Arquivo da categoria: Sobre lixo

Reciclar é a solução? Não.

Reciclar é a solução para o problema do lixo? A resposta é não.

Reciclar é bom? A respostra é talvez, pode ser.

Talvez, porque dependendo do uso ideológico, mercadológico, capitalista e propagandista que se faça, a reciclagem pode ser nada mais do que uma grande desculpa para continuarem-se a consumir, consumir, consumir…

Então, melhor do que a reciclagem é “consertagem“, o trabalho e o cuidado para que as coisas não se tornem lixo.

Venho afirmando isso nas oportunidades que tenho. É só ver meus trabalhos por aí, como minha dissertação de mestrado (especialmente os dois últimos parágrafos) e o post Por que sempre precisaremos de um aterro sanitário?.

Claro que minha visão vem sendo construída através de minhas leituras e absorções de outros pensamentos:

  • ética do cuidado que já vem sendo falada por Leonardo Boff e outros autores.
  • Meu orientador no mestrado, Emílio Eigenheer, que falava de Pedagogia da Degenerescência.

Digo tudo isso para lhes apresentar o mote do site Plataform 21 [em inglês]. É um site holandês de design.

Eles apostam na ideia “pare de reciclar, comece a consertar!”, o que eu, particularmente, acho o máximo.

Sempre fui meio “catador” de lixo, juntando minhas quinquilharias, meu “museu”, guardando e consertando coisas que qualquer pessoa jogaria fora. Gosto, portanto, de ver esses movimentos nascerem.

Copio e colo aqui o manifesto traduzido. Mas vale a pena uma passada pelo Plataform 21 e fuçar outras pérolas.

1. Faça seus produtos durarem mais!
Consertar significa a oportunidade de dar a um produto uma segunda vida. Consertar não é anticonsumo: é antidesperdício.

2. As coisas têm que ser projetadas para poderem ser consertadas
Designer de produtos: faça coisas consertáveis. Forneça informações claras sobre como consertar. Consumidor: compre coisas que você sabe que podem ser consertadas, ou descubra por que elas não existem. Seja crítico, faça perguntas.

3. Consertar não é substituir uma peça
Não estamos falando em jogar fora a parte que está quebrada, mas de realmente remendar criativamente.

4. O que não mata engorda
Toda vez que você conserta algo você acrescenta ao seu potencial, à sua história, à sua alma e à sua beleza inerente.

5. Consertar é um desafio criativo
Fazer reparos é bom para a imaginação e ensina a usar novas técnicas, ferramentas e materiais.

6. Conserto não sai de moda
Não se conserta para deixar os produtos na moda. Não há datas de validade para produtos que podem ser reparados.

7. Consertar é descobrir
Ao consertar você descobre coisas incríveis sobre como os objetos funcionam. Ou não funcionam.

8. Conserte – mesmo quando a crise acabar
Se você acha que este manifesto tem a ver com a recessão, esqueça. Não estamos falando de dinheiro, mas de mentalidade.

9. Coisas consertadas são únicas
Mesmo falsificações se tornam originais quando você as conserta.

10. Consertar é ser independente
Não seja um escravo da tecnologia – seja seu mestre.

11. Você pode consertar tudo, mesmo um saco plástico
Mas nós recomendamos arrumar uma sacola que dure mais. E, quando ela estragar, consertá-la.

Pare de reciclar! Comece a consertar!

Fantástico, não?

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira

Dica de Filme: Estamira

Estamira é um filme sobre uma pessoa de nome Estamira.

Uma catadora de lixo com sua filosofia própria.

Estamira é uma mulher do povo, catadora em um dos lixões da Baixada fluminense. Dizem que é doida de pedra, mas é de uma lucidez delirante, tem um discurso apocalíptico, o que teria um Nietzsche antes de mergulhar na escuridão, ou de um Glauber Rocha, na fase em que anunciou ao universo ser o General Golbery do Couto e Silva um gênio da raça, ou um Geraldo Vandré, ao propor uma santa como padroeira do Exército. 

Ela sofria de distúrbio mental, mas suas palavras fazem nossa cabeça pensar.

Ela catava lixo no aterro de Jardim Gramacho.

Estamira morreu em 2011, mas sua vida ficou registrada em um premiado documentário.

Vale a pena conferir:

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira

Entrevista para o Programa Conversas, de Cabo Frio

Participei, há algumas semanas, de uma entrevista para o Programa Conversas, de um canal fechado de Cabo Frio, Rio de Janeiro (o Jovem TV, canal 8).

A dona do programa e entrevistadora é Natália Reynier, moradora de lá e uma “agitadora” social, política, cultural da região.

Coloco abaixo a entrevista, na qual conversei sobre educação ambiental, com foco nos resíduos sólidos.

Espero que gostem!

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira

https://www.youtube.com/watch?v=9Ft9ZOTNv8E

Não deixem também de ler alguns de meus escritos (monografia, dissertação, tese e outros).

Entrevista para o Programa Quebra-Cabeças na GNT sobre Meio Ambiente

Entrevista para o Programa Quebra-Cabeças na GNT sobre Meio Ambiente.

Hoje, dia das crianças, fui agraciado com a apresentação do programa Quebra-Cabeças, da GNT, sobre meio ambiente, no qual participo como entrevistado.

Foi um programa que acompanhou duas crianças em seu dia a dia e suas relações com o meio ambiente.

Eu entro com algumas falas.

No site do programa tem um pequeno pedaço da entrevista, no caso falando sobre a importância da reeducação alimentar para o meio ambiente.

Insiro o vídeo aqui, espero que gostem:

http://globotv.globo.com/gnt/quebra-cabeca/v/a-importancia-da-reeducacao-alimentar-para-o-meio-ambiente/1659226

Link do vídeo

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Colaborando

Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde e nossos preconceitos e achismos

No artigo Lixo hospitalar: real ameaça ou grande trapaça? Quem ganha com isso?, o camarada Carlos me faz uma boa provocação no comentário (comentário número 13), que não posso deixar de re-comentar…

Caro Carlos,

Em primeiro lugar, a unanimidade é burra.

Em segundo lugar, muitos, muitos e muitos paradigmas foram quebrados com o primeiro a pensar ao contrário.

Vide a história e todos aqueles que eram considerados ignorantes e despreparados – que foram excomungados e queimados – , mas que depois “descobriu-se” estarem certos.

Em terceiro lugar, não, não sou o único.

Leia meu outro artigo sobre o assunto: Qual a real diferença do lixo hospitalar para o lixo comum, que tem maiores informações sobre o caso.

Lá você verá um livro com grandes especialistas na área corroborando o que digo por aqui, só sobre este assunto.

O livro, pra te poupar o trabalho, é esse:

Lixo hospitaar

Ele é editado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Rio de Janeiro.

Só para você ver que, definitivamente, não sou o único, veja os nomes que lá estão:

Emílio Eigenheer (organizador) – pioneiro da coleta seletiva no Brasil e um dos maiores pesquisadores e especialisatas no assunto;

João Alberto Ferreira – membro da ABES-Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental, da ISWA – International Solid Waste Association. Atua na área de Gestão de Resíduos Sólidos, com ênfase em Tratamento e Disposição de Resíduos, tendo atuado como engenheiro da COMLURB – Companhia Municipal de Limpeza Urbana do Rio de Janeiro de 1975 a 1996;

Dr. Uriel Zanon – Membro Honorário da Associação Brasileira dos Profissionais em Controle de Infecções e Epidemiologia Hospitalar (ABIH) (Ops!… controle de infecções em hospitais dizendo que o lixo hospitalar não é mais contaminado do que os outros e não necessita de cuidados diferenciados??? – realmente, não estou sozinho…).

Todos estes profissionais têm, além deste livebro, diversos trabalhos científicos reafirmando o que reafirmo. Eles não partem do achismo, mas de pesquisas.

Em quarto e último lugar, acho que não me fiz entender.

Eu digo que TODO lixo é “contaminado” igualmente e NÃO DISSE que o lixo deva ser jogado em frente ao hospital.

TODO lixo deve ter cuidado e tratado e deve ter acondicionamento adequado.

Agora, se a lixeira estiver em frente ao hospital, que seja. O lixo dentro da lixeira, como em qualquer país que se quer civilizado.

E o caminhão que vem pegar o lixo comum levará tudo junto para o ATERRO SANITÁRIO, para o tratamento adequado que qualquer lixo deve ter.

 

É isso.

Temos que abrir a mente e acabar com nossos pré-conceitos.

Ache algum artigo que corrobore cientificamente, através de pesquisas, o que você disse e desminta o que eu e os especialistas acima escrevemos.

Aí conversamos mais.

 

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira

Cartilha sobre coleta seletiva “Lixo, o que fazer”

Prezades amigues,

Eis-me aqui, mais uma vez, para vos brindar com algo que creio interessante.

Como sabem (ou não), trabalhei como coordenador de educação do Projeto CatAÇÃO-RIO, desenvolvido pelo Instituto Baía de Guanabara e patrocinado pela Petrobras.

Foi um projeto (foi, porque acabou e ainda não renovamos) para a organização de catadores de materiais recicláveis em cooperativas. Quem quiser mais detalhes, vai no saite já lincado acima e aqui de novo.

De qualquer forma, estou aqui não para falar do projeto, mas da cartilha que de lá surgiu.

Fizemos, entre muitas coisas, trabalhos de palestras e oficinas em escolas do entorno das cooperativas. Para auxiliar o fluxo de informações acerca do lixo e da coleta seletiva – foco também do projeto – desenvolvemos a cartilha em questão, que agora ofereço aqui, para baixar.

É isso. Espero que gostem e que ajude em algma coisa.

Divirtam-se:

Cartilha “Lixo: o que fazer?”

Lixo hospitalar: real ameaça ou grande trapaça? Quem ganha com isso?

Olá amigues, 

Este artigo, assim como já aconteceu com outro, nasceu da minha resposta a um comentário de terceiros em outro artigo.

A resposta foi se alongando, fui me empolgando, empolgando… e pronto!, nasceu como artigo, não como comentário.

O escrito era sobre Lixo hospitalar, quando disse que este lixo é absolutamente igual ao lixo doméstico e que deveria, portanto, ter um tratamento igual, em aterros sanitários.

Esta opinião gerou alguns comentários indignados… mexendo com o inconsciente das pessoas, dá nisso!

Entre eles o Vítor diz que “O descarte de lixo hospitalar caseiro junto com o lixo comum é um erro. A incompetência do estado em separar e descartar todo o lixo de maneira adequada não deveria ser usada como justificativa para piorar a situação caótica do RSS.”

O César faz a piadinha de me pedir o endereço: “Me passa seu endereço que tenho muito lixo hospitalar para te enviar”.

E, por fim, a Jussara diz: “Então a sua sugestão é… que deixemos virar uma bagunça generalizada? Lixo doméstico e hospitalar, tudo junto!… já posso imaginar…
Bom… tenho uma sugestão para seu próximo livro… GARRAFAS PET, SACOLINHAS DE SUPERMERCADO, como gerar mais lixo em menos tempo, ou, Saneamento Básico… para que?”

Bom, este comentário da Jussara que me despertou para o que escrevo abaixo. Como podem ver, é difícil mudar a forma de pensar, mesmo se se prova o contrário.

A História da humanidade é repleta de exemplos assim né?

Mas vamos ao artigo:

Continue lendo Lixo hospitalar: real ameaça ou grande trapaça? Quem ganha com isso?

Bibliografia sobre lixo (resíduos sólidos) – textos, livros, artigos, revistas, saites

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Este post será modificado temporaria e constantemente.

Coloco aqui uma bibliografia básica sobre lixo ou, mais bonitamente, resíduos sólidos: alguns livros, artigos e textos sobre o tema.

Ficará na categoria de posts “Sobre lixo“, mas também irei salvar lá na categoria de links “08 – sobre liso”, pra facilitar.

Alguns terão links, se eu souber onde encontrá-los na internet. Outros serão somente a indicação do nome, autor, editora, etc.

Não estão em ordem alfabética.

Como é um tema que estudo e me interesso há muitos anos, acabo encontrando por aí muitas coisas, o que gostaria de partilhar com vocês, que também sejam interessados no tema.

Divirtam-se:

Continue lendo Bibliografia sobre lixo (resíduos sólidos) – textos, livros, artigos, revistas, saites

Qual a real diferença do lixo hospitalar para o lixo comum?

Nenhuma!

Esta é a diferença.

Simples assim.

Ter aprendido, entendido e percebido isto, o que devo ao meu ex-orientador Emílio Eigenheer, foi uma grande evolução no meu pensamento.

Considerando então que o lixo hospitalar não tem diferença para o lixo comum, você me pergunta, ele não necessita de todos estes cuidados e investimentos que fazem? E eu respondo: não! Não precisa.

Mas o que fazer então? Eu digo que deve ser coletado e aterrado como quaisquer outros lixos.

Simples assim. E tenho vários e vários argumentos, corroborados por extensas pesquisas científicas.

Pra começar, quem se atrever a mudar os paradigmas e enxergar o que está além do olhar, procure o livro “Lixo hospitalar: ficção legal ou realidade sanitária?”, organizado pelo próprio Emílio.

lixo-hospitaar

Depois, podemos raciocinar através de algumas constatações. Pense comigo: o que faz o lixo hospitalar (a partir de agora chamado RSS – Resíduos de Serviços de Saúde), ser tão asqueroso aos nossos olhos? O que tem nos RSS que nos faz achar que temos que gastar milhões de nosso rico dinheirinho com coletas especiais, embalagens especiais, roupas especiais, transportes especiais e tratamentos finais especiais?  

Vocês dirão “oras Declev, nos RSS tem sangue, seringas, gazes sujas, restos de remédios, frascos de soro, bactérias…”

E eu direi, “oras Todes, todos os lixos os têm!” Querem ver? Raciocinem comigo:

1) Onde ficam os doentes, portadores de bactérias ou vírus, mas que não estão debilitados ou terminais pela doença? Os portadores do HIV, os portadores de hepatite, os gripados, dengosos, os que têm herpes, giardíases, amebíases, leshmanioses, etc. Digo-vos: em casa! E para onde vão os seus resíduos? Para o lixo comum;

2) Toda mulher de uma certa idade até uma certa idade desfaz-se de algumas centenas de mililitros de sangue todo mês. Para onde vão os absorventes das milhares de mulheres de nossa sociedade, sejam elas portadoras de doenças ou não? Para o lixo comum;

3) Todo bebê faz cocô e xixi e a maioria deles utiliza fraldas descartáveis, as quais ficam repletas destes dejetos, sejam os seus produtores portadores de doenças ou não. Para onde vão estas toneladas de cácas? Para o lixo comum;

4) Sempre que nos cortamos ou nos ferimos com pouca gravidade (graças a Deus!), vamos ao hospital? Não, fazemos a assepsia em casa, seja quantos dias forem. Para onde vão as nossas gazes, algodões, bandêides sujos com nossos sangues, pús e outras secreções nojentas? Para o lixo comum;

5) Todos nós compramos remédios, sejam eles para auto medicação, seja quando vamos a um médico (e que depois vamos pra casa, não ficamos produzindo lixo no hospital ou na clínica). Nem sempre os utilizamos todo o conteúdo da caixinha, o que faz, logicamente, sobrar. Estas sobras ficam lá no nosso armário, prateleira, caixinha de primeiros socorros ou seja lá onde for até um certo tempo. Depois expira seu prazo de validade. O que fazemos com eles? Jogamos no lixo comum;

6) O Brasil tem 8 milhões de diabéticos. Para quem não sabe, é aquela doença pela qual as pessoas têm que injetar insulina todo dia em si mesmos. E, claro, como é todo dia, fazem isto em casa. Para onde vão estas milhões de agulhas diárias? Para o lixo comum;

7) Aí você me diz que “o problema Declev, é a quantidade, a concentração! Um hospital ou uma clínica produz muito RSS concentrado”. Bom, vejamos. Os RSS representam menos de 1% de todo lixo produzido por uma cidade. Se é verdade que ele se encontra concentrado quando é produzido, basta que o coletemos junto com os outros, naqueles caminhões compactadores que, pimba!, acabou-se a concentração! E se o levarmos junto com os outros 99% de lixo para um aterro, acabou-se de vez a concentração;

8)”Mas Declev, os RSS são cheios de bactérias patogênicas!” Oras, oras… TODOS os lixos têm bactérias – e AS MESMAS!!

9) Mas e os restos humanos? Claro, aí é outra coisa. Restos humanos, como pontas de dedos, pernas, etc., devem ser cremados ou enterrados. Por uma questão ética, não propriamente higiênica.

Então, cares amigues, pra quê gastamos tanto com os RSS? Pense. A quem interessa ter todos estes esquemas próprios? Quem ganha dinheiro com isso? Quem vende as caixinhas, as roupas, os coletores, os incineradores? E quem paga?

Pense: por algo que nãoo há necessidade.

Tanta gente precisando de ajuda, e nós gastando com lixo sem necessidade!

Por que sempre precisaremos de um aterro sanitário?

Participo de uma lista de discussão sobre lixo – dentre tantas que participo – e sempre surgem uns assuntos polêmicos. É um tema que me interessa muito – o lixo – e que estudo há alguns anos. Hoje recebi uma mensagem em que o autor fala sobre a importância da coleta seletiva em detrimento de um aterro. Tenho um certo receio sobre a meneira que tratamos este tema, então o respondi com o texto abaixo. Inicio com este uma categoria sobre lixo. Então vamos lá, pois estamos todos imersos nesta montanha…

Acho que um aterro será sempre essencial. É muita ingenuidade achar que podemos reciclar todo o lixo – e isto traz graves consequências. Pra começar, a crença infinita na reciclagem e nas suas novas e competentes tecnologias nos leva, cada vez mais, para mais distante do que é realmente importante: a redução do desperdício, a mudança do modelo de industrialização, a mudança da matriz de produção, a diminuição da obsolescência planejada, enfim, da diminuição desta geração desesperada de lixo. Não adianta achar que podemos continuar neste bárbaro “desenvolvimento” e consumo só porque podemos “reciclar” e que com isto ainda vamos salvar as pobres almas carentes de tudo, fazendo a “inclusão social” através do lixo. Balela. Trabalhar a geração de renda de forma emergencial para aqueles que não têm nada? Ótimo. Mas fazer disso a solução de nossos problemas com o lixo? Trágico.

Trágico e imoral: nós consumimos, eles catam o resto de nosso consumo! Fazer disso uma solução para nossos problemas não irá mudar nunca a situação de extrema desigualdade que vivemos, muito pelo contrário, irá estagná-la ou aprofundá-la.

Vejam: só na cidade do Rio de Janeiro são mais de 5.400 toneladas de lixo domiciliar! Repito: mais de cinco mil e quatrocentas toneladas só de lixo domiciliar!! Fora todos os outros. E só na cidade do Rio de Janeiro. Veja aqui. Segundo Antonio, 95% do lixo poderia ser “reciclado”. Eu digo que é impossível. Em primeiro lugar, porque a coleta seletiva em uma cidade deste porte é extremamente cara. E não dá tanta renda assim como todos asseveram (não conheço nem uma cooperativa que viva do que cata, sem injeção de dinheiro externo).

Em segundo lugar, porque não teríamos nem capacidade industrial para tanto. A Alemanha, que tem um dos melhores esquemas de coleta seletiva do mundo, não tem condições de reciclar tudo o que coleta – “exporta” resíduos a outros países, muitas vezes de forma ilegal. E olha que cerca de 30 a 40% do material recolhido se transforma em rejeito e têm que ser dispostos em aterros. Lembrando ainda que, quanto maior o adensamento populacional e menor o nível cultural, maiores são as dificuldades para a coleta de lixo – quanto mais para uma coleta seletiva. Vocês conhecem áreas assim nas grandes cidades daqui? Então, mesmo que fizéssemos a coleta seletiva de todo este lixo, como todos querem, não teríamos o que fazer com ele! E mais: vale a lei de mercado, quanto maior a oferta, menor a procura, menor o preço e por aí vai. Teríamos um monte de gente catando, triando, prensando, transportando cada vez mais para ganhar cada vez menos e ficando cada vez mais miserável. Seria muito mais lógico e mais rentável ficar sentado numa esquina pedindo esmolas.

E em Niterói a Clin tem um trabalho de coleta seletiva sim. Basta o morador se cadastrar, seja casa seja prédio, que a Clin passa lá três vezes por semana para pegar o lixo separado. E ainda dá sacos transparentes. Só que, como eu falei, é caro. Como expandir para toda uma cidade uma coleta tão cara? Quem paga?

Sem esquecer de que pelo menos metade do nosso lixo é de restos orgânicos. Este não é reciclável no sentido que falamos aqui. Não é recebido pelos catadores, não vai para indústria. Necessitaria de toda uma estrutura para fazer-se a compostagem ou bidigestores. E mesmo assim, a tecnologia é complicada, visto que sempre vêm misturados com restos de plásticos, vidros, latas, metais advindos de lâmpadas, pilhas, etc., que comprometem o resultado. Ademais, o que fazer com milhões de quilos de composto?

Bom, ficando por aqui, quero dizer o seguinte:

1) na situação atual, é imprescindível um bom aterro sanitário – ou então teremos lixões em seu lugar;

2) a coleta seletiva não vai, nunca, solucionar a questão do lixo, especialmente se continuarmos a consumir, gastar, usar descartáveis, comprar, gastar, consumir, usar descartáveis, consumir, comprar, gastar, usar descartáveis… (e achar que está tudo bem, porque nossos restos são “recicláveis”).

3) temos que mudar nosso estilo de vida.

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Dindin:

 

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Na mesma linha:

a) Minha dissertação;

b) Vê se isso não incentiva a produção do lixo!!!

c) Resíduos sólidos: a revisão dos conceitos

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