Você está aqui: Capa » Alunos com Problema » PSICOLOGIA E EDUCAÇÃO

PSICOLOGIA E EDUCAÇÃO

Rio de Janeiro, 18 de março de 2014.

PSICOLOGIA E EDUCAÇÃO

Boa tarde a todos!

Fiquei um tempo sem aparecer por aqui, cansada demais, física e emocionalmente, para manter o mesmo nível de debate constante sobre Educação em nosso país.

Mas volto agora, talvez mais como psicóloga do que como professora e pedagoga, nesse momento, pois conheço de perto o quanto é importante e útil o conhecimento básico da Psicologia, para todos os profissionais que trabalham com gente.

Utilizei a imagem de Einstein aqui, com a seguinte mensagem: “E se este homem tivesse passado por um manicômio? Deixar nosso preconceito pode mudar a História”. Escolhi essa imagem e texto porque Einstein é um exemplo do que acontece até hoje: em determinado momento, foi considerado “retardado e incapaz de aprender”, por uma escola onde estudou na infância, o que foi dito à seus pais. Ele era apenas disléxico e, por isso, começou a falar tarde, tinha raciocínio lento e baixo rendimento escolar. Só conseguiu ser alfabetizado aos 9 anos. E, mesmo com todos esses efeitos da dislexia, ele foi, na verdade, um gênio na História da humanidade! Já pensaram o que aconteceria se os pais dele seguissem o que a escola lhes disse sobre seu filho e desistissem dele?

Por questões parecidas com essa e por ter percebido a carência de tantos profissionais de Educação em relação a como compreender e lidar melhor com alunos que parecem ter algum problema psicológico (ou neuropsicológico) sério, deixo uma sugestão, para nossos próximos encontros por aqui: perguntem o que tiverem vontade, especialmente sobre Psicologia (sobre Pedagogia também podem perguntar), para que eu possa ajudá-los em seu trabalho escolar, com informações, relatos de experiências e dicas.

Hoje a dica é ler um artigo ótimo, sobre os absurdos que ainda acontecem em nosso país, relacionados a internações de crianças e adolescentes em instituições psiquiátricas, sem necessidade. É um verdadeiro crime o que acontece!

E, nas escolas, quantas vezes ouvi: “esse menino não é bom da cabeça”, “aquela mãe toma remédio controlado – é doida mesmo!”, “ih, essa aí? Não tem jeito não: é maluca! E os filhos também são, claro!”, entre outras provas de preconceito e ignorância como essas.

Muitos alunos não têm problemas de saúde mental e sim problemas oriundos da absurda injustiça social e péssima distribuição de renda em que ainda vivemos no Brasil. O fato de crescerem nesse meio pode acabar até levando-os a algum transtorno mental grave sim, mas a principal origem é social e nessa ninguém quer tocar. Falarei mais sobre isso em meu próximo artigo aqui no Diário do Professor.

De qualquer forma, procurem ler o artigo que citei no início deste meu texto, pois é objetivo e esclarecedor, realista e atual . Vocês podem encontrá-lo em: http://brasil.elpais.com/brasil/2014/03/17/opinion/1395072236_094434.html

Antes de me despedir, deixo aqui, com vocês, a introdução do artigo, que resume o assunto tratado ali:

Como se fabricam crianças loucas

Os manicômios não são passado, são presente. Uma pesquisa realizada no hospital psiquiátrico Pinel, em São Paulo, mostra que, mesmo depois das novas diretrizes da política de saúde mental no Brasil, crianças e adolescentes continuaram a ser trancados por longos períodos, muitas vezes sem diagnóstico que justificasse a internação, a mando da Justiça. Conheça a história de Raquel: 1807 dias de confinamento. E de José: 1271 dias de segregação. Ambos tiveram sua loucura fabricada na primeira década deste século.”

Vale a pena ler o artigo todo! Não é só para psicólogos ou psiquiatras e sim para pais, professores e todos que lidam com gente diariamente, especialmente para os que lidam com pessoas ainda em sua formação básica: crianças e adolescentes.

Até nosso próximo encontro por aqui!

 Abraços,

 Regina Milone

(professora, pedagoga, arteterapeuta e psicóloga clínica).

Luta-manicomial-282x400a

Sobre Regina Milone

Regina é pedagoga, arteterapeuta e psicóloga. Tem experiência profissional como professora, pedagoga e orientadora educacional, facilitadora de grupos diversos com dinâmicas de grupo e arteterapia – com todas as faixas etárias, de crianças à terceira idade, além de atendimento individual e em grupo com arteterapia e como psicóloga clínica de orientação junguiana. Especificamente em Educação, ela tem experiência em escolas públicas (da Baixada Fluminense, principalmente) e particulares, de creches ao 9º ano de escolaridade do Ensino Fundamental (como recreadora, professora, pedagoga, orientadora educacional, arteterapeuta, psicóloga).

7 comentários

  1. SIMONNE MARTINS DE CARVALHO

    PARA PSICOLOGA REGINA MILONE:

    PERGUNTAS BASICAS:
    1. QUAL A IMPORTANCIA PARA A PSICOLOGIA NA EDUCAÇAO DO SECULO XXI?!?!
    2. NOS ULTIMOS ANOS, OS INUMEROS DOCENTES, EXIGEM PROFISSIONAIS ESPECIFICOS, COMO POR EXEMPLO, OS PSICOLOGOS. POREM, EXISTEM OS INUMEROS CONFLITOS GOVERNAMENTAIS QUE ADIAM AS TAIS PROPOSTAS EM REGULARIZAR OS PSICOLOGOS NAS UNIDADES ESCOLARES. POR QUE ESSE CONFLITO???!!!
    3. NA REVISTA HISTORIA DA BN N°101-fev. 2014: ABORDA SOBRE A IMPORTANCIA DOS BRINQUEDOS E DOS JOGOS COMO EXEMPLOS EDUCATIVOS E PSIPEDAGOGOS. POREM, AS ULTIMAS DECADAS, AS TRANFORMAÇOES TECNOLOGICAS TRANFORMARAM OS TEMPOS DOS JOGOS EM VIDEOGAMES E OUTROS BRINQUEDOS EM DIGITAIS, ETC. COMO FARA O PROFESSOR TRANSFORMAR ESSES NOVOS DESAFIOS EM UM BRINQUEDO PEGAGOGICO E DIVERTIDO NO SEU APRENDIZADO?!?!?!

  2. Oi, Simonne.
    Que bom que passou por aqui, leu o texto e deixou perguntas!
    Cada pergunta que fez merece um novo artigo, um novo texto, e é isso que farei, ok? Na medida em que eu for escrevendo os textos, lhe aviso.
    Mas lhe adianto o seguinte: minha experiência em escola me deu certeza do quanto o conhecimento básico de Psicologia faz falta, especialmente para os professores, pedagogos e para as famílias dos alunos. É necessário um esforço conjunto para ir sanando essa carência, mas, infelizmente, muitos não estão dispostos a isso. Essa falta de disponibilidade, de abertura para aprender, somadas aos preconceitos e ignorância reinantes, foram os maiores empecilhos que encontrei, dentro das escolas, infelizmente.
    Obrigada, mais uma vez, por passar por aqui e deixar perguntas!
    É na troca que crescemos, com certeza!!!!
    Abraços,
    Regina.

  3. SIMONNE MARTINS DE CARVALHO

    DR. REGINA MILONE…..JA ME AJUDOU BASTANTE E, SEM QUERER, POR SUAS COLOCAÇOES CITADAS ACIMA ME REFEZ PENSAR EM OUTRAS QUESTOES, QUE SERAO FORMULADAS E EXPOSTAS AQUI NO SEU BLOG, OK.
    AGRADEÇO DESDE JA AS SUAS COLOCAÇOES…..

    ABRAÇOS FRATERNOS,
    SIMONNE.

  4. SIMONNE MARTINS DE CARVALHO

    DRA. REGINA MILONE,

    OUTRAS PERGUNTINHAS RELACIONADAS NAS SUAS FALAS CITADAS ACIMA, OK.

    1. A FALTA DAS ESTRUTURAS POLITICAD PUBLICAS E EDUCACIONAIS INTERFEREM A “ENTRADA” DA PSICOLOGIA NO MEIO SOCIAL ESCOLAR???!!!

    2. AS RUPTURAS OU FALENCIAS NO AMBIENTE FAMILIAR DO ALUNADO COMPOEM SERIOS DE TRANSTORNOS FISICOS, PSICOLOGICOS E CONFLITOS REINANTES NO AMBIENTE ESCOLAR?!?! POR QUE?!?!

    ABRAÇOS FRATERNOS,

    SIMONNE.

  5. Olá, Simonne!
    Não sou doutora não. Fiz duas faculdades inteiras (Pedagogia e Psicologia) e mais uma pós-graduação (especialização em “Psicologia Junguiana, Arte e Imaginário”, na PUC-Rio), além de muitos cursos não acadêmicos. Portanto não fiz mestrado e nem doutorado, então o título de “doutora”, nesse caso, não se aplica a mim, certo?
    Quanto às suas perguntas, irei respondendo aos poucos, em outros artigos, como já lhe disse.
    Obrigada por passar novamente por aqui, mostrando disposição e abertura para trocarmos conhecimentos e experiências!
    Abraços,
    Regina Milone.

  6. Sonia Maria Paiva

    Parabéns pelo belo artigo. E lamento muito o que acontecem nos hospitais psiquiatricos do nosso pais. Pessoas são tratadas com a maior falta de respeito.

  7. Muito obrigada, Sonia Paiva!
    Esse assunto realmente merece ser mais conhecido pelo público em geral. Ainda acontecem muitos absurdos, cotidianamente, contra crianças e adolescentes, neste país.
    E acho da maior importância, para o educador, conhecer pelo menos um pouco da vida que seus alunos tiveram e tem fora da escola, até para saberem qual abordagem devem usar para conseguirem educa-los bem.
    Um abraço…