Eduardo paes e cláudia costin

“Prefeitura precisa manter o envio de verba pra gente”, diz o globo

A nossa maravilhosa secretária de educação do Rio agora é uma maravilhosa ex-secretária. Ela “foi aprovada em um processo seletivo para comandar o departamento de Educação do Banco Mundial (Bird)” (fonte)

Como eu já mostrei algumas vezes por aqui, sua gestão foi a gestão que o grande mercado quer: privatista (tudo dentro da escola vem por meio de empresas privadas); fordista; meritocrática; em que ao invés de uma educação humanista, libertária, uma educação para a formação de um cidadão crítico e participativo, temos um “adestramento” para se fazer determinadas provas e acertar o maior número possível de respostas em provas formatadas para este fim.

É logico que para o status quo, é a gestão ideal. É por isso que foi para o Bird e é por isso que a organização globo lamenta sua saída e afirma que “prefeitura precisa manter política educacional”.

Como o jornal é deles e eles escrevem o que querem, este blog é meu e faço o mesmo. Então, abaixo de cada pedaço retirado do editorial linkado acima, eu coloco minhas palavras.

Segundo o globo,

“A secretária Cláudia Costin deixa o cargo, mas, além de vários programas de melhoria do ensino, já existe um sentido estratégico na área, e que tem de ser preservado. […] o prefeito Eduardo Paes e o sucessor da secretária têm como tarefa primordial preservar o trabalho que vem sendo executado desde 2009, e aprofundá-lo. Mas crescem as resistências de ordem corporativa-sindical à modernização das escolas públicas da cidade.

MENTIRA!

Não há nenhuma resistência corporativa-sindical à “modernização” das escolas públicas.

O que há, sim, é uma resistência à FALSA modernização, aos programas comprados por MILHÕES e ineficazes do ponto de vista de uma educação crítica e humanista, e uma resistência à cultura da meritocracia que NÃO É uma modernização.

Ora, o que se chama “modernização” [meritocracia] já foi testado pelos EUA, em NY, há mais de vinte anos e, hoje, eles estão abandonando porque viram que NÃO DÁ CERTO.

E quem diz isso hoje não sou eu, mas é justamente quem implantou isso há mais de 20 anos, a Diane Ravitch:

“Uma das principais defensoras da reforma educacional americana – baseada em metas, testes padronizados, responsabilização do professor pelo desempenho do aluno e fechamento de escolas mal avaliadas – mudou de ideia. Após 20 anos defendendo um modelo que serviu de inspiração para outros países, entre eles o Brasil, Diane Ravitch diz que, em vez de melhorar a educação, o sistema em vigor nos Estados Unidos está formando apenas alunos treinados para fazer uma avaliação.”

Isso é modernização, implantar um modelo testado e falido???

O globo, muito preocupado com a educação, continua:

“[…] Encontrou um cenário de terra arrasada. À época, vigorava um sistema pelo qual alunos não eram reprovados, mas também não recebiam qualquer reforço nos estudos para que pudessem, à frente, mudar de ciclo, com o domínio da matérias. Era a tal da “aprovação automática”, cujo resultado, dramático, foi, num total de 700 mil alunos, permitir a existência, em 2009, de 28 mil analfabetos funcionais.

MENTIRA!!!

A “aprovação automática” apenas mudou de roupa. Pega-se os que têm mais “problemas para aprender” e coloca-se numa turma pra receber aulas de quem, de quem, de quem??? Da fundação roberto marinho!!!

E, claro, não somos “obrigados” a aprovar, mas não se reprova todos os que teoricamente mereceriam, pois que há uma força “velada” pela aprovação. Ora, não se pode reprovar 90%, certo?

[Aqui, um adendo: eu, particularmente, sou contra a reprovação e aprovo todos os meus alunos; mas isso é assunto extenso, para outro artigo]

Agora, a pérola, ou a cereja do bolo:

“Costin procurou, então, fundações privadas a fim de capacitar professores para realfabetizar os estudantes.

AAAAAAAAAhhhhhhhhhh!!!!!!!!!!!!!!

Tá explicado…

Nós, professores, éramos incapazes, então fundações privadas [sic!] nos capacitam e realfabetizam os estudantes!!!

Mas, vamos entender um pouco mais a fundo essa capa$$itação, pelas palavras de outras pessoas, que não as minhas:

A transferência de recursos da Secretaria de Educação do Rio para a Fundação Roberto Marinho

Continuando:

“Entre outras ações, a Secretaria começou a ampliar o número de escolas de turno único — com meta já estabelecida em lei —, e passou a dar prioridade a Matemática, Português e Ciências, sem esquecer o Inglês, cada vez mais imprescindível.

Sobre as escolas de turno único, o que há é uma miríades de escolas diferenciadas, não um sistema de EDUCAÇÃO INTEGRAL como deve ser. Umas com 7 horas, outras integral, umas com matérias chamadas “eletivas”, outras com professores de qualquer disciplina dando todas as disciplinas. Muitas continuam com 3 turnos.

E sobre a prioridade destas disciplinas eu mesmo já escrevi por aqui algumas vezes:

Sou contra a priorização da matemática e do português

Como se faz educação?

A escola que sonho é diferente da que tenho

Projeto para uma escola diferente

Mais palavras sábias do grande conglomerado da informação que apoiou a ditadura e tantos outros políticos que só ferraram o Brasil, como o Collor:

“Cláudia Costin costuma dizer que nada se faz na Educação sem a adesão do professorado. Aqui há um obstáculo — mazela não apenas carioca, nem brasileira, pois existe também em outras cidades, estados e países —, representado pela resistência corporativa-sindical às mudanças. No Rio — e também não apenas aqui —, existe cerrada oposição a políticas de meritocracia, que premiem o bom professor e deem condições de aprimoramento profissional a todos. Funciona na prefeitura um desses sistemas, de bônus relacionado ao alcance de metas, algo essencial para a melhoria do ensino.

MENTIRA!!!

A mentira aqui não está na “cerrada oposição a políticas de meritocracia”, pois que SIM, temos resistência a ela. Mas a mentira é dizer que estas políticas “premiam o bom professor e dão condições de aprimoramento profissional a todos”.

MENTIRA!!

Preciso falar de novo, grobo? Isso não dá certo! Isso só “treina” os alunos a tirarem boas notas em provas. Isso não “educa”. Isso não constrói um cidadão. Isso não faz um ser pensante [ops!, talvez seja justamente isso que queiram…].

Vamos ler um pouco mais sobre isso, ao invés de ficar repetindo mentiras até que se tornem verdades? Vejam este artigo:

Vida e morte do grande sistema educacional americano

E vejam esta história REAL que eu contei por aqui:

Meritocracia na educação: injustiças e descasos

Então, por fim o globo diz:

“[…] Nada a fazer, a não ser enfrentar as resistências. No caso do Rio, sem qualquer recuo na política que vem sendo aplicada.”

Hummm…. vou reescrever esta frase para melhor dizer o que eles estão querendo dizer:

“[…] Nada a fazer, a não ser enfrentar as resistências à política educacional privatista e meritocrátia, mesmo que seja um sistema testado e falido, sem qualquer recuo na destinação de verbas para nossas fundações”.

Vamos ver umas fotos?

Lembre-se: são apenas algumas poucas das muitas e muitas e muitas outras destinações de verba da educação para empresas. Tudo por “inexigibilidade”:

Dinheiro da Prefeitura para O Dia

Dinheiro da Prefeitura para O Globo

Pregão eletrônico - SME RJ

Repasses a fundação roberto marinhos

Sem mais.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Procurando uma inexigibilidade para aumento de salário dos professores