Os Fóruns Brasileiros de Educação Ambiental e seus diálogos com outros coletivos e movimentos

Os  Fóruns Brasileiros de Educação Ambiental são eventos em que se busca ampliar a discussão e participação social relacionadas à implantação da educação ambiental em todos os setores da sociedade.

Desta forma, para que não fique somente no âmbito dos próprios educadores ambientais, estes eventos vêm ampliando o leque de participação e buscando dialogar com diversos outros grupos de atuação política.

Recebi esta mensagem por email, escrita pela Jacqueline Guerreiro. Copio-a aqui para ajudar no entendimento do que sejam estes fóruns e para manter um registro das ações.

Como eu já divulguei por aqui, este ano acontecerá o VIII Fórum Brasileiros de Educação Ambiental.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira

Os Fóruns Brasileiros de Educação Ambiental e seus diálogos com outros coletivos e movimentos

Desde o V Fórum (Goiânia, 2004) que os Facilitadores da REBEA estamos preocupados com estes diálogos com outros coletivos e movimentos.  Estes diálogos foram um dos Eixos da estruturação do V Fórum, coordenado pela então Secretária Executiva da REBEA Patricia Mousinho, que se empenhou pessoalmente no levantamento de recursos para que pudéssemos propiciar um encontro dos membros do GT de Educação Ambiental do FBOMS – Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais – e do Colegiado Nacional da REBAL – Rede Brasileira de Agendas 21 Locais. A proposta era de construção de uma agenda comum.

Este Eixo  também foi um dos alicerces na construção do VI Fórum (RJ, 2009). Neste Fórum os diálogos na Facilitação da REBEA ampliaram a perspectiva de construção de uma Agenda Comum de lutas e, neste sentido, tivemos nas mesas do Fórum representantes do FBOMS, REBAL, Rede Ecossocialista, Rede Brasileira de Justiça Ambiental, CUT, Rede de ONGs da Mata Atlântica, dentre outros. Propiciamos também a vinda para o Fórum de várias lideranças indígenas (inclusive Caciques), lideranças quilombolas, lideranças de movimentos de mulheres, dos movimentos negro, do campo e sindicais. Tivemos também, pela primeira vez, a perspectiva das pessoas com deficiência. Nos stands tivemos não apenas as redes de educação ambiental da malha da REBEA como também conseguimos disponibilizar stands para o FBOMS, REBAL, CNMA, os Povos Indígenas, etc.

Todo este movimento de diálogos e aproximações resultou na Carta da Praia Vermelha, onde algumas das perspectivas trazidas por estes diálogos foram inseridas.

Em janeiro de 2012 no Fórum Mundial em Porto Alegre os facilitadores da REBEA presentes salientamos a necessidade de continuidade destes diálogos e construímos um percurso mais objetivo em que os diálogos seriam um dos eixos primordiais do VII Fórum ( março, 2012) e do espaço da REBEA na Cúpula dos Povos (julho, 2012). Infelizmente não conseguimos concretizar estes diálogos no VII Fórum.

Estes diálogos iniciados em 2004 no V Fórum foram primordiais para nossa inserção na luta do campo ambiental por ocasião da Cúpula dos Povos. Lutamos junto com vários coletivos (notadamente o FBOMS que foi um grande arquiteto na construção de uma pauta comum), e conseguimos um território na Cúpula dos Povos para o campo ambiental e inserido neste território a nossa Tenda da REBEA/REBAL, em parceria com o Instituto Terra. Nesta nossa Tenda pudemos retomar estes diálogos políticos e eles são  um dos eixos de construção do VIII Fórum (Belém, 2014), pois todos os consensos estabelecidos pela Facilitação da REBEA , o que inclui a perspectiva destes diálogos com movimentos e coletivos, estão sendo respeitados pela Rede Paraense de Educação Ambiental,  organizadora do evento, nas pessoas dos Facilitadores Marilena Loureiro e Fidélis Paixão.

Mas há um ponto fundamental que é a fragilização da Educação Ambiental no PNE. Lembro que muito antes do Vítor da RUPEA chamar atenção aqui na lista da REBEA sobre esta questão, o Celso Sanchez (REARJ) e o Jorge Amaro (REASUL) já tinham enviado um texto sobre a necessidade de a REBEA ser mais pro-ativa para que a Educação Ambiental pudesse ter um espaço no PNE. Infelizmente não soubemos ser ágeis o bastante e fica um alerta para os futuros desafios.

Mas gostaria de lembrar que na Programação da Tenda da REBEA/REBAL na Cúpula tivemos a oportunidade de trazer todas as comunicações acerca da Educação Ambiental que foram propostas por representantes de universidades. Eu integrei o GT de Metodologia da Cúpula dos Povos como estratégia conjunta FBOMS-REBEA exatamente para visualizar o panorama das inscrições e arrebatar para a nossa Tenda as propostas que tivessem a Educação Ambiental em seu eixo e enviar para o FBOMS aquelas focadas na questão socioambiental. Nossa perspectiva (e afirmei isto em email para a lista de discussão do GT de EA da ANPED) era de um diálogo entre as  universidades que estavam a estudar a EA e os consensos políticos da REBEA no que tange à inserção da rede nos movimentos de luta social e ambiental. E isto poderia incluir uma discussão sobre o PNE. Infelizmente isto não ocorreu porque os representantes das universidades presentes apenas quiseram falar para eles mesmos, apresentando suas pesquisas uns para os outros. Foi um dos fracassos de nossa Tenda.

Mas temos também que pensar que a REBEA está num novo momento político (Carta da Praia Vermelha) e novo patamar de sua gestão (Colegiado Nacional, Facilitação Nacional) e que os processos de diálogos são sempre difíceis . Além disso, ainda falta fazermos uma análise mais qualificada de nossa participação na Cúpula dos Povos e na Rio+20.

Jacqueline Guerreiro