O professor é de carne e osso!

Nos últimos anos, me deparei com duas situações que demonstram claramente um dos sintomas do caos da educação pública, e que, infelizmente, se manifestam em pessoas, feitas de carne e osso, aquelas que não aparecem tanto nas teorias acerca dos problemas educacionais.

De um lado, um colega de profissão que depois muitos anos de magistério decidiu pegar o boné e dizer adeus à sala de aula (trata-se do Declev, que felizmente mudou de ideia). Os muitos comentários em seu blog demonstraram o impacto que tal atitude provocou. De outro lado, mais próximo a mim, uma amiga (sou suspeito pra falar, mas que admiro muito profissionalmente), confidenciou numa reunião pedagógica (na qual tínhamos que brincar de bolinha de sabão) que não acreditava mais na educação, ao menos nos moldes do que existe hoje, mais precisamente na sua capacidade de transformação do aluno. Aquele silêncio geral, constrangimento entre todos! Explico o porquê.

Na verdade, as reações que os dois casos acima provocaram poderiam ser objeto de estudo da psicologia. Não sou nem pretendo fazer tal análise, pois não teria capacidade para isso. Porém, me arrisco a fazer uma interpretação de senso comum: o constrangimento é uma reação dos professores diante de uma situação pela qual desejariam expressar ou tem medo de assumi-las. Uma pergunta aos meus colegas de sala de aula: algum de você já pensou em desistir da profissão? Numa enquete, certamente não teríamos unanimidade. Mas me arrisco a dizer que a grande maioria acenaria com uma resposta positiva.

Dois dados me chamaram bastante atenção nos últimos meses. Uma é a de que 5 professores do Estado do Rio de Janeiro pedem exoneração por dia. Você não leu errado, é isso mesmo – 5 por dia! Outro (este não tive acesso às fontes) é a de que 90% dos professores, após 5 anos de sala de aula, estão desmotivados com a sua profissão.

Deu pra perceber que as duas histórias lá de cima têm tudo a ver com os dados? Pois é, este é apenas o ponto de partida para uma discussão que desejo colocar: será que quando pensamos em educação, estamos levando em conta que o professor é de carne e osso? Porque em relação aos alunos já existem obras suficientes para compreender que ele é único, deve ser tratado como tal, possuí sentimentos e vivência cotidiana que interfere no seu processo de aprendizado, etc e tal. Concordo plenamente! Mas e o professor? Será que paramos para pensar (todos nós – pais, alunos, professores, comunidade, poder público) que o sujeito que é fundamental dentro da escola também é único, também tem uma vida fora do colégio, também possui sentimentos e que tudo isso interfere na sua prática em sala de aula?

Não teria capacidade de dissertar, muito menos esgotar esta discussão. Apenas levantá-la é o suficiente. As ideias e políticas públicas educacionais no Brasil estão cheias de menções implícitas a um modelo robotizado de docente.

Quando trabalhei no comércio, o discurso das empresas era a de colocar os problemas na entrada da loja e passar o dia no emprego sorrindo e satisfazendo o cliente. No fim do dia o problema estaria lá na hora da saída, não importa! Pegue ele novamente que o filho é seu, só não entre com ele para o trabalho.

Por mais que tentemos, este modelo empresarial não funciona numa escola, por mais que os gestores queiram implantá-los. E não dá certo por uma razão muito simples. O que move um vendedor a trabalhar sempre mais e melhor é o salário no fim do mês, ou o simples fato de estar empregado em meio a um mercado de trabalho competitivo e que não dá muitas chances a quem não tem uma formação especializada.

O professor, bem, esta figura não é movida apenas pelo dinheiro no fim do mês (até porque se esta fosse a sua inspiração duraria até o primeiro salário). Um dos diferenciais desta profissão é de que o professor tem um sonho. O sonho de mudar o mundo! O sonho de transformar vidas! Saímos da faculdade com energia de sobra para esta tarefa. Podemos correr a 200km/h. Mas recebemos um automóvel que só pode andar a 30km/h. Com o tempo, alguns desistem e andam a pé, outros tiram do bolso para comprar uma peça que melhore o desempenho do carro. Mas o sentimento de derrota é comum: nunca conseguirei correr como eu imaginava!

No meu segundo ano de magistério ouvi uma frase da supervisora educacional do colégio onde dava aula que me marcou, foi quase como um ritual de passagem, um tapa na cara em meio ao delírio. Ela simplesmente falou: “o seu defeito é querer mudar o mundo!”. Até hoje, lembrar disto me provoca um arrepio no corpo. Uma vontade louca de suspirar me invade. Vez ou outra meus olhos se enchem de lágrimas.

Para todos aqueles que como eu já pensaram em mudar o mundo, termino com algumas palavras que encontrei por acaso e que me tocaram profundamente. São palavras de incentivo, jamais serão de crítica. Admiro os que desistem tanto quanto aos que continuam, ambos tem coragem. Acho, inclusive, que chegará a minha hora de desistir. Até lá, me agarro a estas palavras.

Há homens que lutam um dia, e são bons;
Há outros que lutam um ano, e são melhores;
Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons;
Porém há os que lutam toda a vida
Estes são os imprescindíveis.
(Brecht)

Luiz Eduardo Farias

10 comentários sobre “O professor é de carne e osso!

  1. Excelente citação no final, muito inspiradora.
    Mudando um pouquinho de assunto (mas não tanto), qual a opinião de vocês sobre a recente notícia de que o governo do estado vai dar gratificações de até 4 mil reais para professores que passarem em provas periódicas de conhecimento?

  2. Só uma pergunta, Porque vocês professores de Ens. Fundamental I e II não viram professores de Faculdade?! Não seria melhor e menos estressante?!

  3. Caro, Jonatha!

    Existem duas questões na sua fala: primeiro, não estou interessado em resolver apenas o MEU problema, mas dar a minha contribuição para a solução de muitos dos problemas educacionais como um TODO. Estar dentro deste sistema me dá as ferramentas que preciso para contestá-lo e propor mudanças. Segundo, não sei até que ponto dar aulas na faculdade seria menos estressante, pois lá existem tantos problemas estruturais quanto na Educação Básica. O diferencial, talvez, seja o comportamento dos alunos.
    Mas eu gosto de uma boa briga. E se um dia eu perder esta luta, será porque perdi todo o meu sangue tentando ganhá-la e nunca porque a abandonei.
    Abraços!

  4. Vinicius,

    De todas as propostas de gratificação mediante a chamada meritocracia, esta proposta do governo estadual (http://www.rj.gov.br/web/seeduc/exibeconteudo?article-id=1333332) me parece a mais justa que já conheci. Primeiro, porque ela não substitui outras formas de gratificação. Segundo, porque o alcance dela depende apenas do professor e não de inúmeros outros fatores que fogem completamente da ação do docente. Neste sentido, me parece um bom incentivo para que o professor continue estudando, aprimorando-se. Sabemos que vários colegas praticamente “param no tempo” e acham que apenas o curso superior é o suficiente para dar conta de 25/30 anos de carreira. Mas gostaria muito de saber a opinião dos colegas aqui…

    Abraços!

  5. Luiz,
    O professor é pensado como pessoa de carne e osso sim! Por muitos!
    Aqui mesmo, neste blog, escrevi alguns artigos onde falo bastante a respeito, principalmente um em que trato especificamente de um grande sofrimento pelo qual muitos professores tem passado: a síndrome de burnout. Por causa dela, muitos acabam preferindo sair do trabalho em escola e vão lutar de outras formas, em outros lugares, até porque mudar não é desistir e sim buscar outros caminhos para, quem sabe, poder continuar contribuindo minimamente para mudar o mundo. Sim, porque sou pedagoga e também sempre tive esse sonho, sempre tive o estresse causado pelas inúmeras desilusões na área de educação, entre outras questões que vc aborda e pelas quais não são só os professores que passam!

    Imagina um pouco como eu e outros educadores, que não “estão” professores no momentos ou optaram por não mais estar, mas estão se dedicando tremendamente para contribuir com a educação (inclusive com os professores!), de várias maneiras, se sentem quando nem mesmo são citados, como se educação fosse realmente só professor-aluno e mais nada nem ninguém!! Isso ME deixa com lágrimas nos olhos! É injusto demais…
    Vc escreveu sobre os professores o tempo inteiro, concordo com a maior parte do que escreveu, mas estou fazendo este comentário justamente sobre o que não concordo. E uma dessas coisas é sempre esquecer ou desvalorizar a ponto de “pulverizar”, como se não existissem, outros profissionais de educação idealistas e dedicados! Isso me cansa. Ser “D. Quixote de saias” a vida inteira esgota.

    Muita gente tentou me convencer a continuar fazendo a diferença, trabalhando em escola, quando fiquei doente. Mas foi um limite muito claro, do meu corpo, que precisei respeitar. Parei – com alguns trabalhos; não com todos! -, por uma questão de auto-preservação mesmo. Acredito que muitos que pedem exoneração também.
    O meu é só um exemplo entre muitos e, por isso, conto mais uma vez aqui. Justamente porque não é exceção, infelizmente…

    Quanto a essa proposta do governo estadual sobre a qual o Vinicius te perguntou, não sei o bastante para opinar ainda, mas parece melhor do que muitas outras que já criaram realmente.

    De carne e osso somos todos e decepções fazem parte da vida. Essa idéia de “mudar o mundo” tem muito da mania de grandeza da criança e do adolescente e faz parte do amadurecimento vermos que só podemos contribuir, fazer uma parte e que, inclusive, o “mundo” tem que opinar sobre pra onde, como e porquê mudar e não chegarmos, como “super-heróis” (e me incluo nessa postura, que tive tantas vezes na vida…) querendo resolver tudo à nossa maneira e na direção que achamos melhor! É duro isso. Muito. Mas faz parte de crescer. E milhões de profissionais de diversas áreas passam por isso; não só os professores.

    Precisamos pensar mais coletivamente também, na minha opinião. Olhar o mundo como um todo, se colocar no lugar do(s) outro(s), ouvir mais, aprender a fazer junto, compartilhar, dividir… Isso diminui muitas cargas pesadas e nos torna mais humildes e abertos para o aprendizado sempre.

    Vc citou o comércio. Também tive experiência como vendedora, em pé o dia inteiro, tendo que sorrir sempre, aguentando muitas vezes grosserias dos outros sem motivo, tendo que trabalhar sábados, domingos e feriados, folgando num dia de semana qualquer e ganhando um salário muito baixo para tanto desgaste. Pois é! Não é só a profissão de professor que estressa horrores e cansa tanto assim. Muitas outras também! E falta ao professor esse olhar, na minha opinião, pois muitas vezes está tão esgotado que não percebe que só está olhando pro próprio umbigo (não estou me referindo a vc nem ao Declev… de jeito nenhum!).

    De carne e osso somos todos nós, que trabalhamos em variadas funções, que sonhamos, batalhamos, de variadas formas e dentro das condições (bio-psico-sociais) de cada um.

    É claro que o professor precisa ser mais valorizado, respeitado em sua importantíssima profissão, visto como alguém que também falha porque é humano (de carne e osso), assim como falham todos ao seu redor e assim como acerta, muitas vezes, como acertam todos ao seu redor. Isso é próprio do ser humano, de qualquer idade.

    Desculpe se meu comentário parecer um pouco duro, mas estou cansada de uma certa tendência à vitimização que, muitas vezes, o professor adota, como defesa mesmo contra a culpabilização que tentam lhe imputar, e que, na minha opinião, é uma vitimização defensiva que só enrijece os próprios professores e piora essa situação caótica da educação. Não acho que é o melhor caminho, embora compreenda na pele pois passei e ainda passo, de outra forma, por todo esse desgaste que o professor tem vivido na nossa sociedade.

    Mais uma vez, me desculpe se fui dura demais, mas eu também fico com lágrimas nos olhos quando a minha profissão – PEDAGOGA – não é nem mesmo citada (a não ser quando é para criticá-la), como se não existisse no cenário da educação…

    Um abraço…

  6. Regina,

    Respeito muito a sua colocação. Mas queria explicar só uma questão. Quando eu comecei a escrever sobre a Educação, em 2008, o fiz por entender que poucos docentes atuantes na Educação Básica abordavam o tema de forma mais teórica, discutindo problemas estruturais. Assim, desde o princípio eu pretendi e continuo querendo ser a voz do professor, especialmente o que vive o cotidiano da sala de aula. Isso não quer dizer, a meu ver, que desprezo os outros profissionais que atuam com a Educação, mas não me sinto confortável em falar como representante deles.
    Eu tenho exemplos na minha carreira de profissionais que foram fundamentais para que eu tivesse sucesso em alguns projetos. E tenho a sorte de hoje só trabalhar ao lado deles. Tive outros que me frustraram. Faz parte!
    Cada ator envolvido na Educação tem o seu ponto de vista, pois nossas ideias são desenvolvidas a partir de nossas vivências cotidianas. Dar o seu ponto de vista, desde que não seja apresentado como a verdade absoluta, não significa anular outros. Cabe ao leitor reunir todas estas visões e formar o seu pensamento.
    Por isso é tão importante esse espaço para os comentários. E você sabe usar muito bem, sempre tentando estabelecer um outro olhar. Longe de perceber como algo ruim, eu acho sempre que isso enriquece as nossas discussões.
    Só mais uma coisa. Quando citei o comércio, concordei que todas as profissões têm os seus problemas. No entanto, o vendedor não frustra seus sonhos. A sua profissão não tem uma “missão”, como um médico “salvar vidas”, um professor “mudar o mundo” etc. Ele apenas trabalha, sabendo que a única pessoa beneficiada com a sua atividade é ela mesmo – além do patrão, é claro. Por isso, sofremos duplamente: pelas dificuldades encontradas (naturais em todas as profissões) e pela destruição dos nossos sonhos, particularidade de poucas atividades.

    Abraços!

  7. Luiz,

    De maneira geral, concordo com seu comentário.
    E que bom que entende essa minha tendência de mostrar o outro lado como uma forma de alargar visões, trazer outros olhares, etc. É isso mesmo que tento fazer.

    Em relação ao comércio, no meu caso não foi bem assim, pois trabalhei primeiro como vendedora de roupas criadas pela minha própria mãe, em confecção que ela tinha (negócio caseiro, simples), portanto o que me movia era, também, mostrar o belo trabalho – minha mãe é uma artista! – que ela criava. E, anos depois, trabalhei como vendedora em uma das melhores livrarias aqui do Rio, conhecida justamente por ter um nível alto, que não fica se mantendo a custa de vender qualquer coisa, enfim, não era do tipo “comercialóide” e sim muito mais cultural. Portanto, lá, eu também era uma “vendedora engajada”, digamos assim, pois acreditava profundamente no que estava vendendo: bons livros. Então havia sonho e idealismo também no comércio, quando trabalhei nele.

    Voltando à educação, acho que quando vc cita “todos nós – pais, alunos, professores, comunidade, poder público”, vc não está falando como representante e sim apresentando um quadro geral onde, mais uma vez, como infelizmente muitos professores fazem, o pedagogo ficou de fora, “esquecido”. Mas ele está DENTRO também! E é injusto, ao citar os vários atores, “esquecer” sempre do pedagogo, que é a pessoa que estudou EDUCAÇÃO, isto é, que não se encaminhou para a área por paixão por essa ou aquela matéria – matemática, biologia, história… – e sim por idealismo pela Educação em si mesma e por TUDO que dela faz parte!
    Reflita sobre isso, se achar que vale a pena, Luiz.

    Gosto muito de vc, seus artigos são excelentes, vc está certo quando percebe que não estou fazendo nenhuma “crítica pessoal” e sim tentando alargar o debate, mas perceba uma coisa: do mesmo jeito que muitas críticas injustas que são feitas aos professores aparecem nas entrelinhas dos discursos, a total desvalorização da pedagogia também! E o que é mais triste pra mim, que também sou professora, é ver isso sendo feito principalmente por professores! Isso dói.

    Abração…

  8. Pessoal,eis me aqui de novo apenas de passagem.Regina(como está vc?), comércio é algo estressante mesmo,principalmente quando não somos os DONOS do estabelecimento.Quantos comerciários você conhece que têm a sorte de vender as criações da mãe ou do pai?E qual o trabalhador intelectual que não gosta de trabalhar com livros?(bom,tem professores que têm alergia a livros,o que é uma pena!).E mais:comerciários-a maioria,não você e alguns poucos privilegiados- não têm de conviver com os problemas de crianças e seus pais.Não levam trabalho pra casa.Não são achincalhados como categoria pela mídia.Não têm tanta frustração porque,em geral,comerciários não querem “mudar o mundo” como nós (como VOCÊS porque agora eu sou músico em tempo integral)professores.E mais:você que postou um ótimo texto sobre burn-out sabe que nossa categoria é campeã em burn-out.É o que dizem estatísticas e trabalhos como o de Vanderlei Codo e Iône Vasques-Menezes.
    Parece-me que até mais que policiais e trabalhadores da saúde.Quanto ao burn-out em estudantes,que vc citou em outros posts,ainda não vi nada publicado.
    Mas concluindo:é bom que vc venha com essa olhar diferente,embora,às vezes,ele não me pareça assim tão diferente.

  9. Ah!Um abraço e continue ouvindo o nosso som!Agora também estou na área da musica erudita,com um quarteto de percussão muito bom tocando peças contemporâneas pra todo tipo de tambor:tom-tons,tímpanos,caixas,bongôs.E pratos e blocos de madeira e marimbas e xilofones e triângulos.

  10. Oi, Valter!
    Tudo bem?

    Logo que der, procurarei ouvir seu novo som. Fico feliz que esteja investindo na música, cada vez mais!

    Quanto aos meus comentários, acho que vc descaracterizou e diminuiu muito o nível do estresse de ser comerciário, no meu caso, por eu ter tido a “sorte” (desculpa, mas não foi sorte e sim competência!) de trabalhar um tempo num negócio da minha mãe e, em outro período, no comércio de livros. O estresse de ficar o dia inteiro de pé, tendo que sorrir pra todos, folgando em dias de semana e nunca tendo sábados, domingos e feriados livres, enfim, todo esse estresse eu vivi, como qualquer outro comerciário. Não tente me colocar numa espécie de “elite sortuda do comércio”, porque não foi nada disso não!

    Os que mais sofrem com o burnout são os profissionais da área de Saúde, os policiais e os bombeiros. Depois é que vem os profissionais de educação, principalmente (mas não só) professores. Isso está em movimento, pode mudar, é meio flutuante, mas principalmente as profissões que lidam com o humano, que sofrem pressões constantes, cobranças imensas e o peso de grande responsabilidade perante a sociedade, são as profissões que mais penam com a burnout. E isso inclui profissionais de várias áreas.

    E quanto a vc nunca ter lido nada sobre burnout em alunos, fico feliz por ter te passado essa informação em primeira mão! Mas, se vc tiver tempo e vontade, vai encontrar fácil fácil na internet mesmo, pois não fui a primeira a afirmar isso.

    Quanto a levar trabalho pra casa, isso depende do profissional e não só da profissão. Se for alguém que se dedica e quer realmente fazer bem feito, vai levar preocupações pra casa sim. Isso não acontece só com os professores. Isso não tem a ver só com uma classe de profissionais mas, também, com como as pessoas são individualmente.
    Alguém que trabalhe no comércio de livros tem sua cota de idealismo também, muitas vezes. Vi isso de perto. Não são só os profissionais da Saúde e da Educação que pensam em contribuir, de alguma forma, pra “mudar o mundo”!

    Estou cansada desse exagero, Valter. Respeito opiniões contrárias, mas, na minha opinião, muitas vezes os professores ficam com um discurso de “vítimas” que é um discurso tão absurdo como se aceitassem o rótulo, também injusto, de “únicos e eternos culpados”.

    Quanto ao meu olhar ser diferente ou não, depende do que todos que estão se colocando, num debate qualquer, estão dizendo. Se ninguém está dizendo nada parecido com o que cheguei falando, então a minha posição ali, naquele momento, é diferente da maioria sim. E, de certa forma, sempre fui meio diferente da maioria mesmo, nas mais variadas situações. É preciso coragem para se colocar contra a(s) maré(s) e isso eu sempre tive, por mais mal compreendida que eu tenha sido por causa disso, às vezes, e por mais solidão que isso possa trazer, em outros momentos. Mas sou sincera e não costumo escolher o caminho mais fácil, nesse sentido, concordando com a maioria para não ser criticada!
    Além disso, acho muito ruim quando começam todos a dizer as mesmas coisas, porque em geral isso mostra que ninguém está nem refletindo mais e está apenas repetindo, repetindo… Então eu venho e mostro o outro lado. É uma contribuição que consigo dar e acho útil. Respeito quem não ache isso, mas eu acho útil sim.
    “Toda unanimidade é burra”, já dizia o grande Nélson Rodrigues! Concordo com ele.

    Mais uma vez, boa sorte na sua carreira de músico, Valter!!!!

    Abração…

Os comentários estão encerrados