Eduardo paes e cláudia costin

“Não haverá reforma eficiente na educação sem melhorar o salário do professor”

“Não haverá reforma eficiente na educação sem melhorar o salário do professor”.

Que lindo!

Quem disse isso? Claudia Costin, ex-secretária municipal de educação do Rio de Janeiro – agora alçada ao Banco Mundial pelos seus “relevantes serviços” à educação.

É sério! Ela disse isso mesmo! Veja aqui.

Que queu posso dizer em relação a esta afirmativa que não seja ofensivo? É uma ironia? Sarcasmo? Brincadeirinha?

“Por que, Declev?”, poderia me perguntar algum desavisado que acredita em tudo o que lê.

Ora – respondo eu – porque eu tenho experiência própria. Sou professor do município do Rio de Janeiro há 11 anos e professor do município de Niterói ha 16 anos.

Quando entrei no Rio, eu tinha 5 anos de Niterói. Quando entrei no Rio, ganhava 20% a mais – no salário bruto – do que em Niterói.

E, hoje, depois de alguns anos de administração eduardo paes e claudia costin, eu recebo no Rio em meu salário bruto nada mais nada menos do que dois mil reais A MENOS do que Niterói.

Passou, em alguns anos, de 20% A MAIS pra 2 mil A MENOS, em comparação com minha outra matrícula.

Ela promoveu o maior achatamento salarial que eu já vi. E agora solta uma frase dessas?!? Só pode ser escárnio!

Mas a coisa ainda pode ser pior, acreditem. Há outras pérolas na reportagem linkada acima.

Segundo a matéria, a ex-secretária acha que os professores não devem ser tratados como vítimas. Segundo suas palavras:

“É preciso haver mais respeito da sociedade pela função do mestre […]  ele deve se ver como uma vítima. Ele tem que se tratado como um profissional com dignidade. Isso não quer dizer não só um salário contente [sic], como quer dizer também respeito social pelas suas práticas.”

Pois então, retornando às suas ações durante sua gestão na secretaria de educação municipal do Rio de Janeiro, eu posso dizer, sem ter medo de ser injusto, que foi uma das mais desrespeitosas às práticas dos professores que eu já tenha tomado conhecimento.

Os saberes e práticas dos professores foram absolutamente desqualificados e esquecidos, marcando-se a gestão pela compra – sempre SEM LICITAÇÃO, diga-se de passagem – de diversos programas, projetos, materiais advindos de fundações, instituições e gráficas particulares, em detrimento do conhecimento do professor.

Eu já falei diversas vezes por aqui (veja aqui alguns exemplos). O professor passou a ser um mero reprodutor de conteúdos produzidos pelas empresas, como da sangari, fundação roberto marinho, instituto airton senna ou de uma apostila mal feita impressa em uma gráfica que, quem sabe?, pode ter apoiado a eleição do prefeito.

E, agora, ela acha que o professor tem que ser respeitado e ter um bom salário.

Ao menos fez-me rir, porque eu choro de raiva toda vez que vejo o contracheque que herdei de sua gestão.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Recebendo dois mil reais A MAIS em Niterói