Isso é Brasil.

É sempre assim, o mundo gira, a Terra dá voltas e as coisas se repetem o tempo todo. É difícil acreditar num país cuja bandeira prega Ordem e Progresso vendo que ainda, nos dias de hoje, nos encontramos em situações onde o coronelismo ainda impera diante de nossos olhos, onde ainda vivemos sob a luz de uma democracia que favorece poucos, onde os pilares que deveriam sustentar a nação estão ruídos pelas traças que democraticamente elegemos para serem nossos representantes.

Mas que democracia é essa que muda as máscaras dos políticos mas a face real é sempre a mesma? Eleger significa repetir o erro, só que com outros atores ocupando o palco, e que palco! Tão grandioso que ninguém quer largar o osso. Para tanto, é quase um jogo de vale tudo: vale atropelar os outros, vale cabide de empregos, vale sucatear a saúde e a educação, vale desrespeitar até mesmo os homens de boa vontade que trabalham honestamente; só não vale cumprir as promessas feitas e a palavra empenhada.

Queria que hoje houvesse pessoas que se valessem apenas da palavra, ou como no tempo do meu avô, do fio do bigode, mas hoje, só existe sujeira e dinheiro podre, que tornaram os elegíveis cada vez mais preocupados com sua própria “miséria”, a “miséria” de ainda não ter bens e imóveis dez vezes mais do que sua capacidade de compra, carros de luxo, contas bancárias que excedem a lógica, e é claro, organizar financeiramente a vida da parentada toda:  maridos, esposas, filhos, pais, irmãos, primos, tios… Quando se elege um candidato por quatro anos, elege-se também toda essa massa que vem por tabela, não para somar, mas para sugar do sistema, para dividir a fatia do bolo, que é grande, mas mal distribuída.

Enquanto isso, o povo se regozija batendo palmas para os benefícios do governo concedidos aos denominados baixa renda, como o bolsa família, por exemplo. Como boa parte da população se enquadra nessa característica, acaba por achar o governo excelente, e o povo, cada vez menos crítico, perpetua o legado da imoralidade eleitoral deixando para seus filhos, um país sucateado pela politicagem dos politiqueiros, que sempre se esquecem da real democracia. O que fica de herança para o povo é a ignorância, mas como se diz por aí, feliz é o ignorante que por não saber, sofre menos… Pão e circo para o povo.

 

Emily Coutinho

12 comentários sobre “Isso é Brasil.

  1. Excelente texto!!! Infelizmente, a mais pura realidade… eu só acrescentaria à frase final “Pão e circo para o povo”: Pão, futebol e carnaval para o povo!!!

  2. Ótimo artigo, Emily.

    Uma coisa que os professores – oprimidos que são para “ensinar sua matéria” – esquecem, é que a educação é política e é por ela que mudamos a política…

  3. É isso aí amiga!! Parabéns pelo texto.Infelizmente fazemos parte de um povo que aprendeu a gostar dessas políticas paternalistas,perdeu totalmente a vergonha na cara e acostumou-se a viver da falsa caridade!

  4. É isso aí, Emily Coutinho! Infelizmente, esta ainda é a nossa realidade. Até quando???

    Parabéns pelo artigo muito bem escrito!

  5. Emily, você é professora de história, certo? Então, me conte em que ponto da história desse Brasil (após o “descobrimento”, é claro… antes, isto aqui nem “existia”…) a relação entre o populacho e os-que-tem-os-ouvidos-de-Sua-Majestade (atualmente designados genericamente como “políticos”) foi diferente?
    O “sufrágio universal” é uma triste piada de mau gosto, porque todos podem votar, mas só os ricos podem se candidatar (claro que há as exceções que confirmam a regra, mas – só para dar um exemplo – o que pode um Freixo, contra uma máquina eleitoreira de um Paespalhão?)
    Só há um remédio contra esta mesmice, contra essa democracia de fancaria: educação!
    Exatamente o que as elites não querem…
    (Ah!… Sim… E não esqueça que os jagunços que cuidam de manter o poder dos Coronéis, sempre foram recrutados entre o populacho)

  6. Ótimo texo, Emily! Uma realidade infeliz e não vejo um futuro muito diferente disso… as coisas só estão piorando.

  7. Mais uma vez, quero te dar as boas vindas, Emily!
    Conheço o Declev há anos, pela internet (ainda não conseguimos nos conhecer pessoalmente, por incrível que pareça!..rsrs), e também sou colunista daqui.
    Como vc, tenho extravasado ideias e experiências em blogs e comunidades diversas, escrevendo a respeito da realidade da nossa educação.
    Gostei muito do seu texto, mas gostaria apenas de acrescentar um questionamento e uma reflexão.
    Em 1º lugar: somos nós que elegemos os políticos corruptos, populistas, amigos de milicianos, coronelistas, bandidos de todos os tipos, especialmente os de colarinho branco, eleição após eleição, há décadas!
    E estou trazendo uma questão coletiva, pois individualmente podemos votar com consciência, querendo mudanças e escolhendo bem os nossos representantes pra isso, mas, por outro lado, somos povo também, somos parte dessa sociedade desigual e injusta, sociedade essa na qual um comportamento, que observo há muitos e muitos anos, continua se repetindo: sempre apontamos como “culpados”, desse estado de coisas, os outros, sejam esses outros o povo que não teve (e continua não tendo) uma educação de qualidade ou aqueles que querem manter seus privilégios de elite. No entanto, quando fazemos o mesmo em relação a nossa área de trabalho – a Educação -, erramos muito, pois essa lógica de que o outro é sempre o culpado atrapalha demais o próprio amadurecimento e autocrítica do profissional de educação.
    Quero dizer que, nesse sentido, também somos responsáveis pelos políticos que temos, pois somos, como educadores, formadores de opinião. E, nisso, temos errado demais.
    Vejo alunos repetirem opiniões políticas de seus professores usando as mesmas palavras, como papagaios e não como indivíduos capazes de pensar com as próprias cabeças! E isso começa cedo, pois se a escola coloca ênfase excessiva na necessidade do aluno “obedecer ordens e se calar”, o máximo que ele conseguirá será ser um mero papagaio realmente, ora dos professores que admira, ora das suas famílias, ora da religião que seguem, e por aí vai.
    Se a escola, que deveria ser um espaço de construção coletiva de conhecimento, continua a dizer aos seus alunos “cale-se, escreva e obedeça, pois nós é que sabemos o que é melhor pra vcs”, que adulto esse aluno poderá ser um dia?…
    Acho ótimo criticarmos o sistema político e econômico no qual vivemos – também faço muito isso -, mas quantos de nós estão realmente abertos a aprender a aprender junto com nossos alunos?
    Enquanto não aprendermos a fazer isso, que considero básico, os mesmos problemas e as mesmas leituras da realidade continuarão se repetindo.
    Por ora, ficam aí alguns dos meus questionamentos e reflexões, frutos principalmente de anos como pedagoga e psicóloga, além de professora.
    Bem vinda, Emily, mais uma vez!
    Abraços,
    Regina Milone.

    • Regina Miloni, concordo plenamente com tudo que você escreveu. Acredito que ficarmos de braços cruzados não vai fazer com que as mudanças aconteçam. Infelizmente, o Sistema se rearticula e procura caminhos próprios (como no filme Tropa de Elite 2) e a Educação é uma ferramenta tão determinante que por isso, não lhe é dada a devida importância pelos governantes. Os professores são desvalorizados a começar pelos baixos salários que os levam a dobrar ou triplicar a carga horária para poder viver com o mínimo de dignidade. Aí, entra a questão que a colega comentou, acabamos reproduzindo o que o Sistema quer: alunos que não estão prontos para pensar criticamente e buscar seus próprios argumentos. Mas vamos analisar também que é bem difícil escolher políticos para nos representarem, visto que os candidatos pertencem sempre a mesma panela, e quem dela não faz parte, não se elege por motivos óbvios.

    • Verdade, Emily. Concordo com vc.
      E ficamos, tantas vezes, tão perplexos e indignados com essa realidade, que acabamos perdidos, sem saber por onde começar ou como continuar…
      Tem sido difícil demais, especialmente para os alunos e para os profissionais mais idealistas da educação, que acabam esgotados, estressados, com razão…
      E os tantos alunos que perdemos, de uma forma ou de outra, e que, um dia, tiveram brilho nos olhos e vontade de aprender, mas que, tantas vezes, foram perdendo ao longo do caminho?
      É… Precisamos mudar muita coisa mesmo!!!
      Grande beijo…

  8. “Pão e Circo” ao invés de “Ordem e Progresso”! É nisso que o nosso país está se transformando a cada dia.

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