E isso é tão incompleto quanto ver só causas familiares, psicológicas (individuais, subjetivas… como acontece com parte da visão da psicologia clínica), etc.
Enquanto fica esse “racha”, um grupo no extremo oposto em relação ao outro, milhões de injustiças foram, são e serão cometidas.

Se ficarmos no extremo em que se pensa que tudo é problema social, estaremos inclusive negando algo óbvio: qualquer problema de origem social pode aparecer, como consequência, em forma de doenças e transtornos SIM, já que o desequilíbrio emocional e psíquico acompanha a vida de quem nasce e cresce em meio a violência das injustiças e da desigualdade social em que vivemos. E, se pensarmos que quando houver justiça social, aí sim todos esses transtornos desaparecerão, há que se questionar algumas coisas:  é possível vivermos, algum dia, numa sociedade onde haja condições “ideais” e justiça social para todos ou esse é apenas um sonho a estarmos sempre perseguindo, buscando, nos dando algum norte? E, se essa sonhada justiça vier, se conseguirmos conquistá-la, isso significa que problemas que envolvem o desequilíbrio psíquico vão simplesmente sumir, “evaporar”, como se nunca tivessem existido, isto é, as pessoas ficarão automaticamente “curadas”??? Com certeza não. Pois se a subjetividade dos indivíduos é formada em parte pela cultura e sociedade, também é formada, em parte, por componentes genéticos, biológicos, além dos componentes familiares. Na verdade, acontece uma soma e, muitas vezes uma espécie de mistura, onde entram todos esses elementos, sendo que alguns são mais determinantes em algumas pessoas e outros em outras.

DIZER QUE O TDAH E OUTROS TRANSTORNOS NÃO EXISTEM É TÃO ABSURDO QUANTO DIZER QUE TODA CRIANÇA QUE É AGITADA E DISPERSA TEM TDAH.

Já acompanhei casos de crianças e adolescentes que foram bem diagnosticados, assim como vi verdadeiros absurdos sendo cometidos apenas na intenção de “calar” um pouco aquela criança ou adolescente que está, na verdade, reagindo ao ambiente familiar e social em que vive. Muitas crianças agitadas e dispersas não tem TDAH, como muitas que são excessivamente organizadas e cheias de manias também não tem necessariamente TOC (= transtorno obsessivo-compulsivo), e isso só para citar, aqui, apenas dois tipos de transtornos existentes.

No caso dos responsáveis – principalmente família e escola – sentirem que aquela criança ou adolescente não está mais dando tanto “trabalho” quanto antes, está menos agitada e menos “respondona”, acabam se acomodando e achando que estão fazendo o “melhor” pra ela… Dá menos trabalho pensar assim e encher a pessoa de remédios, do que se comprometer num nível macro, percebendo a responsabilidade de cada um – família, escola, sociedade – no que se refere ao comportamento daquela criança ou adolescente.

Então… Nem tanto ao mar e nem tanto à terra!

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Se a Psicologia foi mal utilizada, em outros momentos históricos, quando virou quase que norma geral, nas escolas, acreditar que todo aluno “difícil” tinha algum transtorno ou problema psicológico, isso NÃO significa que esse campo do saber não seja importantíssimo na Educação! É preciso “não jogar fora a criança com a água suja do banho”!!! Até porque, hoje em dia, a Psicologia Social tem crescido cada vez mais e é uma linha importante, que trabalha justamente em cima das tantas causas sociais dos, muitas vezes, mal diagnosticados indivíduos que são encarados como portadores dos mais diversos “transtornos”.

Mas os transtornos existentes por causas genéticas, biológicas, neurológicas, etc., EXISTEM SIM, em vários casos, o que também não pode ser esquecido.

De qualquer maneira, a psicoterapia, essa sim pode ajudar e muito, tanto num caso quando no outro, isto é, tanto quando realmente existe um transtorno que está levando a um sofrimento insuportável, quanto nos casos em que o problema é basicamente de origem psicossocial (e, nesse quesito, sempre entra a escola, com força total, pois é ela quem vai ajudando ou prejudicando, diariamente, na formação daquele indivíduo).

E psicoterapia não tem nada a ver com medicalização. As questões são abordadas de outra forma e só necessitam de ajuda medicamentosa em muito menos casos do que tanta gente pensa (muito menos mesmo!). A psicoterapia ajuda muito mais na questão de se aprender como se pode estar num mundo tão adoecido e injusto sem se perder na multidão “normal” que é, tantas vezes, covarde e medíocre. Aprendemos como ajudar nisso, na Psicologia, na medida em que trabalhamos o autoconhecimento, os mecanismos de defesa, os desejos inconscientes, os padrões repetitivos de respostas, etc. Aprendemos sobre como funciona o psiquismo humano, consciente e inconsciente, e o quanto dessa subjetividade é formada em parte pela família e escola e em parte pela cultura e sociedade. Mas, infelizmente, pelo fato da Psicologia ser uma área da Saúde diferente da Medicina, muitos ainda acham que o trabalho do psicólogo não é científico e é só um monte de “conversinhas, conselhos, etc.”, o que não chega nem perto do que realmente é!

Então, há que se ter muito cuidado e atenção nesse assunto. Se os americanos, citados no texto aqui indicado, exageram em remédios e diagnósticos baseados excessivamente em fatores genéticos e biológicos, outros países exageram pro lado oposto, o que também pode causar muitos danos.

Precisamos ter “muita calma nessa hora”!

Os americanos, de maneira geral, buscam soluções concretas e imediatas para questões, muitas vezes, bem mais complexas. E esse comportamento é repetido, em larga escala, aqui no Brasil, já que somos, infelizmente, ainda “colonizados” ideologicamente por eles, de uma forma tão maciça, embora “disfarçada”, que muitos reagem exatamente da maneira esperada por eles, sem ter a menor consciência disso. Numa sociedade capitalista tudo envolve lucro e, no caso dos transtornos psíquicos, é muito mais vantajoso para a indústria farmacêutica “vender” a ideia de que tudo pode e deve ser resolvido com remédios. Mas, na verdade, NÃO PODE.

É comum pais e professores buscarem esse tipo de solução para alunos “difíceis” ou para alunos com necessidades especiais. Até porque é assustador não existirem “receitas de bolo”, aplicáveis a todos, para que esses alunos parassem de “atrapalhar”. Então querem algo que resolva tudo de forma quase mágica! E rápida! Ouvi milhares de cobranças desse tipo na minha vida profissional. Mas, numa realidade social tão injusta e violenta como a que vivemos, NÃO existem remédios para diminuir ou acabar com muitos dos comportamentos considerados inadequados. De certa forma, a sociedade é que é “inadequada”! É ela que gera um número cada vez maior de pessoas depressivas, ansiosas, agitadas, agressivas, desrespeitosas, etc. Ou vocês acham que seria possível essas reações não aparecerem em nossos alunos, diante do mundo caótico em que vivemos e onde “criamos-educamos-ensinamos” nossas crianças e adolescentes?

E a sociedade em que vivemos é construída diariamente por todos, principalmente por nós, adultos! A sociedade somos nós.

Em outras culturas e sociedades, a visão pragmática e comportamental dos americanos não é a que domina. Visões mais filosóficas são as que são estudadas mais a fundo, na busca de entender e aprender a lidar com essas questões. Em geral, na Psicologia, essas culturas recebem mais influência da visão analítica – Psicanálise, Psicologia Analítica, etc. – do que da visão neuropsicológica.

No entanto, muito do que sabemos hoje vem de descobertas incríveis no campo das neurociências SIM. Ficar no extremo oposto, negando esse conhecimento, é simplesmente partir pro outro lado da MESMA MOEDA!

Por isso, meus amigos, analisemos caso a caso, busquemos ajuda profissional, pesquisemos sempre sobre esse assunto pois, para trabalhar com crianças e adolescentes, é preciso se dedicar nesse sentido SIM, ou então ficaremos apenas numa gangorra eterna, ora num extremo e ora no outro, enquanto nossos filhos e nossos alunos continuarão sofrendo e reagindo do jeito que conseguem reagir. E, afinal, mesmo já sendo adulto, cada ser humano só é capaz de reagir da sua própria maneira, com seus limites e possibilidades, e não da forma “ideal”, muitas vezes pretendida. Mas podemos melhorar nisso. Realmente podemos! Só que, para isso, é preciso se comprometer a ir um pouco mais fundo na hora de se buscar “explicações” e “soluções” rápidas para as crianças, os adolescentes e, também, para nós mesmos, os adultos da história.

Acabei escrevendo um texto longo, pois esse assunto, a meu ver, merece aprofundamento, mas vejam que nem citei o fato, concreto, de que a grande maioria dos alunos de escolas públicas que encaminhamos para ajuda psicológica ou psiquiátrica nem mesmo é levada pelos pais para pelo menos uma consulta inicial. Acompanhei casos em que as famílias eram tão pobres que nem dinheiro tinham para a condução e, sem transporte, acabavam “deixando pra lá” o assunto ou deixando “nas mãos de Deus” ou automedicando seus filhos com remédios fortíssimos (geralmente, nesses casos, as famílias costumam conhecer alguém que trabalha em hospital e que, por isso, consegue a receita – por baixo dos panos! -, já que esses remédios são controlados)… E, assim, o que poderia melhorar, ia só piorando mais a cada dia…

Não esqueçam: seja por causas somente psicológicas ou basicamente psicossociais, esses problemas não vão simplesmente “evaporar”. Precisam de ajuda profissional.

Abraços,

 

Regina Milone.
Pedagoga, Arteterapeuta e Psicóloga.
Rio de Janeiro, 29 de maio de 2013.

 

Precisamos de calma para estudar e aprender, certo?

Esta semana nas escolas foi sui generis, mas pode dar um retrato da realidade que vivemos.

Escola 1.

Tiroteio no bairro, caveirão, armas à mostra, mortos pela redondeza.

Todos na escola na manhã seguinte, ambiente perigoso, crianças com medo, responsáveis ligando.

Ambiente ainda não seguro.

Resultado: todas as escolas da região fechadas.

Fecha-se a escola por dois dias.

Escola 2.

Em um só dia: convulsão no corredor (epilepsia), intoxicação (sem detalhes aqui), luxação de punho, luxação de dedo, corte na testa, bolada no rosto, dois desmaios, três passando mal, umas dez chorando.

Tudo AO MESMO TEMPO.

E, depois disso tudo, feriado e recesso.

Esta foi a semana nas escolas que trabalho.

Ah, sim, temos que crescer a média no Ideb pra provarmos que somos bons professores e termos direito a mais um dinheirinho…

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Quase louco