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Manifestações contra a Reforma da Previdência – 15 de março de 2017

Hoje ocorreram manifestações contra a Reforma da Previdência. Eu fui.

Costumo dizer que, para arrumar uma gaveta, a melhor maneira é jogar tudo em cima da cama, fazendo ainda mais bagunça, e depois arrumar.

Parece que estamos, no Brasil, com a gaveta toda jogada em cima da cama, mas com um bando de imbecis fazendo ainda mais zona com as coisas.

É tanta imbecilidade, tanto ataques aos direitos, tanta corrupção generalizada, que eu poderia dizer que é o pior congresso de nossa história, a pior presidência, as piores pessoas que lá estão [tá, tem a época da ditadura].

Então, se uma reforma na previdência é necessária, essa não é uma “reforma”. É o FIM da previdência.

Comecei a dar aulas com 29 anos, na matrícula de Niterói. Depois, entrei na matrícula do Rio com 34 anos. Antes, havia trabalhado, mas sem carteira.

Com a aposentadoria “especial” do professor, tenho que contribuir 30 anos pra me aposentar. Ou seja, em Niterói, aposento-me com 58 anos e, no Rio, com 63.

Isso que dizer que só saio da sala de aula com 63 anos!! E, hoje, com 46, já estou exausto.

Agora, as mudanças que o presidente golpista quer enfiar em nossas goelas, irão

  • acabar com a aposentadoria especial dos professores;
  • acabar com a possibilidade de duas aposentadorias;
  • fazer com que tenhamos que trabalhar 49 ANOS para aposentar.

Com isso, eu, que estou há muitos anos recolhendo 11 % dos meus salários para me aposentar nas duas matrículas que tenho, terei estas consequências:

  • não poderei me aposentar (receber) nas duas matriculas;
  • só terminarei minha saga com 78 anos (em Niterói) e com 83 anos (no Rio).

Alguém acha que uma pessoa pode trabalhar 49 anos – até seus 80 anos! – dentro de uma sala de aula lotada de adolescentes? Quem é professor(a), você se vê com 80 anos dando aulas para o Ensino Fundamental??

Então, falando seriamente, não sei o que fazer se isso passar. Provavelmente, largo tudo e saio do país – sim, tenho opções.

Portanto, para além do que irá acontecer comigo mesmo, é dever de todo mundo lutar contra estes imbecis que estão no poder. Não se trata mais “somente” de corrupção (mas também) – trata-se do fim de direitos fundamentais que levamos décadas pra conquistar.

Manifestações contra a Reforma da Previdência

Então, eu estava lá, com um monte de amigos.

Vejam as fotos e, se você é daqueles que fica escrevendo no Facebook coisas do tipo “cadê o povo nas ruas?”; “brasileiro é muito bobo!”, mas não sai de seu sofá: cale-se!

Aqui no Rio, a concentração foi na Candelária e caminhamos até a Central do Brasil. Tudo perfeito, tranquilo, com várias famílias, filhos pequenos.

Manifestações contra a Reforma da Previdência

Manifestações contra a Reforma da Previdência

Nós ficamos lá no finalzinho da passeata e pude ver um paredão imenso de policiais fortemente armados. A manifestação andava uns cem metros, eles vinham em paredão atrás, como que “empurrando”.

Em determinado momento, já caída a noite, começamos a ouvir bombas e fomos embora. Passamos por eles – com medo – e seguimos rumo às barcas, pra voltar pra Niterói.

Amigos nossos que ficaram até mais tarde, viram grupos de policiais distribuindo bombas entre eles. Cada um vinha e pegava as suas, retirando da embalagem.

Eles não estão lá pra proteger, mas para fazer com que a manifestação não termine de forma pacífica. A intenção é assustar a gente, pra que a gente fique calado.

Manifestações contra a Reforma da Previdência

Mas, da próxima, estaremos lá de novo.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira

Rio de Janeiro: A agonia de uma Escola Municipal

Por: Professora Jacqueline Guerreiro Aguiar

Sou professora da Escola Municipal Mal. Canrobert P. da Costa desde 1992.

A Escola é do Segundo Segmento (6º ao 9º ano) e se localiza no bairro do Anil, na Área de Planejamento 4 da Cidade do Rio de Janeiro. Dentre alguns indicadores da excelência de sua proposta podemos citar:

Educação Física

  • Participação relevante e vários prêmios em campeonatos: CRE, SME, Jogos Rotary, Jogos Militares…

Educação Física – Escola Inclusiva

  • Na 7ª CRE uma das 2 Escolas convidadas a participar do Programa de Capacitação de Professores, UNICEF

Ciências

  • Escola pioneira na discussão acerca do conceito de Segurança Alimentar e Soberania Alimentar, com as Feiras de Ciências na temática da Alimentação Saudável.

Ciências – Matemática – Artes

  • Por conta do trabalho desenvolvido pelos professores destas disciplinas, a Escola participou de Concurso com várias Escolas do Estado do RJ e foi a única a ganhar stand (gratuito) no I Encontro de Desenvolvimento Sustentável do RJ.

Informática Educativa

  • Escola da 7a CRE a ter no Banco de Capacitadores em Informática Educativa 3 professores;
  • Trabalho realizado pela Sala de Leitura exitoso foi convidado a fazer parte de programas da Multirio;
  • Projeto de Informática Educativa e História visto como exitoso e elogiado pela equipe do RioEduca;
  • Pela excelência do trabalho desenvolvido por alguns professores na Sala de Informática, foi a única escola do Município a ser convidada diretamente pelo MEC a participar do Encontro EDUTEC.

Geografia – História

  • Com projeto sobre o Canal do Anil visto como de excelência pela 7ª CRE, a escola foi convidada por esta a representar a CRE no Fórum 21 da AP4.

História

  • Com projeto na temática Ambiental nossa Escola foi a escolhida para fazer parte do Projeto Gigantes de Pedra durante a RIO+20.

Coordenação Pedagógica – História – Geografia – Ciências

Projeto de elaboração da Agenda 21 da Escola foi considerado exitoso e a única experiência efetiva de Agenda 21 Escolar nas escolas municipais do Rio de Janeiro , o que ocasionou a participação da Escola em programa do Globo Educação, na época da RIO+20.

História – Geografia – Ciências

Projeto na temática Ambiental e construção da Agenda 21 Escolar foi considerado exitoso pela Organização Internacional do Trabalho.

História

Projeto relativo à temática da Democracia e Meio Ambiente foi considerado exitoso pela UNESCO.

Sala de Leitura – Inglês

Ações que vêm possibilitando, mesmo sem a existência de professores de música, participação exitosa nos Festivais de Música da SME.

Historia – Geografia – Português

Ações contínuas, há anos, relacionadas ao resgate da memória histórica dos territórios da Escola e de seu entorno.

Matemática

Projeto de Jogos Educativos e Matemática foi referência em TCC e debatido em Universidades.

Educação Física

Projeto de Jogos Educativos considerado exitoso pela 7ª CRE , o que resultou em Projeto extracurricular.

Geografia

Projeto relacionado ao território de Jacarepaguá considerado exitoso pela 7ª CRE , o que resultou em Projeto extracurricular.

História

Projeto relacionado ao território foi considerado exitoso pela 7ª CRE, o que resultou em Projeto extracurricular.

Mas, mesmo com esta História, que compartilhamos um pouco, a 7ª CRE está levando à cabo um projeto que “finaliza” o Segundo Segmento até o início do ano que vem, transformando a Escola em Escola do Primeiro Segmento, sem que esta decisão tenha sido discutida com professores, responsáveis e comunidade.

Na região onde a Escola se localiza existe grande demanda de vagas e só existem duas escolas de Segundo Segmento e uma nova que está iniciando suas atividades (Ginásio Experimental), escola nova esta para onde estão sendo encaminhados vários dos alunos de 7º e 8º anos, fechando turmas e desorganizando a vida profissional de vários professores.

Os professores não temos clareza do que será de nossa vida funcional, para qual Escola seremos designados, numa atitude completamente desrespeitosa. O Ministério Público já sinalizou pelo fim da “Reestruturação” elaborada pela SME e, apesar da SME e 7ª CRE afirmarem o contrário, o que está ocorrendo com nossa Escola pode sim ser definido como uma “reestruturação”, o que fere a decisão do Ministério Público.

O SEPE já está ciente e invidando esforços no sentido de esclarecer esta situação.

[Este texto foi enviado ao Diário do Professor pela professora de História Jacqueline Guerreiro. Se você tem alguma história, denúncia, reclamação, projetos ou outros que queira divulgar, este espaço está aberto a você: nos envie!]

A escola tá um caos! – Por que será?

Chego à escola meia hora atrasado, atipicamente, depois de uma hora e quarenta minutos de trânsito, em pé em ônibus lotados e quentes – quando demoro, em dia normal, em média 40-50 minutos pra chegar.

No portão da escola, uma mãe irritada vem saindo e me pergunta: “Você é professor?”

– Sou.

– É novo?

– Ãhn?

– É novo na escola?

– Não. – Respondo, já sem paciência… (tenho 11 anos nesta escola).

– Você veio pra ajudar?

– Ãhn?

– Você veio pra ajudar a escola?

– Ãhn?

– A escola tá quase sem professor, um monte de turmas em horário vago, sem ter aula!

E ela veio falar isso PRA MIM, como a reclamar DE MIM, que sofro as mazelas da escola junto com os alunos, lá dentro e fora dela???

Mexeu com a pessoa e na hora erradas.

Respondo, ao final, já irritado de

  • 1:40h de engarrafamento;
  • salário achatado;
  • terem retirado o difícil acesso porque aqui “tem mais de duas linhas de ônibus” (menos R$ 222,00 no já baixo salário);
  • terem retirando e modificando as regras do plano de saúde;
  • receber apenas 12,00 de alimentação por dia de trabalho;
  • não ter ar condicionado na sala dos professores;
  • não ter nem bebedouro para os professores;
  • a escola estar sem cadeiras nem mesas para os alunos;
  • ter sala sem portas;
  • ter salas sem ar condicionado NEM ventilador…

– Tá sem professor porque as pessoas não aguentam, muitos estão doentes, de licença! Elas faltam porque não são respeitados, tiram tudo da gente e daqui a pouco estaremos pagando pra trabalhar. E tudo cai na cabeça do professor!! Assim é melhor ficar em casa!!!!

Entrei e fui trabalhar.

Está em curso um processo muito bem engendrado de falência intencional da educação pública na cidade do Rio de Janeiro.

Mas a secretária que começou isso saiu com láureas e o prefeito que impõe a falência é reeleito.

E um bando de ignóbeis ainda vocifera “chega de Paulo Freire”.

Pais lindo, povo gentil.

Abraços,

Declev Reynier Dib Ferreira
Cansado

Viva a valorização dos professores do Rio de Janeiro: saiu o 14º salário!

É claro que este título é uma ironia.

Uma ironia e uma crítica a um dos sistemas mais injustos e desumanos jamais aplicados aos professores.

Não gostaria de me estender muito neste assunto, pois já tratei dele por aqui várias vezes:

Mas acho importante falar disso mais uma vez, afinal, continuam vendendo isso como uma boa ideia e um investimento na educação e na valorização dos professores.

Minha escola não recebeu o 14º salário este ano, porque os alunos não aumentaram a nota no Ideb. Muito pelo contrário, a nota caiu. Outras tantas escolas receberam porque aumentaram as notas no Ideb conforme os parâmetros estipulados pelos maravilhosos gestores.

Isso é sinal de quê?

É sinal de que os professores de minha escola trabalharam menos? Não.

É sinal de que os professores de minha escola faltaram mais? Não.

É sinal de que os professores de minha escola são menos competentes? Não.

É sinal de que os professores de minha escola se importam menos com os alunos? Não.

É sinal de que os professores de minha escola se esforçaram menos? Não.

É sinal somente de que os alunos de minha escola não foram tão bem nas provas. Só. E isso pode se dar por inúmeros fatores, conforme eu já havia falado à secretária – na época futura, hoje ex – em minha Carta Aberta.

Mas esta política só serve para culpar e punir os professores, independente de todo o trabalho, a competência, o esforço que eles possam ter feito – e, pode ter certeza, fazem [não estou aqui para falar das exceções, que sempre existem, mas de uma classe profissional como um todo].

Agora, se a gente pensar na estrutura da rede municipal como:

Alunos –> professores –> direção –> CRE –> Secretaria

podemos perceber que, por esta lógica, se os alunos não aumentaram as notas e culpa-se os professores, poder-se-ia culpar a direção; se se culpasse a direção, poder-se-ia culpar os burocratas da CRE; e, por último, se se culpasse os burocratas da CRE, poder-se-ia culpar a Secretaria de Educação e os maravilhosos gestores!

Percebe-se, então, que um sistema que pune e culpa não funciona, é injusto e, até mesmo, imoral.

Ora, argumentaria alguém contra este raciocínio: “o fato de se ter escolas que alcançaram as metas e escolas que não alcançaram as metas significa que não é culpa da CRE nem da Secretaria, visto que, se fosse, nenhuma escola alcançaria”.

E então eu rebato: ora, a nota de uma escola é feita a partir de uma média dos alunos: há alunos que alcançam notas maiores e há alunos que alcançam notas menores, então, também não é culpa do professor, pois que se fosse TODOS os alunos iriam mal!

No mais, a prova não é feita por todos os alunos da escola, mas sim de um determinado ano de escolaridade e nem todos os professores dão aula para aquele ano.

Portanto, percebe-se que este tipo de política não serve para “premiar” professores por seu trabalho, mas sim para “punir” os professores – independente do trabalho que realizem.

Vejamos.

Outro dia vieram algumas pessoas da CRE aqui na escola. Eles vieram em minha sala e viram alguns trabalhos que eu faço, minha rotina. Ficaram encantados com um trabalho de construção de sistemas do corpo humano utilizando papelão, coisa que eu faço há muitos anos e sobre o qual eu até já escrevi aqui e que estava realizando novamente.

Disseram “puxa, que legal, quando eles lêem eles esquecem, mas quando fazem um trabalho assim, prático, levam pra vida toda!”

corpo humano

E também gostaram de uma iniciativa minha de improvisar uma mesa [com um pedaço de madeira] do lado de fora da sala, no corredor, onde eu havia colocado livros e revistas para leitura, no intuito de levar o hábito de leitura para outras partes da escola. Me ofereceram mesas novas e um armário para colocar as publicações.

leitura na escola

Mas… eu e meus colegas não recebemos o maravilhosos prêmio do 14º salário, porque os alunos que fizeram as provas não alcançaram as metas estipuladas.

Independente de todo o meu trabalho.

E, pérola das pérolas: professora perde bonificação após morte do filho.

É isso mesmo que você leu! A professora tirou a licença de 8 dias por conta da morte do filho dela e, por isso, não tem “direito” a receber o prêmio.

Eu poderia me estender muito mais sobre a monstruosidade desta política, mas acho que já deu pra perceber o que venho dizendo.

Valorização não se faz com a desvalorização total do salário para que os funcionários fiquem reféns e escravos de esmolas, conforme já demonstrei aqui, com números, que a prefeitura do Rio vem fazendo.

Desta forma, se alguém em algum delírio psicótico pensa, por um segundo sequer, que por conta disso eu – e com os outros professores provavelmente passa a mesma coisa – irei me “motivar” a trabalhar mais para ganhar uma esmola no fim do ano, interne-se.

Por conta desta política extremamente injusta, eu largo de mão cada vez mais a educação. Eu desacredito cada vez mais na escola. Eu falto sem pudor, sempre que necessito. Eu não tenho o mínimo ânimo em me estressar para dar aulas e ensinar a um público que cada vez menos quer o que eu tenho a oferecer. Me esforçar para quê?

Eu desisto pouco a pouco dentro de sala.

Esta política tem efeito contrário.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Sem 14º, mas contra o 14º

“Não haverá reforma eficiente na educação sem melhorar o salário do professor”

“Não haverá reforma eficiente na educação sem melhorar o salário do professor”.

Que lindo!

Quem disse isso? Claudia Costin, ex-secretária municipal de educação do Rio de Janeiro – agora alçada ao Banco Mundial pelos seus “relevantes serviços” à educação.

É sério! Ela disse isso mesmo! Veja aqui.

Que queu posso dizer em relação a esta afirmativa que não seja ofensivo? É uma ironia? Sarcasmo? Brincadeirinha?

“Por que, Declev?”, poderia me perguntar algum desavisado que acredita em tudo o que lê.

Ora – respondo eu – porque eu tenho experiência própria. Sou professor do município do Rio de Janeiro há 11 anos e professor do município de Niterói ha 16 anos.

Quando entrei no Rio, eu tinha 5 anos de Niterói. Quando entrei no Rio, ganhava 20% a mais – no salário bruto – do que em Niterói.

E, hoje, depois de alguns anos de administração eduardo paes e claudia costin, eu recebo no Rio em meu salário bruto nada mais nada menos do que dois mil reais A MENOS do que Niterói.

Passou, em alguns anos, de 20% A MAIS pra 2 mil A MENOS, em comparação com minha outra matrícula.

Ela promoveu o maior achatamento salarial que eu já vi. E agora solta uma frase dessas?!? Só pode ser escárnio!

Mas a coisa ainda pode ser pior, acreditem. Há outras pérolas na reportagem linkada acima.

Segundo a matéria, a ex-secretária acha que os professores não devem ser tratados como vítimas. Segundo suas palavras:

“É preciso haver mais respeito da sociedade pela função do mestre […]  ele deve se ver como uma vítima. Ele tem que se tratado como um profissional com dignidade. Isso não quer dizer não só um salário contente [sic], como quer dizer também respeito social pelas suas práticas.”

Pois então, retornando às suas ações durante sua gestão na secretaria de educação municipal do Rio de Janeiro, eu posso dizer, sem ter medo de ser injusto, que foi uma das mais desrespeitosas às práticas dos professores que eu já tenha tomado conhecimento.

Os saberes e práticas dos professores foram absolutamente desqualificados e esquecidos, marcando-se a gestão pela compra – sempre SEM LICITAÇÃO, diga-se de passagem – de diversos programas, projetos, materiais advindos de fundações, instituições e gráficas particulares, em detrimento do conhecimento do professor.

Eu já falei diversas vezes por aqui (veja aqui alguns exemplos). O professor passou a ser um mero reprodutor de conteúdos produzidos pelas empresas, como da sangari, fundação roberto marinho, instituto airton senna ou de uma apostila mal feita impressa em uma gráfica que, quem sabe?, pode ter apoiado a eleição do prefeito.

E, agora, ela acha que o professor tem que ser respeitado e ter um bom salário.

Ao menos fez-me rir, porque eu choro de raiva toda vez que vejo o contracheque que herdei de sua gestão.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Recebendo dois mil reais A MAIS em Niterói

Aluno leva tiro na cabeça dentro de sala de aula – Escolas Roletas-Russas

Esta semana fomos surpreendidos pela notícia de um aluno que foi baleado na cabeça dentro de uma escola no Rio de Janeiro. Aconteceu na Cidade de Deus, bairro imortalizado em um filme e com famoso histórico de violência.

O aluno estava SENTADO em sala de aula do TERCEIRO andar, quando caiu da cadeira. Os amigos pensaram que ele tinha levado uma pedrada e chamaram o professor, quando este percebeu que se tratava de uma bala “perdida”. Mais uma bala perdida que se acha.

Soube que NINGUÉM do SEPE ligou pra escola nem foi lá.

Soube que NINGUÉM da CRE [Coordenadoria Regional, órgão da Secretaria de Educação] ligou ou foi lá prestar algum auxílio. Somente depois de tudo é que eles “telefonam pra dizer o que fazer”. Segundo a secretaria, ela “mantém um programa em que envia pedagogos, psicólogos e assistentes sociais às escolas em casos de situações difíceis” (fonte).

Como sei disso? Uma amiga minha dá aulas naquela escola e estava lá no dia. Ela ajudou a socorrer e acalmar o caos que a escola ficou.

Nós estamos sujeitos a isso todos os dias. É uma roleta-russa diária. Podem querer argumentar que qualquer pessoa está sujeita a estes acontecimentos em qualquer lugar. Mas não é a mesma coisa.

Praticamente os únicos profissionais que entram nos locais de conflito por estas bandas – que matam mais que qualquer guerra no mundo – são os policiais e os professores.

Com a diferença que os policiais entram armados e para matar. Os professores entram “na mão”.

Mais ninguém.

A fatalidade que atingiu este aluno poderia ter ocorrido com qualquer outra pessoa que estivesse ali dentro daquela sala de aula. E, adivinhem: quem mais estava lá dentro, além dos alunos e professores?

Alguém da secretaria de educação? Não.

Algum policial? Não.

Algum político? Não.

Algum especialista em educação dos que ficam verborragiando suas verdades e nos dizendo como devemos proceder na escola? NÃO mesmo!

Por acaso o empresário economista que se diz “especialista em educação” gustavo ioschpe que adora dizer que os professores são incompetentes estaria lá? NUNCA!

Algum deles, por acaso, algum dia poderia ter a mínima chance de lhes ocorrer alguma fatalidade dentro de uma sala de aula?

NUNCA! Sabem por quê? Porque a sala de aula NÃO É nem NUNCA FOI o local de trabalho deles! É somente o local do qual adoram falar sobre, sem NUNCA terem tido nem mesmo uma semaninha de experiência de tratar com uma turma de crianças e adolescentes de uma escola de periferia ou de comunidade violenta.

E, quem já entrou e saiu, esqueceu.

Mas, claro, adoram defecar asneiras pela boca, afirmando que as escolas devem ser classificadas em “Melhores” ou “piores” conforme as “notas” do alunos. Ou que os professores não devem ganhar bem porque não sabem trabalhar. Ou que somente devem receber “bônus” salariais aqueles que tiverem “bons resultados”.

Vejam alguns posts nos quais já falei sobre isso:

Agora gostaria que estas ANTAS (já pedindo perdão aos amigos perissodáctilos) me digam que justiça se tem em comparar os resultados obtidos nestas escolas localizadas em áreas de verdadeiras guerras urbanas com outras localizadas em áreas mais nobres da cidade.

Gostaria que as BESTAS defensoras da meritocracia me digam: como se estuda decentemente nestes lugares?

Se a violência não entra na escola janela adentro, entra no imaginário, no psicológico, na estrutura emocional, na fala, nas atitudes dos alunos.

Mas entra.

E enquanto a violência entra nas escolas de todas as maneiras, dissimulações, imbecilidades, falcatruas, roubos, desvios e propostas idiotas saem “pelo ladrão” de dentro dos podres poderes.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Sobrevivente

Ainda o fantasma da meritocracia na educação

Qualquer ser com mais de dois neurônios e que pare para utilizá-los, vai perceber que a meritocracia baseada em “resultados” não funciona com a educação. Me desculpe a grosseria misturada com franqueza, mas este tema me irrita.

Eu já falei por aqui diversas vezes sobre este assunto, veja algumas:

Isso é coisa de quem trabalha com coisas, e não com gente.

Ora, por mais que uma determinada estrutura física pudesse ser a mesma em todas as escolas, o seu público não é. Então, a escola estar situada em uma zona de conflito, onde tudo falta, será bem diferente do que uma situada em bairro tranquilo e seguro de classe média.

Como medir meritocraticamente os profissionais das duas? Pelos resultados de seus alunos? Pelas faltas?

Supõe-se, entretanto, que um professor que está em uma sala de aula com 40 alunos provenientes de um bairro violento vai se desgastar – física e mentalmente – muito mais do que um que está em uma sala com 25 de um bairro que tem todos os direitos sociais assegurados.

Como exigir que ambos tenham o mesmo rendimento ou as mesmas faltas?

Uma escola situada em bairro dominado pelo tráfico – sim, isso existe, gente! – fecha suas portas diversas vezes ao ano por conta da violência. Isso fora quando não fecha, mas tem aulas no meio de uma guerra, com os alunos estressados, amedrontados ou excitados demais para ouvir o professor.

Como querer que eles tenham os mesmos resultados que outros?

Como eu disse, isso é coisa de quem trabalha com coisas, não com pessoas.

É muito fácil fazer isso em uma fábrica: o trabalhador que fizer mais “coisas”, com as mesmas condições de trabalho, é melhor que outro (e ainda assim, há variáveis, como a própria vida de cada trabalhador).

Se você dá mais condições, aumenta o salário, compra novos equipamentos, oferece novas oportunidades, você há de esperar que o operário consiga fazer mais “coisas”.

Mas “coisas” não têm vontade própria, não sofrem com a violência, não te respondem, não dizem “eu não quero fazer isso”, não são traumatizadas por violências sexuais ou físicas, não passam mal, não têm medo.

Coisas são coisas.

Pessoas são pessoas. Têm livre-arbítrio, têm medo, sofrem, têm dor de barriga, ficam doentes, escolhem se vão realmente ler o livro e estudar – como o professor propõe – ou vão ficar somente olhando para o livro fingindo ler alguma coisa.

Mas, eis que, então, o setor industrial – este mesmo que doa (empresta) milhões para a campanha de políticos corruptos, que muitas vezes explora a mão-de-obra de seus funcionários de forma injusta, que produz os bens de consumo que só aquela classe média que tem toda  a estrutura pra estudar pode comprar, enquanto os outros são compelidos a ter vontade de ter, sem poder, eis que este setor que trabalha com coisas, resolve interceder na educação – que trabalha com pessoas – porque acha que a educação está ruim.

Diga-se de passagem, esta mesma educação levada a cabo pelos políticos corruptos que eles mesmos ajudam a se eleger por meio de doações milionárias.

Eles querem “influenciar a política educacional”. Então,

Preocupada com a perda de produtividade do trabalho na economia brasileira e ciente de que a qualidade do ensino tem impacto em várias atividades, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) está determinada a influenciar mais os rumos das políticas educacionais no país e lança estudo com 11 recomendações que possam contribuir com um avanço da educação nacional.

Segundo a cni, a  educação pública tem que estar mais “alinhada” com o mundo do trabalho.

Para isso, dentre outras propostas, sugerem uma gestão da educação e a alocação de recursos baseada em avaliação e resultados e, para isso – lá vem ela de novo – deve-se tratar da meritocracia para os professores.

Vejam: eles querem “a alocação de recursos orçamentários ‘com base em resultados e meritocracia'”!! Isso quer dizer o quê? Que as “piores” escolas – provavelmente aquelas que mais precisam – devem receber menos recursos???

Para os jênios que fizeram o documento, a meritocracia “cria condições adequadas de trabalho para atrair e reter os melhores e mais talentosos profissionais da área de educação.”

Para eles,

“É uma forma de a educação evoluir evitando desperdícios. Quem critica segue uma lógica corporativista e expõe uma visão atrasada no debate educacional. Não existe atividade humana que avance sem gestão nem meritocracia. Ao mesmo tempo é preciso investir mais nas escolas e alunos com os piores desempenhos, isso é um approach de cidadão, de inclusão”, avalia Lucchesi.

Eu sublinhei a passagem acima, pois os jênios entendidos de educação acham que ser contra a meritocracia na educação “expõe uma visão atrasada no debate educacional”.

Mas, vejam, os EUA já fizeram isso há mais de 20 anos e, hoje, percebem que não dá certo e estão tentando voltar atrás. Quem diz isso? Nada menos do que Diane Ravitch, a pessoa que implantou este sistema por lá. Ela ja fez o mea culpa e explicou os motivos para que não dê certo. Já falei sobre isso por aqui, no post a vanguada do atraso.

E eu que sou contra que tenho uma visão atrasada?

Como eu disse, quem trabalha com coisas, não deveria dar pitacos como entendidos em educação, que trabalha com pessoas.

Mas uma das últimas frases resume todo o pensamento político-filosófico-pragmático-ideológico por trás da inocente iniciativa:

“As empresas precisam se engajar mais na formação das pessoas. É preciso atrair e reter talentos e treinar recursos humanos para as condições específicas da empresa e da sua cadeia de valor.” Fonte

Sem mais.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira

Cada um tem o apoio que merece

A secretária de educação do Rio de Janeiro, claudia costin, recebeu pelo Twitter uma frase de “apoio” de um professor da Universidade de Brasilia – UnB.

Segundo o ilustre professor,

“Solidariedade de @tocqweb [Paulo Kramer] a Cláudia Costin, que com espírito público e elegância, enfrenta uma corporação egoísta, obtusa e irresponsável!”

Ela cordialmente agradece ao “querido”.

Vejam o print:

paulo kramer racismo

Mas, eis que, então, recebo um link (de 2007) que se refere ao ilustre professor com a seguinte chamada:

Professor da UnB acusado de racismo é suspenso

Eu tenho, sim, algumas críticas a minha categoria de professores. Mas não acho que seja uma categoria egoísta, obtusa e irresponsável. Essa opinião eu tenho, justamente, da secretaria de educação e do governo.

E eu acho que uma das coisas que justamente concorre para a má fama da nossa categoria de “professores”, muitas vezes, são notícias como esta na imprensa.

Mas uma coisa eu tenho certeza que não somos, como uma categoria: racistas.

Ups!, foi mal…

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
NÃO racista e CONTRA o racismo

p.s: Cada um tem o apoio que merece:

Artistas se engajam no apoio aos professores do Rio

 

Descaso e violência aos professores – Homenagem do estado e prefeitura do Rio de Janeiro

Ontem foi Dia dos Professores.

Apesar de não ter tanto a comemorar, tentei fazer um post que fosse agradável e esperançoso.

Mostrei algumas das diversas homenagens e palavras de carinho que recebemos dos nossos alunos.

Hoje, vou mostrar a vocês como o Estado e o Município do Rio de Janeiro na gestão do sérgio cabral e eduardo paes, respectivamente – ambos do pmdb e apoiados pelo pt, ex-partido dos “trabalhadores” – tratam seus professores.

Fiquem com as imagens:

Batalhão de choque

Professores em greve são chamados para explicar faltas à Secretaria do Rio

Telegrama professores

Spray pimenta

Professora é eleita personalidade educacional do ano de 2013  EBAPE  FGV

 

Foi mal professor

Polícia retira à força

'Estado do Rio paga os melhores salários para professores', diz Cabral

paulo kramer

pedro paulo

Spray de pimenta

Presidente da Câmara do RJ diz que não vai retirar professores à força - Notícias - UOL Educação - Google Chrome

Professores grevistas são retirados da Câmara à base de força - Rio - O Dia - Google Chrome

Spray

RJTV 1ª Edição - Professores da Rede Pública fazem nova greve no Rio  globo.tv - Google Chrome

Pai preocupado 2

Pai preocupado

Balas

Pra finalizar, algumas notícias relacionadas, mas que ainda me debruçarei sobre elas.

Se alguém tem alguma dúvida de que elas estão intimamente ligadas, com todo respeito, assine a revista veja, porque se merecem.

Brasil fica no penúltimo lugar em ranking de valorização do professor

Brasil é um dos países que menos respeita professor, diz estudo

Professor brasileiro é um dos mais mal pagos do mundo

Versus

Brasil fica no 88º lugar em ranking de educação da Unesco

Brasil avança, mas educação freia desenvolvimento, indica IDH dos municípios

Sem mais.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Professor

Por que vale a pena ser professor?

Dia dos professores.

Os grandiosos gestores da educação, que só vêem números, nunca terão esse prazer.

Aqueles que cismam em achar que a educação pode ser educação sem valorizar os professores, talvez nunca entendam.

Os que sentam em suas cadeiras confortáveis com o ar condicionado frescando a traseira enquanto assinam documentos vis, nunca receberão.

Mas eu, assim como meus amigos, recebemos anualmente – e sempre – mensagens carinhosas de alunos e ex-alunos.

É assim que vemos que SIM, nossos esforços valem a pena e não são em vão.

Tenho a prazerosa certeza de que eu consigo, como professor, tocar positivamente a vida de muita gente, mesmo que, no dia a dia, não perceba isso.

O meu amigo e colunista aqui do blog, professor Luiz Eduardo Farias, já falou um pouco sobre isso também, no post O que faz o professor pensar em desistir e o que o motiva a permanecer?

Bem, chega de falar e vejam as mensagens, para mim e alguns colegas, que chegaram a me emocionar.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Professor

Cris Moura - 2012

Elizabeth Nunes - 2013

Gabriela Vidalete - para vários Giseli de Souxa -Alex Huche

Jéfferson Oliveira - 2013

Kalliny Siilva - 2013

Para Bianca Roriz e outros

Para Bianca Roriz

Para Evelyn Almeida - 2013

Priscila Ramos - 2012

Thalia Motta - 2013

Wayna Marques - 2013

 Luiz Felipe - 2013