Arquivo da categoria: Projetos

Teatro na escola: o que aprendi?

Existe muita coisa errada na Educação. Nada que não tenha sido exaustivamente discutida por muitos especialistas. Como não considero um deles, vou apenas fazer algumas considerações baseadas em ideias que tenho há algum tempo e que foram reforçadas com uma experiência maravilhosa que tive em uma das minhas escolas: o Teatro na escola.

Pra início de conversa: escola não é fábrica! Portanto, não devemos comprar o modelo industrial para produzir seres moldados conforme o padrão do mercado. Retiramos a humanidade da escola (se é que algum dia ela esteve presente) e viramos formadora de especialistas. Não importa o que ele vai fazer com esse conhecimento, basta tê-lo. Será?

Uma das maiores atrocidades da História (para alguns – a maior) foi fruto de uma sociedade extremamente organizada, disciplinada e muito bem escolarizada. Os alemães eram grandes especialistas. Tanto é verdade que conseguiram exterminar 6 milhões de judeus com uma velocidade e precisão digna de um país altamente desenvolvido.

Estamos formando engenheiros que são perfeitos conhecedores das ciências exatas, mas que é capaz de construir um prédio com areia da praia. Os políticos que hoje assombram o país com escândalos de corrupção passaram pela escola e aprenderam direitinho as lições de Português. São belos oradores. E os médicos? 10 em ciências! Que formidável! Mas é o mesmo que assina o ponto no Hospital público e vai embora correndo ganhar mais dinheiro na sua clínica particular.

Sei que você pode pensar: “Mas essas questões éticas são responsabilidade da família”. Sim, concordo plenamente. Mas o que fazer quando ela não cumpre o seu papel? A escola deve simplesmente ignorar? Se preocupar apenas com o conteúdo curricular?

Desenvolver o aspecto cognitivo é tarefa primordial da escola, mas sem valores humanos não temos uma sociedade melhor. E é papel da escola buscar uma sociedade melhor. Como fazer isso?

Deixar o aluno sentado em uma cadeira por horas e depois mandar ele pra casa com certeza não é o caminho. A escola supervalorizou a sala de aula. Daí estarmos com uma legião de alunos entediados, torcendo para ter uma aula vaga. Só assim ele tem um momento de liberdade, para movimentar o corpo, viver experiências.

A escola aprisiona os corpos dos alunos e eles resistem. Como pássaros, só querem voar. Mas por que não voar dentro da escola?

O colégio dos meus sonhos tem muito mais do que salas de aula. Nela há um auditório de música, onde os alunos podem aprender diversos instrumentos e soltarem suas vozes em lições de canto. Dentro do ginásio, existem diversas modalidades esportivas. É só escolher uma: tem um time de futebol, outro de basquete, vôlei, handebol, judô, ginástica, tênis de mesa… Na sala de artes encontramos quadros sendo pintados, desenhos ilustrando belas histórias e até mesmo pequenas esculturas sendo moldadas.

E, é claro, um belo espaço para um grupo de Teatro, onde os alunos podem explorar sua criatividade, o convívio em grupo, o controle sobre seu corpo, sua voz, e tudo isso sem deixar de estudar, pois o texto, a temática, o cenário, a música, o figurino e vários outros elementos do universo teatral são frutos de muito estudo.

Sei que foi uma introdução longa, mas tudo isso que escrevi até agora é apenas para mostrar pra vocês como estou feliz e realizado de ter conseguido montar uma peça teatral em uma das minhas escolas.

Nosso trabalho: Teatro na escola

O trabalho que fizemos em poucos meses de preparação e ensaios foi muito maior do que todos nós imaginávamos, inclusive eu. Começamos só com uma ideia e em pouco tempo estávamos com um espetáculo, em todos os sentidos.panfleto_Je suis sobrevivente

A peça tratava do Holocausto, mas usava a intolerância do mundo atual como gancho inicial e reflexão final. Foram 12 alunos envolvidos, que aceitaram ficar além do horário sem ganhar nenhum décimo de nota em troca. Eu fiz o mesmo. Passei horas, antes destinadas ao descanso, dirigindo os ensaios e cuidando de toda a produção da peça, sem ganhar um centavo a mais de salários. Pelo contrário, parte dele foi usado em alguns momentos, pois não queria pedir nada à escola.

Meu objetivo era simples: queria mobilizar os alunos, professores, equipe pedagógica e direção para provar que fazer arte na escola não é uma atividade complementar. Isso deve ser incentivado com a mesma importância que as disciplinas tradicionais. Nada mais convincente do que mostrar uma experiência de sucesso. E ela aconteceu!

Meus alunos fizeram várias apresentações, levando a mensagem da peça para cerca de 500 pessoas, entre pais, colegas, professores e funcionários. O impacto foi impressionante. O espetáculo emocionou a todos, inclusive nós que proporcionamos a existência dele.

Não tenho mais palavras para agradecer esses meus queridos alunos que entraram nesse barco comigo sem imaginar que chegaríamos em terra firme. Tenho orgulho de cada um deles, desde os que chegaram sem conseguir falar uma palavra, passando pelos que choravam só de pensar em falar na frente das pessoas até os mais habilidosos que fizeram tudo com uma leveza de profissional, todos eles são inesquecíveis.

O Teatro na escola, portanto, me proporcionou não só uma realização profissional. As horas de convivência desenvolveram uma admiração mútua, uma amizade sincera e um sentimento de ter feito parte de algo que não vai ser esquecido.

Após esta experiência, pude ver que meus pupilos são mais humanos. Eu me tornei mais humano. A escola se abriu para a possibilidade de ser mais humana. Missão cumprida!

Teatro na escola

Como a Contação de Histórias e as Artes podem ajudar o professor a ensinar

Esse artigo é rápido e bastante prático, ao contrário do último que escrevi sobre alteridade, exotopia e dialogismo, justamente porque concordo com Paulo Freire quando diz: “A gente se forma como educador permanentemente na prática e na reflexão sobre a prática, isto é, aquele foi um artigo bastante reflexivo, embora passível de inúmeros usos práticos, e este, menor, objetivo e concreto, escrevo apenas para relatar uma entre várias experiências parecidas e excelentes que tive com turmas de segundo segmento do Ensino Fundamental, esta acontecida em 1998, em escola particular. E é assim, circulando entre teoria e prática, reflexões e ações, que pretendo contribuir cada vez mais por aqui.

Atuei como pedagoga, mas, principalmente, como contadora de histórias e arteterapeuta naquela ocasião.

Fui convidada a participar da Semana Literária que acontece todo ano naquela escola (com inúmeras atividades para o incentivo à leitura), contando histórias de Mitologia Grega para as turmas que estavam estudando, naquele período, em História e Geografia, sobre a Grécia e sobre o Império Romano.

Como pesquisadora de mitologia, há muitos anos, fui com prazer, as turmas adoraram, participaram muito, ouviram com atenção e mostraram-se muito criativas na segunda etapa do trabalho quando, após ouvirem e debaterem as histórias, convidei-as a pintar, desenhar, recortar, colar… criando no papel um pouco das histórias, dos seres mitológicos fantásticos, dos deuses e dos semi-deuses que mais as haviam impressionado. Mergulharam de tal forma no trabalho, que acabou ocupando aquele dia inteiro para elas, o que foi muito positivo e rendeu excelentes aulas depois, como soube pelos professores.

Foi um grande mergulho que fizemos juntos, inesquecível para mim. Deu tão certo que voltei a essa mesma escola, várias outras vezes, para repetir o trabalho com outras turmas, sempre com grande receptividade e excelentes resultados.

Como a Mitologia Greco-Romana é muito extensa, optei por contar histórias ligadas aos signos do zodíaco – áries, touro, gêmeos, câncer, leão, virgem, libra, escorpião, sagitário, capricórnio, aquário e peixes – e, também, histórias dos deuses que deram nome aos planetas do nosso sistema solar. Foi um sucesso!!! Queriam ouvir mais e mais histórias, cada um queria saber a história do seu signo, queriam saber porque o deus tal deu nome àquele planeta e não à outro, perguntavam mil coisas, os olhos brilhavam e não tive nenhum problema de indisciplina com aluno nenhum. Foi uma festa, uma delícia e, ao mesmo tempo, um grande aprendizado!

Deixo aqui, pra vocês, uma apresentação de Power Point que fiz com algumas poucas (e não muito boas, infelizmente…) fotos daquele dia, para que possam ter uma ideia melhor. É só clicar no link e, depois, clicar novamente no link que aparecerá, para fazer o download e assistir.

Contação de histórias na EDEM (som Aquarela)

Foi um exemplo prático de como trabalhar de forma inter e multidisciplinar, estimulando o interesse, a curiosidade, a criatividade, a imaginação e o aprendizado dos alunos.

Fica aí como dica, para quem quiser experimentar, da sua forma!

Abraços,

Regina Milone
Pedagoga, Arteterapeuta e Psicóloga

Rio, 12/11/2012

Apoio o ensino de música, de artes, de esportes, de cidadania, de meio ambiente, de filosofia…

Só não apoio essa mania que as pessoas têm de querer enfiar tudo na grade curricular como disciplinas!

Já escrevi por aqui que, por mim, acabaria com as disciplinas.

Veja, por exemplo, esses artigos:

Como se faz educação?

A escola que sonho é diferente da que tenho

Projeto para uma escola diferente

Ora, enfiar um determinado “conteúdo” numa caixinha de tempo não vai resolver o problema de nenhum conhecimento.

Se resolvesse, seríamos campeões em matemática e Português, pois são as que mais tempo se tem, desde os primeiros anos do ensino fundamental.

Mas as crianças vão para o ensino médio sem saber ler nem escrever direito nem sabendo as 4 operações matemáticas.

Algo está errado…

A escola deve ser lugar de música e artes diversas; futebol e todos os esportes; matemática e todas as ciências; Português e todas as leituras e escritas; mas de forma integrada e integradora, inter e transdiciplinar, na forma de projetos, de oficinas, onde os professores tenham tempo de planejar e de trabalhar em conjunto, desenvolver atividades com um único aluno, com um grupo ou com uma turma inteira, dependendo de cada caso.

Se não for assim, daqui a pouco teremos umas 30 disciplinas disputando 4 horas diárias (ou até menos).

Talvez, quem sabe, coloquemos uma aula por mês pra cada disciplina.

Todos serão contemplado; nada será trabalhado decentemente; nada será aprendido ou apreendido.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Sou ainda um projeto de professor

= = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = =

No Diário do Professor você encontra artigos e links sobre o dia-a-dia da Educação:

Planos de aula, Atividades, Práticas, Projetos, Livros, Cursos, Maquetes, Meio Ambiente… e muito mais!

Compartilhe!

Pra não dizer que só reclamo, ideias para a educação

Pra não dizer que só reclamo, ideias para a educação

Pra não dizerem que só reclamo, ideias para a educação. Sabem aquela coisa: “se eu pudesse…” Podem copiar a  vontade:

    • Salas de ciências super equipadas;
    • Salas de artes; dança; teatro; música adaptadas ao trabalho;
    • Reforma nas quadras, adaptando-as como se fossem para escolas dos filhos dos políticos;
    • Minibiblioteca em todas as salas de aula;
    • Computadores à disposição dos alunos em sala;
    • Salas de aula com mesas de trabalho em grupo e não mais carteiras individuais (ou com carteiras que possam ser mesas de trabalho em grupo, se assim o desejar o professor);
    • Ar condicionado nas salas;
    • Data-show com som nas salas, pronto para o uso do professor;
    • Internet wireless decente em toda a escola;
    • Uso dos corredores para exposição de aquários, terrários, trabalhos dos alunos em mesas e prateleiras;
    • Horta na escola (nem que seja em vasos);
    • Cultivo de plantas ornamentais e árvores por toda a escola;
    • Melhora no Plano de Carreira e Salário, com contratação dos professores por 40 horas e dedicação exclusiva;
    • Mais tempo livre pago aos professores para projetos, pesquisas, aulas de reforço, atendimentos particulares, planejamento e outras ações extra-classes – mais ainda do que o 1/3 em lei, o qual ainda merece muita resistência por parte dos gestores;
    • Reforma nas salas dos professores, transformando-as em salas de trabalho decentes e aconchegantes – e não os depósitos de materiais, gente e poeira atuais;
    • Fóruns municipais ou estaduais dos professores por área, com apresentação de experiências exitosas, com publicação de livros e distribuição aos professores;
    • Financiamento para participação de congressos, encontros com apresentação de trabalho (as pesquisas realizadas na escola);
    • Diminuição do número de alunos por turma;
    • Oferecimento de esportes diferenciados, como judô, tênis, dentre outros;

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Sonhador

Divulgando projeto – Piratas do Caribe 5: em busca do conhecimento

Divulgando projeto – Piratas do Caribe 5: em busca do conhecimento

Este projeto foi realizado pelo Prof. Daniel Azevedo, do Colégio da Polícia Militar General Edgar Facó, no Ceará.

Chamou-se Piratas do Caribe 5: em busca do conhecimento, tratando-se de “uma avaliação bem diferente feita através de uma caça ao tesouro com dicas de conteúdos da Biologia”.

Leiam a sinopse:

O mundo está ameaçado! Há séculos atrás a feiticeira Morgana alegou ter a fórmula para possuir um Conhecimento sem limites com o qual poderia realizar todos os seus desejos. O capitão Jack Sparrow conseguiu ter acesso a essa receita mágica guardada em quatro caixas. Contudo, quando a feiticeira Morgana descobriu que ele detinha a fórmula, lançou o mesmo para o futuro, precisamente para o ano de 2011. Para voltar ao seu tempo precisa dessas caixas, mas por conta da maldição lançada por Morgana ele mesmo não pode achá-las. Para achar o tesouro do Conhecimento, o pirata selecionou jovens de incrível inteligência, coragem e persistência que sejam capazes de encontrar o tesouro. Assistam também a versão completa dividida em duas partes no YouTube e ao Making off procurando pelo título Piratas do Caribe 5 : EM BUSCA DO CONHECIMENTO.

Assistam o vídeo:

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira

= = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = =

No Diário do Professor você encontra artigos e links sobre o dia-a-dia da Educação:

Planos de aula, Atividades, Práticas, Projetos, Livros, Cursos, Maquetes, Meio Ambiente… e muito mais!

Compartilhe!

A quem cabe fazer a educação formal?

Mais uma vez, os professores são jogados à escanteio.

Niterói tira dos profissionais da educação para fazer parceria com ONG.

Diga-se de passagem, não é somente em Niterói que isso acontece, mas virou moda dar pagar a educação a institutos, ONGs, Fundações… ao professor, exploração e esmola.

[No município do Rio, foram 100 milhões à empresa sangari, para desenvolver projeto de Ciências.]

Recebi pelo Facebook a notícia de que se iniciou, na rede municipal, projeto com o Instituto Fernanda Keller. Serão duas escolas atendidas inicialmente, sendo uma delas a que eu trabalho.

Notícia boa, se não olharmos o que vem por trás e as letras miúdas.

Quem tem Facebook pode ver a notícia e fotos aqui.

Para quem não tem [alguém não tem?] copio o texto abaixo:

A Secretaria e a Fundação Municipal de Educação de Niterói (SME/FME) deram início no dia 11 [agosto] ao Projeto Correndo por um Ideal, em parceria com o Instituto Fernanda Keller. Primeiramente, as ações acontecerão nas escolas municipais Professora Maria Ângela Moreira Pinto, em São Francisco e José de Anchieta, no Morro do Céu. O objetivo é incentivar os alunos à melhoria da qualidade de vida por meio da prática de atividades físicas e da boa alimentação. Além disso, o projeto visa também informar sobre o quanto os transtornos alimentares podem interferir no processo ensino-aprendizagem. As fotos foram tiradas na E.M. José de Anchieta.

Já falei por aqui sobre o pagamento de quase 3 milhões à editora melhoramentos para o desenvolvimento do projeto magia de ler.

Porém, mas, contudo, todavia…

Antes do recesso de julho escrevi um ótimo projeto [modéstia à parte] para trabalhar com blogs na educação, mas ele não foi aprovado.

Sabem por quê? Hãn, hãn… sabem?

Porque não tinham dinheiro para pagar aos professores trabalharem além de sua carga horária!!

Sobre a “parceria” com o Instituto Fernanda Keller, algumas perguntas:

  1. Alguém duvida que o professor de educação física da escola (concursado) seja capaz de realizar este trabalho?
  2. Alguém acha que ele pode realizar este trabalho com o parco tempo que ele tem de aula em cada turma, quando ele tem que ministrar suas aulas?
  3. Alguém acha que foi oferecido a ele tempo extra para desenvolver um projeto deste tipo, para além do tempo de suas aulas?
  4. Alguém acha que ele não tentou desenvolver um projeto deste tipo na escola, mas o projeto foi simplesmente negado ou desprezado?

Sim, ele tentou.

É isso o que eu quero dizer quando apelo: parem de inventar projetos, projetinhos e projetões!

Deem a educação ao professor!

Deem tempo, salário digno, oportunidades, materiais adequados, e os professores podem realizar a tão necessária revolução na educação.

Parem de vender a educação!!

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Sem tempo extra para realizar projeto, porque a FME “não tem dinheiro” para o professor

A escola que eu sonho é diferente da que tenho

A escola que eu sonho é diferente da que tenho.

Nada de gastar milhões com empresas ou institutos ou ONGs ou organizações sociais ou com ninguém mais do que aqueles que foram contratados – por concurso – para fazer a educação acontecer.

Para que a educação aconteça, é necessário dar aos profissionais de educação a estrutura necessária para tal.

Já falei por aqui talvez dezenas de vezes sobre os 4 ou 5 pontos que acho primordiais. Veja na Nova Carta Aberta esses pontos.

E também já sonhei se essa escola, se essa escola fosse minha…

Mas, fechando os olhos, ainda viajo e a vejo…

… Ela tem salas para cada professor e os alunos vão de uma sala a outra para ter as diversas aulas. Desta forma, as salas de aula ficam com “a cara” de cada professor, com seus materiais, sua maneira de ensinar, seus objetos pedagógicos.

… Mas, se isso não for possível por conta do quantitativo de professores da escola, façamos diferente: cada sala de aula é uma “sala ambiente ao estudo”, com mesas em grupo, estantes com livros para pesquisas, TV/DVD, aparelho de som, prateleiras com materiais, armários para os professores guardarem seus materiais, mapas disponíveis, alguns computadores conectados para pesquisa, dentre outras formas de incentivo ao estudo.

… Além dessas salas de estudo (antigas salas “de aula”), ela tem salas específicas, como, dentre outras:

  • sala de artes;
  • sala de teatro;
  • sala de leitura – ampla, arejada, iluminada e com um(a) professor(a) responsável;
  • sala de informática – grande, que caiba uma turma!, computadores conectados à internet, com um(a) professor(a) responsável – e para além dos computadores nas salas de estudo;
  • Sala de música;
  • Sala de Ciências…

… Os professores são bem remunerados e trabalham só nessa escola, em tempo integral. Eles não estão o tempo todo dentro de sala com uma turma, mas estão planejando projetos pedagógicos entre si; estão desenvolvendo os projetos; estão, sim, trabalhando os conteúdos de suas disciplinas, mas podem, para isso, contar com outros professores que estão na casa para sua ajuda.

… Os professores podem, com a sua experiência, perceber quais alunos têm mais aptidão para determinada atividade e formar grupos com esses alunos, para que tenham oficinas: de teatro, de artes, de esportes diversos, de cinema…

… Os professores podem, também, perceber quais alunos têm maiores dificuldades com alguns conteúdos específicos e, da mesma forma, montar grupos de estudos para reforço escolar.

… Isso porque eles ficam na escola se dedicando a ela, sem estarem dentro de sala o tempo inteiro. Isso porque eles recebem um salário decente para que possam se dedicar aos seus alunos sem se preocupar com seu rendimento.

… Os alunos, por sua vez, além das aulas das disciplinas do currículo comum, também podem escolher por quais caminhos querem se aprofundar, através das oficinas e grupos de estudo.

… Nessa escola há, espalhados pelos corredores e pelos pátios, diversos ambientes para os alunos em suas horas vagas: “cantos de leitura”; “cantos de desenhos”; “espaço do ping-pong”; “mesa do xadrex”, “jornal mural” etc.

E, nessa escola, os responsáveis também participam, orientam, visitam, ajudam a educar seus próprios filhos – e não são só chamados para ouvir falar mal do seu filho.

Pronto.

Acordei.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Sonhador

Descrição de uma experiência de projeto de educação ambiental na escola

Descrição de uma experiência de projeto de educação ambiental na escola

Este artigo escrevi há muito tempo, quando descrevi o projeto de educação ambiental que desenvolvi na Escola Municipal José de Anchieta, em Niterói, na qual estou até hoje.

Apresentei o trabalho no Encontro Perspectivas do Ensino de Biologia, em 2002.

A referência para o mesmo (publicado em resumo) é:

DIB-FERREIRA, D. R. A educação ambiental na Escola Municipal José de Anchieta, Morro do Céu, Niterói, RJ. In: VIII EPEB – Encontro Perspectivas do Ensino de Biologia, 2002, São Paulo. Caderno de Programas e Resumos do VIII Encontro Perspectivas do Ensino de Biologia. Campinas – SP : FE, 2002.

Espero que possa colaborar com novas ideias.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Educador Ambiental

 

A EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA ESCOLA MUNICIPAL JOSÉ DE ANCHIETA, MORRO DO CÉU, NITERÓI, RJ

Declev Reynier Dib-Ferreira
http://diariodoprofessor.com

INTRODUÇÃO

A Escola Municipal José de Anchieta, por sua própria localização, necessita de um trabalho de educação ambiental ininterrupto, pois situa-se ao lado do vazadouro de lixo da cidade, o que faz com que vários alunos e familiares trabalhem ou já tenham trabalhado no local, a cata de materiais para vender ou até mesmo comida para própria alimentação. Há ainda, nos terrenos em torno, áreas de vegetação, segundo Sisinno (1995), do tipo capoeirão, sendo uma floresta secundária bem desenvolvida, com aspecto de mata virgem, altura mediana a alta e sempre-verde.

Por conta disso, a questão ambiental sempre foi uma preocupação constante. Alguns professores promoviam e promovem eventos e atividades esporádicas, trabalhando porém, principalmente, em sala de aula.

Em 1999, em resposta à necessidade de ter atividades sistemáticas em educação ambiental que envolvessem toda a Escola, elaborei um projeto que foi aprovado pela coordenação, direção e demais professores recebendo apoio da Fundação Municipal de Educação. Este passou a fazer parte do Projeto Político Pedagógico da escola.

Diversas atividades foram e são desenvolvidas com a participação, em menor ou maior grau, de toda a Escola. O projeto vem sofrendo modificações para sanar falhas detectadas no decorrer dos trabalhos, no intuito de atingir seus objetivos: promover novas maneiras de melhorar o ensino de ciências no 2o segmento do ensino fundamental (5a a 8a séries) e desenvolver na comunidade escolar como um todo, uma consciência e visão crítica sobre os problemas ambientais, utilizando-se recursos como excursões, cursos, palestras, artes, teatro, poesias, na busca de uma melhor qualidade de vida.

Levamos em consideração, em nosso trabalho, como nos diz Neves (1992), que meio ambiente tem a ver com as condições de vida das pessoas, com lixo, água encanada, lazer, educação e saúde; e que, como citado por Mauro Guimarães (1995), a educação ambiental pode ser um agente dos processos de transformação social, promovendo conhecimento dos problemas ligados ao ambiente, vinculando-os a uma visão global.

DESCRIÇÃO DO PROJETO

O projeto inicialmente foi dividido em três focos de atuação: Lixo, Mata Atlântica e Saúde, desenvolvidos paralelamente para abranger as necessidades e demandas do local e alunos.

Pretendemos desenvolver uma nova consciência na comunidade escolar em relação ao lixo que produzimos, demonstrando na prática que este pode ter um destino diferente do que ora é dado. Na etapa Mata Atlântica temos como objetivos específicos conscientizar os alunos da importância desta para a nossa região e as conseqüências diretas e indiretas do desmatamento. Com o programa de Saúde queremos trabalhar a questão do cuidado com o corpo e a mente, além da relação direta entre nós e a degradação do meio ambiente.

Atividades

Diversas atividades foram e são desenvolvidas na escola:

– “Fala Zé”, jornal interno, com notícias sobre meio ambiente e o projeto e matérias feitas por alunos e professores;

– Reuniões e conversas com a comunidade escolar sobre cada nova atividade ou fase do projeto;

– Trabalhos professor/aluno na sala de aula;

– Palestras com profissionais convidados;

– Pesquisas;

– Trabalhos de artes, utilizando-se materiais reciclados;

– Peças de teatro;

– Festivais de poesia;

– Oficinas;

– Sub-projetos em conjunto com professores de diversas matérias;

CRONOLOGIA DAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS

Ano 1999

Este foi o ano inicial do projeto, quando foi formado o Grupo Técnico de Educação Ambiental e no qual os trabalhos foram, de certa forma, limitados pela falta de tempo livre de que dispúnhamos. Mesmo assim, diversas atividades foram empreendidas, como: excursões; participações em fóruns de educação ambiental; reuniões com demais professores; participação em concurso de ecoescultura, em Itaipú; participação em plantio de árvores no Parque da Cidade; palestras.

Esta primeira etapa serviu para buscarmos contatos e apoios, além de solidificar na escola, a idéia do trabalho em educação ambiental.

Ano 2000

Este foi o ano da consolidação do trabalho. Com tempos extras além da sala de aula, eu (professor de Ciências), uma professora de Geografia e outra de História pusemos em ação várias atividades que tiveram continuidade ininterrupta até o fim do ano:

Oficina Arte com Lixo. Voltada para o aproveitamento de materiais reutilizáveis (jornal, papelão, garrafas, latas, etc.) de forma a estimular a sensibilidade dos alunos, com produção de peças de arte e utilitárias. Foram realizados também, o cenário e roupas para peça da Oficina de Teatro, ornamentação para a Festa do Folclore e exposições diversas.

Oficina de Teatro. Os alunos escreveram, ensaiaram e representaram uma peça com tema de meio ambiente (A Sementinha), apresentada no Fórum Ambiental da Secretaria de Educação e na Escola.

Clube de Ciências. Voltado para o ensino da atividade de investigação, realizado através de experiências práticas. Foram realizados um herbário de árvores da região (para a realização de um catálogo de árvores da região do Morro do Céu), pesquisas sobre o desenvolvimento das plantas, montagens de terrários.

Clube de Jornalismo Ambiental. Os alunos liam jornais e revistas e selecionavam reportagens a respeito de meio ambiente, faziam entrevistas para o jornal, pesquisavam sobre o ambiente em torno da Escola, além da cobertura de festas e fóruns da escola e da Secretaria de Educação.

Campanha de conscientização em sala, nos ciclos iniciais. A professora de História regularmente entrava em sala contando histórias, realizando atividades voltadas para o meio ambiente, com uma linguagem adequada para a idade. Esta atividade tem a intenção de iniciá-los aos trabalhos do projeto. Entre outras, foram realizadas leituras de textos e conversas sobre temas afins, dobraduras, contação de histórias, produção artística.

Viveiro de mudas de Mata Atlântica. Recebemos a doação de sementes pelo Jardim Botânico do Rio de Janeiro e iniciamos os plantios.

Mini-museu., Organizado nos corredores em móveis doados pelo Lions Clube Niterói Vital Brazil. Nestes ficam expostos crânios, animais fixados, dentes, conchas, fósseis, além de animais vivos, como peixes e insetos.

– A Coleta seletiva de lixo foi iniciada este ano, porém, por falta de estrutura operacional, como espaço para estocagem e coleta diferenciada, foi paralisada e reiniciada no ano seguinte.

Palestras. Recebemos diversos profissionais que proferiram palestras sobre temas diversos: lixo e coleta seletiva, educação sexual, Educação Ambiental para os professores.

Outras: plantio de mudas de árvores, como Pau-Sangue e Pau-Brasil; aula externa de ciências no Zoológico de Niterói; participação nos Fóruns Ambiental e Cultural da Secretaria de Educação e da Escola.

Ano 2001

Diversas dificuldades nos acometeram em 2000 (duas professoras se desligaram da escola por motivo de mestrado e doutorado), o que nos levou a um novo remodelamento. Além disso, em conversas e depoimentos escritos com as demais professoras e professores da escola, estes se sentiam afastados do projeto, apesar de diversos alunos de suas turmas estarem envolvidos. Desta forma, este ano foi iniciado com atividades diferentes das que foram feitas até então.

Em todo o primeiro semestre dispomos de apenas um professor com três tempos de aula fora de sala para realizar as atividades, que se resumiram, durante este tempo, em:

– Visitas regulares no 2o ciclo (3a e 4a séries), nas quais se realizaram atividades como origami, confecção de terrários, reciclagem, poesias;

– Preparação de um jardim interno na escola, com a participação de alunos do 6o ano (5a série);

– Participação em concurso de ecoescultura, em Itaipu.

A partir do 2o semestre, com novos professores e mais tempo disponível, o projeto tomou outros rumos. Com o intuito de aproximar outros professores dos trabalhos, iniciamos alguns subprojetos:

– Projeto História da Escola. Um grupo de alunos coordenados pela professora de História está pesquisando e escrevendo a História da escola, na intenção de fazê-los conhecer a trajetória do local onde estudam. Esta será resgatada através de entrevistas com antigas funcionárias, professoras, diretoras, além de ex-alunos. Todas as fotos já tiradas da escola e de suas atividades foram organizadas, catalogadas e acondicionadas de forma adequada pela equipe. Um pequeno livro com os resultados será produzido no computador.

– Projeto Maquete da Região. Com o intuito de fazê-los conhecer melhor o local onde vivem, sua geografia e seus problemas, um grupo de alunos com a coordenação do professor de Geografia, construirá uma maquete da região do Morro do Céu. Esta será feita com material reutilizado.

Coleta Seletiva. Está sendo reimplantada, com o apoio da Companhia de Limpeza Urbana de Niterói (Clin).

Jardim Interno. Com um viveiro de mudas, plantas ornamentais, medicinais, uma pequena horta, compostagem e minhocário.

Projeto Caminhantes. Grupo de alunos que faz caminhadas ecológicas regulares, acompanhados por um guia e professores.

Concurso de Poesias. Com tema sobre meio ambiente, natureza e afins, envolveu toda a escola, com diversas poesias inscritas e solenidade de premiação.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Partindo da idéia citada por Azevedo (1999), de que a escola é um espaço definido e significativo onde as relações ensino/aprendizagem, interpessoais e profissionais, necessitam de mudanças e, com a noção da qual partilhamos, apresentada por Pedrini (1997), de que o que causa a degradação ambiental é, dentre outros motivos, a falta de educação ambiental, desenvolvemos este projeto com a convicção de suscitar mudanças, tanto a nível de aprendizagem escolar, quanto comportamentais e de consciência em relação ao papel de cada um na busca de uma melhor qualidade de vida.

Porém, a experiência de três anos atuando nos revelou diversos obstáculos que temos que superar na consolidação deste projeto. No primeiro ano ficou patente a necessidade de tempo livre, o que foi sanado no ano seguinte com o apoio da Fundação Municipal de Educação.

Neste segundo ano, embora muitas atividades fossem realizadas e vários alunos estivessem envolvidos diretamente, percebemos que houve falha na comunicação e envolvimento dos demais professores. Isso fez com que não se envolvessem no projeto e não contribuíssem de forma significativa. Cremos que o mesmo se aplica à direção e demais servidores. Procuramos sanar esta dificuldade, com subprojetos envolvendo outros professores, cada qual contribuindo em sua área.

Um trabalho deste tipo necessita de professores com tempo disponível para atuar fora de sala de aula. O professor pode desenvolver atividades em sala com enfoque nas questões ambientais, porém, talvez não como um projeto de educação ambiental, mas como atividades isoladas, como nos indica a cartilha “Educação Ambiental”, da Comissão de Defesa do Meio Ambiente da ALERJ (ALERJ 2000): “A E. A., por ser de responsabilidade de todos, será tema transversal, uma preocupação de toda a escola”.

Desta forma, uma das condições que, através de nossa experiência, podemos considerar fundamental para o sucesso e alcance dos objetivos, é uma equipe de professores, ou um professor responsável pelo projeto, que articule as atividades, faça as ligações com os demais professores, divulgue as atividades, enfim, que movimente toda a engrenagem. Isto só pode ser conseguido se esta equipe, ou se este professor, tiver algum tempo livre para atuar fora da sala de aula. O sucesso de um trabalho deste tipo depende da participação de todos na escola.

Por fim, a educação ambiental é um processo e, como tal, não deve ser interrompida no primeiro obstáculo. Os resultados vêm a médio ou longo prazo, através de atividades que sucedem atividades que, com o tempo, envolvem a todos em sua volta, desenvolvendo uma consciência de respeito ao próximo e ao meio ambiente.

Referências Bibliográficas

ALERJ, Comissão de Defesa do Meio Ambiente. Educação Ambiental – Como Elaborar um Projeto de Educação Ambiental. gráfica ALERJ, 2000(?).

AZEVEDO, G. C. de. Uso de jornais e revistas na Perspectiva da Representação Social de Meio Ambiente em Sala de Aula. In Marcos Reigota (org.) Verde Cotidiano: O Meio Ambiente em discussão. Rio de Janeiro: DP&A, 1999.

GUIMARÃES, M. A dimensão Ambiental na Educação. Campinas, SP: Papirus, 1995.

NEVES, e. & tostes, A. Meio Ambiente: A Lei em Suas Mãos. Petrópolis, RJ: Vozes, 1992.

PEDRINI, A. G. Trajetórias da Educação Ambiental. In Alexandre de G. Pedrini (org.) Educação Ambiental: Reflexões e Práticas Contemporâneas. Petrópolis, RJ: Vozes, 1998.

SISINNO, Cristina Lucia Silveira. Estudo preliminar da contaminação ambiental em área de influência do aterro controlado do Morro do Céu (Niterói – RJ), Rio de Janeiro: FIOCRUZ, 1995.

= = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = =

No Diário do Professor você encontra artigos e links sobre o dia-a-dia da Educação:

Planos de aula, Atividades, Práticas, Projetos, Livros, Cursos, Maquetes, Meio Ambiente… e muito mais!

Compartilhe!

Vídeo sobre sexualidade produzido na escola

Apresento um vídeo produzido em um projeto sobre sexualidade na escola em que trabalho em Niterói.

O projeto foi desenvolvido pela professora Adriana, de Português e a produção teve o apoio do BemTV, uma ONG de Niterói que trabalha com comunicação.

Participei do vídeo sendo entrevistado.

Ficou bom e parabenizo a professora e os alunos participantes.

Link: http://www.youtube.com/watch?v=WTB9W3OiR0o

Declev Reynier Dib-Ferreira
Entrevistado

Os projetos de trabalho são uma forma de dar aulas – uma educação diferente, quiçá melhor

Não me contive em escrever mais um artigo baseado em um comentário.

Este se iniciou com os comentários números 8 e 10, do Roberto, ao artigo Escola ou presídio em dia de motim?. (o comentério 9 é minha réplica).

Após discorrer sobre a problemática dos alunos-problema, o leitor manda uma frase meio rabugenta:

“Este é um problema pra voce , que vive falando de projetos que so servem pra aumentar salario de professores que querem se ver livres de dar aula”.

Depois dessa, eu argumento, entre outras, que

“Os projetos SÃO uma forma de dar aulas. Somente diferentes do que entende-se como ‘dar aulas’ desde 300 anos, com um professor verborragindo na frente e alunos ouvindo e decorando tudo atrás”.

E ele me replica dizenso que

“PROJETO não é forma de dar aula. PROJETO é apenas um projeto:plano;intento;empreendimento; redação provisória de lei;esboço;plano geral de edificação. O “entende-se como dar aulas” é talvez uma maneira sua de entender e que não ficou clara, até porque como se dava aulas a 300 anos atras?Talvez através de PROJETOS REAIS determinados pela côrte, hoje substituida por outros grupos??? Esse desvio da realidade sim caracteriza uma “verborragia” acadêmica desprovida de objetividade”.

Como vocês podem ver nos comentários originais, há mais discussões interessantes lá, apesar da forma grosseira como o autor se refere a mim.

Mas deterei-me sobre os projetos.

Como diz meu amigo Adauri, parafraseando Jack, o estripador: vamos por partes…

 

1 – Quando eu coloquei o “entende-se por dar aulas” há “300 anos”, falo da estrutura escolar desde há muitos séculos! Ela quase não mudou, oras!

Se alguém quer saber “como se dava aulas a 300 anos atras?” é só estudar história, oras! Basta fazer uma rápida pesquisa no deus Google pra achar alguma coisa.

E quando eu falei “300 anos” não estava falando de uma data específica, oras! Era um número qualquer para dizer “há muito e muito tempo”. Do tipo quando se fala “já estou há milênios te esperando!” ou “se você for lento assim vamos demorar 100 anos pra chegar!”.

Mas vamos aprender um pouco de história com este jornalzinho de linguagem simples:

“Os primórdios da escola como é hoje – um prédio com classes, alunos e professores – são do período de expansão do Império Romano sobre a Grécia”;

“Até o século XIV, a educação permaneceu nas mãos dos monges e com acesso restrito à elite. A sistematização e disseminação do ensino só ocorreu a partir do século XVII (…)”;

“Pela primeira vez, havia uma estruturação do sistema de ensino com a divisão da escola em níveis e com ritmos de ensino que se adequassem às idades e possibilidades das crianças”;

“A estrutura da escola continua a mesma dos seus primórdios. Um prédio, dividido em classes, para onde vão as crianças. Nas classes, carteiras e lousa.”

Sobre esta última frase… foi justamente isso que eu quis dizer, oras!

 

2 – Na maioria dos casos que escrevo aqui sobre projetos, escrevo exatamente sobre o que o próprio Roberto falou, retirado ipisis litteris, por ele e por mim, de um dicionário: “Plano para a realização de um ato; desígnio, intenção. (…)”.

Portanto, quando me refiro a projetos, na maioria dos casos, estou falando de um plano para a realização de um objetivo (exemplo, exemplo, exemplo). Um projeto tem um ou mais objetivos (intenção), e as ações nele descritas e esmiuçadas são para a realização destes objetivos.

Portanto, Roberto, quando falo de um projeto, falo de um projeto. Simples.

Mas podemos falar sobre outro tipo de projeto – os projetos de trabalho na educação. São projetos pedagógicos. Outra pesquisa rápida no todo-poderoso Google e achamos milhares de referências aos mesmos.

Estes, aos quais também me refiro por aqui (exemplo, exemplo, exemplo) SÃO UMA FORMA DE DAR AULAS, sim!, na minha humilde opinião.

 

3 – Portanto, os projetos não servem só “pra aumentar salario de professores que querem se ver livres de dar aula”, pois que em sua maioria eles não aumentam o salário dos professores, mas, ao contrário, aumentam imensamente a carga de trabalho.

Um projeto dá muito mais trabalho do que dar aulas como há 300 anos – ou seja, como explicado acima e nos milhares de links apresentados na rápida pesquisa: “Um prédio, dividido em classes, para onde vão as crianças. Nas classes, carteiras e lousa”. Nesta sala, o professor fala e os alunos ouvem.

Isso o que eu disse com isso. Simples.

 

4 – Concluindo.

Pode-se entrar na escola, dar aulas assim e sair achando que “tem um emprego, é um dito cidadão respeitável (…) que está contribuindo com sua parte para o nosso belo quadro social”.

Independente de quem tenha conseguido acompanhar e aprender um mínimo do que disse.

Obs.: Eu conheço professores que – sem exagero ou ficção da minha parte – entram em sala sem dizer palavra, escrevem no quadro “bom dia. Exercício da página tal”, sentam-se na sua cadeira e abrem o jornal. Ai daquele aluno que faça algo além do “exercício da página tal”. Quando a “aula” está acabando, levantam-se, colocam as respostas no quadro, esperam bater o sinal e vão embora. Isso quando fazem isso, pois podem simplesmente sentar e ler o jornal, sem nada mais (vamos expulsá-los sumariamente, como deveríamos fazer com os alunos-problema??).

Ou, por outro lado, pode-se dar aulas fazendo o aluno pensar; fazendo-o pesquisar; ensinando-o a buscar as informações e a encadeá-las com situações reais; fazendo-o “traçar planos” para o seu próprio aprendizado… ops!… eu disse “traçar planos para o seu próprio aprendizado”??

Oras, então são projetos!!!

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira