Arquivo da categoria: Brasil – país dos absurdos

Corrupção do pt, Justiça e Inocentes úteis

Eu não sou petista, não mesmo. Gosto de alguns políticos aqui, outros dali, de partidos diversos, inclusive do pt, mas também de outros.

Mas sou crítico a todos também.

Por exemplo, aqui mesmo no mio virtual, no facebook, tenho vários amigos do pt e critico sempre o prefeito de Niterói, que é deste partido, mas, para mim, parece ser do pmdb – e isso não é um elogio, considerando-se o pmdb do Rio de Janeiro e a “amizade” que o prefeito mantém com os bandidos políticos deste partido.

Então, certa vez, criticando veementemente uma ação desta prefeitura, acho que na página do vice prefeito ou de um vereador da posição – como disse, tenho vários amigos petistas… – recebi uma resposta “padrão”, daquelas que a cegueira ideológica e governista faz as pessoas  fazerem. E esta cegueira governista acomete a todos os lados, não se enganem.

Voltando. Eu estava falando a reforma milionária feita na rua mais urbanizada e cara de Niterói, a Moreira César. Nesta rua, a mais cara e elitizada de Icaraí, no bairro mais caro e elitizado da cidade, só moram as pessoas com mais grana da cidade. E a rua JÁ É, como eu disse e repito pela terceira vez, a mais urbanizada e elitizada da cidade.

Mas a prefeitura – do pt, vejam que “ironia” – está fazendo uma “reurbanização” milionária nesta rua!

E, quando eu critiquei (no Facebook), dizendo que há bairros na cidade que mereciam uma urbanização – e não uma “reurbanização”, pois nunca tiveram nada – não têm asfalto, nem calçadas, nem nada – disseram o asseclas e o povo com cegueira governista: “um de cada vez”, “tem que começar com algum lugar”, “eles vão fazer ali, depois vão para os outros bairros”, blábláblá.

BULSHIT!

É sempre o mesmo discurso!

São mais de 500 anos trabalhando só a favor das elites e contra o povo! NUNCA vão chegar naqueles bairros. Se não forem AGORA, efetivamente, para aqueles bairros, nunca vão chegar lá!

NÃO EXISTE “um de cada vez” ou “aqui primeiro, depois lá”, se não se começar de baixo!

Primeiro, é para quem precisa, para as urgências, para quem não tem nada, para quem nunca recebeu nada.

Outro caso: combate à corrupção ou combate ao pt?

Então, neste caso do “combate à corrupção” envolvendo o pt (agora minha crítica se volta aos outros partidos), a justiça, a polícia brasileira e uma boa parte da população que podemos denominar pejorativamente de “coxinhas” parecem que só vêem corrupção no pt e nos petistas.

Os outros, de outros partidos (especialmente os de direita e oposição, como psdb, pmdb, pp, dem) dançam em cima da constituição, cagam em quaisquer princípios, roubam a olhos vistos e NADA acontece.

Eu poderia dar aqui dezenas de exemplos, mas acho que vocês já os conhecem.

Então, da mesma forma que o exemplo lá de cima, é muita inocência achar que vão “chegar em todo mundo” só porque estão correndo atrás dos petistas.

NÃO VÃO chegar aos outros SÓ porque estão indo contra um determinado partido. Estão indo contra os petistas porque é um jogo político SUJO. Há muitos interesses sujos neste meio.

Não fazem isso porque estão indo “contra a corrupção”, mas estão indo a favor de interesses deles. Se assim não o fosse, já teriam ido atrás de “todos”. Não precisariam “começar” pelo pt, pois não foi o pt que “começou”.

Ficar feliz porque “pelo menos estão processando e prendendo alguns, mesmo que de um só partido” é uma imensa idiotice, uma imensa burrice, uma imensa falta de honestidade.

E por quê? Ora, basta pensar um pouco: se, na verdade, é um jogo e perseguição políticas contra o partido que hoje está no poder, o que vai acontecer quando (e se) este partido, o único perseguido, sair do poder?

Isso, isso: a corrupção vai continuar correndo solta!

E não é isso o que queremos, certo? O que queremos é que a corrupção seja perseguida em TODOS os níveis, TODOS os partidos, em TODAS as datas, em TODAS as instituições.

E isso NÃO VAI acontecer só por conta da perseguição a um único partido.

Ou não é o que você quer? O que você quer é só ver políticos “do pt” presos?

Se é este o seu caso, você merece o país que temos, você é igual a ele.

Se não é este o seu caso, não seja um inocente útil, batendo panelinha e palminha nas janelas SÓ quando algo acontece a UM único partido.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
contra a corrupção per si

Cotas raciais: se você é contra, você É RACISTA!

Cotas raciais: se você é contra, você É RACISTA!

Hoje volto ao tema para comprovar a minha tese acima.

Eu escrevi aqui há pouco tempo um artigo intitulado Dia da Consciência Negra, cotas e afins: se você é contra, você é racista!

Parece uma afirmativa por demais contundente, mas eu ofereço ali elementos e argumentos que, ao meu ver, são convincentes para justificar a necessidade destas políticas.

Como eu tento comprovar no referido artigo, considerando a posição e situação social que os negros ocupam hoje, depois de tantas décadas da abolição da escravatura, das duas, uma:  ou você acha que os negros são vagabundos e preguiçosos (então, você é racista), ou você acha que eles foram e ainda são vítimas de uma sociedade que não os dá oportunidades.

Se você pensa da segunda forma, você é a favor das cotas e ações afirmativas. E isso (ser a favor) não excluiu possíveis críticas aos processos ou opiniões de como eles poderiam ser reformulados. Muito pelo contrário, isso faz parte da melhoria deles. Somente deve achar, como eu, que não se pode prescindir deles, por enquanto, na construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

Mas, eu volto a este tema para contar um episódio.

Eu sempre digo a mim mesmo que vou parar de discutir estes temas no Facebook… mas não consigo! De vez em quando, entro em discussões com determinadas pessoas que inicialmente não assumem seu preconceito, mas deixam isso implícito em suas palavras de ódio – ou até mesmo o explicitam.

E é batata: se a pessoa é contra as cotas – mesmo que negue a si mesmo – é preconceituosa e racista.

Então, vi um compartilhamento que alguém fez com uma imagem contra as cotas.

Cotas

Então, escrevi o que penso, de que quem é contra é racista, colocando o link do artigo supracitado, para que a pessoa pudesse ler minhas argumentações. Então, ele argumentou sobre os nordestinos, por que os nordestinos não tinham os mesmos direitos às cotas?

Logicamente, ele não leu meu artigo.

Educação

Então eu, pacientemente, contra-argumentei, afirmando que, por mais dificuldades que tenham e preconceitos que sofram, os nordestinos não sofrem o que os negros sofrem e que, entre os pobres, os negros são os mais pobres. Ainda fiz uma “implicância”, citando o fato de os nordestinos serem identificados como os “porteiros” dos prédios no Rio e em São Paulo. Os negros, como lixeiros.

Argumentei sobre o Bolsa Família, que abrange a todos, assim como outras ações assistenciais e de ajuda social.

racismo

Ao perceber que estas argumentações ainda eram insatisfatórias e ele realmente não tinha lido meu artigo, onde poderia encontrar outras, ainda fiz uma última tentativa.

E eis que, daí, ele comprovou minha tese, deixando sair o que escondia, mal escondido: seu racismo.

preconceito

As “curtidas” nas falas dele são dele mesmo, talvez para não se sentir tão só. Mas, ao final, ainda vem outra racista e afirma: “cotas é para os fracos”.

E, só pra finalizar, faço aqui a pergunta que faria para ele, caso eu não tivesse desistido dele: e se, por acaso, os nordestinos passassem a fazer jus a cotas, isso seria interessante? Seria justo? Aí, então, seria legal?

Preguiça, tristeza, desencanto com o país. É o que sinto.

Abraços,

Declev Reynier Dib Ferreira

O que é um “bandido” para você?

Quando eu tinha uns 17 ou 18 anos, não lembro, já na época da faculdade, comecei a furtar pequenos itens em um supermercado perto de onde eu estudava.

Íamos beber cerveja num bar por perto e, para comer alguma coisa, eu ia lá no supermercado e colocava uns amendoins, uns chocolates e coisas assim, pequenas, no bolso ou dentro do casaco. Fiz isso algumas vezes, não muitas. Mas fiz.

Uma vez, com um amigo, estávamos saindo do mercado “carregados”. Passamos pelo caixa para pagar alguns itens, para disfarçar. Quando saímos do caixa, um segurança nos cutucou os ombros e disse “venham comigo!”. Olhei pra trás e um homem enorme, negro, nos encaminhava para dentro de uma pequena sala no subsolo.

Todos nos olharam com caras de “hiii… fizeram besteira”.

Ninguém nos xingou, ninguém quis nos bater. Ninguém chamou a polícia. Ninguém disse “bandido bom é bandido morto”. Ninguém quis nos linchar. Ninguém nos chutou. Ninguém incitou a violência contra nós. Ninguém gritou “bate!!!; Chuta!!!; Mata!!!”.

Ele, o segurança, nos levou, sem nos empurrar, nem mesmo nos tocar. Lá fomos nós… Ele nos pediu para tirar o casaco, a camisa, retirar as coisas dos bolsos. Não lembro se tive que ficar de cuecas, mas acho que sim.

– “E aí?” – perguntou ele.

– “É…” – nem tínhamos o que dizer.

– “Vocês estudam? Moram perto? Têm dinheiro? Passam fome?”, ele fez algumas perguntas.

Respondemos que estudávamos ali perto e, pelas nossas respostas, viu que éramos nada mais do que dois idiotinhas classe média que furtavam por nada, só por “diversão”.

Passou-nos um sermão, dizendo que não tínhamos porque fazer aquilo, que era arriscado, que a gente não precisava… “por que fazer isso?”… ele poderia chamar a polícia… essas coisas.

Eu nem tinha o que dizer. Pedi desculpas – sinceras, morrendo de vergonha – e ele nos fez pagar o que pegamos e nos liberou. “Da próxima vez, levo pra delegacia!”.

Acho que foi a partir daí que eu decidi que não faria mais, lógico. Decidi pela honestidade, em todas as minhas ações. Não sei se de lá pra cá consegui 100%, acho que não, mas coisas assim, nunca mais. Tenho tentado sinceramente cumprir esta determinação em todas as nuances de minha vida.

Nunca contei isso a ninguém, pois é um episódio de minha vida que não me orgulho.

Mas me veio à tona depois desta série de imolações e justiçamentos públicos de jovens negros.

É muito fácil gritar horrores e clamar justiça pelas próprias mãos (ou pelas mãos de outrem) quando se tem como protagonista um jovem pobre negro. Ou jovem pobre. Ou pobre negro.

Difícil é ver que nós mesmos, ou parentes ou amigos, também temos ações reprováveis, ou estamos suscetíveis a isso. Ora, quem tem filhos ou netos ou amigos que pode dizer NUNCA nenhum deles se envolverá com nenhuma contravenção ou crime?

Não, não podemos dizer “nunca”.

Além de mim mesmo, tenho conhecidos, amigos e pessoas da família que fizeram besteiras parecidas no passado: envolver-se com roubos, furtos, com uso e venda de drogas.

Nenhum deles foi taxado de bandido; nenhum deles foi preso (sim, algumas vezes pagou-se para a honestíssima polícia liberar); nenhum deles foi chutado, xingado, imolado.

São todos brancos.

Em um dos casos relativamente recentes de imolação pública, mais um dos que me deixaram chocado, um garoto pobre negro foi pego furtando um xampu e um condicionador das lojas americanas. Ele foi pego por transeuntes aos gritos de “pega bandido” e coisas mais, foi jogado ao chão, teve seu pescoço apertado por um joelho justiçador e foi levado pela honestíssima polícia.

Sei lá pra onde.

Li um comentário no Facebook de uma menina que presenciou o fato. Ela disse o que eu gostaria de dizer, de uma forma tão linda e poética que eu pedi permissão a ela para copiar aqui.

Não, eu não fico feliz quando um menino – seja ladrão ou o que for – é pego, preso, arrastado, socado, chutado, xingado em público.

Eu sinto uma tristeza profunda por essas coisas [ainda] acontecerem.

Eu sinto vergonha.

Pra mim, é um soco no estômago, como esta narrativa:

bandido bom

“Hoje eu vi olhos que talvez eu nunca esqueça. Olhos de um marginal, com a retina quente e descendo lágrimas finas na pele escura. Eram os olhos de José Roberto, que vou chamar de Roberto porque tenho um carinho particular por esse nome. Roberto tem onze anos e olhar mais desesperado que eu encontrei longe das fotografias. Minha colisão com ele foi repentina, entre as solas apressadas e as buzinas da Praça Saens Peña. Uma verdadeira roda viva ao seu redor e Roberto ali, estendido no chão, apavorado, culpado sob gritos revoltosos que ainda não consegui digerir ”preto tem que morrer!!!!!”, ”Se não gostou leva pra casa!!”… Enquanto isso um homem em cima do seu corpo magro, segurando o pescoço fino naquele tribunal de rua. Roberto era réu de mais de trinta vozes diferentes. Era causa e não efeito. No seu rosto estava desenhado o ódio. Levantaram-o e suas calças arriadas de onde escorregou a prova do crime hediondo. Um shampoo e um condicionador tirados das mãos da vítima arrasada. Lojas Americanas. E a polícia chega, a população envaidecida aplaude e mal consigo dizer algumas palavras para Roberto, puxado pelo braço para entrar na viatura. E aqueles olhos, que ao invés de um livro, enxergavam um fuzil. Ouvidos que ao invés de um ”vai com deus, filho” ao pé da porta antes de ir para escola, ouviram ”bandido bom é bandido morto”, mãos que ao invés de encostarem num violão, tocaram um canivete. Não porque Roberto escolheu, mas porque escolheram Roberto. [Catarina Brito – via Facebook]

Lindo, Catarina, muito lindo.

Muito obrigado.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Culpado

Mais um jovem assassinado

Mais um jovem assassinado

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Rio de Janeiro, 29 de abril de 2014

Amigos,
Dessa vez escrevo apenas uma homenagem, uma carta, algumas palavras vindas direto do coração, para cada aluno e aluna que tive e que vive ou gostaria de viver como o garoto “DG”, que foi covardemente assassinado na terça-feira passada, em uma comunidade vizinha à minha casa.
Ouvi todo o tiroteio, as bombas, a fumaça do fogo… Tudo isso chegou aqui, como se fosse embaixo das janelas da minha casa, em Copacabana.
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Não pude ver o programa “Esquenta!”, que eu adoro, neste domingo, mas fiz questão de ver no computador –http://globotv.globo.com/t/programa/v/nos-bastidores-dg-aparece-sempre-brincalhao-veja-video/3308507/ – e fiquei super emocionada, chorei pra caramba, lembrei de cada aluno com quem tive contato nas comunidades onde trabalhei, lembrei de tanta coisa, da VIDA pulsando naqueles meninos e meninas, cheios de energia, ritmo, alegria e sonhos. Gente pobre, sofrida, mas muito mais rica, em tantos momentos, do que aqueles que só tem riqueza material e um puta medo de se arriscar minimamente nessa vida. O DG, pra mim, está em cada um desses criativos garotos e garotas das periferias do Brasil. O DG, agora que se foi, permanece e permanecerá aqui, no sorriso, no desejo, na brincadeira, na música e na dança de cada um que sabe o que é nascer e viver numa favela!
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Lembrei também dos tantos (muitos!!!) alunos que perdemos precocemente, vítimas do tráfico ou da polícia, da violência doméstica ou do racismo…
E justamente por ser uma história que se repete sem parar no Brasil, pela quantidade de jovens que tiveram suas vidas interrompidas tragicamente, enfim, por tudo isso acho que vale a pena assistir ao curta que acabou se revelando “profético”, que DG realizou há alguns meses, com um grupo ótimo – pretendiam apresentar em festivais – e onde é o ator principal:
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Nesse momento, não quero discutir a manipulação existente na propaganda, que infelizmente vai moldando, desde muito cedo, valores “tortos” e criando “necessidades” totalmente desnecessárias, que povoam a cabeça de milhares de crianças, adolescentes e adultos.
Não quero discutir ideologias, políticas públicas e nem o caráter de tantos políticos.
Não quero discutir se há ou não alguma coisa depois da morte. Eu tenho a minha fé oscilante e ela me basta.
Não quero discutir.
Só quero chorar.
Só quero não esquecer nunca dos tantos alunos com quem convivi e que eram, em muitos aspectos, outros “DGs”. E desejo que eles continuem existindo, cantando, dançando, rindo e nos lembrando que pra viver com originalidade e alegria é preciso CORAGEM, e isso quem nasce, sobrevive e cresce no morro sabe muito bem. E a gente, que mora aqui embaixo, no asfalto, dificilmente tem ou compreende profundamente a dimensão disso tudo.
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Vá em paz, garoto bonito… Fique com Deus.
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Um beijo e um abraço apertado pra vc, onde estiver, e pra sua mãe, pra sua filha e pra todos que sentirão diariamente a sua falta por aqui…

Regina Milone

(professora, pedagoga, arteterapeuta, psicóloga, mãe, filha, irmã, amiga… cidadã)

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Quem recebe bolsa família não pode votar. É mesmo?

Eu já vi esta asneira imagem abaixo sendo divulgada algumas vezes no facebook. E o pior, um monte de gente concordando.

Bolsa Família

Estou chegando à conclusão que as pessoas pararam de pensar.

Não existe um pensamento crítico, uma opinião baseada em argumentos bem fundamentados, cimentados em fatos concretos, pesquisas, etc.

O que há é uma repetição de jargões vazios de argumentos, mas repletos de preconceitos.

Vomitam-se preconceitos.

Ora, vamos pensar um pouco. Vamos procurar saber o que é realmente o Bolsa Família, por exemplo. Vamos procurar saber o que tem de bom e o que tem de ruim. Quais são os resultados deste programa? Sempre existiu ou começou agora? Se simplesmente deixar de existir, quais seriam as consequências a curto, médio ou longo prazo?

Há críticas passíveis de serem feitas? Sim, há. Mas algumas críticas a algo é o suficiente para que o nosso preconceito venha à tona com esta força? Aí, depende da pessoa: se ela pensa, medita, reflete, pesquisa, lê, analisa, ou se ela simplesmente repete jargões vazios como um papagaio – que “fala”, mas não pensa.

Futuramente vou analisar um pouco mais a fundo esta questão, mas por hoje vou me ater a esta imagem e a mensagem que ela tenta passar.

Ela diz que quem ganha Bolsa Família não deveria votar, pois este programa pode ser utilizado como moeda eleitoral. Mas, no fundo, quer dizer o seguinte: “quem recebe Bolsa Família não pode votar porque é um bando de pobres vagabundos que vai votar em quem tá dando dinheiro para eles e vai votar diferente de quem eu quero que ganhe”.

É isso o que você está repetindo sem pensar, se é assim que você “pensa”.

Mas, vamos ver o seguinte:

1º – Políticas públicas de assistência aos mais necessitados são extremamente importantes e NÃO NASCERAM com o pt. O Bolsa Família, por exemplo, NÃO COMEÇOU neste governo, mas vem de governos anteriores, do psdb.

Pode-se dizer que o Bolsa Família é uma “evolução” do Bolsa-Escola (idealizado por Cristóvão Buarque e implantado a nível federal no governo FHC) e de outros programas sociais de distribuição de renda do governo FHC, como o Auxílio Gás e o Bolsa Alimentação.

Leia um pouco: Bolsa-Escola Auxílio gás e Bolsa Alimentação.

Então, na verdade, o Bolsa-Família nada mais é do que a unificação de uma série de auxílios financeiros oferecidos aos mais necessitados por… Fernando Henrique Cardoso!

Mas… o PSDB perdeu! Ups! #fail!

2º – Em segundo lugar, a pergunta crucial: SE, imaginemos SE essa pessoa que repete os mantras e jargões precisasse receber o auxílio, receberia? Ou negaria-se, para não virar um votante de cabresto? Eu acho que sim. E eu também aceitaria.

E esta mesma pessoa, se um dia ficou desempregado, já recebeu o Seguro-Desemprego? [Ora, este é outra renda oferecida pelo poder público para quem precisa]. E estudou em escolas ou universidades públicas? Hummm… eu acho muito provável.

Então, vamos fazer o seguinte: vamos ser justos e incluir naquela imagem mais pessoas. Ora, por que somente os pobres que recebem Bolsa Família que não poderiam votar?? Eu acho, então, que, se assim fosse, também não poderiam votar:

– Quem recebe ou recebeu Aluguel Social;

– Quem recebe ou recebeu Bolsas de Estudos – iniciação científica, mestrado, doutorado, pós-doutorado, ou de qualquer tipo. São muitas. Muitos que recebem são, inclusive, DEVEDORES do Estado, e o dinheiro que devem não é pouco;

– Quem estuda em universidade pública;

– Quem come em bandejão de universidade pública, praticamente de graça, subsidiado pelo governo;

– Quem recebe o FIES – Financiamento Estudantil;

– Os idosos, pois que têm isenção em transporte público, Imposto de Renda, IPTU e outros (leia mais);

– Os deficientes, que têm um monte de isenções e benefícios; (leia mais);

– Jovens, estudantes, idosos e deficientes, que têm o benefício da meia-entrada;

– Todos os taxistas, porque têm isenção de IPI e IOF;

– Quem comprou carro quando da isenção de impostos, beneficiando-se da redução de custos;

– Todos os donos das empresas que têm isenção de impostos (e eu garanto que isso custa muito mais do que o Bolsa Família);

– Quem recebe seguro-desemprego;

Todos os políticos que recebem um monte de benefícios, auxílios, etc.

– Todos os funcionários públicos que recebem “bônus”;

Os militares que têm filhas que irão receber pensão se “não casarem” – Estes, então, só votam em quem mantiver a “mamata”. Se o político for contra, poderá até mesmo ser deposto do posto, não é mesmo? E isso não é voto de cabresto????

 Eu mesmo não poderia mais votar, pois quando fiz faculdade recebi Crédito Educativo. Na época – de 1988 a 1991, eram Sarney e Collor. Eu votei, mas não foi em Collor.

E você, poderia votar?

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Cheio de ouvir/ler bobageiras ultraconservadoras e bolsonarianas

Descaso e violência aos professores – Homenagem do estado e prefeitura do Rio de Janeiro

Ontem foi Dia dos Professores.

Apesar de não ter tanto a comemorar, tentei fazer um post que fosse agradável e esperançoso.

Mostrei algumas das diversas homenagens e palavras de carinho que recebemos dos nossos alunos.

Hoje, vou mostrar a vocês como o Estado e o Município do Rio de Janeiro na gestão do sérgio cabral e eduardo paes, respectivamente – ambos do pmdb e apoiados pelo pt, ex-partido dos “trabalhadores” – tratam seus professores.

Fiquem com as imagens:

Batalhão de choque

Professores em greve são chamados para explicar faltas à Secretaria do Rio

Telegrama professores

Spray pimenta

Professora é eleita personalidade educacional do ano de 2013  EBAPE  FGV

 

Foi mal professor

Polícia retira à força

'Estado do Rio paga os melhores salários para professores', diz Cabral

paulo kramer

pedro paulo

Spray de pimenta

Presidente da Câmara do RJ diz que não vai retirar professores à força - Notícias - UOL Educação - Google Chrome

Professores grevistas são retirados da Câmara à base de força - Rio - O Dia - Google Chrome

Spray

RJTV 1ª Edição - Professores da Rede Pública fazem nova greve no Rio  globo.tv - Google Chrome

Pai preocupado 2

Pai preocupado

Balas

Pra finalizar, algumas notícias relacionadas, mas que ainda me debruçarei sobre elas.

Se alguém tem alguma dúvida de que elas estão intimamente ligadas, com todo respeito, assine a revista veja, porque se merecem.

Brasil fica no penúltimo lugar em ranking de valorização do professor

Brasil é um dos países que menos respeita professor, diz estudo

Professor brasileiro é um dos mais mal pagos do mundo

Versus

Brasil fica no 88º lugar em ranking de educação da Unesco

Brasil avança, mas educação freia desenvolvimento, indica IDH dos municípios

Sem mais.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Professor

Bombas de efeito imoral

greve professores rj

O Estado do Rio de Janeiro apagou as luzes do saber nas últimas semanas. Vestidos de preto em sinal de luto (entenda como substantivo e verbo!), professores das Redes Municipal e Estadual do Rio deixaram suas casas e seus trabalhos para reivindicar uma educação pública de qualidade.

A causa de toda a manifestação popular carioca não abrange somente questões salariais, como a mídia faz parecer, questões estas que, por si só, já ferem a dignidade e a inteligência de qualquer cidadão. A causa é um grito preso na garganta há décadas! Grito de uma classe de trabalhadores cujo maior desejo é lutar pelo ideal de uma sociedade igual para todos. É claro que esse grito é temível e assusta os nossos governantes. Aliás, assustar é pouco: nosso grito apavora os governantes! Por isso tantas bombas sobre nós!

Dar condições de trabalho dignas e educação de qualidade na escola pública é perigoso. Formar cidadãos conscientes, que não serão manipuláveis, que não servirão de massa de manobra fácil para os políticos no futuro, é altamente perigoso! Poucos enxergam isso; muitos não querem enxergar; e outros se beneficiam da falta de visão da maioria da população. Em uma sociedade cega e surda, é preciso clamar bem alto! Ir às ruas, convocar uma legião, buscar um caminho, ainda que doloroso, ainda que solitário (solitário já não é mais!)

Em tempos de democracia, vivemos uma ditadura velada. Vivemos hoje numa sociedade onde o professor, que luta por uma educação pública de qualidade e denuncia o sistema educacional falido e ineficaz, esbarra na postura opressiva de um governo ditador, governo este cujo papel deveria ser o de proteger a sociedade e dar a ela a tão desejada educação pública acima citada. Governo este que deveria garantir aos cidadãos uma sociedade mais justa; afinal, não é para isso que os governantes são remunerados??? E MUITO BEM REMUNERADOS, por sinal! Mas não é o bastante para eles. Nunca é. A política carioca está desacreditada, e só o que aparece é a lama instaurada pelos políticos corruptos, que passeiam com o dinheiro público e gastam com transportes diferenciados para “trabalhar”! É claro que o trânsito não se aplica a esses seres, que se julgam acima do bem e do mal.

Os privilégios dessa elite ganham apenas um rasteiro comentário da grande mídia, que fala dos nossos governantes e de seus “passeios” de helicóptero só para constar; mas na hora de olhar para os professores e sua luta legítima, tal mídia coloca os fatos como se a nossa classe de trabalhadores fosse composta por seres mal agradecidos, incapazes de entender o “excelente” Plano de Cargos e Salários (que deveria ser chamado de REFORMA EDUCACIONAL), aprovado sob  pancadaria na última terça-feira. Tal mídia, ainda por cima, deixa que a palavra final seja sempre a de quem “banca” seus projetos, o que faz dessa relação – mídia e governo corrupto – um grande círculo vicioso. O que mais assusta é que não existe ninguém nas emissoras de grande audiência que dê um basta, que saia do roteiro e seja capaz de falar por si!

Nesse contexto, portanto, as bombas jogadas nos professores não podem ser chamadas de “bombas de efeito moral”, visto que não é aos professores que a moral está faltando. Não há moralidade no governo e, se houvesse, algo seria feito contra esta ditadura mascarada de democracia que se instaurou no Rio de Janeiro! Aliás, não há nada mais imoral do que um governo que não respeita seus professores, que são a matriz de todas as profissões.

É hora de acender de novo as luzes. Lutar com os olhos bem abertos. Aprender a lição de casa. Cada um, mesmo que não seja profissional da educação, deve lutar pela educação pública em sua cidade, em seu estado. É hora de mostrar a estes governantes que 2013 É O ANO QUE AINDA NÃO TERMINOU!

Por:  Emily Coutinho e

Evelyn Almeida

Notícias no exterior sobre a covardia com os professores no Rio de Janeiro

Como queimar o Brasil no exterior – receita de eduardo paes e sérgio cabral.

Viva a internet, viva as redes sociais, viva a tecnologia embutida em celulares equipados com câmeras fotográficas e de filmar!

Será difícil manter as aparências por muito tempo.

O honestíssimo cabral já tá tão queimado por aqui que está tentando um empreguinho no governo federal. Considerando o partido vagabundo que lá está – e que apoia este covarde no governo do Rio – ele vai conseguir [me desculpem aqueles que são do partido que não merecem esta crítica].

Agora, vamos queimar este maravilhoso e honestíssimo gestor da prefeitura também.

As notícias sobre a guerra entre a polícia e os professores, a mando de paes e cabral, já estão rodando o mundo!

Ajudem a divulgar:

  • Le Monde:

Brésil : les enseignants de Rio se heurtent à la police

  • The Guardian:

Brazil: teachers’ pay protest in Rio erupts into violence – video

  • PressTV:

Brazil police fire teargas at protesting teachers

  • The Telegraph:

Striking Brazilian teachers clash with Rio police

  • Newsonia:

Clashes Break Out at Rio Teacher Protests

  • The New Zeland Herald:

Striking teachers, police clash in Rio de Janeiro

  • Spiegel Online – Politik:

Krawalle in Rio de Janeiro: Lehrer liefern sich Straßenschlachten mit Polizei

  • El País:

Policía de Rio dispersa con gases protesta de maestros en huelga

  •  Aljazeera:

Police clash with striking teachers in Brazil

Quem tiver mais algum, me envie nos comentários que eu insiro aqui.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Em greve por uma educação PÚBLICA

Pega na mentira!

As mentiras se somam na televisão e nos jornais, especialmente naqueles que são agraciados com vultosas verbas publicitárias.

Eu já mostrei aqui, por exemplo, como se utilizar da verdade para disseminar mentiras.

Mas, muitas vezes – ou na maioria das vezes – o que eles falam são MENTIRAS mesmo! Não são nem mesmo verdades travestidas, são mentiras!

Quem são “eles”?

Os gestores públicos, tanto no executivo quanto no legislativo, e seus comandados. Claro, além dos grandes órgãos de imprensa  que são comprados com muitos milhões gastos anualmente travestidos como verba “de publicidade”.

Vou fazer, tanto quanto o estômago e minha cabeça deixarem, uma série aqui no Diário do Professor, revelando a vocês estas mentiras.

Começo com o imbróglio em relação à ocupação – E NÃO INVASÃO – da cÂmara dos vereadores do Rio de Janeiro.

Vejam como as coisas funcionam.

Mensagem do dia 26/09/2013:

Presidente da Câmara do RJ diz que não vai retirar professores à força - Notícias - UOL Educação - Google Chrome

Vejam que quem disse que não iria retirar os manifestantes à força foi o honestíssimo presidente da câmara.

E, então, numa mensagem do dia 29/09/2013, ou seja, de 3 dias depois:

Professores grevistas são retirados da Câmara à base de força - Rio - O Dia - Google Chrome

Então é isso.

Depois volto com mais mentiras.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Falando a verdade

Quase 3 professores por dia pulam fora no Rio de Janeiro

É isso mesmo: quase 3 professores por dia pedem demissão da rede estadual de educação do Rio de Janeiro.

É isso mesmo: este mesmo estado que gasta BILHÕES em obras, como a bilinonária obra do maracanã, que agora passa às mãos privadas.

Este mesmo governo nas mãos de um governador em que a esposa atua em escritório de advocacia que defende concessinárias deste mesmo governo; que deu de presente às barcas um aumento exorbitante; que tem relação íntima com o empresariado e afirma isso sem constragimento; e muito mais.

E este mesmo governo que dá 7% de aumento ao funcionário.

Milhões e bilhões a meia dúzia de amigos; 7% de aumento a seus funcionários.

Resultado? Debandada em massa:

Pagando salários menores do que os da prefeitura do Rio de Janeiro, e de pelo menos cinco municípios da Baixada Fluminense, a rede pública estadual do Rio assiste a uma debandada de professores no início deste ano. Só nestes cinco primeiros meses, 308 mestres concursados pediram exonerações. (Fonte)

Ora, por que isso? Mil reais por mês é uma fortuna!!!

A principal causa apontada para os pedidos de demissão trata dos baixos salários – R$ 1001 de salário inicial bruto, por 16 horas de trabalho. De acordo com dados do Sindicato dos Profissionais da Educação (Sepe), a média de pedidos de demissão na rede é de 2,5 por dia. Levando-se em conta o número de profissionais que se aposentam, a média aumenta para 6,76. (Fonte)

Agora, só uma pequena comparação, nem vou comentar nada:

Segundo a secretaria de Planejamento e Gestão, o aumento de 7% e o plano para a Fundação Cecierj vão representar uma despesa de R$ 214.253.619,23 em 2013. Ao todo serão beneficiadas 172.779 pessoas. (Fonte)

X

Grupo de Eike e Odebrecht vence disputa por administração do Maracanã. (…) De acordo com o estudo de viabilidade do empreendimento, os lucros da concessionária podem chegar a R$ 1,4 bilhão ao longo dos 35 anos. (…) A empresa vencedora terá que investir R$ 594.162.148,71 para cumprir as obrigações estabelecidas no contrato. (…) No último dia 6 de maio, no entanto, um aditivo ao valor da obra foi publicado no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro, fazendo com que o valor total da reforma chegasse a R$ 1,049 bilhão. (Fonte)

Entendeu?

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Na fila pra comprar uma ponte, um estádio, uma estrada…