Arquivo da categoria: Gênero, Sexualidade, Diversidade sexual

Em que ocasiões se manifesta seu machismo?

Fico pensando que alguns artigos que leio são maravilhosos para os educadores.

Nós, professores, podemos – e devemos fazer mais do que fazemos – utilizar estes textos como base para aulas.

Fazer os alunos lerem e pensarem sobre eles.

Eu já tive o prazer de saber que alguns textos meus, daqui do blog, foram e são utilizados por professores de todos os níveis de ensino em suas salas de aula.

Hoje, trago uma pérola, para que possamos trabalhar questões de gênero e o machismo nosso do dia a dia.

Vale a pena imprimir e trabalhar com nossos alunos, talvez fazer um debate, uma roda de conversa ou qualquer dinâmica que possa trazer à tona nossos preconceitos e desconstruí-los.

“Quantas violências eu sofro só por ser mulher?”, pergunta a autora.

Em determinado momento, ela inverte as posições, para nos fazer pensar:

“Rio de Janeiro, 2013. Um casal é sequestrado em uma van. As sequestradoras colocaram um strap-on sujo, fedido de merda e mofo, e estupraram o rapaz. Todas elas, uma a uma, enfiavam aquela pica enorme no cu do moço, sem camisinha e sem lubrificante. A namorada, coitada, tentou fazer algo mas foi presa e levou chutes e socos.’”

E, ao final, uma pergunta:

“E você, leitor homem? Quando é abordado de forma hostil por um estranho na rua, pensa “por favor, não leve meu celular” ou “por favor, não me estupre”?”

Fiquem com o texto e pensem e usem e eduquem e mudem.

Como se sente uma mulher

Como se sente uma mulher
Por Claudia Regina

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira

Conhecendo nossos alunos: como a criança e o adolescente se desenvolvem

Como a criança e o adolescente se desenvolvem? Como é possível trabalhar bem com crianças ou adolescentes sem o conhecimento dessas etapas? Só a experiência prática basta? Como algo tão fundamental é tão pouco estudado pelos professores, entre outros educadores? Como a Psicologia, entre outros conhecimentos, pode nos ajudar nisso?

Quando falamos em crianças ou em adolescentes precisamos saber um pouco mais sobre o que define essas fases de desenvolvimento bio-psico-sociais humanos, se quisermos trabalhar bem na área de Humanas.

Mas, infelizmente, o que se estuda sobre isso é pouquíssimo e o que mais vemos e ouvimos nas escolas são “achismos” vindos do senso comum, muitos absolutamente fora da realidade, sem base nenhuma, embora o conhecimento a respeito já exista há décadas!

Na própria internet, se um educador – pai, mãe, avós, profissionais de educação, etc. – quiser saber mais sobre o assunto, inúmeros artigos, dissertações, teses, matérias jornalísticas e entrevistas são encontradas, algumas muito boas. Portanto, hoje em dia, o acesso a esse tipo de informação é rápido, fácil e, em geral, pode ser feito dentro de nossas próprias casas ou ambiente de trabalho.

Por isso, não ficarei aqui listando as diversas fases e etapas e sim mostrarei e questionarei um pouco das diversas reações que se tem, nas escolas e nas famílias, em relação a comportamentos de crianças e adolescentes que, na verdade, são absolutamente naturais nas fases que estão vivendo, embora muitos adultos reajam como se fossem absurdos. Acho que saber mais sobre isso pode ajudar a todos, especialmente aos professores. E, como professora, pedagoga, psicóloga, arteterapeuta e mãe (ufa!!!), posso ajudar.

É importante lembrar que as idades ligadas a cada fase são aproximadas, isto é, variam um pouco de acordo com os estímulos ou falta de estímulos recebidos. No caso dos alunos das escolas públicas de periferia, principalmente, muitos estímulos estão em falta e muitas atitudes prejudiciais são consideradas “normais” na educação familiar e escolar deles, o que vai levando a um atraso intelectual, emocional, social e, portanto, de compreensão do mundo. Muitas superstições, crenças baseadas em preconceitos, senso comum sendo tomado como “verdade” – tipo: “sempre fizeram assim comigo e deu certo, então faço o mesmo com meus filhos ou alunos” -, falta de vontade de aprender seja lá o que for que coloque em dúvida alguma dessas certezas, enfim… Atitudes defensivas, ignorância e preconceito atrapalham muito, o tempo todo, não só quando vem das famílias e dos alunos como, também, quando vem dos professores e demais educadores.

Por exemplo, a sexualidade humana existe desde sempre. A criança passa uma fase em que é absolutamente natural a curiosidade em relação ao próprio corpo e ao do colega do mesmo sexo e de sexo diferente. No entanto, em pleno terceiro milênio, muitos ainda se chocam quando sabem que a menina ou menino estavam mostrando seus corpos no banheiro, um pro outro, na hora do recreio, por exemplo. E, vejam bem, estou falando de crianças da mesma idade ou próxima, porque quando uma é muito mais velha do que a outra, aí já é preocupante e temos que ver se a maior não está se aproveitando, de alguma forma, da menor.

O que eu ouvi de gente muito religiosa, por exemplo, dizendo que a criança estava fazendo “coisas do Diabo”, “coisas feias”, enchendo a cabeça das crianças de culpas sem sentido, assustando essas crianças com essas reações, enfim… Perdi a conta de quantas vezes vi esse tipo de coisa acontecer! E, mesmo levando informação a respeito, as reações dos adultos dificilmente mudam, pois já possuem os próprios sentimentos de culpa arraigados dentro de si! É triste… E é uma tremenda bobagem, pois é até um momento de curiosidade relativamente curto, já que a libido da criança, sua energia, será vivida em outras esferas, naturalmente, nessas fases iniciais. Satisfeita a curiosidade, passa-se a outras brincadeiras e pronto! É só mais uma brincadeira pra eles. Não tem o peso que o adulto dá. Os adultos é que maliciam, equivocadamente, muita coisa.

E a sexualidade ainda é uma das coisas que mais assusta realmente. Na adolescência também. Nesse caso, porque os hormônios estão a mil e a sexualidade que era vivida mais na base da sublimação com brincadeiras, jogos e estudos nas fases anteriores (infância), aqui passa a querer ser vivida com o outro, o amigo(a), o “ficante”, o namorado(a). É uma explosão! Tesão correndo solto, corpos se modificando rapidamente e sentindo coisas antes desconhecidas, a vontade de desejar e ser desejado pelo outro, etc. E a isso se junta a vontade de ser aceito e querido, o que, muitas vezes, leva os meninos e, principalmente, as meninas, a fazerem péssimas escolhas em relação ao momento e a pessoa com quem começar essa “brincadeira” nova.

O adolescente quer ser aceito pelo grupo. Os pais e os adultos em geral é que são os estranhos para eles, nessa fase. Querem distância desses, pois acham sempre que não os entendem, os constrangem, etc. A adolescência é uma fase super complicada e contraditória: ao mesmo tempo que o adolescente não quer perder o carinho e os mimos da infância, não quer mais ser cobrado e tratado como criança, pois realmente não é mais! Só que também ainda não é adulto. Está em transição. É uma fase intermediária. E é por essas e outras que essa não é a melhor fase para engravidar e virar mãe ou pai antes da hora. A gravidez joga o adolescente de forma brusca pro mundo adulto, sem que ele tenha ainda a menor maturidade para isso, o que costuma trazer conseqüências nem sempre boas depois. Mas esse é um assunto pra muitos e muitos outros artigos…

Nesse artigo, só quero citar também a agressividade na adolescência e na infância. Quando criança, se a agressividade está exagerada, pode ser simplesmente um pedido de socorro. Se pro adulto muitas vezes é difícil verbalizar o que está sentindo, imaginem pra criança! Com a criança tudo passa muito pelo corpo e pela imaginação. Então, é observando a forma como ela brinca, com o que e com quem está brincando, que podemos muitas vezes ver que algo não vai bem. E a agressividade, nesse sentido, é sadia, pois serve mesmo como um pedido de ajuda, um alerta, ao qual não devemos ficar surdos!

Já com o adolescente, a agressividade, as horas a mais de sono, a rebeldia, o incômodo com toda figura de autoridade, tudo isso é natural. É assim mesmo. Ficar dizendo “Fulano foi meu aluno e não era assim; como ele está diferente”, de forma reprovadora, mostra ignorância, pois o adolescente está vivendo mil mudanças realmente e, se estivesse igualzinho à como era na infância, aí sim seria preocupante!

O adolescente questiona a autoridade, se rebela, percebe as pequenas e grandes hipocrisias dos adultos e, por essas e outras, quer mesmo é a companhia dos outros adolescentes e não dos adultos. Os adultos que lhes interessam são os seus ídolos, do esporte, das artes (da música, especialmente) e, muitas vezes, da comunidade (entre esses, infelizmente, muitas vezes traficantes e/ou milicianos…).

Aqueles adolescentes que sofrem bullying também ficam traumatizados (não só as crianças), sofrem muito, pois o que mais querem é ser queridos por seus colegas! Já os populares, ficam cheios de si e acabam, em geral, se arriscando demais em várias situações, pois estão “agradando”. Na verdade, tudo é uma grande experimentação da vida, do mundo, agora sem um adulto sempre por perto dizendo o que ele pode ou não fazer. Acabam abusando, por causa disso, muitas vezes.

Crianças e adolescentes precisam de limites sim. Pedem por isso agressivamente às vezes, por não saberem verbalizar ou simplesmente por não saberem que é isso que estão precisando, pois suas reações são muito emocionais. Adolescentes, em geral, são dramáticos e isso deve ser respeitado, pois sentem nessa intensidade realmente. Por isso, quando um adolescente fala em suicídio, por exemplo, isso deve ser levado muito a sério, pois é uma enorme besteira dizer que “quem avisa ou ameaça que vai fazer isso, não faz”. Muito pelo contrário!

Mas adolescentes e crianças precisam saber o porquê daqueles limites que lhes são impostos. O adolescente, então, mais ainda, pois criticará e questionará aquilo até que faça sentido, já que está na fase de questionar tudo no mundo, o que é uma qualidade e não um defeito!

Crescer não é fácil. Muitas vezes dói, fisicamente, emocionalmente e na vida social também. Ainda mais num mundo tão cheio de contrastes, injustiças, desarmonia e violência como o que nós, adultos, estamos entregando pra eles.

Citei aqui, rapidamente, apenas dois temas importantes – sexualidade e agressividade – em relação ao desenvolvimento de crianças e adolescentes, mas são temas tão importantes que, se fossem estudados com profundidade nas formações de educadores, fariam enorme diferença e evitariam muitos confrontos infantis e desnecessários que acontecem, quando, muitas vezes, os educadores se comportam de forma tão ou mais infantil ou adolescente que seus filhos ou alunos, muitas vezes porque também passaram aos trancos e barrancos pela própria infância e adolescência e, emocionalmente, ainda estão “presos” lá. Como, por exemplo, já vi professores homens querendo sair no tapa com alunos adolescentes dizendo: “o que ele está pensando que eu sou? Eu sou homem!”, sem perceber que estava parecendo mais adolescente do que o próprio que havia sido grosseiro ou debochado com ele…

Só para citar um exemplo da Psicologia, W. Reich, um grande médico psiquiatra já falecido, criador das primeiras psicoterapias corporais, dizia algo muito interessante sobre o quanto a sexualidade esfuziante dos adolescentes deixam tantos adultos incomodados. Ele dizia que isso acontecia por estes estarem vivendo mal a própria sexualidade há muito tempo e vê-la florescendo de forma tão escancarada nos adolescentes era quase insuportável para estes adultos…

Enfim…

Esse artigo foi só pra mostrar um pouquinho do quanto é importante conhecer como funcionam as fases de desenvolvimento da criança e do adolescente para poder saber com quem se está trabalhando, como abordá-los, como reagir a eles em diferentes situações, etc. Quantos mal-entendidos e quanto estresse seria poupado assim… Será que um dia ainda chegaremos lá??? Disso não desisti não! Se quiserem me perguntar qualquer coisa sobre o que pode ser considerado natural ou não nessas etapas da vida, contem comigo! Óbvio que sempre terei muito mais a aprender sobre esse assunto fascinante, mas já sei bastante pra ajudar. J

Abraços…

 

Regina Milone
Pedagogia, Arteterapeuta, Psicóloga

Rio, 20/11/2012

= = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = =

No Diário do Professor você encontra artigos e links sobre o dia-a-dia da Educação:

Planos de aula, Atividades, Práticas, Projetos, Livros, Cursos, Maquetes, Meio Ambiente… e muito mais!

Compartilhe!

Até gravidez na adolescência?? Tudo é culpa da escola?!

Não, eu não estou paranoico. Para a sociedade, TUDO de ruim é culpa da escola.

O deputado do Rio de Janeiro Jean Wyllys acabou de escrever um artigo maravilhoso em resposta a um bosta da bosta da revista veja.

Mas, ele, assim como toda a sociedade, ao mesmo tempo ajuda a culpabilizar a escola – educação formal – por um problema que é social.

Veja suas afirmações, que retirei de seu twitter:

Jean Wyllys @jeanwyllys_real

Brasil conta com 320 mil casos de gravidez precoce/ANO e muitos legisladores e gestores se recusam a implementar Educação sexual nas escolas

1. Gente, não há dúvida de que as famílias têm papel importante na educação informal das crianças e jovens. Mas me refiro à EDUCAÇÃO FORMAL

2. Se meninas estão engravidando, há falhas na educação informal, mas sobretudo na formal. Se as famílias têm tabus, a escola não pode ter!

3. E uma educação formal para as sexualidades não precisa excluir a participação das famílias, muito pelo contrário! Todos sairão ganhando!

4. Não deixem que seus preconceitos e moralismos se coloquem contra um educação de qualidade que minimize os números da gravidez precoce!

BALELA!

As meninas estão engravidando porque não têm perspectiva de vida, de futuro. Na maioria das vezes elas QUEREM ter filhos, é uma questão de status social, viram mães, casam, moram sozinhas, longe da família.

Vejam este artigo, que eu recortei do jornal e colei em uma folha e, sim, trabalhei com alunos em sala:

Não foi por falta de informação

Elas SABEM o que devem fazer mas não fazem. Sempre foi assim. Meninas engravidam desde os primórdios. Antes, escondiam, casavam rapidamente, hoje não.

Veja outro estudo: “A gravidez na adolescência, como atestam pesquisas sobre o tema, está relacionada à obtenção do status adult0 (…)“.

Não, não estou louco nem paranoico.

E, deputado, a educação sexual é, SIM, muitas vezes feita na escola, especialmente pelos professores de Ciências, como é o meu caso.

Eu falo com eles abertamente. Não há tabu. Falo abertamente com elas e elas engravidam. Já escrevi, inclusive, sobre isso. Leia meu relato de desespero:

Educação como projeto profissional: frustração, alegria, raiva, superação, insatisfação…

Uma professora lá da escola fez, inclusive, um vídeo com elas sobre o tema, no qual eu participei como entrevistado:

Vídeo sobre sexualidade produzido na escola.

As alunas que o fizeram? Algumas já têm filhos. Irônico, não?

Por outro lado, há diversos e diversos projetos que não são das escolas, mas que trabalham este tema nas escolas. É só fazer uma pequena pesquisa no deusgooglequetudosabe e milhares aparecem:

Projetos de Educação Sexual.

Mas eu falo de minha experiência e de outros professores e escolas que conheço. Essa experiência é significativa, na medida em que, mesmo assim, ELAS ENGRAVIDAM AOS MONTES!!!!!!!

Então, não há uma relação tão direta e linear como o deputado aponta, sobre a “falha” da escola e os índices de gravidez na adolescência.

Sabem por quê?

Porque a escola sozinha não tem este alcance, pois não tem como competir com a sexualidade na televisão, na música, no funk, nos filmes, nas novelas, na internet, nos programas imbecis de auditório que eles adoram, dentro de casa, no carnaval, nos desfiles de carnaval, nos bailes de carnaval, nas praias…

A sexualidade é propagandeada em todos os lugares, inclusive – e de forma ostensiva, nobre deputado, nas passeatas LGBT.

É só vermos televisão, folhearmos jornais e revistas que percebemos isso.

“Se meninas estão engravidando”, deputado, é porque esta sociedade está doente, incentiva e estimula a sexualidade precoce em todos os  lugares! Talvez o único lugar em que esta sexualidade NÃO SEJA estimulada, seja justamente na escola…

Ora, a sociedade COMO UM TODO tem que tomar as rédeas de suas responsabilidades e parar de achar que a “falha” está dentro da escola!

Cansa, nobre deputado, cansa muito a gente se matar todo dia na escola fazendo nosso trabalho, e a sociedade doente e cega de seus defeitos ficar apontando o dedo como se a escola assim não o fizesse.

Aliás, como se a escola não fizesse parte da sociedade e vice-versa.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Profesosr de Ciêncais que, SIM, trabalha questões de sexualidade na escola

Cotas pra quê?!? Não há preconceito no Brasil…

Fui a uma clínica oftalmológica esses dias.

Cheguei ao balcão de atendimento, estavam lá duas mocinhas simpáticas, brancas, cabelos aloirados – seja natural, seja por artifícios. Acho que por artifícios, mas não importa.

As doutoras passaram por mim, todas novas, brancas e loiras. Inclusive a que me atendeu, muito simpática.

A mocinha da limpeza também passou por mim, com seu uniforme, sua vassoura e carrinho de limpeza. Negra.

Venho há muitos anos reparando isso. Convido você, leitor ou leitora classe média, a fazer o mesmo.

Meu círculo de amizade é 99% de brancos, não porque eu tenha algum problema, diga-se de passagem, mas é.

Nos lugares que frequento – bares, restaurantes, cinemas, aeroportos, clínicas – somos todos brancos. Sempre que estou num desses lugares comento comigo mesmo, ou às vezes com minha esposa: “somos todos brancos”. Olhamos em volta e constatamos.

Quando há negros, estão na função de limpeza. No máximo, atrás de um balcão, mas isso é mais raro.

Na escola que dou aulas, porém, em uma área das mais pobres de Niterói, são 80% negros. Os professores? Brancos, com uma ou duas exceções em 13 anos de magistério. As da limpeza? Negras.

Nós não paramos pra pensar nessas coisas e achamos que porque o Brasil não tem uma separação tão radical como em outros países – que podem ter, por exemplo, bairros “de negros” – aqui não há racismo.

Pior, acham que as oportunidades são iguais para todos e que basta ter “força de vontade” e qualquer um conseguirá.

Mentira. Não é uma lógica absoluta nem uma relação tão direta. Há inúmeros fatores dentro deste contexto, que são absolutamente diferentes de quando se trata de um branco ou de um PRETO.

Vê? Tenho certeza de que a palavra “preto” lhe causou, agora, um certo desconforto.

Uma amiga, branca, um dia me contou uma história verídica. Ela foi a uma loja em busca de um emprego de vendedora. O dono da loja falou pra ela:

“Que bom que você veio, porque as duas candidatas anteriores eram negras e eu não vou contratá-las”.

“Mas você é assim, tão racista??” – perguntou minha amiga, já indignada.

“Não, não sou, nem um pouco. Tá vendo aquela negra ali? – apontou para uma moça do outro lado da loja – É a minha esposa. Mas se eu contrato uma negra como vendedora eu não vendo mais nada. Nem entram na loja. Já tive esta experiência.”

Mas isso tudo está tão entranhado em nós que nem percebemos. Crescemos tão submersos ao desmérito conta-gotas da população negra, que isso entra em nossas cabeças como uma propaganda subliminar.

Pare pra pensar.

Dos quatro Trapalhões – programa que embalou o riso de gerações, inclusive a minha – o bêbado, o alcoólatra, o vagabundo, que só pensava em “mé”, era o negro.

Mussum

A única personagem negra do programa Zorra Total, da rede globo de televisão – não assistam, porque não faz bem -, é feita por um homem caracterizado estereotipicamente – com nariz extremamente alargado, sem dentes, um figurino patético – como uma negra pobre, que não sabe falar direito, pedinte em um bonde repleto de brancas, loiras, de shortinhos minúsculos.

zorra total

Há cerca de 20 anos escrevi uma poesia, dentro de um shopping em Manaus, depois de, mais uma vez, olhar em volta:

NEGRO BÃO

Negro
Eu quero negro
Negritude
Negro “bão”
Não agüento mais ver tanto
Branco que nem sabão
Não quero negro faxineiro
Nem só negro lixeiro
Mas também quero ver branco
Servindo lavando passando
E finalmente ver os negros
Pelos shoppings passeando

Convido-os, mais uma vez, a olhar em volta. Olhe em volta quando for a um restaurante, quando for a um cinema, a um shopping, a um médico, dentista. Ande pelos bairros mais nobres de sua cidade. Perceba na televisão, nos outdoors.

Se há negros em alguma posição de destaque, muitas vezes é por força de políticas afirmativas.

É possível “chegar” porque o Joaquim Barbosa chegou? Porque o Pelé chegou? Porque o Obama chegou?

Sim, claro.

Mas também é possível chegar à lua, porque alguém chegou. É possível ganhar na loteira, porque alguém ganhou. É possível ganhar o Nobel, porque alguém ganhou. É possível chegar ao topo do Everest, porque alguém chegou. É possível equilibrar 17 colheres na cara, estourar um balão com as costas dobradas, pendurar 12 quilos na língua, enfiar mais de 2.000 agulhas na cara, porque alguém já fez isso!

É possível até mesmo chegar a presidente da república sem ter estudo nem gostar de ler, não é mesmo?

Ora, não estamos falando de “possível” nem de “capacidade”. É claro que é possível, é claro que todos têm capacidades.

Mas estamos falando de igualdade, de fazer uma sociedade mais justa! E para isso, caros amigos, não “basta” melhorar a escola pública. Não “basta” oferecer oportunidades iguais. Isso é discurso de quem não quer ver. Convido-o: olhe em volta!

A sociedade é desigual e nós pensamos desigualmente.

Não há nem haverá oportunidades iguais nem que as escolas públicas passem a ser iguais às do Japão, pois que as condições de moradia não são iguais, os bairros não são iguais, a violência em que estamos imersos não é igual, as famílias não são iguais, o tratamento do poder público não é igual, a saúde não é igual, a infância não é igual, os estímulos desde que nascemos não são iguais, a sociedade não nos vê igual, os meios de comunicação não nos tratam igual, a polícia não trata igual, o comércio não trata igual.

Nada é igual, então somente a escola não fará mágica, mesmo se for igual.

É necessário, sim, políticas afirmativas, mesmo que seja em forma de cotas, como vem ocorrendo, para que, quem sabe daqui a mais 20 anos, minha poesia saia do papel e estas políticas não sejam mais necessárias.

Veja meus outros artigos sobre cotas.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Branco. Somos todos brancos.

Existe sedução mal intencionada entre professores e alunos?

Existe sedução mal intencionada entre professores e alunos?

– Um assunto pouco debatido e quase sempre negado entre os professores são os casos de sedução entre alunos e professores. Os professores, que são os adultos da história, tem que saber separar as coisas, mostrar pros alunos (as) que esse tipo de relacionamento não pode acontecer entre eles, mas, no entanto, sei de tantas histórias de professores que acabaram tendo casos com seus alunos (as)…

Sou do tipo que bota o dedo na ferida mesmo. Por isso, não vou ficar só elogiando os professores aqui. Sou professora também e, por isso mesmo, não vou me deixar levar por um tipo de corporativismo que abafa e tenta esconder, a todo custo, os erros dos professores.

Uma das situações mais chocantes que vivi e que afetou profundamente toda a equipe pedagógica de uma escola onde trabalhei, foi justamente quando nos deparamos com o agressivo corporativismo dos professores diante de questão de pedofilia que estava acontecendo na escola, há mais de um ano, em que um dos professores estava abusando das alunas, bolinando-as, dando indiretas, deslizando “mãos bobas” em seus corpos, olhando por baixo de suas saias, etc.

Ouvimos inúmeras vezes todos os lados da história, sozinhos e em grupo, escutamos todos os envolvidos, descobrimos que este professor já havia sido afastado de outras escolas pelo mesmo problema – inclusive estava jurado de morte pelo pai de uma ex-aluna de outra escola – e, por isso, chegou o momento em que o assunto precisou ser tratado em reunião com todos os professores da escola, já que os pais das crianças e adolescentes molestadas já estavam fazendo queixas a respeito na Secretaria de Educação. As reações foram de raiva contra essas meninas “safadas”, que de “menininhas” não têm nada e que só estavam querendo denegrir a imagem do professor. Queriam que déssemos os nomes das meninas – o que obviamente não fizemos, por uma questão de ética profissional -, para “se entenderem com elas”. Meninas pré-adolescentes, que estavam assustadas e nos haviam procurado aos prantos, várias vezes, pedindo ajuda, foram tratadas ali como se elas é que tivessem provocado algo – o mesmo tipo de acusação que se faz à muitas mulheres que foram estupradas -, por pura questão de “solidariedade à classe dos professores”, não importando se eles fossem bandidos ou não!

Tivemos que conviver ainda por meses com aquele indivíduo e com a rejeição dos outros professores que, em momento algum, quiseram ouvir o lado das alunas e nem confiaram minimamente no nosso trabalho. E já tínhamos tentado mil coisas, conversas com o professor, com as alunas, com as famílias das alunas, com o professor junto da turma inteira (por sugestão dele; e reafirmaram, na frente dele, que era tudo verdade!), etc.

No final das contas, após várias idas de pessoas da Secretaria de Educação à escola, o professor acabou transferido para outra escola, isto é, a solução foi “solução nenhuma”, já que ele continuaria fazendo o mesmo em outro lugar! E, além de pedófilo, era um tipo de profissional pedagogicamente muito fraco, pois suas aulas não passavam de cópias – enchia o quadro de matérias, ia se sentar e deixava os alunos copiando o resto do tempo -, depois dava as respostas nas provas (por isso as notas eram sempre ótimas) e ainda dizia que esses alunos nunca iam ser nada na vida mesmo e que a sociedade sempre iria precisar de empregadas domésticas, pedreiros, etc., que era o que eles iriam ser. Enfim, o indivíduo era da pior espécie e continua por aí, dando aulas. E nós não podíamos denunciá-lo para a polícia sem o depoimento das meninas e de seus pais, mas todos ficaram com medo e teve quem preferisse tirar a filha da escola.

Esse fato e todo o seu desenrolar foram uma ducha de água fria no idealismo que eu ainda tinha na época. Nós, da equipe pedagógica, soubemos, na ocasião, que até professor que ficava se masturbando dentro de sala de aula, escondido atrás da mesa, existia naquele rede de ensino, mas também nada aconteceu com ele.

É um assunto incômodo? É.

É difícil lidar com isso e admitir que alguns colegas tem esse comportamento? Sim.

Nossa tendência é achar que trata-se de alguma mentira, perseguição política ou coisa do tipo, justamente porque não podemos conceber que um colega faça isso? Infelizmente, sim.

Mas, nessas horas, o corporativismo só atrapalha, porque não devemos tapar o sol com a peneira! No Ensino Fundamental estamos lidando com menores de idade, crianças e adolescentes, e, por isso, temos que ter muito cuidado com essas questões.  Existem inúmeros depoimentos, na própria internet, de alunas apaixonadas por professores e vice-versa. Até porque os pré-adolescentes e os adolescentes idealizam muito alguns professores, acham que estão apaixonados, muitas vezes, e isso pode levá-los a confundir algumas coisas sim (como alguns professores confundem também) . Mas não sempre! Infelizmente, repito, os casos de abuso e de pedofilia existem também sim e, por isso, temos que ter calma suficiente para analisar cada caso e ver o que está realmente acontecendo.

Não é fácil não. Mas é muito importante, na minha opinião.

E vocês? O que acham disso?

Um abraço,

Regina Milone
Pedagoga, Arteterapeuta e Psicóloga

Rio, 12/10/2012

= = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = =

No Diário do Professor você encontra artigos e links sobre o dia-a-dia da Educação:

Planos de aula, Atividades, Práticas, Projetos, Livros, Cursos, Maquetes, Meio Ambiente… e muito mais!

Compartilhe!

Obra de Monteiro Lobato “Caçadas de Pedrinho” e racismo

Obra de Monteiro Lobato “Caçadas de Pedrinho” e racismo.

Livro 'Caçadas de Pedrinho', de Monteiro Lobato, distribuído a escolas públicas no programa Biblioteca na Escola

Termina sem acordo audiência de conciliação no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre se há elementos racistas no livro “Caçadas de Pedrinho”, de Monteiro Lobato.

As partes envolvidas no caso em questão são o Ministério da Educação (que distribui os livros para a rede de ensino) e o Instituto de Advocacia Racial e Ambiental (Iara), que questionou o uso do livro em razão de “elementos racistas“.

O livro “Caçadas de Pedrinho” foi publicado em 1933 e faz parte do Programa Nacional Biblioteca na Escola (PNBE), do Ministério da Educação.

Em um trecho do livro a personagem Emília, do Sítio do Pica-Pau Amarelo, diz: “É guerra e das boas. Não vai escapar ninguém – nem Tia Nastácia, que tem carne preta”. Em outra parte, Emília chama a empregada de “macaca”.

Tenho algumas considerações a fazer, mas, antes, leiam os trechos abaixo, pinçados do artigo do G1 (grifos meus):

O representante e advogado do Instituto de Advocacia Racial e Ambiental (Iara) Humberto Adami, que questionou a obra de Lobato no Supremo, afirmou não ser contra o livro, mas pediu que seja emitida uma nota técnica por parte do ministério com orientações aos professores da rede pública.

“Não quer dizer que sejam tiradas [as obras das escolas], é ter alguém dizendo é errado fazer isso, não pode fazer isso com colega, isso vai ferir outra pessoa. É o que se pretende”, informou Adami antes da audiência.

“Você não pode jogar assuntos desse naipe e não ter nenhum tipo de instrução, de orientação, de informação e de ferramenta para que os educadores possam lidar com esse tema”, completou. Ele disse ainda não considerar que o questionamento à obra seja uma “censura”. “Não [é censura] porque você vai dar ferramentas para esse tema ser debatido.”

Minhas considerações:

1 – Mais uma vez, comme d’habitude, os professores(as) são vistos como incapazes, péssimos profissionais, sem capacidade mínima para desenvolver o trabalho que desenvolvem e discernir sobre o certo e o errado.

Ou seja, o advogado do Iara acha que os professores(as) são completos imbecis que não sabem lidar com um livro histórico (sim, com elementos racistas) e, para tanto, têm que receber mais uma “norma técnica” dizendo que o racismo é errado!

Ora, quer dizer que os professores(as) não são capazes de trabalhar estas questões? Não têm formação adequada pra isso? Não têm experiência suficiente, enfurnados nas escolas, sobre esta questão?

Sinceramente, senhor advogado, o senhor está nos chamando de quê?

2 – É mais do que óbvio que este livro é historicamente escrito. Tem elementos racistas? Sim, talvez, não. Não importa, pois, neste caso, é um livro “do seu tempo”.

Tem, sim, que ser trabalhado nas escolas como um livro “do seu tempo”.

Mais um pouco não se poderá ler nada escrito por Hitler (nem trabalhar historicamente na escola) por haver elementos anti-semitas.

3 – As falas exemplificadas saem da boa da Emília, uma boneca de pano que, quem conhece, sabe muito bem ser arteira, mal-criada, faladeira… Ela é conhecida por volta e meia “abrir sua torneirinha de asneiras“.

Ou seja, fala besteiras, como falou em relação à negra Anastásia; besteiras as quais não deveria ter dito.

É assim que ela deve ser encarada pelas crianças e trabalhado pelos professores(as).

4 – Proibir-se de se ter nas escolas não faz sumir do mapa nem o livro nem a história do livro. Ou vamos queimá-los todos?

E vocês, o que acham? Qual a opinião de vocês a respeito?

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Anti-racista que , em sua infância, leu e assistiu muito o Sítio do Pica-Pau Amarelo

= = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = =

No Diário do Professor você encontra artigos e links sobre o dia-a-dia da Educação:

Planos de aula, Atividades, Práticas, Projetos, Livros, Cursos, Maquetes, Meio Ambiente… e muito mais!

Compartilhe!

Cotas em universidades públicas e… o preconceito!

Cotas em universidades públicas brasileiras e… o preconceito!

Ah, sim, acham que não é questão de preconceito? Então vejam esta foto:

Tenho alunos muito inteligentes, mas que não conseguem chegar a nem um décimo do que poderiam, devido aos diversos problemas que enfrentamos na escola pública.

Dentre eles, a dificuldade que temos em oferecer a estes um ensino mais avançado, pois que, se a escola é para “todos” – por força da Lei –, muitas vezes não conseguimos alcançar todos os alunos.

Devemos nos lembrar, porém, que dentre os pobres, os negros são os mais pobres.

Que dentre os mortos por violência, os jovens negros são os mais mortos.

Dentre os alunos das escolas públicas, os mais pobres e mais negros são os que têm maiores dificuldades e – inconscientemente por parte dos professores – provavelmente são os que menos têm ajuda e menos são cobrados, por acharem-se com menos “potencial” ou mesmo por desistência inconsciente.

Sim, isso é real.

Ah, sim, você acha, então, que as cotas deixam passar pelo “filtro” os menos aptos, os menos inteligentes, os que menos se esforçarão e aprenderão?

Então, falem isso baseado em pesquisas, em números, pois que estes afirmam ao contrário:

Desempenho de cotistas dica acima da média.

“Putz, que desculpas uso agora?”.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
A favor

= = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = =

No Diário do Professor você encontra artigos e links sobre o dia-a-dia da Educação:

Planos de aula, Atividades, Práticas, Projetos, Livros, Cursos, Maquetes, Meio Ambiente… e muito mais!

Compartilhe!

Cotas em universidades públicas e… solução para educação!

Cotas em universidades públicas e… solução para educação!

Não, para mim as cotas não são, de fato, a melhor medida.

Mas são extremamente necessárias, hoje, na busca de uma sociedade mais justa, igualitária, sem preconceitos, melhor para todos.

As cotas são apenas uma maneira mais rápida de reparar as dificuldades e injustiças centenárias.

É claro, óh, justiceiros sociais, que a melhor medida seria uma sociedade igualitária, onde todos tivessem as mesmas oportunidades, onde as escolas fossem boas mas, também, onde TODOS tivessem , para além da escola, moradia decente, família, saúde, alimentação, transporte, segurança

Meus alunos, em sua maioria negros e pobres, não têm nada disso!

Alguém acha possível em curto prazo?

Não, claro que não.

E enquanto não, ficaremos esperando, “lutando por tudo isso”, enquanto os negros – e pobres – continuam sendo os pedreiros, faxineiros, catadores, camelôs, seguranças, limpadores de esgoto???

Nada contra quaisquer destas profissões, nada contra trabalhadores honestos cumprindo seu papel social em cada uma delas.

Mas, apenas se for a escolha de cada um ou se, no seio de uma sociedade realmente igualitária e de oportunidades iguais, estes tenham sido o que, de fato, menos se “esforçaram” para conseguir algo diferente.

Mas não, não é o caso hoje.

Então, as cotas são uma questão de ir ajeitando as coisas por todos os ângulos, uma questão de começar de alguma forma.

Diga-se de passagem, com prazo de validade.

E espero que o mais rápido possível, por simples desnecessidade futura.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
A favor

= = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = =

No Diário do Professor você encontra artigos e links sobre o dia-a-dia da Educação:

Planos de aula, Atividades, Práticas, Projetos, Livros, Cursos, Maquetes, Meio Ambiente… e muito mais!

Compartilhe!

Aluno branco da rede privada tem nota 21% do que aluno negro de escola pública. Alguma novidade?

Aluno branco de escola privada tem nota 21% maior que negro da rede pública.

Alguma novidade em relação a isso?

Já escrevi diversas vezes sobre a maldade social que fazemos ao oferecer aos que menos precisam uma escola melhor do que para aqueles que mais precisam.

Vejam, por exemplo, estes artigos:

O que é uma boa escola?

Manter a criança na escola, mas qual escola?

Carta aberta à futura secretária

Escola, professores, alunos, educação…

Sim, a escola pública tem que melhorar. Mas a questão central não é essa.

O aluno branco da escola privada tem à sua disposição todas as facilidades e direitos sociais, culturais, ambientais etc.

O aluno negro de escola pública não tem nada a mais do que a escola pública, que não está preparada para atendê-lo em suas necessidades.

Um pequeno e mísero exemplo: quando um aluno branco de escola privada tem dificuldade na escola, vai pra explicadora (no meu tempo, “professora particular”).

Outros: ele mora em um bairro onde a violência não impera nem é a lei, ele vai para uma casa onde tem seu quarto, seu canto de estudo, suas coisas. Tem acesso à tv de [mínima] qualidade (por assinatura), tem acesso a bens culturais como cinema, shows (sim, isso faz diferença), viaja e tem acesso a outras culturas, tem acesso a cursos de línguas, esportes e outros…

Sim, isso faz TODA a diferença quando se vai fazer algum trabalho na escola.

Não basta achar que somente a escola será capaz de mudar isso, se não mudarmos a grande desigualdade social entre os brancos de escola privada e os negros de escola pública.

E também não adianta achar que a escola que se oferece hoje aos alunos pobres e negros será capaz de suprir, minimamente, as carências que ele tem.

Precisa-se de uma escola TOTALMENTE diferente, de horário integral, onde os professores sejam muito bem pagos, não se falta material, onde as coisas funcionem, onde as salas de aula não sejam lotadas como um presídio, onde tenha espaço decente para brincar, fazer esportes, artes, cultura…

Ou seja, TOTALMENTE diferente do que temos.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Não tenho culpa

= = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = =

No Diário do Professor você encontra artigos e links sobre o dia-a-dia da Educação:

Planos de aula, Atividades, Práticas, Projetos, Livros, Cursos, Maquetes, Meio Ambiente… e muito mais!

Compartilhe!

Gênero e Diversidade na escola – cursos gratuitos e oficinas nas escolas

Gênero e Diversidade na escola – cursos gratuitos e oficinas nas escolas

A Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ tem um núcleo de pesquisa e extensão denominado Gênero e Diversidade na Escola.

O Projeto Diversidade Sexual na Escola é realizado em parceria com a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão do Ministério da Educação.

Diversas atividades estão sendo oferecidas neste ano de 2012, dentre elas cursos gratuitos e oficinas nas escolas.

Estão sendo oferecidos dois cursos gratuitos:

  • 1 – Diversidade Sexual e de Gênero na Escola, aberto a qualquer profissional de educação. É inteiramente gratuito e dirigido para todos/as profissionais que atuem na rede pública de educação básica.
  • 2- Diversidade na Escola, que agrega dois módulos adicionais “Juventudes” e “Diversidade étnico-racial”, desenvolvido em parceria com a Prefeitura do Rio, através do programa Rio Escola Sem Preconceito e voltado prioritariamente para profissionais da rede municipal do Rio de Janeiro.

Eles também têm um Grupo de Estudo, aberto a qualquer interessado, com objetivo de produzir debates utilizando produções acadêmicas que agreguem diferentes áreas de conhecimento, agregando pesquisadores/as, estudantes de graduação e pós-graduação, profissionais de educação e saúde e outros/as interessados/as no tema.

Basta chegar no dia e horário marcados com disposição para discutir e produzir trocas. O grupo se reúne na segunda quarta-feira de cada mês, das 13h às 17h, a partir de 11 de abril.

Por fim, também são oferecidas Oficinas em escolas.

São oficinas de curta duração para profissionais de educação em instituições públicas de ensino do Rio de Janeiro, discutindo diversidade sexual e de gênero na escola. A oficina é direcionada a todos/as os/as profissionais da escola, com 4 horas de duração, realizada pela equipe do Projeto.

Para mais informações, acessem o site do Grupo Diversidade Sexual na Escola.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Pelo fim da discriminação

= = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = =

No Diário do Professor você encontra artigos e links sobre o dia-a-dia da Educação:

Planos de aula, Atividades, Práticas, Projetos, Livros, Cursos, Maquetes, Meio Ambiente… e muito mais!

Compartilhe!