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Bombas de efeito imoral

greve professores rj

O Estado do Rio de Janeiro apagou as luzes do saber nas últimas semanas. Vestidos de preto em sinal de luto (entenda como substantivo e verbo!), professores das Redes Municipal e Estadual do Rio deixaram suas casas e seus trabalhos para reivindicar uma educação pública de qualidade.

A causa de toda a manifestação popular carioca não abrange somente questões salariais, como a mídia faz parecer, questões estas que, por si só, já ferem a dignidade e a inteligência de qualquer cidadão. A causa é um grito preso na garganta há décadas! Grito de uma classe de trabalhadores cujo maior desejo é lutar pelo ideal de uma sociedade igual para todos. É claro que esse grito é temível e assusta os nossos governantes. Aliás, assustar é pouco: nosso grito apavora os governantes! Por isso tantas bombas sobre nós!

Dar condições de trabalho dignas e educação de qualidade na escola pública é perigoso. Formar cidadãos conscientes, que não serão manipuláveis, que não servirão de massa de manobra fácil para os políticos no futuro, é altamente perigoso! Poucos enxergam isso; muitos não querem enxergar; e outros se beneficiam da falta de visão da maioria da população. Em uma sociedade cega e surda, é preciso clamar bem alto! Ir às ruas, convocar uma legião, buscar um caminho, ainda que doloroso, ainda que solitário (solitário já não é mais!)

Em tempos de democracia, vivemos uma ditadura velada. Vivemos hoje numa sociedade onde o professor, que luta por uma educação pública de qualidade e denuncia o sistema educacional falido e ineficaz, esbarra na postura opressiva de um governo ditador, governo este cujo papel deveria ser o de proteger a sociedade e dar a ela a tão desejada educação pública acima citada. Governo este que deveria garantir aos cidadãos uma sociedade mais justa; afinal, não é para isso que os governantes são remunerados??? E MUITO BEM REMUNERADOS, por sinal! Mas não é o bastante para eles. Nunca é. A política carioca está desacreditada, e só o que aparece é a lama instaurada pelos políticos corruptos, que passeiam com o dinheiro público e gastam com transportes diferenciados para “trabalhar”! É claro que o trânsito não se aplica a esses seres, que se julgam acima do bem e do mal.

Os privilégios dessa elite ganham apenas um rasteiro comentário da grande mídia, que fala dos nossos governantes e de seus “passeios” de helicóptero só para constar; mas na hora de olhar para os professores e sua luta legítima, tal mídia coloca os fatos como se a nossa classe de trabalhadores fosse composta por seres mal agradecidos, incapazes de entender o “excelente” Plano de Cargos e Salários (que deveria ser chamado de REFORMA EDUCACIONAL), aprovado sob  pancadaria na última terça-feira. Tal mídia, ainda por cima, deixa que a palavra final seja sempre a de quem “banca” seus projetos, o que faz dessa relação – mídia e governo corrupto – um grande círculo vicioso. O que mais assusta é que não existe ninguém nas emissoras de grande audiência que dê um basta, que saia do roteiro e seja capaz de falar por si!

Nesse contexto, portanto, as bombas jogadas nos professores não podem ser chamadas de “bombas de efeito moral”, visto que não é aos professores que a moral está faltando. Não há moralidade no governo e, se houvesse, algo seria feito contra esta ditadura mascarada de democracia que se instaurou no Rio de Janeiro! Aliás, não há nada mais imoral do que um governo que não respeita seus professores, que são a matriz de todas as profissões.

É hora de acender de novo as luzes. Lutar com os olhos bem abertos. Aprender a lição de casa. Cada um, mesmo que não seja profissional da educação, deve lutar pela educação pública em sua cidade, em seu estado. É hora de mostrar a estes governantes que 2013 É O ANO QUE AINDA NÃO TERMINOU!

Por:  Emily Coutinho e

Evelyn Almeida

ECA: Estatística de Criminalidade Ascendente

O que era para ser um mecanismo de proteção à criança e ao adolescente virou um gatilho de arma apontado para a sociedade.

É preciso proteger as crianças e os adolescentes, mas e quando são estes que causam a desordem social? Outra vez nos esbarramos em teorias lindas, mas e a prática? A proteção à criança e ao adolescente, da maneira como o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) determina, está criando uma fábrica de delinquentes que, impunes, fazem atrocidades, na certeza de em breve, estarem livres e com seus nomes limpos. Sem contar que adultos criminosos se apropriam do ECA para aliciar menores para o crime.

Será que ninguém vê isso? E quando o crime de uma criança prejudica outra criança, quem é mais “importante”? Aquela que matou ou a que ficou órfã por conta de um latrocínio cometido por um menor?

Os direitos são iguais… mas no Brasil, existem muitos motivos para não se aplicarem corretamente as leis, ou quando se aplicam, com certeza é para tirarem proveito os “peixes grandes”.

O problema é que a escola tem que lidar com esse reflexo social e ainda preparar os alunos para serem pessoas “de bem”. É difícil, com tantas barbaridades noticiadas na TV, mostrar aos alunos que existe outro lado e que vale a pena ser honesto no Brasil. Quase sempre funciona, as pessoas honestas ainda estão em maior número. O caso é que quando algo foge ao controle, basta um adolescente em crise para espalhar a “pólvora” na sociedade e criar um grande estrago.

Família, escola e sociedade, uma equação simples: família saudável + escola = vida em sociedade.  Família desinteressada + escola sem ação = margem social. Lutamos sempre contra a corrente, enquanto professores, buscamos um futuro bom para todos e precisamos contar com as leis para garantir se não excelência no ensino, pelo menos a segurança das crianças e adolescentes prevista no ECA.

Capacitação para os “incapazes”

 

                De vez em quando recebemos notificações nas escolas sobre cursos de capacitação para professores.  Isso me incomoda um pouco porque parece que somos incompetentes, incapazes.

Levando em conta o diploma que temos, creio que mais incompetentes que nós são as Universidades que nos formam. Sabe-se que o professor deve estar constantemente se atualizando e estudando para acompanhar as mudanças que ocorrem no mundo, mas curiosamente gostaria de verificar que capacitações fazem os professores das Universidades de Formação de Professores para ensinar seus alunos, futuros professores, a lidar com temas como a inclusão, por exemplo.

Já ouvi algumas vezes professores da área de licenciatura nas faculdades falarem que  suas matérias não precisam focar nesses temas porque a isso cabem as tantas “didáticas”  e “práticas de ensino” que temos na grade curricular. Acredito que eles estejam equivocados. Aliás, penso que o saber teórico em algumas faculdades de licenciatura deixa a desejar no tocante ao aluno. Principalmente quando se trata dos alunos com Necessidades Especiais (NEs), que fazem parte da Inclusão.

Visto que a lei da Inclusão é um fato e nós, professores, lidamos diariamente com essa realidade, as Universidades deveriam trabalhar firme sobre como atuar com as duas faces da turma: NEs e “ditos normais”, utilizando conteúdos adaptados para que a inclusão seja feita com excelência.

Mas o que ocorre, é que essa realidade nova chega primeiro às séries iniciais e, até que estes alunos cresçam e talvez cheguem ao Ensino Médio e quiçá a uma Universidade, os mestres que ministram suas aulas no Ensino Superior (Formação de Professores) não saberão na prática o que é trabalhar sem conhecimento suficiente e respaldo clínico para atender as exigências de uma legislação muito pertinente e justa, mas cuja infraestrutura ainda está longe de ser ideal. E quando se questiona sobre isso, uma das muitas respostas incoerentes que ouvi, de pessoas que são contratadas para serem CAPACITADORAS, é que: “A mãe, quando recebe um filho especial, tem que aprender a lidar com essa nova situação na prática; assim somos nós, professores: vamos recebê-los e aprender no dia-a-dia a trabalhar com eles.”

Para que capacitações se vamos aprender tudo na prática? Então joguemos fora nossa Formação Docente, que já não tem o seu devido valor, e aplaudamos a continuidade da desinformação, do conformismo e do desinteresse daqueles que deveriam ver como prioridade o saber do aluno, mas que por comodismo perpetuam a reprodução somente do  conteúdo, sem chegar a conhecer de fato a prática docente de base, que talvez nunca leve um aluno de Inclusão a uma Universidade.

 

Escola: caso de saúde pública.

                Dizem por aí que as crianças são o futuro do país, e eu concordo. Mas que futuro é esse que estamos preparando?

                A cada dia a angústia se concentra nos corações e nas mentes de pessoas que realmente se comprometem com o ato de educar. É muito bonito aos olhos e ouvidos dos teóricos e de pares, criar teorias mirabolantes para que os outros as executem. O grande problema é que a teoria tem passado longe da prática, e dar assistencialismo aos familiares dos alunos das redes públicas de ensino tem agravado os problemas educacionais.

                Hoje, a escola está sucateada, o comprometimento com os nossos alunos é mínimo e, embora o governo até tente um pouco, está longe de ser o suficiente. Auxiliar financeiramente  as famílias não resolve problemas de saúde e psicológicos que comumente em sala de aula detectamos. E não precisa ser especialista para saber que a mãe de “Joãozinho” está sendo espancada pelo marido e seus outros cinco filhos assistem a tudo quietos. Não precisa ter um diploma para notar que “Pedrinho” está sendo perdido para o tráfico de drogas. Nem precisa de bola de cristal para ver que “Zezinho” não aprende porque não se alimenta adequadamente.

                Criança na escola, no Brasil, é só estatística. Assim como o IDEB e o índice de analfabetismo. Porque a criança real, aquela que chega suja à escola porque não tem água em casa, aquela que chega com o dedo necrosando porque não tem médico no Posto de Saúde, aquela que falta aula porque tem dores de dente terríveis, e não encontra na rede pública de saúde odontologistas; essas crianças não são aquelas que os livros e os teóricos esperam encontrar nas salas de aula. Essas crianças são invisíveis, inaudíveis e não são palpáveis. E se elas não existem, é mais fácil criar teorias de gabinete que são lindas, mas que precisam muito mais do que simplesmente uma sala de aula e um professor com giz e apagador nas mãos.

                Chega de tentativas, não há mais tempo para isso. Precisamos de governantes audaciosos, que combatam roubos e desvios de verba; que valorizem e incentivem professores a trabalhar dignamente, e que prioritariamente não enxerguem o aluno como um número, que o vejam com uma peça de um grande quebra-cabeça social que, estando danificada, prejudica o todo. Não há como funcionar uma sociedade com as engrenagens corroídas.

Isso é Brasil.

É sempre assim, o mundo gira, a Terra dá voltas e as coisas se repetem o tempo todo. É difícil acreditar num país cuja bandeira prega Ordem e Progresso vendo que ainda, nos dias de hoje, nos encontramos em situações onde o coronelismo ainda impera diante de nossos olhos, onde ainda vivemos sob a luz de uma democracia que favorece poucos, onde os pilares que deveriam sustentar a nação estão ruídos pelas traças que democraticamente elegemos para serem nossos representantes.

Mas que democracia é essa que muda as máscaras dos políticos mas a face real é sempre a mesma? Eleger significa repetir o erro, só que com outros atores ocupando o palco, e que palco! Tão grandioso que ninguém quer largar o osso. Para tanto, é quase um jogo de vale tudo: vale atropelar os outros, vale cabide de empregos, vale sucatear a saúde e a educação, vale desrespeitar até mesmo os homens de boa vontade que trabalham honestamente; só não vale cumprir as promessas feitas e a palavra empenhada.

Queria que hoje houvesse pessoas que se valessem apenas da palavra, ou como no tempo do meu avô, do fio do bigode, mas hoje, só existe sujeira e dinheiro podre, que tornaram os elegíveis cada vez mais preocupados com sua própria “miséria”, a “miséria” de ainda não ter bens e imóveis dez vezes mais do que sua capacidade de compra, carros de luxo, contas bancárias que excedem a lógica, e é claro, organizar financeiramente a vida da parentada toda:  maridos, esposas, filhos, pais, irmãos, primos, tios… Quando se elege um candidato por quatro anos, elege-se também toda essa massa que vem por tabela, não para somar, mas para sugar do sistema, para dividir a fatia do bolo, que é grande, mas mal distribuída.

Enquanto isso, o povo se regozija batendo palmas para os benefícios do governo concedidos aos denominados baixa renda, como o bolsa família, por exemplo. Como boa parte da população se enquadra nessa característica, acaba por achar o governo excelente, e o povo, cada vez menos crítico, perpetua o legado da imoralidade eleitoral deixando para seus filhos, um país sucateado pela politicagem dos politiqueiros, que sempre se esquecem da real democracia. O que fica de herança para o povo é a ignorância, mas como se diz por aí, feliz é o ignorante que por não saber, sofre menos… Pão e circo para o povo.

 

Emily Coutinho

Nova colunista do Diário do Professor: Emily Coutinho

Apresento a vocês a nova colunista do Diário do Professor, a professora Emily Coutinho.

É mais uma colega professora – com 15 anos de profissão – angustiada com as condições de trabalho que nos oferecem.

Ora, por que ficamos angustiados?

Porque, simplesmente, nos preocupamos com nosso trabalho, nos preocupamos com nossos alunos, percebemos no dia a dia o que tem de errado com a escola, mas não conseguimos sobrepor às dificuldades.

A Emily vem escrevendo alguns textos analisando essas dificuldades e, agora, vai nos brindar com suas ideias.

Fiquem com a Emily, por ela mesma:

Meu nome é Emily Coutinho, sou professora de História, mas atuo com o primeiro segmento do Ensino Fundamental. Conhecida por muitos como “professorinha” ou “tia”, procuro estar atenta às necessidades dos meus alunos.

Estou há 15 anos no magistério e há 12 anos pertenço a uma rede municipal de ensino.  Procuro sempre me atualizar para melhor auxiliar meus alunos que vivem em uma realidade bem complexa.

Quando me ofereci como colunista do Diário do Professor já estava mergulhada em muitas angústias e a forma que encontrei de extravasar, foi expor minhas vivências e experiências através de textos.

Espero que possa contribuir e trocar experiências com colegas, que como eu, vivem pela Educação e para a Educação, buscando um futuro melhor.

Obrigada Declev, pelo espaço cedido.

Emily Coutinho.

Colaborem, leiam, comentem e venham debater a educação conosco.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira