Cotas e ações afirmativas: cadê os reacionários com discurso pronto e frases feitas?

Ainda não é o sistema de cotas, mas mesmo este sistema deve ser crucificado pelos retrógrados reacionários com discursos prontos.

Nem vou fazer comentários.

Vou deixá-los com a notícia e com seus próprios pensamentos:

Os alunos que entraram na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) de 2005 a 2008 por meio do Programa de Ação Afirmativa e Inclusão Social (Paais) – oriundos de escolas públicas ou autodeclarados negros ou índios – tiveram desempenho igual ou superior ao daqueles que não ingressaram na universidade pelo sistema.

Em Medicina – curso que tem a maior relação candidato/vaga na Unicamp -, por exemplo, das quatro turmas avaliadas, 347 alunos entraram pelo vestibular tradicional (sem bônus) e 93 ingressaram por meio do Paais. Quem utilizou o Paais teve nota média de 644 no vestibular e quem não usou, de 667 – uma diferença considerada significativa, segundo o estudo. Ao final do curso, o coeficiente de rendimento dos alunos do Paais foi 7,8 e dos demais, 7,7.

Em Engenharia, estudantes do Paais tiveram 553 no vestibular e acabaram com rendimento 6,3, enquanto os demais alcançaram 573 no processo seletivo e nota final 6,4. “Os resultados mostram claramente o sucesso do Paais em fazer a inclusão com manutenção da qualidade dos estudantes e dos profissionais formados. Ficou estatisticamente demonstrado que os alunos se saíram muito bem nos cursos e concluíram nas mesmas condições dos não beneficiados, talvez até com ganho de qualidade”, afirmou Tadeu Jorge.

“Temos 93 profissionais que conseguiram cursar Medicina na Unicamp graças ao Paais. Entraram diferentes, saíram iguais, com tendência de melhora”, disse o reitor. Em relação aos demais, os alunos do Paais apresentaram ganho de desempenho, quando as notas dos dois grupos são comparadas.

Fonte.

Essas notícias me animam e me botam um sorrisinho no rosto.

Especialmente quando lembro daqueles que dizem coisas como “Quer entrar na universidade? Vá estudar!” ou coisas do tipo.

protesto-cotas

Pra mim, soa como: “você é preto e pobre? Foda-se!”.

A meritocracia nesta democracia seletiva tem que receber um empurrãozinho.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Pró-Cotas e afins

3 comentários sobre “Cotas e ações afirmativas: cadê os reacionários com discurso pronto e frases feitas?

  1. Taí… Foi muito bom você publicar este artigo! Você sabe (mas seus leitores não sabem necessariamente) que eu sempre tive minhas reservas quanto ao sistema de cotas. Mas os fatos estão desmentindo minhas reservas.
    Por outro lado, eu tenho acompanhado discussões de professores de cursos de pós-graduação (Mestrado e Doutorado) que se queixam de que, cada vez mais, os alunos chegam a esses cursos totalmente despreparados – alguns com problemas sérios de português e matemática de 2º grau.
    Ah!… Sim… E nenhum desses “problemáticos” é “cotista” (os cotistas até que se saem bem). O que me leva a concluir que o ensino médio está tão voltado a aprovar no vestibular (e não em realmente ensinar), que o sistema de cotas realmente está “pondo as coisas no lugar”: as universidades estão realmente sendo preenchidas pelos melhores estudantes; não pelos “filhos de papai rico” que puderam pagar pelo melhor cursinho (e que as escolas particulares são tão ruins quanto as públicas; apenas são caras).

    • Oi João, obrigado meia uma vez pelo seu comentário.

      Reserva todos nós temos, pois que, para mim, não se deve simplesmente escancarar as portas sem um trabalho prévio, concomitante e posterior.

      Isso quer dizer melhoria do ensino básico – é por isso que está ruim lá em cima, não pelos cotistas – e quer dizer apoio (até financeiro) para os que entram com as cotas e merecem.

      Mas o fato é que dá-se a oportunidade a quem não a teve pela vida, e ele se agarra, na maioria das vezes.

      Abraços,

  2. Sempre defendi as cotas e não é surpresa pra mim o bom desempenho dos que ingressaram nas universidades por meio do Paais. Fico feliz com isso.
    Vivemos num sistema hipócrita e covarde realmente. Injusto demais.
    Quanto às escolas particulares serem tão ruins quanto as públicas, como o João Carlos falou, em muitas coisas são mesmo, mas não em tudo.
    Quando escolhi escola pro meu filho, encontrei no máximo umas 4, aqui no Rio, em que eu realmente acreditava no trabalho, na filosofia, etc. Valeu muito a pena colocar meu filho lá.
    Quanto aos retrógrados e reacionários de plantão, deixa pra lá. Sempre existirão, infelizmente. Muitos nem tem o mínimo de consciência política para serem capazes de perceber isso. São os alienados, os “inocentes úteis”, os que acham que pensam e escolhem sem conseguir ver que estão é pensando por eles e os manipulando. Somos todos humanos, imperfeitos e, muitas vezes, contraditórios.
    Um abraço,
    Regina.

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