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Bye bye Suzana Herculano-Houzel, neurocientista brasileira

Bye bye Suzana Herculano-Houzel. Saiu na Revista Piauí que a neurocientista está indo embora do país.

Eu entendo perfeitamente, antes mesmo de ter chegado à universidade. Parei antes. Desisti de tentar. Abandonei minha carreira de educador ambiental e biólogo, talvez no meio, talvez um pouco mais.

Por que Suzana Herculano-Houzel está indo embora?

Já falei por aí as razões, mas repito.

Eu não tenho mais nenhuma pretensão acadêmica. Diversos e pontuais acontecimentos me fizeram tomar um certo nojo pela academia.

Certa vez fiz um concurso para a UERJ. Eram três candidatos(as). Uma faltou à prova, ficamos só dois. A outra candidata foi mal na prova escrita e foi desclassificada. Eu passei com uma nota 8,5 e fui à prova de aula sozinho. 

Caiu no sorteio um tema que não era exatamente o meu de preferência, mas lá fui eu.

Fui desclassificado e reprovado – professor e palestrante há mais de 20 anos na área ambiental – na “prova de aula”; mesmo havendo somente eu de candidato para uma vaga; mesmo sabendo que estes concursos são difíceis de serem liberados pelo poder público; mesmo sabendo que a UERJ vive em crise e com falta de professores.

Como eu entendi? Ora, como o de sempre: não era “eu” que queriam naquela vaga. 

Na época eu fiquei chateado. 

Mas hoje, com o pezão como governador e vendo todas as notícias que vejo em relação ao governo estadual – falta de pagamentos, falta de repasses às instituições, etc. – , eu agradeço às professoras que me reprovaram numa prova de aula para a vaga de professor da UERJ, mesmo tendo somente eu como candidato.

Hoje, de salário, ganho mais como professor de ensino fundamental do município de Niterói indo trabalhar 3 manhãs do que ganharia se tivesse passado no concurso pra trabalhar 40 horas.

Muito obrigado, professoras!

Com a estrutura que as universidades têm, com as brigas internas, com as falcatruas que vemos acontecer todos os dias diantes de nossos olhos sem poder falar nada, é um difícil.

Grana, não tem, só pra quem sabe trabalhar por baixo dos panos e serpentear pela política.

Outro exemplo de minha vida: eu organizei, junto com outras pessoas, um fórum de educação ambiental a nível nacional, aqui no Rio de Janeiro, em 2009.

Vocês não imaginam a dificuldade de conseguir e ter acesso a um financiamento para desenvolver o evento. Tive que passar por momentos tão desagradáveis que caí em depressão. À época quase perdi meu doutorado.

Saí do fórum com dívidas – acreditem, com dívidas!

E as mesmas instituições que vemos gastando milhões – quiçá bilhões – em obras superfaturadas, obras que desabam, compras milionárias SEM LICITAÇÃO, ou não deram nem um centavo ou deram muito pouco ou, até mesmo, prometeram dinheiro e depois retiraram. Isso aconteceu: disseram que iam dar e depois tiraram o dinheiro. Inclusive o próprio ministério do meio ambiente, à época com o minc como ministro. Não esqueço desta rasteira.

Saí em depressão, endividado e quase perdendo o doutorado por conta de um desafio que aceitei fazer. Dentro da própria universidade onde ocorreu o evento há um dos mais conceituados grupos de pesquisas em educação ambiental; sabe o que fizeram? NADA. Sabe o que ajudaram? NADA.

Brigas políticas, dirão alguns. Mas é briga mesmo pelo EGO e por grana.

Enfim, meu ego não chega a tanto e meu interesse por dinheiro não me faz passar por cima de ninguém.

Suzana Herculano-Houzel

Então, bye bye, Suzana Herculano-Houzel

Desisti. E ela, a Suzana Herculano-Houzel, de certa forma, desiste também aqui do Brasil.

Ela tem os motivos dela, eu os meus… e os seus?

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira

Manifesto Educadores Ambientais com Dilma

Independente de minhas próprias posições políticas, abro um espaço para divulgar, a pedido de amigos, este manifesto.

No primeiro turno eu votei, com muita consciência e convicção, na Luciana Genro. Neste turno estou em dúvida entre duas opções: votar na Dilma ou anular o meu voto. Para mim só há estas duas alternativas.

Na primeira opção (Dilma), por conta dos avanços sociais que o Brasil vem registrando, inegáveis.

Na segunda opção (nulo), por conta dos 50% de críticas que tenho – e não são poucas [tema para outros artigos].

“E a terceira opção, Declev?”, podem perguntar alguns leitores. Never, respondo eu.

Então, como dito, abro este espaço para a divulgação deste manifesto, capitaneado por amigos queridos por todo o Brasil.

Eu apoio o manifesto, mesmo sem meu nome estar incluso. Independente de qualquer coisa, vale a leitura e a reflexão.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Pensando

Educadores Ambientais com Dilma

O atual momento em que se encontra o processo político brasileiro exige posição. Com a eleição de uma bancada extremamente conservadora, nunca na história do país as pautas progressistas tiveram tantos ataques.

Nós educadores ambientais abaixo assinados, participantes de ONGs, Redes, Universidades, escolas e mais diferentes espaços sociais temos lado.

A sustentabilidade ambiental e os direitos humanos estão intrinsecamente conectados e defendemos que estes temas precisam estar internalizados nas políticas públicas.

Compreendemos a necessidade de avançarmos em muitos aspectos, mas não podemos negar as conquistas estabelecidas no último período, fruto de compromisso político e, acima de tudo, a concretização de espaços de participação social que deram voz a diferentes atores sociais.

Por tudo isto, neste momento, defendemos a continuidade de iniciativas que tem transformado o Brasil na perspectiva da emancipação e da inclusão social.

Desde 2003 temos produzido avanços significativos, que vão à direção da institucionalização da educação ambiental no Brasil. Podemos destacar os processos conferenciais adulto e infanto-juvenil, os coletivos educadores, salas verdes e tantas outras propostas as quais nos identificamos e fomos protagonistas em sua implantação, especialmente, dando voz a crianças e adolescentes.

O Governo Dilma, neste sentido, deu duas valiosas contribuições. Primeiro, a criação do Programa de Educação Ambiental na Agricultura Familiar (PEAAF) e, recentemente, o Programa Nacional Escolas Sustentáveis, ambos em diálogo com o fortalecimento da Política Nacional de Educação Ambiental (Pnea), do Programa Nacional de Educação Ambiental (Pronea) e na Estratégia Nacional de Comunicação e Educação Ambiental (Encea).

Os governos petistas têm como marca o fortalecimento da EA com diversos programas de formação para professores e educadores populares, enraizamento com o fortalecimento das CIEAs, CEAs e Salas Verdes e empoderamento de comunidades e territórios.

Compreendemos que há muito por fazer na direção de uma sociedade verdadeiramente sustentável, mas os modelos neolibeirais não podem voltar ao cenário político brasileiro por todo retrocesso que representam às políticas públicas e especialmente, no papel protagonista do Estado.

Com base nestes argumentos, apoiamos a reeleição da presidenta Dilma e encorpamos a luta por mais direitos em direção a um Brasil cada vez mais justo, inclusivo e sustentável!

Assinam o documento:

1. Alexandre Alves de Sousa – CJ – GO
2. Alexandre Cougo de Cougo – UFMS – MS
3. Alexandre de Gusmão Pedrini – REARJ – RJ
4. Anderson de Souza Vicente – IBAMA – RJ
5. Anderson Mendes Souza – UFPR/Movimento Mudança/CJ – PR
6. Andre Lemes da Silva – FURG – RS
7. André Luís da Silva Lima – CJ-Kairós – MS
8. André Paulo de Barros – Rede de Defesa Ambiental do Cabo de Santo Agostinho – PE
9. Angélica Cosenza – UFJF – MG
10. Associação dos Criadores e Promotores de Saberes e Práticas Sustentáveis/Casa dos Saberes/ Rede Municipal e Estadual de Educação de São José do Norte
11. Aurici Azevedo da Rosa – Grupo Maricá – RS
12. Beatriz Consuelo Stark – UFRGS – RS
13. Carla Loba – REPEA – SP
14. Celso Sánchez – UNIRIO – RJ
15. Cintia Barenho – CEA – RS
16. Cíntira Santos Rodrigues – Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – BA
17. Claudia – Ambiente de Ação – SP
18. Claudia Coelho Santos – UESB/RUPEA – BA
19. Clelia Gonçalves – Gregor Mendel – BA
20. Cleria B. Meller – IFF – RS
21. Cristine Carole Muggler – Sala Verde de Viçosa / Museu de Ciências da Terra Alexis Dorofeef/UFV – MG
22. Dal Bezerra – REABA – DF
23. Daliana Amaral Mirapalhete – Palácio Piratini – RS
24. Dalvacir pereira de Araújo – NEA/SUEF/SEEC – RN
25. Daraina Pregnolatto – Guaimbê – GO
26. Debora Pedrotti Mansilla – MT
27. Deyvid Galindo Santos – PE
28. Diogo Damasceno Pires – CJ-GO/REJUMA/REI – GO
29. Dion Kitzmann – FURG – RS
30. Dioniso de Souza Sampaio – UFPA/IECOS – PA
31. Eciele Silva – SEDUC – MT
32. Edilene Santos Carvalho – CIEA – BA
33. Edison Kern – Grupo Maricá – RS
34. Eliza Maria Xavier Freire – UFRN/PRODEMA – RN
35. Érika Ferreira da Silva Bazilio – Gema – RJ
36. Ero Choueri – SAAE – SP
37. Fabio Andre Silva da Silva – Grupo Maricá – RS
38. Felipe Baunilha – SEE – PB
39. Felippe Mousovich Neto Instituto Moleque Mateiro de Educação Ambiental – RJ
40. Franklin de Paula Júnior – DF
41. Gina Rizpah Besen – USP – SP
42. Glaura Cardoso Soares – ICMBIO – GO
43. Gleice Maira Fernandes – REAJO – RJ
44. Heullis souza da silva – CJ – GO
45. Idalécio Santos – COORDENAÇÃO ESTADUAL DOS TERRITÓRIOS – BA
46. Ilana Vitória Leal Pina – COEPI – GO
47. Irineu Andrade – Sítio Araçá – RN
48. Isabel Georgina Patronis Dominguez – PlanTEA – SP
49. Isis Volpi – Centro de Educação Ambiental da Secretaria de Meio Ambiente da Cidade do Rio de Janeiro – RJ
50. Jacqueline Guerreiro Aguiar – Rede IIDEA – RJ
51. Jane Alves Fernandes – MG
52. Jaqueine Érrico – SEDUC – BA
53. Jorge Amaro de Souza Borges – REASUL – RS
54. Julia Carneiro Rossi – UFRJ/Muda Mará – RJ
55. Juliana Malavasi – SP
56. Julianne Medeiros – SEDUC – GO
57. Karla Gouvêa – CJ – PA
58. Lakshmi Juliane Vallim Hofstatter – UFSCAR – SP
59. Leila Maria Vendrametto – REPEA – SP
60. Lidiane Averny Sales – Escola Indigena Estadual Hadori
61. Lilian Alves Schmitt – RS
62. Lindinei Alves Porto – REABA/RESAB – BA
63. Luca Silbert – UFRJ – RJ
64. Lucas Machado – Escola Família Agrícola de Goiás – GO
65. Lucia de Fátima Socoowski de Anello – FURG – RS
66. Lucia Kawahara – REMTEA – MT
67. Luciane Goldberg – Universidade Federal do Ceará – CE
68. Luiz Afonso Vaz de Figueiredo – Centro Universitário Fundação Santo André/REPEA – SP
69. Luiza Virginia Duarte – UFG – GO
70. Luzia de Lurdes Severo Lins – MT
71. Mara Santina Maciel de Oliveira – GPEA/UFMT – MT
72. Marcelo Gules Borges – UFSC – SC
73. Márcia Luzia Cardoso Neves – Centro de Desenvolvimento Sustentável e Agroecologia Sapucaia – BA
74. Márcia Valle – MG
75. Marcio Andre Facin – Defesa Civil – RS
76. Marcus Machado Gomes – REASO – RJ
77. Maria Carolina Portes – RJ
78. Maria de Lourdes Cardoso Soares Cantarelli – Aposentada Ibama – GO
79. Maria do P Socorro de Oliveira Rabbett – EEEFM Regina Coeli Souza Silva – PA
80. Maria Henriqueta Andrade Raymundo – SP
81. Maria Izabel Azevedo Marques Birolli – PUC – SP
82. Maria José Carneiro – UFRJ – Rio de Janeiro
83. Maria Rita Avanzi – UNB/RUPEA – DF
84. Marina Silveira – SP
85. Marina Silveira – SP
86. Mario Sergio Cunha Alencastro – UNINTER – PA
87. Martha Tristão – UFES – ES
88. Matilde Pereira Gonçalves – Educadora – BA
89. Mayara Amaral dos Santos – REJUMA – SP
90. Michèle Sato – UFMT – MT
91. Michele Tidisco Padovani – UFV – MG
92. Michelle Jaber – REMTEA – MT
93. Mônica Pilz Borba – Instituto 5 Elementos
94. Neidis Matos Pereira – REABJ – RJ
95. Neusa Veronesi – Associação Mamberti de Cultura – SP
96. Norma Aparecida de Oliveira – MT
97. Nylce Jucá – REASO – RJ
98. Patricia Ferraz da Cruz – COEPi/Rede dos POntos de Cultura/REIA-GO
99. Pedro Roberto Jacobi – USP – SP
100. Rachel Zacarias – UFJF/ GEA – MG
101. Raissa Dias Theberge – UFRJ – RJ
102. Raquel Eufrázio de Santana – UFRPE – PE
103. Rejane Teresinha Dahmer Gomes – Coletivo Educador de Quatro Pontes – PR
104. Renata Rozendo Maranhão – MMA – DF
105. Ricardo Novaes – SP
106. Rita de Cássia Gnutzmann Veiga FURG – RS
107. Roberta Carteiro Pedroso – REPEA – SP
108. Romário Augusto Morais Santos de Souza – CIEA – MT
109. Ronaldo Costa – MMA – DF
110. Ronaldo Senra – IFMT/RMTEA – MT
111. Saguio Moreira Santos – CTA – MT
112. Samia Nascimento – LAPPES – USP
113. Sandra Lilian Silveira Grohe – RS
114. Sara Barroso – Associação dos Amigos do Coqueiro do Alagamar – CE
115. Shaula Maíra Vicentini de Sampaio – UFF – RJ
116. Silvani Mira – GEEMA – RJ
117. Silvano Carmo de Souza – IFMT – MT
118. Sílvia Letícia Silva da Silva – UFPEL – RS
119. Sinvaline Pinheiro – Memorial Serra da Mesa – GO
120. Suíse Monteiro Leon Bordest – UFMT/REMTEA – MT
121. Suzana de Santana Martins – CJ – GO
122. Tadeu Ribeiro da Costa – GO
123. Talita de Cássia Francisco – UFV – MG
124. Thais Alves – UFRJ/Projeto Muda Maré – RJ
125. Valeria Freixedas – SP
126. Valéria Ghisloti Iared – UFSCAR/APASC – SP
127. Valéria Guimarães – PMJF – MG
128. Vitor Hugo Cantarelli – IBAMA – GO
129. Wadson Xavier de Souza – MG
130. Wagner Terra Silveira – SEMA – RS
131. Wanderley Silveira Junior – IFET Sudeste – MG
132. Wisline Alves Araújo – GO
133. Zanna Matos – SEMA – BA

O que são as “Jornadas” dos Fóruns Brasileiros de Educação Ambiental?

Continuando a série sobre os Fóruns Brasileiros de Educação Ambiental, agora vamos tratar de um de seus elementos principais, as Jornadas.

Mais uma vez, recorro a Jacqueline Guerreiro, que é quase uma biblioteca ambiental ambulante, para nos explicar o que são as Jornadas que ocorrem no âmbito dos Fóruns.

Cada Jornada é organizada por uma ou mais rede do Brasil. A escolha do tema é livre por quem organiza, sendo, obviamente, o tema de acordo com a vida profissional dos enredados ou da rede.

A participação é aberta a todos que querem dar sua colaboração, basta chegar.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira

O que são as Jornadas dos Fóruns Brasileiros de Educação Ambiental

As Jornadas no âmbito dos Fóruns iniciam-se no V Fórum em Goiânia (2004) e consolidam-se no VI Fórum no RJ (2009).

O V Fórum estava sob a coordenação da Patrícia Mousinho, então secretária da REBEA. E quando esta me convidou para trabalhar com ela na estruturação deste Fórum eu sistematizei as discussões sobre a identidade de nossos fóruns a partir do eixo Fortalecimento da REBEA, que era um dos eixos principais desta secretaria da rede. Assim, organizamos o ” espaço das redes” com três territórios : o dos Stands das Redes, o do Encontro da REBEA e os das Jornadas. As Jornadas, neste momento, ainda se configuraram num misto entre demandas das redes e indicações da coordenação do fórum. Era um experimento, diríamos assim.

No VI Fórum, organizado por mim e pelo Declev Dib-Ferreira, este Espaço das Redes se consolida a partir do diálogo constante com os facilitadores das redes da malha da REBEA e então tivemos novamente os Stands das redes, o Encontro da REBEA e as Jornadas:

1- Stands: Seguiram a proposta do V Fórum, ou seja, são stands tradicionais, todos juntos num mesmo espaço, em que cada rede se apresenta aos educadores ambientais presentes ao Fórum. Às vezes, várias redes compartilham um mesmo stand se assim acharem pertinente. Nestes stands são apresentados os materiais elaborados pelas redes, suas histórias, são organizadas atividades. Como estão todos juntos, apesar de delimitados pela estrutura tradicional dos stands de eventos, os seus corredores acabam se tornando “espaços de trocas e diálogos”. É o espaço onde os enredados se encontram, reencontram, tecem parcerias, comem e bebem (as redes levam produtos regionais), cantam e dançam, etc.

Uma questão com relação aos stands é que no VI Fórum pudemos também ter stands para as nossas redes-irmãs. Assim, a REBEA proporcionou stands para o FBOMS e a REBAL.

2- Encontro da REBEA: No VI Fórum, após as discussões anteriores ao evento, decidiu-se que o Encontro da REBEA nos fóruns deveria não apenas ser um encontro “administrativo” da rede, onde várias decisões sobre o funcionamento da rede e os futuros encaminhamentos seriam decididos, mas também deveria ser um encontro onde a rede tecesse posicionamentos políticos claros sobre questões nacionais e globais. Assim, nesta dimensão, o Encontro da REBEA inserido no VI Fórum definiu:

a) a Carta da Praia Vermelha como norteador político dos posicionamentos da rede em questões chave.

b) o apoio da REBEA à Jornada do Tratado de EA, que se consubstanciaria, no que tange aos Fóruns em um stand em todos os próximos Fóruns para as informações acerca do Tratado Internacional de EA de 1992, que é a Carta de Princípios da REBEA.

3 – Jornadas: As Jornadas são organizadas pelas redes, não por indivíduos enredados, são as facilitações das redes que apresentam a proposta, seguindo os eixos do Fórum. As redes possuem autonomia para pensarem o formato, os nomes, os produtos, evidentemente em diálogo com a Coordenação do Fórum. É o espaço onde os saberes e experiências das redes podem ser apresentados aos participantes dos fóruns, já que os espaços mais tradicionais dos fóruns (conferências, mesas, etc.) possuem muitos indicadores a serem levados em consideração na sua organização (políticos, regionais, financeiros…).

No VII Fórum na Bahia (2012) este espaço das redes não foi totalmente consolidado, mas agora no VIII Fórum (3 a 6 de dezembro em Belém), organizado pela Rede Paraense, nos nomes da Marilena Loureiro e do Fidelis Paixão, estes consensos foram reiterados e estes 3 espaços-tempo (Stands das redes, o Encontro da REBEA e as Jornadas) existirão.

No caso dos Stands já estamos coletivamente na Facilitação fazendo um levantamento das redes; as Jornadas já estão também sendo objeto de reflexão e organização; e o Encontro da REBEA ainda deverá ser objeto de reflexão na Facilitação Nacional.

Seguindo nossos consensos, o Colegiado Nacional da REBEA (redes do RJ, do PA, BA, SUL, MS e SP) auxiliará a Coordenação do Fórum na estruturação destas três dimensões, pois dá um baita trabalho.

Apenas para lembrar porque eu e vários já respondemos dúvidas aos montes sobre isso: o próximo fórum da REBEA (IX) será na região Sul do país, pois o consenso estabelecido no V Fórum em Goiânia foi de uma região por vez. Depois, o X retorna ao Centro-Oeste (e a rede do Mato Grosso do Sul, no VII Fórum já apresentou a possibilidade de ser lá).

Por fim, a Jornada do Tratado de EA deverá, seguindo nossos consensos, ter um stand específico. No VII Fórum isto não foi possível, mas temos que viabilizar desta vez.

Os Fóruns Brasileiros de Educação Ambiental e seus diálogos com outros coletivos e movimentos

Os  Fóruns Brasileiros de Educação Ambiental são eventos em que se busca ampliar a discussão e participação social relacionadas à implantação da educação ambiental em todos os setores da sociedade.

Desta forma, para que não fique somente no âmbito dos próprios educadores ambientais, estes eventos vêm ampliando o leque de participação e buscando dialogar com diversos outros grupos de atuação política.

Recebi esta mensagem por email, escrita pela Jacqueline Guerreiro. Copio-a aqui para ajudar no entendimento do que sejam estes fóruns e para manter um registro das ações.

Como eu já divulguei por aqui, este ano acontecerá o VIII Fórum Brasileiros de Educação Ambiental.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira

Os Fóruns Brasileiros de Educação Ambiental e seus diálogos com outros coletivos e movimentos

Desde o V Fórum (Goiânia, 2004) que os Facilitadores da REBEA estamos preocupados com estes diálogos com outros coletivos e movimentos.  Estes diálogos foram um dos Eixos da estruturação do V Fórum, coordenado pela então Secretária Executiva da REBEA Patricia Mousinho, que se empenhou pessoalmente no levantamento de recursos para que pudéssemos propiciar um encontro dos membros do GT de Educação Ambiental do FBOMS – Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais – e do Colegiado Nacional da REBAL – Rede Brasileira de Agendas 21 Locais. A proposta era de construção de uma agenda comum.

Este Eixo  também foi um dos alicerces na construção do VI Fórum (RJ, 2009). Neste Fórum os diálogos na Facilitação da REBEA ampliaram a perspectiva de construção de uma Agenda Comum de lutas e, neste sentido, tivemos nas mesas do Fórum representantes do FBOMS, REBAL, Rede Ecossocialista, Rede Brasileira de Justiça Ambiental, CUT, Rede de ONGs da Mata Atlântica, dentre outros. Propiciamos também a vinda para o Fórum de várias lideranças indígenas (inclusive Caciques), lideranças quilombolas, lideranças de movimentos de mulheres, dos movimentos negro, do campo e sindicais. Tivemos também, pela primeira vez, a perspectiva das pessoas com deficiência. Nos stands tivemos não apenas as redes de educação ambiental da malha da REBEA como também conseguimos disponibilizar stands para o FBOMS, REBAL, CNMA, os Povos Indígenas, etc.

Todo este movimento de diálogos e aproximações resultou na Carta da Praia Vermelha, onde algumas das perspectivas trazidas por estes diálogos foram inseridas.

Em janeiro de 2012 no Fórum Mundial em Porto Alegre os facilitadores da REBEA presentes salientamos a necessidade de continuidade destes diálogos e construímos um percurso mais objetivo em que os diálogos seriam um dos eixos primordiais do VII Fórum ( março, 2012) e do espaço da REBEA na Cúpula dos Povos (julho, 2012). Infelizmente não conseguimos concretizar estes diálogos no VII Fórum.

Estes diálogos iniciados em 2004 no V Fórum foram primordiais para nossa inserção na luta do campo ambiental por ocasião da Cúpula dos Povos. Lutamos junto com vários coletivos (notadamente o FBOMS que foi um grande arquiteto na construção de uma pauta comum), e conseguimos um território na Cúpula dos Povos para o campo ambiental e inserido neste território a nossa Tenda da REBEA/REBAL, em parceria com o Instituto Terra. Nesta nossa Tenda pudemos retomar estes diálogos políticos e eles são  um dos eixos de construção do VIII Fórum (Belém, 2014), pois todos os consensos estabelecidos pela Facilitação da REBEA , o que inclui a perspectiva destes diálogos com movimentos e coletivos, estão sendo respeitados pela Rede Paraense de Educação Ambiental,  organizadora do evento, nas pessoas dos Facilitadores Marilena Loureiro e Fidélis Paixão.

Mas há um ponto fundamental que é a fragilização da Educação Ambiental no PNE. Lembro que muito antes do Vítor da RUPEA chamar atenção aqui na lista da REBEA sobre esta questão, o Celso Sanchez (REARJ) e o Jorge Amaro (REASUL) já tinham enviado um texto sobre a necessidade de a REBEA ser mais pro-ativa para que a Educação Ambiental pudesse ter um espaço no PNE. Infelizmente não soubemos ser ágeis o bastante e fica um alerta para os futuros desafios.

Mas gostaria de lembrar que na Programação da Tenda da REBEA/REBAL na Cúpula tivemos a oportunidade de trazer todas as comunicações acerca da Educação Ambiental que foram propostas por representantes de universidades. Eu integrei o GT de Metodologia da Cúpula dos Povos como estratégia conjunta FBOMS-REBEA exatamente para visualizar o panorama das inscrições e arrebatar para a nossa Tenda as propostas que tivessem a Educação Ambiental em seu eixo e enviar para o FBOMS aquelas focadas na questão socioambiental. Nossa perspectiva (e afirmei isto em email para a lista de discussão do GT de EA da ANPED) era de um diálogo entre as  universidades que estavam a estudar a EA e os consensos políticos da REBEA no que tange à inserção da rede nos movimentos de luta social e ambiental. E isto poderia incluir uma discussão sobre o PNE. Infelizmente isto não ocorreu porque os representantes das universidades presentes apenas quiseram falar para eles mesmos, apresentando suas pesquisas uns para os outros. Foi um dos fracassos de nossa Tenda.

Mas temos também que pensar que a REBEA está num novo momento político (Carta da Praia Vermelha) e novo patamar de sua gestão (Colegiado Nacional, Facilitação Nacional) e que os processos de diálogos são sempre difíceis . Além disso, ainda falta fazermos uma análise mais qualificada de nossa participação na Cúpula dos Povos e na Rio+20.

Jacqueline Guerreiro

Preparativos para o VIII Fórum Brasileiro de Educação Ambiental

Os Fóruns Brasileiro de Educação Ambiental são organizados pela REBEA, a Rede Brasileira de Educação Ambiental. Cada fórum e organizado por uma rede de algum estado. No caso deste, é a Rede Paraense de Educação Ambiental que está organizando, por isso será em Belém.

Para além das palestras, mesas redondas, minicursos e jornadas, estes encontros são a grande oportunidade que os educadores ambientais de todo o Brasil têm de se reunirem, trocarem experiências e de discutir suas ações em rede. É a oportunidade de discutir novos caminhos para a atuação política em rede, tentando influenciar políticas, programas e projetos em educação ambiental.

É uma forma de tentar qualificar o trabalho, pra que ele possa ter ainda mais resultados.

Aqui mesmo eu já divulguei informações sobre o VII Fórum (Salvador) e sobre o VI Fórum, este o qual eu mesmo organizei, aqui no Rio de Janeiro.

VII Fórum                                                             VI Fórum

Do VI Fórum ainda tivemos um livro como resultado.

Capa Livro VI Fórum

Este ano vai rolar o VIII Fórum Brasileiro de Educação Ambiental.

VIII Fórum

O evento tem como tema central “Educação Ambiental: Do Local ao Global, Tecendo Redes e Fortalecendo Sociedades Sustentáveis” e irá discutir as contribuições da Educação Ambiental realizada nos mais diversos cenários do país.

Será um momento propício, mais uma vez, para fortalecer a interação, a articulação e a consolidação das diversas redes de educação ambiental por todo o Brasil.

Espera-se reunir as mais de 50 Redes e Coletivos de Educação Ambiental e 3.000 participantes das várias partes do Brasil.

Pra quem puder, vale a pena ir.

O que: VIII Fórum Brasileiro de Educação Ambietnal

Quando: de 3 a 6 de dezembro de 2014.

Onde: Centro de Convenções da Universidade Federal do Pará

Mais informações: VIII Fórumaqui.

E fiquem de olho, pois mais novidades eu postarei aqui no blog.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira

Aberto editais para cursos gratuitos de Extensão e Especialização à Distância em Educação Ambiental

Muitas pessoas me escrevem querendo dicas de cursos de educação ambiental e meio ambiente.

Então, divulgo oportunidade de cursos de Educação Ambiental à distância na Universidade Federal de Ouro Preto:

O Centro de Educação Aberta e a Distância- CEAD da Universidade Federal de Ouro Preto- UFOP iniciou o processo de seleção para cursos de formação em Educação Ambiental e divulgou quatro novos editais.

Dois destes são para a participação de cursistas no Processo Formativo em Educação Ambiental: Escolas Sustentáveis e COM-VIDAS, sendo cursos de Extensão e Especialização semipresenciais, direcionados principalmente para a capacitação de professores, educadores que atuam na educação básica e sensibilização de gestores públicos, técnicos, administradores, advogados, engenheiros e arquitetos, como também para líderes comunitários que pretendem desenvolver ou já desenvolvam processos com atividades de Educação Ambiental e Sustentabilidade.

Universidade Ouro Preto

Todos os cursos são isentos de taxas de inscrição, matrícula e mensalidade. As inscrições para os dois primeiros editais acontecem (Especialização e Extensão) até 16 de agosto de 2014.

Os cursos do Processo Formativo em Educação Ambiental estão incluídos nas ações do Ministério da Educação, coordenadas pela Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (SECADI/MEC) e executadas por instituições de ensino Superior.

Mais informações podem ser obtidas no site da UFOP e através do link do Centro de Educação Aberta e à Distância – CEAD- http://www.cead.ufop.br/.

Espero que você consigam. Boa sorte.

E fiquem de olho, porque o que eu souber, divulgo por aqui.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira

15 anos da Educação Ambiental: Vamos agir?

O texto abaixo eu recebi em uma lista de discussão.

Solicitei ao autor, meu amigo Jorge Amaro, intenso lutador da área de educação ambiental e pessoas com deficiência, autorização para publicar aqui.

Ao final, deixei seus links de contato, para quem quiser.

Pra gente refletir.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira

15 anos da Educação Ambiental: Vamos agir?

Em 27 de abril de 2014 a Política Nacional de Educação Ambiental (Lei 9795/1999) completou 15 anos. Em seu artigo segundo, estabelece que “A educação ambiental é um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não-formal.”

A importância da educação ambiental está na construção de novos paradigmas contemporâneos e na necessidade de enraizarmos na sociedade uma cultura de sustentabilidade.

O que podemos dizer destes 15 anos? Acredito pessoalmente que avançamos em alguns aspectos, em outros, nem tanto. Como pontos a serem destacados, os processos conferenciais, o fortalecimento das redes, e, essencialmente, a institucionalização podem ser considerados elementos importantes.

Um ponto que ainda precisamos aprofundar trata da questão do financiamento. Qual política pública sobrevive sem estar na lógica dos orçamentos públicos e com garantias de recursos para sua implementação?

Neste sentido, há uma oportunidade única e que exige mobilização e compreensão de educadores e educadoras ambientais de norte a sul do país de sua relevância! Há dois projetos em tramitação na Câmara Federal, os quais precisamos ficar atentos, seja na pressão por aprovação, como na sua qualificação e aperfeiçoamento.  Precisamos acompanhar e emitir opinião política sobre o Projeto de Lei 4361/2012 [1] (Altera a Lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999, para direcionar parte dos Recursos obtidos pela aplicação das multas ambientais, à Implementação das Políticas públicas e Ações em Educação Ambiental) e do Projeto de Lei 3215/2012 [2] (Institui o Fundo Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências).

Controle social é a sociedade participando e decidindo. A Constituição Federal de 1988 e todos aqueles que passaram pelos anos de chumbo ajudaram a construir e consolidar este conceito. Todas as grandes mudanças que tem ocorrido no país decorrem das vozes da sociedade!

Somos mais de 50 redes vinculadas a REBEA. Estamos nas escolas, nas universidades, nas organizações não governamentais, nos conselhos, em tantos lugares e somos muitos.

 Por isso, sugiro que tenhamos uma voz única, respeitando a diversidade que nos compõe, e, que possamos ecoar em todos os cantos deste país: EDUCAÇÃO AMBIENTAL – SIM AO FINANCIAMENTO!

E, para uma agenda global, não podemos deixar de buscar a inserção da Educação Ambiental nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, por sua capacidade de mobilizar as pessoas e comunidades na construção de um mundo melhor. Exercitar o pensar globalmente e agir localmente é cada vez mais crucial!

Sugestão de Encaminhamento:

1. Campanha Virtual da REBEA: EDUCAÇÃO AMBIENTAL – SIM AO FINANCIAMENTO!

2. Carta em Apoio a Educação Ambiental Brasileira com assinatura de todas as redes da malha da REBEA e distribuídas a todas as nossas bases de bancadas federais nos estados! 

Carta em Apoio a Educação Ambiental

Considerando a necessidade de regulamentar a Lei Federal 9795/1999 com relação ao financiamento;
Considerando os preceitos do Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global;
Considerando o documento Final da Rio+20, “O futuro que queremos”;
Considerando a Carta da Terra;
Considerando os resultados de todos os processos conferenciais estabelecidos no Brasil desde 2003;
Considerando a necessidade de avançarmos na construção de sociedades sustentáveis;
Considerando os preceitos do Plano Nacional de Mudança do Clima;
Considerando a necessidade de garantir a implantação factível da Política Nacional de Resíduos Sólidos.
Considerando o protagonismo de educadoras e educadores ambientais de todo Brasil!

Solicitamos a APROVAÇÃO do Projeto de Lei 4361/2012 (Altera a Lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999, para direcionar parte dos Recursos obtidos pela aplicação das multas ambientais, à Implementação das Políticas públicas e Ações em Educação Ambiental) e do Projeto de Lei3215/2012 (Institui o Fundo Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências).

Estes projetos são fundamentais para efetivação da Política Nacional de Educação Ambiental e fortalecem as iniciativas desenvolvidas ao longo dos últimos anos de vigência da Lei Federal 9795/1999!

EDUCAÇÃO AMBIENTAL –SIM AO FINANCIAMENTO!

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Revista Eletrônica Educação Ambiental em Ação

A dica de hoje é a Revista Educação Ambiental em Ação. Ela é eletrônica e nasceu a partir do Grupo de Educação Ambiental da Internet – GEAI, em 2002. Este grupo mantém uma lista de discussão, onde a ideia surgiu e foi posta em prática por Berenice Adams, idealizadora do GEAI, pesquisadora, autora de livros sobre educação ambiental e uma das editoras da Revista EA, junto com Sandra Barbosa e Júlio Trevisan.

educação ambiental

A revista eletrônica Educação Ambiental em Ação publica trabalhos que estejam relacionados com os seguintes eixos temáticos:

  • Relatos de Práticas de Educação Ambiental;
  • Diversidade da Educação Ambiental;
  • Educação Ambiental e Seus Contextos;
  • Educação Ambiental e Cidadania;
  • Sensibilização e Educação Ambiental;
  • Reflexões para Conscientização.

Além dos artigos, a revista traz outras seções interessantes, como Dicas e Curiosidades, Reflexões, Textos de sensibilização, Dinâmicas, Entrevistas, Culinária, Arte e ambiente, Divulgação de Eventos e muitos outras.

Você pode enviar artigos ou outras colaborações. Vejam as normas de publicação. É interessante para o currículo porque a revista tem ISSN, sob o número 1678-0701.

Eu já participei duas vezes, uma com uma entrevista e outra com um artigo publicado.

Você pode também se cadastrar para receber as novidades em seu email.

E neste endereço você pode ver todas os artigos e textos de todas as edições.

Dê uma passada por lá e veja se não vale a pena!

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira

Marcos Sorrentino fala sobre a Educação Ambiental na II CONAE

conae

 

A mensagem abaixo é do Marcos Sorrentino, recebida por lista de discussão.

Versa sobre a Educação Ambiental na II CONAE – Conferência Nacional de Educação.

Tem informações interessantes para quem está acompanhando o assunto e pode dar uma base para as discussões sobre o assunto na Conferência, para quem estiver por lá.

Vamos ficar de olho?

Companheiras e companheiros do campo da EA, a pedido dos representantes dos Ministros no Órgão Gestor da PNEA, segue a conexão, que dá acesso ao Texto Base para a II CONAE – Conferência Nacional de Educação, que também pode ser acessado na página do MEC.

As Conferências Livres já iniciaram. Depois serão as Municipais, as Intermunicipais, as Estaduais e do DF e finalmente a Nacional, em 2014.

O foco está no Plano Nacional de Educaçãoem tramitação no Congresso Nacional e no Sistema Nacional de Educação, em construção, e nós, educadoras e educadores ambientais, certamente teremos muito a contribuir nesse sentido.

Uma boa leitura do documento pode auxiliar na compreensão mais aprofundada sobre a educação brasileira, seus dilemas e desafios, contribuindo para os diálogos que se iniciaram em 2005/6 sobre o Sistema Nacional de EA/SisNEA e para os que virão relacionados a Política Ambiental do MEC e outros no campo da EA e Resíduos Sólidos, por exemplo.

O documento-referência é constituído por VII Eixos que buscam orientar a formulação de políticas de estado para a educação nacional. A seguir, faço algumas considerações de ordem pessoal, para contribuir com os diálogos que certamente ocorrerão em todo país.

No eixo I, no campo da EA, uma sugestão é para dialogar-se sobre a pertinência da inclusão de um novo item, quando é explicitado que as políticas nacionais, concebidas e implementadas de forma articulada entre os sistemas de ensino, devem promover oito pontos e menciona o “desenvolvimento sustentável” articulado a educação do campo, quilombola e indígena.

O acumulo já existente no campo da EA permitiria uma leitura mais abrangente, enfatizando o papel da educação ambiental para a participação de todas e todos na conservação, recuperação e melhoria do meio ambiente e das condições existenciais e na construção de sociedades sustentáveis.

Nas proposições e estratégias do Eixo 1, a vigésima poderia incluir o termo ambiental, assim como a 27 poderia incluir os Fóruns de EA articulados pela REBEA.

Uma nova proposição e estratégia, no Eixo 1, pode estar relacionada a: Incentivar e apoiar os Conselhos Municipais de Educação a constituírem Com-Vidas, dentro e fora da Escola e Coletivos Educadores Socioambientalistas, municipais ou regionais, com Projetos Político Pedagógicos de EA para todo o território onde atuem. 

Na proposição 27 do Eixo II também caberia uma menção às redes de EA no Brasil.

No Eixo III, valeria substituir “desenvolvimento sustentável” por sustentabilidade socioambiental, ou outros conceitos assemelhados, que expressam uma visão ampliada do papel da EA, sempre que pertinente.

A proposição 7.4 do Eixo III poderia substituir o conceito de preservação pelo de conservação.

No Eixo IV, na educação superior, poderia incluir uma proposição sobre a obrigatoriedade de Programas Universitários de EA.

Nesse mesmo Eixo, quando formulam-se as proposições e estratégias para Avaliação, pode-se incluir indicadores socioambientais de avaliação institucional.

Vale agregar, onde couber, como diz Nilo Diniz, que “a educação é transformação antenada com desafios do nosso  tempo, que nos impõe pensar na radicalização da democracia, na 4a. Geração dos direitos, na qualidade de vida e no bem viver, na diversidade étnica, social e biológica, na harmonização rural-urbana, combate ao êxodo rural juvenil, e portanto na dimensão abrangente do ambiente, condição essencial rumo à sociedades JUSTAS e sustentáveis”.

Esses são apenas alguns exemplos, pois certamente, outras propostas voltadas ao fortalecimento da EA irão emergir em cada coletivo, grupo ou comunidade local e essa será a principal riqueza do processo participativo.

O importante é a atuação de educadoras e educadores ambientais junto aos sistemas de ensino, pautados pela compreensão que vem amadurecendo no campo da EA, sobre a importância de trabalhar-se de forma integrada a construção de Escolas Sustentáveis e de Municípios Educadores e Estruturas e Espaços Educadores que se somam à missão da Escola e das IES, envolvendo toda a comunidade na responsabilidade educadora, seja por meio dos Conselhos Municipais de Educação, seja por meio de Coletivos Educadores e Com-Vidas ou Círculos de Aprendizagem Participativa sobre Meio Ambiente e Qualidade de Vida, seja por outros ou por todos esses caminhos arquitetados de forma criativa e capilarizada.

Essa compreensão pode estar presente no documento a ser aprovado pela CONAE e isto pode fortalecer os compromissos da Educação com o campo Ambiental.

A compreensão também forte no campo da EA sobre, por exemplo, a importância da geração de emprego, trabalho e renda com sustentabilidade socioambiental e não apenas emprego e renda, ou sobre a importância de todos os trabalhadores e trabalhadoras da educação serem e atuarem como educadores ambientais, também nos colocará atentos para os conceitos a serem aprovados pela CONAE.

Boas Conferências!

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira