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Teatro na escola: o que aprendi?

Existe muita coisa errada na Educação. Nada que não tenha sido exaustivamente discutida por muitos especialistas. Como não considero um deles, vou apenas fazer algumas considerações baseadas em ideias que tenho há algum tempo e que foram reforçadas com uma experiência maravilhosa que tive em uma das minhas escolas: o Teatro na escola.

Pra início de conversa: escola não é fábrica! Portanto, não devemos comprar o modelo industrial para produzir seres moldados conforme o padrão do mercado. Retiramos a humanidade da escola (se é que algum dia ela esteve presente) e viramos formadora de especialistas. Não importa o que ele vai fazer com esse conhecimento, basta tê-lo. Será?

Uma das maiores atrocidades da História (para alguns – a maior) foi fruto de uma sociedade extremamente organizada, disciplinada e muito bem escolarizada. Os alemães eram grandes especialistas. Tanto é verdade que conseguiram exterminar 6 milhões de judeus com uma velocidade e precisão digna de um país altamente desenvolvido.

Estamos formando engenheiros que são perfeitos conhecedores das ciências exatas, mas que é capaz de construir um prédio com areia da praia. Os políticos que hoje assombram o país com escândalos de corrupção passaram pela escola e aprenderam direitinho as lições de Português. São belos oradores. E os médicos? 10 em ciências! Que formidável! Mas é o mesmo que assina o ponto no Hospital público e vai embora correndo ganhar mais dinheiro na sua clínica particular.

Sei que você pode pensar: “Mas essas questões éticas são responsabilidade da família”. Sim, concordo plenamente. Mas o que fazer quando ela não cumpre o seu papel? A escola deve simplesmente ignorar? Se preocupar apenas com o conteúdo curricular?

Desenvolver o aspecto cognitivo é tarefa primordial da escola, mas sem valores humanos não temos uma sociedade melhor. E é papel da escola buscar uma sociedade melhor. Como fazer isso?

Deixar o aluno sentado em uma cadeira por horas e depois mandar ele pra casa com certeza não é o caminho. A escola supervalorizou a sala de aula. Daí estarmos com uma legião de alunos entediados, torcendo para ter uma aula vaga. Só assim ele tem um momento de liberdade, para movimentar o corpo, viver experiências.

A escola aprisiona os corpos dos alunos e eles resistem. Como pássaros, só querem voar. Mas por que não voar dentro da escola?

O colégio dos meus sonhos tem muito mais do que salas de aula. Nela há um auditório de música, onde os alunos podem aprender diversos instrumentos e soltarem suas vozes em lições de canto. Dentro do ginásio, existem diversas modalidades esportivas. É só escolher uma: tem um time de futebol, outro de basquete, vôlei, handebol, judô, ginástica, tênis de mesa… Na sala de artes encontramos quadros sendo pintados, desenhos ilustrando belas histórias e até mesmo pequenas esculturas sendo moldadas.

E, é claro, um belo espaço para um grupo de Teatro, onde os alunos podem explorar sua criatividade, o convívio em grupo, o controle sobre seu corpo, sua voz, e tudo isso sem deixar de estudar, pois o texto, a temática, o cenário, a música, o figurino e vários outros elementos do universo teatral são frutos de muito estudo.

Sei que foi uma introdução longa, mas tudo isso que escrevi até agora é apenas para mostrar pra vocês como estou feliz e realizado de ter conseguido montar uma peça teatral em uma das minhas escolas.

Nosso trabalho: Teatro na escola

O trabalho que fizemos em poucos meses de preparação e ensaios foi muito maior do que todos nós imaginávamos, inclusive eu. Começamos só com uma ideia e em pouco tempo estávamos com um espetáculo, em todos os sentidos.panfleto_Je suis sobrevivente

A peça tratava do Holocausto, mas usava a intolerância do mundo atual como gancho inicial e reflexão final. Foram 12 alunos envolvidos, que aceitaram ficar além do horário sem ganhar nenhum décimo de nota em troca. Eu fiz o mesmo. Passei horas, antes destinadas ao descanso, dirigindo os ensaios e cuidando de toda a produção da peça, sem ganhar um centavo a mais de salários. Pelo contrário, parte dele foi usado em alguns momentos, pois não queria pedir nada à escola.

Meu objetivo era simples: queria mobilizar os alunos, professores, equipe pedagógica e direção para provar que fazer arte na escola não é uma atividade complementar. Isso deve ser incentivado com a mesma importância que as disciplinas tradicionais. Nada mais convincente do que mostrar uma experiência de sucesso. E ela aconteceu!

Meus alunos fizeram várias apresentações, levando a mensagem da peça para cerca de 500 pessoas, entre pais, colegas, professores e funcionários. O impacto foi impressionante. O espetáculo emocionou a todos, inclusive nós que proporcionamos a existência dele.

Não tenho mais palavras para agradecer esses meus queridos alunos que entraram nesse barco comigo sem imaginar que chegaríamos em terra firme. Tenho orgulho de cada um deles, desde os que chegaram sem conseguir falar uma palavra, passando pelos que choravam só de pensar em falar na frente das pessoas até os mais habilidosos que fizeram tudo com uma leveza de profissional, todos eles são inesquecíveis.

O Teatro na escola, portanto, me proporcionou não só uma realização profissional. As horas de convivência desenvolveram uma admiração mútua, uma amizade sincera e um sentimento de ter feito parte de algo que não vai ser esquecido.

Após esta experiência, pude ver que meus pupilos são mais humanos. Eu me tornei mais humano. A escola se abriu para a possibilidade de ser mais humana. Missão cumprida!

Teatro na escola

Contos de fadas e outros livros

Esta relação de sites abaixo me foi enviada pela minha colaboradora e amiga Regina Milone.

São sites com contos de fadas e outros livros (muitos para downloads), visando a Educação Infantil e o educador.

contos de fadas

Tem sites para todos os gostos e que valorizam a literatura infantil. Ótimos para valorizar a leitura desde cedo!

Agradeço a ajuda da Regina e espero que seja bem útil pra vocês.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira

Livro de entrevistas sobre Educação Ambiental

Foi lançado um livro com a compilação das entrevistas sobre Educação Ambiental da Revista Eletrônica Educação Ambiental em Ação.

O livro é digital e está disponível para download gratuito.

O livro foi organizado por Berenice Adams, idealizadora do GEAI, pesquisadora, autora de diverso livros sobre educação ambiental.

Livro: “Coletânea de Entrevistas da Revista Eletrônica EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM AÇÃO”.

Entrevistas

São mais mais de cinquenta experiências, de diferentes atores sociais que, direta ou indiretamente, possuem vínculo com a Educação Ambiental.

Todos foram entrevistadas ao longo dos 12 anos da revista virtual Educação Ambiental em Ação (entre 2002 e 2014).

Para download do livro, clique neste link.

Eu participo com uma entrevista.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira

 

Entrevista para o Programa Conversas, de Cabo Frio

Participei, há algumas semanas, de uma entrevista para o Programa Conversas, de um canal fechado de Cabo Frio, Rio de Janeiro (o Jovem TV, canal 8).

A dona do programa e entrevistadora é Natália Reynier, moradora de lá e uma “agitadora” social, política, cultural da região.

Coloco abaixo a entrevista, na qual conversei sobre educação ambiental, com foco nos resíduos sólidos.

Espero que gostem!

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira

https://www.youtube.com/watch?v=9Ft9ZOTNv8E

Não deixem também de ler alguns de meus escritos (monografia, dissertação, tese e outros).

ENEM – Temas das redações de todas as edições

ENEM – Temas das redações de todas as edições

O ENEM é o Exame Nacional do Ensino Médio, uma prova criada em 1998 pelo MEC – Ministério da Educação. Esta prova é utilizada por diversas universidades como acesso aos seus cursos, através do Sistema de Seleção Unificada (SiSU).

Tem duração de dois dias, contém 180 questões objetivas e uma questão de redação.

O peso da nota da redação para ingresso nas universidades varia conforme cada instituição. De qualquer maneira, é extremamente importante fazer uma boa redação.

Veja aqui os temas das redações de todas as edições do ENEM:

1998 – Viver e aprender

1999 – Cidadania e participação social

2000 – Direitos da criança e do adolescente: como enfrentar esse desafio nacional

2001 – Desenvolvimento e preservação ambiental: como conciliar os interesses em conflito?

2002 – O direito de votar: como fazer dessa conquista um meio para promover as transformações sociais que o Brasil necessita?

2003 – A violência na sociedade brasileira: como mudar as regras desse jogo

2004 – Como garantir a liberdade de informação e evitar abusos nos meios de comunicação

2005 – O trabalho infantil na sociedade brasileira

2006 – O poder de transformação da leitura

2007 – O desafio de se conviver com as diferenças

2008 – Como preservar a floresta Amazônica: suspender imediatamente o desmatamento; dar incentivo financeiros a proprietários que deixarem de desmatar; ou aumentar a fiscalização e aplicar multas a quem desmatar

2009 – O indivíduo frente à ética nacional

2010 – O trabalho na construção da dignidade humana

2011 – Viver em rede no século 21: os limites entre o público e o privado

2012 – Movimento imigratório para o Brasil no século 21

2013 – Efeitos da implantação da Lei Seca no Brasil

No site do INEP você pode ver os resultados de sua redação.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira

Arte do mundo todo no Google

A internet é um poço sem fundo de informações. Basta garimpar para obter muitas coisas interessantes.

O Google tem um projeto muito bom chamado Google Cultural Institute.

Dentro dele encontram-se exposições e coleções de museus e acervos em todo o mundo.

Google

Google Cultural Institute

Pode-se explorar patrimônios culturais em detalhes incríveis, em alta resolução. Basta entrar em alguma obra e clicar para aumentar o zoom, no canto superior direito:

arte

El Greco

Você pode criar suas próprias galerias e compartilhar seus achados com quem quiser. Veja esta que criei, sobre o Van Gogh, como demonstração:

Van Gogh

Existem diversas maneiras de navegar, fazendo buscas por nomes dos artistas, museus ou coleções:

Coleções de arte

Vejam esta busca simples que fiz, com o nome “Monet”. Aparecem os diversos museus que têm obras dele, assim como a quantidade de itens por museus e outras informações. São 231 itens ao todo! E você pode mudar a visualização de sua página, acima à direita, para adequar ao seu gosto:

Monet

É ou não é uma ferramenta e tanto para quem trabalha com educação e arte?

Façam bom proveito!

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Artista

Bombas de efeito imoral

greve professores rj

O Estado do Rio de Janeiro apagou as luzes do saber nas últimas semanas. Vestidos de preto em sinal de luto (entenda como substantivo e verbo!), professores das Redes Municipal e Estadual do Rio deixaram suas casas e seus trabalhos para reivindicar uma educação pública de qualidade.

A causa de toda a manifestação popular carioca não abrange somente questões salariais, como a mídia faz parecer, questões estas que, por si só, já ferem a dignidade e a inteligência de qualquer cidadão. A causa é um grito preso na garganta há décadas! Grito de uma classe de trabalhadores cujo maior desejo é lutar pelo ideal de uma sociedade igual para todos. É claro que esse grito é temível e assusta os nossos governantes. Aliás, assustar é pouco: nosso grito apavora os governantes! Por isso tantas bombas sobre nós!

Dar condições de trabalho dignas e educação de qualidade na escola pública é perigoso. Formar cidadãos conscientes, que não serão manipuláveis, que não servirão de massa de manobra fácil para os políticos no futuro, é altamente perigoso! Poucos enxergam isso; muitos não querem enxergar; e outros se beneficiam da falta de visão da maioria da população. Em uma sociedade cega e surda, é preciso clamar bem alto! Ir às ruas, convocar uma legião, buscar um caminho, ainda que doloroso, ainda que solitário (solitário já não é mais!)

Em tempos de democracia, vivemos uma ditadura velada. Vivemos hoje numa sociedade onde o professor, que luta por uma educação pública de qualidade e denuncia o sistema educacional falido e ineficaz, esbarra na postura opressiva de um governo ditador, governo este cujo papel deveria ser o de proteger a sociedade e dar a ela a tão desejada educação pública acima citada. Governo este que deveria garantir aos cidadãos uma sociedade mais justa; afinal, não é para isso que os governantes são remunerados??? E MUITO BEM REMUNERADOS, por sinal! Mas não é o bastante para eles. Nunca é. A política carioca está desacreditada, e só o que aparece é a lama instaurada pelos políticos corruptos, que passeiam com o dinheiro público e gastam com transportes diferenciados para “trabalhar”! É claro que o trânsito não se aplica a esses seres, que se julgam acima do bem e do mal.

Os privilégios dessa elite ganham apenas um rasteiro comentário da grande mídia, que fala dos nossos governantes e de seus “passeios” de helicóptero só para constar; mas na hora de olhar para os professores e sua luta legítima, tal mídia coloca os fatos como se a nossa classe de trabalhadores fosse composta por seres mal agradecidos, incapazes de entender o “excelente” Plano de Cargos e Salários (que deveria ser chamado de REFORMA EDUCACIONAL), aprovado sob  pancadaria na última terça-feira. Tal mídia, ainda por cima, deixa que a palavra final seja sempre a de quem “banca” seus projetos, o que faz dessa relação – mídia e governo corrupto – um grande círculo vicioso. O que mais assusta é que não existe ninguém nas emissoras de grande audiência que dê um basta, que saia do roteiro e seja capaz de falar por si!

Nesse contexto, portanto, as bombas jogadas nos professores não podem ser chamadas de “bombas de efeito moral”, visto que não é aos professores que a moral está faltando. Não há moralidade no governo e, se houvesse, algo seria feito contra esta ditadura mascarada de democracia que se instaurou no Rio de Janeiro! Aliás, não há nada mais imoral do que um governo que não respeita seus professores, que são a matriz de todas as profissões.

É hora de acender de novo as luzes. Lutar com os olhos bem abertos. Aprender a lição de casa. Cada um, mesmo que não seja profissional da educação, deve lutar pela educação pública em sua cidade, em seu estado. É hora de mostrar a estes governantes que 2013 É O ANO QUE AINDA NÃO TERMINOU!

Por:  Emily Coutinho e

Evelyn Almeida

“o avesso do real”

 

 

 

 

 

 

acho que mereço o mundo ao avesso do fim pro começo, sem lenço, sem endereço… pelo conformismo, pelo machismo, pelo canibalismo que vejo pelas esquinas e não faço nada, pela madrugada inescrupulosa, pela estrada tortuosa, pela menção honrosa que recebi pelo meu belo trabalho… tô cansado pra caralho pra fazer alguma coisa: desculpa esfarrapada pela imobilidade, pela falta de sensibilidade, pelo revés da verdade que cortei em tiras e transformei em mentiras, só pra dormir em paz… pra você, tanto faz quem seja o dono do mundo, só não tolera o vagabundo imundo que te interpela na rua? te interessa mais a gata nua na capa da revista? eu sou artista e não dentista, então não me venha me mostrar os dentes com essa faca na mão em meio à escuridão, não serei a tua lerda presa, só dou mole para a minha empresa, a qual defendo até a morte, assim como o brasil defende os fortes ( os países do norte, estes sim, têm fibra e sorte )… mas lá no fundo, não acho legal a economia mundial com seu arrebatamento bestial e sua dose fatal de ampliação de mercado, isto sim, é crime organizado! e dando uma de coitado fico no meu canto, imobilizado, impotente, acabrunhado, indecentemente desgraçado… ladrão de banco? sequestrador? são piada, ser político é que é a parada: desvia um dinheiro, compra um veleiro, um carro estrangeiro. cadeia? não, ele compra o ministro e o carcereiro, aos poucos, vende o país inteiro,,, tudo rui, a vida vira escombros e eu aqui, dando milhos aos pombos… quem mata um é criminoso, condenado, inescrupuloso,,, quem mata milhões é condecorado, heroico, aclamado… “os números consagram”… as luzes não se apagam, então, sigo escrevendo… o que estou dizendo é que no mundo ao avesso não conheço um figurão que tenha sido preso: a justiça tem seu preço e eu, pareço um palhaço, aqui, só falando ao invés de estar lutando por um belo futuro, mas juro que não tenho nada com isso, no máximo, sou conivente, aceitando calmamente a realidade avessa estabelecida, ou será que “os nossos bosques têm mais vida”? ou nossas vidas foram vendidas? de qualquer modo, sigo escrevendo, pois só assim, vou me entorpecendo e me enganando que estou vivendo…

 

 

 

 

 

 

1999

Será que o TDAH existe?

Primeiro vejamos o significado da sigla: TDAH = Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade.

Lendo mais um excelente texto sobre isso – http://equilibrando.me/2013/05/21/o-tdah-existe/ -, refleti, de novo, sobre essa questão: será que o TDAH existe?

Um dos trechos mais verdadeiros no texto, em minha opinião, é:

“Portanto, a resposta à pergunta: “Será que o TDAH existe?” realmente depende da agenda do observador. Pessoalmente, acho que é mais útil descobrir as causas sociais subjacentes da inquietação ou distração da criança e fazer alterações específicas no ambiente social para remover os estressores. A criança ouve seus pais brigando ou discutindo o tempo todo? A criança está sendo abusada? A criança tem um professor que não é capaz de lhe dar a atenção extra que ela precisa, porque tem que lidar com uma sala de aula superlotada?”

Vou procurar responder, a partir de pesquisas e experiências profissionais que tenho/tive tanto como pedagoga, quanto como arteterapeuta e psicóloga.  Quando era apenas professora, ainda não havia estudado esse assunto com o mínimo de profundidade, o que é um absurdo (continua sendo, nas formações de hoje…), porque toda formação de professor tinha que ensinar isso, debater, refletir a respeito, etc. Até porque esse tipo de transtorno pode ser encontrado tanto nos alunos quanto nos próprios profissionais da Educação também, assim como nas famílias dos alunos.

Concordo muito com o autor do artigo citado acima. Medicação forte, ainda mais em crianças, só se deve usar em último caso. Porém, é importante não radicalizarmos para um lado ou para o outro. Se há excesso de diagnósticos mal feitos e de medicalização por um lado, muitas vezes sem necessidade ou sem se haver tentado alternativas, outras vezes também há excesso de pensamentos do tipo “resolvo isso sozinho; basta o amor da família e dos amigos; se houver mudança em relação a desigualdade social em que vivemos tudo se resolverá;  essa pessoa (criança, adolescente ou adulto) precisa é de limites; etc.”

Radicalizar para um lado ou para o outro é perigoso, pois, agindo assim, pode-se colocar muita gente em risco de vida e isso pode e deve ser evitado. Os transtornos existem (e podem, entre outras coisas, levar ao suicídio…), tem muita relação com o ambiente social e familiar sim (as neurociências tem provado várias coisas, nesse sentido), mas não tem a ver SÓ com isso, então é preciso ver caso por caso.

Tanto na Pedagogia quanto na Psicologia Social há uma tendência de só se ver causas sociais para tudo. E isso é tão incompleto quanto ver só causas familiares, psicológicas (individuais, subjetivas… como acontece com parte da visão da psicologia clínica), etc.
Enquanto fica esse “racha”, um grupo no extremo oposto em relação ao outro, milhões de injustiças foram, são e serão cometidas.

Se ficarmos no extremo em que se pensa que tudo é problema social, estaremos inclusive negando algo óbvio: qualquer problema de origem social pode aparecer, como consequência, em forma de doenças e transtornos SIM, já que o desequilíbrio emocional e psíquico acompanha a vida de quem nasce e cresce em meio a violência das injustiças e da desigualdade social em que vivemos. E, se pensarmos que quando houver justiça social, aí sim todos esses transtornos desaparecerão, há que se questionar algumas coisas:  é possível vivermos, algum dia, numa sociedade onde haja condições “ideais” e justiça social para todos ou esse é apenas um sonho a estarmos sempre perseguindo, buscando, nos dando algum norte? E, se essa sonhada justiça vier, se conseguirmos conquistá-la, isso significa que problemas que envolvem o desequilíbrio psíquico vão simplesmente sumir, “evaporar”, como se nunca tivessem existido, isto é, as pessoas ficarão automaticamente “curadas”??? Com certeza não. Pois se a subjetividade dos indivíduos é formada em parte pela cultura e sociedade, também é formada, em parte, por componentes genéticos, biológicos, além dos componentes familiares. Na verdade, acontece uma soma e, muitas vezes uma espécie de mistura, onde entram todos esses elementos, sendo que alguns são mais determinantes em algumas pessoas e outros em outras.

DIZER QUE O TDAH E OUTROS TRANSTORNOS NÃO EXISTEM É TÃO ABSURDO QUANTO DIZER QUE TODA CRIANÇA QUE É AGITADA E DISPERSA TEM TDAH.

Já acompanhei casos de crianças e adolescentes que foram bem diagnosticados, assim como vi verdadeiros absurdos sendo cometidos apenas na intenção de “calar” um pouco aquela criança ou adolescente que está, na verdade, reagindo ao ambiente familiar e social em que vive. Muitas crianças agitadas e dispersas não tem TDAH, como muitas que são excessivamente organizadas e cheias de manias também não tem necessariamente TOC (= transtorno obsessivo-compulsivo), e isso só para citar, aqui, apenas dois tipos de transtornos existentes.

No caso dos responsáveis – principalmente família e escola – sentirem que aquela criança ou adolescente não está mais dando tanto “trabalho” quanto antes, está menos agitada e menos “respondona”, acabam se acomodando e achando que estão fazendo o “melhor” pra ela… Dá menos trabalho pensar assim e encher a pessoa de remédios, do que se comprometer num nível macro, percebendo a responsabilidade de cada um – família, escola, sociedade – no que se refere ao comportamento daquela criança ou adolescente.

Então… Nem tanto ao mar e nem tanto à terra!

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Se a Psicologia foi mal utilizada, em outros momentos históricos, quando virou quase que norma geral, nas escolas, acreditar que todo aluno “difícil” tinha algum transtorno ou problema psicológico, isso NÃO significa que esse campo do saber não seja importantíssimo na Educação! É preciso “não jogar fora a criança com a água suja do banho”!!! Até porque, hoje em dia, a Psicologia Social tem crescido cada vez mais e é uma linha importante, que trabalha justamente em cima das tantas causas sociais dos, muitas vezes, mal diagnosticados indivíduos que são encarados como portadores dos mais diversos “transtornos”.

Mas os transtornos existentes por causas genéticas, biológicas, neurológicas, etc., EXISTEM SIM, em vários casos, o que também não pode ser esquecido.

De qualquer maneira, a psicoterapia, essa sim pode ajudar e muito, tanto num caso quando no outro, isto é, tanto quando realmente existe um transtorno que está levando a um sofrimento insuportável, quanto nos casos em que o problema é basicamente de origem psicossocial (e, nesse quesito, sempre entra a escola, com força total, pois é ela quem vai ajudando ou prejudicando, diariamente, na formação daquele indivíduo).

E psicoterapia não tem nada a ver com medicalização. As questões são abordadas de outra forma e só necessitam de ajuda medicamentosa em muito menos casos do que tanta gente pensa (muito menos mesmo!). A psicoterapia ajuda muito mais na questão de se aprender como se pode estar num mundo tão adoecido e injusto sem se perder na multidão “normal” que é, tantas vezes, covarde e medíocre. Aprendemos como ajudar nisso, na Psicologia, na medida em que trabalhamos o autoconhecimento, os mecanismos de defesa, os desejos inconscientes, os padrões repetitivos de respostas, etc. Aprendemos sobre como funciona o psiquismo humano, consciente e inconsciente, e o quanto dessa subjetividade é formada em parte pela família e escola e em parte pela cultura e sociedade. Mas, infelizmente, pelo fato da Psicologia ser uma área da Saúde diferente da Medicina, muitos ainda acham que o trabalho do psicólogo não é científico e é só um monte de “conversinhas, conselhos, etc.”, o que não chega nem perto do que realmente é!

Então, há que se ter muito cuidado e atenção nesse assunto. Se os americanos, citados no texto aqui indicado, exageram em remédios e diagnósticos baseados excessivamente em fatores genéticos e biológicos, outros países exageram pro lado oposto, o que também pode causar muitos danos.

Precisamos ter “muita calma nessa hora”!

Os americanos, de maneira geral, buscam soluções concretas e imediatas para questões, muitas vezes, bem mais complexas. E esse comportamento é repetido, em larga escala, aqui no Brasil, já que somos, infelizmente, ainda “colonizados” ideologicamente por eles, de uma forma tão maciça, embora “disfarçada”, que muitos reagem exatamente da maneira esperada por eles, sem ter a menor consciência disso. Numa sociedade capitalista tudo envolve lucro e, no caso dos transtornos psíquicos, é muito mais vantajoso para a indústria farmacêutica “vender” a ideia de que tudo pode e deve ser resolvido com remédios. Mas, na verdade, NÃO PODE.

É comum pais e professores buscarem esse tipo de solução para alunos “difíceis” ou para alunos com necessidades especiais. Até porque é assustador não existirem “receitas de bolo”, aplicáveis a todos, para que esses alunos parassem de “atrapalhar”. Então querem algo que resolva tudo de forma quase mágica! E rápida! Ouvi milhares de cobranças desse tipo na minha vida profissional. Mas, numa realidade social tão injusta e violenta como a que vivemos, NÃO existem remédios para diminuir ou acabar com muitos dos comportamentos considerados inadequados. De certa forma, a sociedade é que é “inadequada”! É ela que gera um número cada vez maior de pessoas depressivas, ansiosas, agitadas, agressivas, desrespeitosas, etc. Ou vocês acham que seria possível essas reações não aparecerem em nossos alunos, diante do mundo caótico em que vivemos e onde “criamos-educamos-ensinamos” nossas crianças e adolescentes?

E a sociedade em que vivemos é construída diariamente por todos, principalmente por nós, adultos! A sociedade somos nós.

Em outras culturas e sociedades, a visão pragmática e comportamental dos americanos não é a que domina. Visões mais filosóficas são as que são estudadas mais a fundo, na busca de entender e aprender a lidar com essas questões. Em geral, na Psicologia, essas culturas recebem mais influência da visão analítica – Psicanálise, Psicologia Analítica, etc. – do que da visão neuropsicológica.

No entanto, muito do que sabemos hoje vem de descobertas incríveis no campo das neurociências SIM. Ficar no extremo oposto, negando esse conhecimento, é simplesmente partir pro outro lado da MESMA MOEDA!

Por isso, meus amigos, analisemos caso a caso, busquemos ajuda profissional, pesquisemos sempre sobre esse assunto pois, para trabalhar com crianças e adolescentes, é preciso se dedicar nesse sentido SIM, ou então ficaremos apenas numa gangorra eterna, ora num extremo e ora no outro, enquanto nossos filhos e nossos alunos continuarão sofrendo e reagindo do jeito que conseguem reagir. E, afinal, mesmo já sendo adulto, cada ser humano só é capaz de reagir da sua própria maneira, com seus limites e possibilidades, e não da forma “ideal”, muitas vezes pretendida. Mas podemos melhorar nisso. Realmente podemos! Só que, para isso, é preciso se comprometer a ir um pouco mais fundo na hora de se buscar “explicações” e “soluções” rápidas para as crianças, os adolescentes e, também, para nós mesmos, os adultos da história.

Acabei escrevendo um texto longo, pois esse assunto, a meu ver, merece aprofundamento, mas vejam que nem citei o fato, concreto, de que a grande maioria dos alunos de escolas públicas que encaminhamos para ajuda psicológica ou psiquiátrica nem mesmo é levada pelos pais para pelo menos uma consulta inicial. Acompanhei casos em que as famílias eram tão pobres que nem dinheiro tinham para a condução e, sem transporte, acabavam “deixando pra lá” o assunto ou deixando “nas mãos de Deus” ou automedicando seus filhos com remédios fortíssimos (geralmente, nesses casos, as famílias costumam conhecer alguém que trabalha em hospital e que, por isso, consegue a receita – por baixo dos panos! -, já que esses remédios são controlados)… E, assim, o que poderia melhorar, ia só piorando mais a cada dia…

Não esqueçam: seja por causas somente psicológicas ou basicamente psicossociais, esses problemas não vão simplesmente “evaporar”. Precisam de ajuda profissional.

Abraços,

 

Regina Milone.
Pedagoga, Arteterapeuta e Psicóloga.
Rio de Janeiro, 29 de maio de 2013.

 

Você não pode ser minha professora!

“Você não pode ser minha professora!”

Vídeo extremamente inquietante, tanto pela produção quanto pela mensagem.

Para mim, mais do que real.

Para mim, extremamente importante no debate sobre qual escola queremos.

Extremamente importante no debate sobre para quê estamos educando e como estamos educando.

Reflita:

Só pra não deixar de alfinetar: nesta época, com estes questionamentos, a prefeitura do Rio de Janeiro acha maravilhoso gastar milhões com apostilas ridículas cheia de erros…

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Sim, eu posso.

ps.: Só para não deixar em branco. Eu até diria que pode ter um sexismo implícito no título do vídeo, quando ele se refere à “minha professora”, pois que sempre que se fala genericamente utiliza-se o masculino e, neste caso, em que está se falando com alguém que seria desconhecedor da internet e “atrasado”, fala-se no feminino. Porém, por outro lado, acho que pode ser pela idade da criança, pois nesta faixa etária quase a totalidade dos professores são, de fato, mulheres. Mas vale para todos, diga-se de passagem.