Manifestações contra a Reforma da Previdência – 15 de março de 2017

Hoje ocorreram manifestações contra a Reforma da Previdência. Eu fui.

Costumo dizer que, para arrumar uma gaveta, a melhor maneira é jogar tudo em cima da cama, fazendo ainda mais bagunça, e depois arrumar.

Parece que estamos, no Brasil, com a gaveta toda jogada em cima da cama, mas com um bando de imbecis fazendo ainda mais zona com as coisas.

É tanta imbecilidade, tanto ataques aos direitos, tanta corrupção generalizada, que eu poderia dizer que é o pior congresso de nossa história, a pior presidência, as piores pessoas que lá estão [tá, tem a época da ditadura].

Então, se uma reforma na previdência é necessária, essa não é uma “reforma”. É o FIM da previdência.

Comecei a dar aulas com 29 anos, na matrícula de Niterói. Depois, entrei na matrícula do Rio com 34 anos. Antes, havia trabalhado, mas sem carteira.

Com a aposentadoria “especial” do professor, tenho que contribuir 30 anos pra me aposentar. Ou seja, em Niterói, aposento-me com 58 anos e, no Rio, com 63.

Isso que dizer que só saio da sala de aula com 63 anos!! E, hoje, com 46, já estou exausto.

Agora, as mudanças que o presidente golpista quer enfiar em nossas goelas, irão

  • acabar com a aposentadoria especial dos professores;
  • acabar com a possibilidade de duas aposentadorias;
  • fazer com que tenhamos que trabalhar 49 ANOS para aposentar.

Com isso, eu, que estou há muitos anos recolhendo 11 % dos meus salários para me aposentar nas duas matrículas que tenho, terei estas consequências:

  • não poderei me aposentar (receber) nas duas matriculas;
  • só terminarei minha saga com 78 anos (em Niterói) e com 83 anos (no Rio).

Alguém acha que uma pessoa pode trabalhar 49 anos – até seus 80 anos! – dentro de uma sala de aula lotada de adolescentes? Quem é professor(a), você se vê com 80 anos dando aulas para o Ensino Fundamental??

Então, falando seriamente, não sei o que fazer se isso passar. Provavelmente, largo tudo e saio do país – sim, tenho opções.

Portanto, para além do que irá acontecer comigo mesmo, é dever de todo mundo lutar contra estes imbecis que estão no poder. Não se trata mais “somente” de corrupção (mas também) – trata-se do fim de direitos fundamentais que levamos décadas pra conquistar.

Manifestações contra a Reforma da Previdência

Então, eu estava lá, com um monte de amigos.

Vejam as fotos e, se você é daqueles que fica escrevendo no Facebook coisas do tipo “cadê o povo nas ruas?”; “brasileiro é muito bobo!”, mas não sai de seu sofá: cale-se!

Aqui no Rio, a concentração foi na Candelária e caminhamos até a Central do Brasil. Tudo perfeito, tranquilo, com várias famílias, filhos pequenos.

Manifestações contra a Reforma da Previdência

Manifestações contra a Reforma da Previdência

Nós ficamos lá no finalzinho da passeata e pude ver um paredão imenso de policiais fortemente armados. A manifestação andava uns cem metros, eles vinham em paredão atrás, como que “empurrando”.

Em determinado momento, já caída a noite, começamos a ouvir bombas e fomos embora. Passamos por eles – com medo – e seguimos rumo às barcas, pra voltar pra Niterói.

Amigos nossos que ficaram até mais tarde, viram grupos de policiais distribuindo bombas entre eles. Cada um vinha e pegava as suas, retirando da embalagem.

Eles não estão lá pra proteger, mas para fazer com que a manifestação não termine de forma pacífica. A intenção é assustar a gente, pra que a gente fique calado.

Manifestações contra a Reforma da Previdência

Mas, da próxima, estaremos lá de novo.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira