Em que ocasiões se manifesta seu machismo?

Fico pensando que alguns artigos que leio são maravilhosos para os educadores.

Nós, professores, podemos – e devemos fazer mais do que fazemos – utilizar estes textos como base para aulas.

Fazer os alunos lerem e pensarem sobre eles.

Eu já tive o prazer de saber que alguns textos meus, daqui do blog, foram e são utilizados por professores de todos os níveis de ensino em suas salas de aula.

Hoje, trago uma pérola, para que possamos trabalhar questões de gênero e o machismo nosso do dia a dia.

Vale a pena imprimir e trabalhar com nossos alunos, talvez fazer um debate, uma roda de conversa ou qualquer dinâmica que possa trazer à tona nossos preconceitos e desconstruí-los.

“Quantas violências eu sofro só por ser mulher?”, pergunta a autora.

Em determinado momento, ela inverte as posições, para nos fazer pensar:

“Rio de Janeiro, 2013. Um casal é sequestrado em uma van. As sequestradoras colocaram um strap-on sujo, fedido de merda e mofo, e estupraram o rapaz. Todas elas, uma a uma, enfiavam aquela pica enorme no cu do moço, sem camisinha e sem lubrificante. A namorada, coitada, tentou fazer algo mas foi presa e levou chutes e socos.’”

E, ao final, uma pergunta:

“E você, leitor homem? Quando é abordado de forma hostil por um estranho na rua, pensa “por favor, não leve meu celular” ou “por favor, não me estupre”?”

Fiquem com o texto e pensem e usem e eduquem e mudem.

Como se sente uma mulher

Como se sente uma mulher
Por Claudia Regina

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira

Um comentário sobre “Em que ocasiões se manifesta seu machismo?

  1. Fantástico o texto, Declev!
    Super realista!
    Como mulher, me vejo simplesmente em TODAS as situações citadas pela autora. E uma das coisas mais tristes, ainda hoje em dia, é ver tantas mulheres machistas, que educam seus filhos homens para perpetuarem esses absurdos. Assim como é triste entrar numa sala de aula de escola pública, de comunidade, como fiz diversas vezes, perguntando o que gostariam de ser e fazer na vida e ouvir das meninas, quase todas, o seguinte: “eu quero é arrumar um cara que me banque, tenha grana, aí tenho logo um filho e vai ter sempre alguém pra me sustentar ou ajudar”, como se fosse impossível uma mulher conseguir isso sozinha e como se a mulher que não tem um homem do lado fosse alguém que deve ter alguma coisa errada, ser muito feia, chata, maluca, entre outras coisas, por não conseguir “prender” homem nenhum na vida. É de lascar!
    Duro é ouvir tantas meninas cantando as letras de funk mais machistas e se achando o máximo – gosto do ritmo do funk, mas a maioria das letras… Deus me livre! -, duro é ouvir, em pleno terceiro milênio, os meninos e homens ainda diferenciarem as mulheres entre as “vadias e piranhas que são só pra trepar” e as “meninas de família, que são pra namorar e casar”.
    Costumo me abrir muito, dar a minha cara a tapa, Declev, como vc sabe, então conto aqui, como a autora contou no texto, que também já fui estuprada, muito antes dos 13 anos de idade, quando ela foi, e penei muito com isso (anos de terapia…) e com todas as consequências que trouxe pra minha vida, pro meu autoconhecimento, pra formação da minha personalidade/identidade, pra encontrar a minha forma de ter prazer no sexo, pra ter confiança em algum homem no mundo, etc. São marcas pra vida toda.
    E, no caso dessa galerinha de comunidades, nossos alunos, a violência doméstica é constante, mulheres apanham e são violentadas direto, os meninos crescem achando que isso é o “normal”, quando começam a transar não usam camisinha de jeito nenhum, acham que se elas engravidarem “elas que se virem sozinhas” (e daí vem tantos dos nossos alunos “difíceis”: filhos de adolescentes, criados por avós ou tias, sofrendo todo tipo de discriminação e abandono…), e por aí vai.
    E, por outro lado, tantas meninas ainda são criadas de forma totalmente repressora, em geral por famílias muito religiosas, o que as leva a pensar, em pleno 2013, que “sexo com mulher direita é só pra fazer filhos”, num retrocesso assustador, tão presente em nossa sociedade atualmente, por mais absurdo que pareça.
    E as “artimanhas” femininas, para “prender” um homem? Que mulher não aprendeu isso, desde cedo, desenvolvendo uma forma de esconder ou camuflar o próprio desejo para deixar o homem “louquinho por ela”? Senão eles não as valorizam! Que mulher nunca ouviu isso?
    Esse assunto é muito importante pra se discutir na escola sim, Declev. Concordo com vc e assino embaixo.
    Um abraço.

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