Capacitação para os “incapazes”

 

                De vez em quando recebemos notificações nas escolas sobre cursos de capacitação para professores.  Isso me incomoda um pouco porque parece que somos incompetentes, incapazes.

Levando em conta o diploma que temos, creio que mais incompetentes que nós são as Universidades que nos formam. Sabe-se que o professor deve estar constantemente se atualizando e estudando para acompanhar as mudanças que ocorrem no mundo, mas curiosamente gostaria de verificar que capacitações fazem os professores das Universidades de Formação de Professores para ensinar seus alunos, futuros professores, a lidar com temas como a inclusão, por exemplo.

Já ouvi algumas vezes professores da área de licenciatura nas faculdades falarem que  suas matérias não precisam focar nesses temas porque a isso cabem as tantas “didáticas”  e “práticas de ensino” que temos na grade curricular. Acredito que eles estejam equivocados. Aliás, penso que o saber teórico em algumas faculdades de licenciatura deixa a desejar no tocante ao aluno. Principalmente quando se trata dos alunos com Necessidades Especiais (NEs), que fazem parte da Inclusão.

Visto que a lei da Inclusão é um fato e nós, professores, lidamos diariamente com essa realidade, as Universidades deveriam trabalhar firme sobre como atuar com as duas faces da turma: NEs e “ditos normais”, utilizando conteúdos adaptados para que a inclusão seja feita com excelência.

Mas o que ocorre, é que essa realidade nova chega primeiro às séries iniciais e, até que estes alunos cresçam e talvez cheguem ao Ensino Médio e quiçá a uma Universidade, os mestres que ministram suas aulas no Ensino Superior (Formação de Professores) não saberão na prática o que é trabalhar sem conhecimento suficiente e respaldo clínico para atender as exigências de uma legislação muito pertinente e justa, mas cuja infraestrutura ainda está longe de ser ideal. E quando se questiona sobre isso, uma das muitas respostas incoerentes que ouvi, de pessoas que são contratadas para serem CAPACITADORAS, é que: “A mãe, quando recebe um filho especial, tem que aprender a lidar com essa nova situação na prática; assim somos nós, professores: vamos recebê-los e aprender no dia-a-dia a trabalhar com eles.”

Para que capacitações se vamos aprender tudo na prática? Então joguemos fora nossa Formação Docente, que já não tem o seu devido valor, e aplaudamos a continuidade da desinformação, do conformismo e do desinteresse daqueles que deveriam ver como prioridade o saber do aluno, mas que por comodismo perpetuam a reprodução somente do  conteúdo, sem chegar a conhecer de fato a prática docente de base, que talvez nunca leve um aluno de Inclusão a uma Universidade.

 

16 comentários sobre “Capacitação para os “incapazes”

  1. Oi Emily,

    Mais uma vez, direta ao ponto e certíssima.

    Eu constantemente me refiro – até mesmo ironicamente – aos “especialistas” em educação que tanto se arvoram em dizer o que se deve fazer e tudo sabem.

    Só um detalhe: TODOS eles ou nunca pisaram numa sala de aula de escola pública de periferia ou já estão há décadas fora dela.

    São estes especialistas que querem nos dizer o que é melhor.

    E, sim, a formação de professores no Brasil é uma piada – uma piada de mau gosto, contando tudo o que temos que enfrentar depois que nos formamos.

    Ao entrarmos pro mercado de trabalho é que começamos a saber o que e como fazer.

    E aí gastam-se milhares com consultores especialistas pra nos dizer o que já aprendemos na prática – prática que eles não têm.

    Veja alguns valores básicos:

    http://www.diariodoprofessor.com/2012/08/18/dinheiro-da-educacao-e-para-pagar-consultores/

    Abraços,

    • Suas colocações Declev, retratam a mesma angústia da classe que represento e dos professores com quem trabalho. Não é uma fala exclusiva minha, mas de vários colegas, amigos e familiares que também se sentem sós nesta luta. É importante dividirmos sim, até para saber o que pensam outros colegas que vivem em outras realidades de municípios ou redes de ensino.
      Abraço,
      Emily.

  2. Gostei muito do seu texto, Emily. Realista e objetivo.
    Já quanto ao seu comentário, Declev, gostaria que vc me dissesse de onde tirou essa informação (???) sobre os especialistas: “TODOS eles ou nunca pisaram numa sala de aula de escola pública de periferia ou já estão há décadas fora dela.”
    TODOS????????????????????????????????
    De jeito nenhum!!!!!!!!!!!
    Conheço muitos, até dentro da minha própria família, que dão capacitação, em todo o Brasil, há anos, e continuam, paralelamente, a ensinar, trabalhando sempre como professores que são, tendo que lidar com as mazelas do trabalho em salas de aula lotadas também.
    Quando me formei em Pedagogia, em 1986, recebi o título de “especialista em educação”, do qual me orgulho muito e pelo qual batalhei e me dediquei bastante.
    E nunca deixei de estudar!
    Em relação a isso, Emily e Declev, não vejo capacitações ou atualizações como uma forma de dizer que os professores são incapazes (já participei de várias, como aluna, já sendo adulta e profissional há anos, e aprendi demais) e nem vejo como prova de que o ensino universitário, na formação de professores, não teve valor nenhum. Concordo com vcs quando dizem que o que foi aprendido na universidade foi insuficiente, sempre critiquei isso também, mas em todas as profissões, se quisermos ser bons profissionais, precisamos ter humildade para aprender e nos atualizar sempre e, nesse ponto, a universidade nunca poderá suprir tudo realmente. Nós é que temos que correr atrás.
    Como psicóloga, Emily, recebi inúmeros pedidos de ajuda das professoras de pré-escolar, alfabetização e de todo o 1º segmento do Ensino Fundamental, especialmente sobre inclusão, com a qual já lidei também como professora, em turmas com alunos autistas, outros que eram vítimas de maus tratos, e com todo o tipo de dificuldade cognitiva e psicológica, vindas, em grande parte, por consequência dos absurdos problemas sociais do nosso país. Vi tanta miséria e doença que, muitas vezes, tinha que ir pro banheiro chorar, chorar e chorar, até cansar e poder lavar o rosto e voltar ao trabalho.
    Em muitos casos consegui ajudar. Em outros não, infelizmente…
    Trabalhar em escola hoje, especialmente pública e de periferia, é ficar cara a cara com o chamado “mundo cão”. O inferno de Dante é ali!!!!
    Extremamente sofrido e desgastante…
    Mas, quanto a inclusão, muito só dá pra aprender na prática mesmo, pois simplesmente não existem receitas de bolo, prontas para serem aplicadas aos alunos com necessidades especiais, até mesmo porque essas necessidades são de vários tipos diferentes (só de autismo, por exemplo,existem vários) e, na interação com a turma, cada qual poderá apresentar ainda outras dificuldades que não constam de receituário nenhum. Por isso as capacitações/atualizações, nesse ponto, são importantíssimas, até porque descobrem-se novos transtornos numa velocidade cada vez maior hoje em dia, e, por isso, seria humanamente impossível a universidade dar conta de tudo. Mas é claro que ela tem que melhorar. As formações de professores ainda são fraquíssimas, na minha opinião. Concordo com vcs nisso, mas talvez não pelos mesmos motivos.
    Em todas as profissões existem mil coisas que só serão aprendidas na prática, o que não desmerece em nada a teoria estudada nos cursos de formação, até porque teorias baseiam-se em práticas também, em experiências e pesquisas; não surgem do nada e nem se desenvolvem fora da realidade. Inclusive acho que FALTA teoria para os educadores – professores, pedagogos, diretores de escolas, etc. -, principalmente porque tantos estão tão fechados pra ela, já são tão preconceituosos sobre esse assunto, que pararam de aprender, o que é lamentável, embora compreensível.
    O trabalho do educador é um trabalho intelectual, em primeiro lugar. E, nesse aspecto, a contribuição brasileira tem estado muito aquém do que poderia estar.
    Por isso, a meu ver, o problema não são as teorias, os especialistas, as ideias, etc. Ao contrário! Nesse ponto, estamos defasados, por preconceito, como já disse, mas também pela falta de tempo para se dedicar mais à pesquisa, que é algo que deveria estar presente no dia a dia de todo educador, mas que tem sido injustamente desvalorizada.
    Já trabalhei em rede de ensino público onde os salários eram bons, isto é, eram bem maiores do que a ridícula e injusta média nacional. Mas, mesmo assim, os discursos eram exatamente iguais, sem tirar nem por. Mil vezes tentei levar ideias, projetos, relatos de experiências, etc., e o que eu ouvia, como pedagoga, principalmente dos professores era: “isso não tem nada a ver com a nossa realidade”, “eu quero é soluções práticas”, “já cansei desse blá-blá-blá”, entre outras reações absolutamente defensivas e fechadas. E se eu ou outro colega colocávamos o fato de que as mudanças tem que ser construídas por todos, não as encontraremos “prontas” em lugar nenhum, ainda mais num país a quem sempre interessou politicamente manter o povo ignorante para melhor manipulá-lo, aí todo mundo ia saindo de fininho. Quer dizer, na hora de repetir milhões de vezes as mesmas reclamações estavam sempre presentes, mas se mostravam completamente fechados em relação a parar de se esconder atrás dessa postura defensiva e partir, juntos, para criar outras possibilidades. Claro que não são todos assim, mas infelizmente a maioria é, cada dia mais, na minha opinião. E estou falando não só dos professores, mas de todos os profissionais de educação. E esse foi um dos principais motivos que me levaram a parar de trabalhar de forma fixa em escolas, há uns dois anos atrás.
    Desculpem, mas não consigo escrever pouco sobre esse assunto. É sério e importante demais para que se resuma e simplifique a ponto de nublar a complexidade do tema.
    As formações de educadores – professores, pedagogos… – tem que melhorar muito sim!!! Sem dúvida. Mas elas também são fruto dessa educação fragmentada, conteudista e distante da realidade, que todos recebemos desde a infância, já que o ensino tem evoluído pouquíssimo, nesse ponto, o que afetou/afeta a todos nós e não só aos nossos alunos.
    Fora tudo isso, Emily, no que eu puder te ajudar, dar dicas, orientar, informar, em relação aos alunos com necessidades especiais ou outros, conte comigo! Tenho conhecimento e experiência no assunto e de nada valeria isso tudo se não pudesse servir para ajudar a quem precisa, no dia a dia, concretamente. Então, repito: conte comigo! Só não espere receitas de bolo, pois muitas vezes elas não são ensinadas nos cursos de formação simplesmente porque não existem. Mas existem orientações, possibilidades, experiências que deram certo, conhecimentos que auxiliam, enfim… Nisso tudo, conte comigo!!! E vc também, Declev. Nisso posso ser muito útil, viu?! 😉
    Além disso, precisamos exercitar mais a nossa criatividade e ter coragem para inventar o novo, ao invés de só reclamar do que já é, infelizmente, tão antigo em nosso país.
    Cada um vendo por um ângulo, cada caso sendo um caso diferente e único, cada qual com sua abordagem, mas estamos juntos nessa luta, meus amigos, como o Declev sempre me diz.
    Abraços aos dois… 😉

    • Regina, obrigada por sempre contribuir enriquecendo meus textos e expressando suas opiniões de maneira tão pertinente. Acredito que existam “capacitadores” competentes para ministrar cursos de qualidade. Ao contrário do que parece, sempre estou fazendo os cursos que são oferecidos pela minha rede de ensino, infelizmente é por isso que sinto esse pesar que coloco em minhas palavras. Nunca procuramos por receitas de bolo, mas no mínimo, respeito com os professores ao se contratar especialistas para darem palestras. O que se vê muito por aqui, é a contratação de “colegas” e “amigos” para ministrarem os cursinhos e ganhar um extra. Vemos muitas vezes, que perdemos tempo ao comparecer nesses cursos, já houve casos (não raros) de ouvirmos expressões do tipo “a gente vamo”, que chegou doer os ouvidos… Quando se chama um profissional competente para trabalhar os temas, não há um controle do quantitativo de cursistas, e infelizmente, não se aproveita nada porque não há condições de ouvir o que o palestrante fala e a infraestrutura é péssima. Critico também o termo capacitação porque nos remete a incapacidades, e como não considero que ninguém seja incapaz, mesmo com suas limitações, acho que o termo deprecia muito a categoria. Mas tudo bem, a conta de tudo de ruim e errado sempre vai recair sobre os professores, aqueles de sala de aula, aqueles que nadam contra a corrente, que lutam porque se importam, que falam porque sonham com um Brasil melhor, com igualdade e justiça. Concordo com você que reclamar não basta, mas para isso, é necessário que se conheça a prática de quem está reclamando, o grau de envolvimento dos profissionais envolvidos no cerne das reclamações em questão, e todo o trabalho de uma equipe que dá o sangue pela excelência do ensino. E se neste momento, nem a nossa voz puder ser ouvida, nossas angústias colocadas tal e qual sentimos, para não melindrar certos profissionais, de que adianta viver numa democracia?
      Mas foi bem legal você mostrar o que pensa e se não for abusar da sua boa vontade, vou pedir um help sim. Espero que possa me ajudar pois assim, estará ajudando a muitas pessoas que junto comigo, comungam das mesmas angústias.
      Abraço,
      Emily.

  3. Não tem pelo que agradecer, Emily!
    Estamos no mesmo barco, na verdade, embora o preconceito contra os pedagogos deixe tantos professores absolutamente cegos em relação à nossa profissão, que, na verdade, é a base do próprio trabalho do professor!
    O que mais vemos, na prática, são professores que, ao fazerem suas licenciaturas, desdenham das matérias pedagógicas o tempo inteiro e só estudam pra passar, porque elas são obrigatórias. E o mesmo que fizeram enquanto eram estudantes, continuam fazendo na prática escolar: não entendem nem querem entender nada de Pedagogia, o que é absolutamente tacanho.
    Você pode contar comigo como professora, pedagoga e psicóloga sempre que precisar sim, como já disse. Fico feliz que tenha se interessado, porque tudo que quero é realmente ajudar!
    Mas não precisa me explicar como os professores se sentem, já que também sou professora – como quase 100% dos pedagogos, aliás -, minhas irmãs são professoras, boa parte dos meus amigos idem, então…
    Não se coloque tipo “professores de um lado, pedagogos de outro”, porque essa divisão é tão artificial quanto a que tenta dividir conhecimentos em disciplinas estanques que, na verdade, se inter-relacionam, o que nunca fica claro para o aluno – e esse é um dos maiores motivos que os levam a ficar desmotivados.
    O professor NÃO É o único que nada contra a corrente e pega o pior da educação. Não mesmo!!!! Eu mesma já tive que conviver com muitos professores completamente acomodados, ignorantes, fechados, resistentes, com uma auto-imagem ora de vítima e ora de salvador, enfim… Acho que essa postura de tantos e tantos professores é um dos maiores motivos da educação estar o horror que está. Falta autocrítica e sobram reclamações. Nem mesmo conhecer a história da Educação no Brasil, pra pelo menos não ficarem eternamente repetindo os mesmos discursos e os mesmos erros, eles se dispõem a fazer.
    Lamento muito que as capacitações que fez, Emily, tenham sido ministradas por profissionais incompetentes. O tal do “Q.I.” (quem indicou) continua sendo uma praga em nosso país, junto com os chamados “cargos de confiança”.
    Na minha experiência tive ótimos professores, que me atualizaram e capacitaram sim, me ensinando muito. Não tenho NENHUM problema com a palavra “capacitação”, até porque, nesse ponto, prefiro manter a humildade e a certeza de que sempre tenho e terei muito pra aprender, capacidades novas a desenvolver, enfim… Não é ofensa nenhuma falar em capacitação, na minha opinião. Essa palavra não remete só à “incapacidades” e sim, também, remete a novas capacidades e habilidades.
    Quanto a professores que ensinam sem nem mesmo usar direito o nosso idioma, também acho o fim da picada. Concordo com você. E essa é uma realidade bem comum entre os professores de crianças e jovens também, e não só entre os professores que são chamados para dar cursos de atualizações e palestras. Vi tantos professores que falavam e escreviam errado sendo alfabetizadores, que ficava de queixo caído. Tinha vergonha, muitas vezes, por aquelas pessoas…
    Se as pessoas da área de educação pelo menos gostassem de estudar e pesquisar, o que considero o MÍNIMO necessário para ser um bom profissional nesse campo, muitas reclamações que são repetidas, com as mesmas palavras, há décadas, em nosso país, já teriam dado lugar a novas práticas e possibilidades. Mas pouco vi profissionais de educação realmente abertos pra isso! E reclamar é sempre mais fácil… Bota-se todas as culpas “fora”, nos outros, no sistema, nos políticos e isso só interessa aos que querem se manter no poder. Enquanto os profissionais de educação ficam nessas guerrinhas, tantas vezes infantis, de professores X pedagogos, alunos X professores, diretores X professores, escola X famílias, entre outras, a educação NÃO VAI melhorar. E isso só interessa aos que querem que o povo continue ignorante!!!!!
    Então, entenda o que estou tentando dizer: de forma alguma estou me colocando contra os bons profissionais e sim estou mostrando que enquanto as guerrinhas que tem sido travadas há décadas continuarem assim, jamais teremos a união necessária para realmente melhorar a educação!
    O professor não é a maior vítima, na minha opinião. Existem muitos que são péssimos realmente, assim como existem pedagogos horrorosos, mas, o bom pedagogo também sofre muito com o estado da educação, e não só o professor; tenha certeza disso. Não está fácil pra ninguém!
    Na linha de frente estão todos que realmente se importam. Como pedagoga, por exemplo, enfrentei milicianos, políticos coronelistas, diretores de escola medíocres, profissionais corporativistas ao extremo, Secretarias de Educação, entre outros enfrentamos, em muitos pontos mais terríveis ainda do que os enfrentamentos diários que os bons professores tem que lidar dentro de sala de aula.
    A maior vítima, na minha opinião, é o aluno, sem dúvida nenhuma. Especialmente o aluno pobre, que vive em meio a violência, miséria e abusos de todos os tipos. O profissional, professor ou pedagogo, pelo menos conseguiu concluir seus estudos, se formar, passar em concursos e trabalhar na área escolhida. Quanto aos alunos, a grande maioria nem o Ensino Médio fará!
    É claro que o professor tem que ser ouvido e acho que cada vez ele tem tido mais espaço pra isso na mídia, principalmente por causa da internet. Está faltando, agora, ouvir mais o aluno, as famílias dos alunos, os pedagogos que trabalham ou trabalharam diretamente dentro das escolas, os funcionários de apoio, os diretores de escola, etc. TODOS deveriam ser ouvidos SEMPRE, mas não é isso que acontece nas escolas. A escola chega como ser alienígena, sem conhecer nem respeitar nada da cultura daquela comunidade, e assim só piora tudo.
    Então desabafar, ouvir um ao outro, trocar ideias, falar de nossas angústias, etc., acho fundamental. Concordo totalmente com você nesse aspecto e temos feito muito isso no blog, todos nós que escrevemos aqui. Mas é necessário que realmente todos sejam ouvidos, concordando ou discordando aqui ou ali, e não só os professores! E o que acontece não é isso. Aqui mesmo, no blog do Declev, quando posto artigos, textos ou crônicas que não falam diretamente do sofrimento e da desvalorização do professor hoje (que é real e deve ser mostrada sim), poucos escrevem comentários. Tenho observado isso e lamento um pouco. É mais fácil ficar entre “iguais”, todos repetindo sempre as mesmas coisas, do que exercitar minimamente o se colocar no lugar do outro, ouvir de verdade, observar mais, desenvolver empatia, pesquisar, enfim… Repito: isso só interessa àqueles que querem manter a educação como está, porque a energia de seus profissionais vai toda embora nisso, o que leva todos os políticos corruptos de nosso país a darem pulos de alegria, pois assim nada muda nem mudará. Se não somos capazes de nos unir nem em nossas diferenças, nós, educadores, então como teremos força pra uma união maior, que realmente venha a fazer alguma diferença????
    Nada do que eu disse tem a ver com melindrar essa ou aquela classe de profissionais. Sou igualmente crítica em relação a todas! 😉
    Beijos e… conte comigo pro que precisar!!! 😉

  4. Parabéns Regina! Você é uma vitoriosa… quando eu “crescer”, quero ser assim e ver o mundo com seus olhos!

    Abraços,
    Emily.

    • Regina, não falei ironicamente. Aliás é um desejo grande que a Educação cumpra seu papel e para isso, essa nossa conversa é de suma importância pois o debate nos leva a enxergar outros pontos de vista. Gostaria realmente de ver o mundo com seus olhos, quem sabe um dia eu chego lá! O objetivo é sempre focar no aluno e quando a educação não consegue atingir as expectativas (que são grandes) a frustração vem com tudo. Por isso decidi escrever essa coluna que chamo de Crônicas de Protesto. Gosto da sua fala e principalmente da troca que temos, e como já disse, vou pedir help sempre que precisar…
      Obrigada pelo carinho e atenção, abraço
      Emily

  5. Tá, Regina, você está certa: QUASE todos!

    Eu não lembro de algum que estivesse em sala [nem dos que eu leio por aí], mas é claro que existem.

    Eu mesmo, às vezes faço capacitação e palestras por aí, oras! rs…

  6. Eu adoraria fazer alguma capacitação ou ouvir alguma palestra sua, Declev!
    Sou sua fã, como vc já sabe. 😉
    E acho que as redes de ensino deveriam utilizar muito mais os profissionais que tem do que ficar apenas convidando pessoas de fora. Os dois olhares são importantes e acrescentam, a meu ver: o de quem está dentro e o de quem está fora.
    Abraços…

  7. caríssimos,qual o conselho institucional que regulamenta e orienta a formação docente??? não é suficiente…com a universalização da educação, ocorreu uma desproporcional demanda de prof.X aluno, agora não somente de quantidades mas qualidades…e pelas conjunturas econômicas do país, magistério virou subemprego…pessoalmente já participei de várias capacitações, boas para colecionar certificados e postular pontos em gratificações,porém na práxis…existe uma escola de formação burguesa e a escola proletariado massificado, onde ate hoje nenhuma capacitação ou formação conseguiu romper…então façamos a revolução ou ficamos na situação???

  8. Emily,
    Não sei se está brincando, sendo bem humorada ou se está ironizando. Prefiro acreditar que é só bom humor! 🙂
    E não teria graça se todos víssemos o mundo com os mesmos olhos, né?!
    Mas aprendermos a nos colocar realmente no lugar do outro, para compreendê-lo melhor, isso eu acho que vale a pena exercitarmos, diariamente, ainda mais na Educação.
    Não me considero nem um pouco vitoriosa e te digo que ver o mundo com os meus olhos não é fácil nem leve… É muito sofrido, na maioria das vezes. Mas não dá pra voltar atrás e simplesmente dizer: “não quero mais brincar disso”. Uma vez que vemos algo com profundidade e amplitude, não tem como não vermos mais depois. Não dá mais pra ver a vida como uma luta eterna entre mocinhos e bandidos, quando vemos que cada um de nós é, em diferentes momentos, ora mocinho e ora bandido… Digo sempre, para os amigos, que a minha intensidade é meu bem e meu mal ao mesmo tempo.
    Tenha um ótimo feriado, querida! 🙂
    Beijos…

  9. Anderson,
    Acho que deveria haver uma total reformulação da escola hoje, tanto particular quanto pública Prefiro usar o termo “particular” e “pública” do que “burguesa” e “do proletariado”, porque sinceramente não vejo mais sentido nesse tipo de leitura do mundo, mas respeito suas opiniões e questionamentos.
    Pra mim, em relação a instituição escola, teríamos que “derrubar tudo e começar de novo”. Se isso é revolução, então façamos!!! Mas quem vai se engajar? A maioria que só reclama, infelizmente, não se comprometerá com isso, a não ser no discurso. Mais ou menos da mesma forma que você também diz que foram as capacitações que fez: “boas para colecionar certificados e postular pontos em gratificações,porém na práxis…”
    Um abraço.

  10. Vale lembrar que quem já vai com a mente fechada e cheio de pré-conceitos em relação aos cursos de capacitação, nem mesmo será capaz de entender de verdade e de transpor aquilo que ouviu para a sua prática diária. Não terá “aprendido” nada, como acontece com nossos alunos…

  11. Que bom, Emily!
    Saiba que já sinto muito carinho por vc. E admiração!
    E estou muito feliz por ter mais uma mulher por aqui!!
    Também dei aula pra crianças, sabe? E vi coisas tão terríveis e tristes… Sei que vc me compreende quando digo isso, por tudo que já mostrou aqui. Seu olhar é sensível, inteligente e observador. É como te vejo. 🙂
    Defendo muito a necessidade dos professores dos diversos segmentos trocarem mais, ouvirem mais uns aos outros… Os que são professores das crianças precisam ser ouvidos, pois tem muito a dizer, como vc!
    Me desculpe se eu disse algo que não devia, ok? É que estou tendo um dia muito ruim e aí fico desconfiada, mesmo sem razão…
    Grande beijo e vamos continuar nossas trocas! 🙂

    • Que bom Regina, fiquei preocupada de você ter ficado chateada comigo! Não falei por mal, tenho gostado muito dessa nossa interação!

      Bjs, Emily.

  12. Não ,fiquei chateada não, Emily.
    Fique tranquila. 🙂
    Estamos no mesmo barco.
    Eu cheguei num nível de estresse tão absurdo, que tive que optar por pedir aposentadoria proporcional, há dois anos atrás. Foi uma decisão muito difícil e sofrida, mas que a minha saúde acabou tomando por mim.
    Procuro contribuir de outras formas agora.
    Cada vez mais vejo amigos e amigas, profissionais de educação, mais e mais doentes, sempre de licença médica, envelhecendo antes do tempo, ficando amargos…
    A situação está terrível. 🙁
    Estou adorando seus textos e estarei sempre prestigiando, com o maior prazer!
    Também tenho gostado bastante da nossa interação.
    Beijos… 🙂

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