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Mágica ou maquiagem?

Sou professor da rede estadual do Rio de Janeiro e gostaria de solicitar que alguém fizesse uma investigação sobre uma prática danosa à Educação, realizada com a intenção do governo obter melhores resultados no Ideb. Eu explico: o cálculo para se chegar ao índice leva em conta a nota da Prova Brasil dividida pelo fluxo escolar, isto é, o tempo que os alunos levam para passar de ano. Tanto a reprovação quanto a evasão escolar, como consequência, diminuem a nota do Ideb, mesmo que o desempenho na Prova Brasil tenha sido satisfatório. Bom, além de toda pressão que os professores já recebem para aprovar os alunos, muitas vezes sob a forma de assédio moral, as escolas agora têm uma nova maneira de maquiar os números. Há alguns anos que a rede estadual não contabiliza os alunos evadidos. Quando um aluno abandona a escola ele tem a matrícula cancelada (tecnicamente é suspensa, pois ele pode voltar a qualquer momento). Desta forma, ele não aparece no censo do MEC como evadido, o que aumenta a nota do Ideb da rede.

Indaguei sobre a situação na minha Coordenadoria de Ensino. A resposta foi apenas que houve uma mudança de nomenclatura. Mas obtive de uma inspetora escolar a informação que realmente esses alunos não entram no cálculo do Ideb. E, no mais, ficam as perguntas: por que mudar a nomenclatura? Como diferenciar alunos evadidos de alunos que realmente tiveram a matrícula cancelada (por óbito, por exemplo)? Não é estranho que o fim da nomenclatura “Evadido” para alunos que abandonam a escola coincida com a saída do Rio de Janeiro do antepenúltimo lugar no ranking do Ideb para o quarto lugar? Mágica ou maquiagem?

Esta situação deve ser de conhecimento público. Cabe às autoridades explicarem para a população que os números refletem a realidade. Caso contrário, o malabarismo com os números (e nomenclaturas) vai virar moda entre os governos.

Sobre Luiz Eduardo Farias

Luiz Eduardo Farias é historiador e professor de história desde 2006, especialista em História Contemporânea (2010/2011) e atualmente cursa Pedagogia. Sempre trabalhou em escolas públicas (seis, até o momento) e atualmente tem duas matrículas – Fundação Educacional de Volta Redonda (autarquia municipal) e Rede Estadual do Rio de Janeiro.

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