Você está aqui: Capa » Avaliação da Educação » Entre a reprovação e a aprovação automática

Entre a reprovação e a aprovação automática

Com base em estatísticas que demonstram as altas taxas de reprovação dos alunos brasileiros, o MEC, com mais uma proposta de “tapar o sol com a peneira” decidiu recomendar a todas as escolas a aprovação automática nos três primeiros anos do ensino fundamental. Segundo Edna Martins Borges, coordenadora-geral do Ensino Fundamental da secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação, “O Conselho espera que o Brasil deixe, daqui a alguns anos, de reprovar em todas as séries do ensino fundamental (…) pois ser reprovada faz com que interrompa o sucesso escolar que poderia ter (…) a reprovação é uma das responsáveis pelo aluno abandonar o colégio”.

Alguns especialistas e uma professora foram consultados, mas nenhum deles foi tão duro quanto deveria ser. Estamos falando em retirar a autoridade do professor de decidir quem está ou não apto a avançar para outra etapa escolar.

Em primeiro lugar, como já pude me posicionar em artigos anteriores, não sou a favor da reprovação. No entanto, aprovar um aluno sem que ele esteja em reais condições de acompanhar a série posterior é mais danoso do que impedi-lo. Vamos falar em realidade? O que ocorre é que, quando se promove a aprovação automática do 1º ao 5º ano, recebe-se alunos analfabetos no 6º ano, apenas transferindo a responsabilidade de ensinar a ler, a escrever, a somar e diminuir ao professor do segundo segmento, que não foi preparado para isso. Quando tal programa é estabelecido em todo o Ensino Fundamental, como fez por um tempo a cidade do Rio de Janeiro, os alunos chegam ao Ensino Médio semi-analfabetos, mais uma vez jogando a responsabilidade para professores que deveriam receber um aluno capaz de interpretar e construir textos, utilizar o pensamento racional e crítico e relacionar o seu aprendizado com o mundo em que vive. Pergunte a qualquer professor de faculdade se a cada ano que passa não fica mais complicado dar aula para universitários completamente mal preparados. A aprovação automática só deixará esta situação ainda mais desastrosa.

Em segundo lugar, mais uma mentira contada pelos defensores desta prática é a de que a reprovação provoca a evasão escolar. Falácia! Quero que me mostre uma pesquisa séria fazendo esta relação. Não existe! Sabe o que acontece? Chega-se a conclusão fantástica de que os alunos que saem da escola, em sua maioria, são repetentes. Pois bem, isso quer dizer obrigatoriamente que eles abandonaram por causa da reprovação? Se fizermos um pouquinho de esforço em tentar outra interpretação veremos que a reprovação é parte do processo de evasão, e não a sua causa. Os alunos que têm mais dificuldade em “passar de ano” e, consequentemente, acabam ficando na lista dos repetentes, são os que não têm uma estrutura familiar propícia para o estudo (têm que ajudar os pais trabalhando, por exemplo) e/ou aqueles que não conseguem achar um sentido em estar na escola (este processo acelera-se na medida em que a nossa sociedade valoriza e dá destaque aos que conseguem sucesso na vida com seus talentos natos – atletas, cantores, modelos etc.). Que aluno se entusiasma em estudar, fazer uma faculdade, tornar-se professor e receber menos do que a sua mãe ganha como diarista?

Na verdade, a reprovação acontece paralelamente ao processo que mencionei acima. Quando o aluno decide (levando em conta o abandono voluntário) sair da escola é porque já está com a cabeça fora dela. Passar de ano ou não é apenas um detalhe. Prove-me do contrário com dados concretos!

Não preciso ir longe para encontrar um testemunho do que acabei de falar. Eu mesmo já evadi da escola. Tinha mais ou menos 16 anos, vivia dentro de um furacão familiar (na perspectiva de um adolescente, é claro) e ia para a escola por ir, talvez mais para sair de casa e ficar com os amigos do que verdadeiramente para estudar. Nunca repeti de ano, pelo contrário, era o melhor da sala. Mesmo assim, pedi ao meu pai para abandonar o colégio. Anos mais tarde, o desprezo pelos estudos se transformou na esperança de alcançar uma posição digna para sustentar a minha filha. Voltei a estudar quando encontrei sentido em fazê-lo. Eu sou apenas um exemplo. Sei de muitos casos como o meu.

Resumindo, esta conversa de aprovação automática é típica de pessoas que não conhecem o universo da sala de aula. Faço minha as palavras do professor de políticas públicas e formação humana da UERJ, Gaudêncio Frigotto. Ele diz que “não adianta as crianças terem o direito de passar, se não têm o direito de aprender”. Demonstra verdadeiramente as reais intenções do poder público como um todo quando se fala em educação. O que importa para eles é ter o aluno na escola (melhorando os números e índices, somente eles), não importa como, no menor número de anos possível. Ao mesmo tempo em que podem vangloriar-se de ter todas as crianças na escola, evitando o seu aliciamento pelos bandidos e sua exposição às drogas (como se 4 horas no colégio evitasse isso! Brincadeira!), podem cortar os custos com a educação. Isso porque para cada aluno reprovado existe um aluno novo a menos na rede de ensino. Isso representa menos verba para o Município/Estado. E se tem uma coisa que político gosta é verba para gastar.

Enfim, para evitar frases toscas do tipo “se for proibir reprovar, as pessoas serão obrigadas a ensinar” (dita por Vitor Henrique Paro, professor da Faculdade de Educação da USP) que os professores têm que reagir a este tipo de iniciativa que só nos enfraquece. Além do mais, a respeito desta frase, a experiência dentro das escolas nos permite dizer que pelo contrário, os professores mais medíocres são aqueles que aprovam todos os alunos, são aqueles que são incapazes de cobrar o que não tem a capacidade de ensinar e tem medo que os baixos índices de aprovação lancem holofotes sobre o seu trabalho. São estes professores que irão adorar esta ideia. Para os que realmente se interessam pelo aprendizado dos alunos e primam pela qualidade da educação, a aprovação automática é desestimuladora. 

Com a palavra, os que podem e devem se manifestar – os professores.

Luiz Eduardo Farias

Sobre Luiz Eduardo Farias

Luiz Eduardo Farias é historiador e professor de história desde 2006, especialista em História Contemporânea (2010/2011) e cursa Pedagogia. Sempre trabalhou em escolas públicas (seis, até o momento) e atualmente tem duas matrículas – Fundação Educacional de Volta Redonda (autarquia municipal) e Rede Estadual do Rio de Janeiro.

17 comentários

  1. Uma perguntinha capciosa, logo de cara: por que mil raios a progressão não é semestral?
    Um ano, quanto mais nova for uma criança, representa um pedaço enorme da vida dela (coisa que os adultos – sempre tão “sábios” – frequentemente se esquecem). “Ano letivo” é uma invenção de velhos idiotas que se esqueceram que já foram crianças um dia.
    Quem teve um primeiro semestre desastroso, dificilmente vai compensar no segundo.
    Não é uma modificação tão difícil de fazer, mas as ideias sobre educação estão tão petrificadas que nem esse mínimo é cogitado.

  2. João, sou a favor da progressão por semestre.
    Mas minha opinião carece de embasamento teórico. Trata-se de uma percepção de que o aluno teria menos tempo para desperdiçar (pois hoje têm muitos que só estudam a partir de setembro/outubro) e, como você apontou, que uma reprovação causaria menos prejuízos.
    Se alguém souber de algum estudo sobre o tema…

    Abraços!

  3. Existem muitos estudos sobre o tema, há décadas, no Brasil e fora do Brasil. Aqui na internet mesmo são fáceis de achar, Luiz.

    Concordo que as ideias sobre educação estão petrificadas, como disse o João Carlos, mas só pra quem não consegue ouvir, trocar, buscar novas práticas, estudar mais e refletir sobre o que já existe, não só no Brasil.

    Quanto aos alunos terem menos tempo pra desperdiçar se a progressão fosse semestral, não acredito muito nisso não. Se agora eles deixam pra estudar no final do ano, se fosse por semestre deixariam pra estudar no final do semestre, mas a RELAÇÃO com o estudo continuaria a mesma e é nela que temos que atuar.

    No início dos anos 80 muitas pesquisas comprovaram, sim, que a repetência era uma das maiores causas que levava à evasão escolar. É uma realidade e uma discussão antiga em nosso país. No meu tempo de faculdade já debatíamos isso!
    O que se pensou e, quando bem feito, ajudou bastante, foi em progressão continuada, uma visão de PROCESSO dentro da educação e não aprovação automática, que foi o que virou, na prática, por motivos políticos, na maioria das escolas, infelizmente.

    Se não se pode reprovar nos 3 primeiros anos de escolaridade é porque, na visão construtivista – e ainda não inventaram outra melhor -, esses 3 primeiros anos formam um bloco: o da alfabetização. Só que, mal feito como foi, o que acabou acontecendo foi um empurra-empurra de alunos para que o professor do 3º ano do ciclo resolvesse, sozinho, tudo que estivesse faltando pra aquela alfabetização se dar de fato (tudo o que não foi feito nos dois anos anteriores). E é claro que, assim, não funcionou e não funciona!

    A ideia de construtivismo é a de que conhecimentos e habilidades são construídos, através de diferentes estímulos, e cada criança precisará de um tempo diferente, único, para se alfabetizar e continuar aprendendo. Na verdade, depois dos 3 primeiros anos, outros ciclos viriam e não a velha fórmula do ano letivo.

    O construtivismo é genial – meu filho foi educado assim e foi excelente! -, mas, infelizmente, foi muito mal entendido e aplicado, principalmente nas escolas públicas. E acabou virando, na prática, esse horror que é a aprovação automática.

    A ideia nunca foi aprovar a qualquer preço mas, por motivos políticos – qual político não adora dizer que, em seu governo, a evasão escolar diminuiu? não importa a que preço… -, foi tudo deturpado e mal feito. E acabou aumentando o índice de semi-analfabetos ou analfabetos funcionais em nosso país.

    Os professores de 1º e 2º segmento do Ensino Fundamental tinham que trabalhar mais juntos, planejar e avaliar juntos muita coisa, para que não houvesse essa quebra total que ainda há quando o aluno chega no 6º ano. Em algumas escolas em que trabalhei fizemos um pouco isso e ajudou bastante. Mas, infelizmente, a falta de união entre os próprios professores de 1º e 2º segmentos sempre atrapalhou bastante, uns criticando os outros pelas costas a todo momento, cada um com suas razões e sem querer saber a dos outros.

    Não só os professores podem e devem se manifestar sobre esse assunto, Luiz, mas sim todos os profissionais da escola e da educação. Quem mais pode dizer se o aluno está apto a passar de ano é quem o acompanhou de perto o ano inteiro e isso inclui não só os professores. Principalmente quando se tratam de professores do 2º segmento, que tem muitas turmas e trabalham em diferentes escolas, muitas vezes nem conseguindo lembrar os nomes dos seus próprios alunos por causa disso.

    Concordo com “não adianta as crianças terem o direito de passar, se não têm o direito de aprender”. E não concordo com “se for proibir reprovar, as pessoas serão obrigadas a ensinar”.

    Concordo com ” os professores mais medíocres são aqueles que aprovam todos os alunos, são aqueles que são incapazes de cobrar o que não tem a capacidade de ensinar e tem medo que os baixos índices de aprovação lancem holofotes sobre o seu trabalho. ”
    Enfim…

    Como educadora fico indignada e muito triste por ver a deturpação de ideias e práticas fantásticas como a do construtivismo, como ser humano fico desanimada ao ver a desunião entre professores de ciclos diferentes (muitos só se unem na luta por salários) e, como mãe, agradeço a escola onde meu filho estudou, a EDEM, que realmente faz a diferença, junto de poucas outras (muito poucas!).

    Uma educação dinâmica, atual e diferente desse padrão arcaico (que impregnou a ideia do construtivismo por essas bandas, o que o descaracterizou totalmente) é possível, mas para isso todos que trabalham na área tinham que estudar muito mais, trocar muito mais e se unir em torno do objetivo maior que é o de dar uma boa educação às nossas crianças e adolescentes. Sem isso, é impossível, na minha opinião.

    Abraços…

  4. Regina, o Construtivismo tem o mesmo mal do socialismo: só funciona onde exista uma verdadeira conscientização de cada cidadão sobre seu papel na sociedade. Vai muito além das limitações dos professores, das mazelas crônicas do ensino no Brasil e da petrificação do ensino a nível mundial.
    Quando começaram a introduzir esse conceito nas escolas públicas do rio de Janeiro, eu estava em contato com a esposa de um colega da Marinha, professora de um CIEP na Ilha do Governador [professora do tipo que, após fazer a faxina na casa, ficava até 01:ooh da madruga rodando material didático para os alunos em seu próprio mimeógrafo a álcool...]
    Tamanha foi a falta de preparo daqueles incumbidos de instruir os professores sobre o novo conceito que ela estava desesperada porque não conseguia fazer pé com cabeça do que lhe diziam. Foi arrumar tempo de onde não tinha para comprar livros e lê-los (e acabar percebendo que quem ensinava, não sabia patavina do assunto…)
    Mas enquanto a hierarquização no sistema de ensino for feita ao sabor das politicagens, isso não muda.

  5. Concordo com vc, João Carlos…
    Mas essa é uma luta que vale a pena: lutar pela conscientização e melhor formação e desempenho dos profissionais de educação. Nessa eu me envolvo!
    Por isso tudo é que Edgar Morin fala tanto da importância de se educar os educadores. Por isso a importância da constante atualização, de cursos bancados pelo Estado para isso, tudo que possa ao menos sanar um pouco tanto despreparo, que leva a tanto estresse e acaba fazendo mal tanto aos alunos quanto a todo mundo que trabalha na área de Educação.
    Um abraço…

  6. Eu não suporto essa revista, mas a Veja fez uma reportagem sobre o Construtivismo no Brasil, em 2010, que vale a pena ler para ampliar essa discussão que o João Carlos lançou.

    http://veja.abril.com.br/120510/salto-no-escuro-p-118.shtml

    Abraços!

  7. Luiz,

    Acho melhor vc continuar odiando a Veja e não se dando ao trabalho de lê-la, pois essa matéria é uma M. completa (desculpe o termo)!
    Tá na cara que a matéria está a serviço de formas antigas e ultrapassadas de ensino, formas autoritárias, que continuam a existir em vários países do mundo sim, mas não porque o construtivismo não deu certo em lugar nenhum. Que absurdo!!!!!!!!

    Tanto deu e dá certo que muitas escolas trabalham assim há décadas – dei o nome da escola do meu filho, a EDEM, como exemplo – e tem tido resultados excelentes. E, se for bem aplicado, o construtivismo (que não é fruto só de Piaget) desenvolve inteligências, o que faz, por exemplo, que as pessoas aprendam a pensar, questionar, criticar e CRIAR, o que acompanhei de perto nas várias escolas desse tipo que tive contato. E não só a do meu filho; mas, se for pra citar o exemplo dele, passou com 16 anos no vestibular pra Engenharia Química, na UFRJ, sem quase ter estudado, simplesmente pela base CONSTRUTIVISTA que a escola lhe deu a vida inteira. Quer exemplo maior???? A namorada dele, que também estudou na EDEM a vida inteira, passou em 1º lugar no vestibular para Letras na UFRJ, em 1º lugar geral para a UFF, etc. São exemplos concretos, práticos e próximos do quanto o construtivismo dá certo quando é aplicado corretamente!

    Agora, se basear nos absurdos da Veja??? Tô te estranhando, Luiz…

    De qualquer forma, vc tem todo o direito de preferir que a escola volte aos moldes antigos. Vivemos numa democracia.
    Mas eu não quero esse modelo não. Quero que andemos pra frente! E é nesse sentido a minha luta. Até porque, grande parte do que ainda se “ensina” nas escolas é totalmente dispensável.
    Quer saber um cara, um gênio, que sempre criticou a escola e valorizava muito mais a imaginação, que, por sinal, é massacrada no modelo antigo? Einstein.

    Vc tem direito a achar boa essa matéria da Veja, mas eu, por tudo que estudei na vida, por toda a minha experiência pessoal e profissional, continuo achando que essa matéria é tendenciosa, mentirosa, reacionária, enfim… uma M. mesmo!

    Nada pessoal.

    Abraços…

  8. Fazendo coro com a Regina: O processo construtivista (que, em meu fraco entender, é uma atualização do montessoriano) funciona, sim. Mas exige que todos os níveis da administração pedagógica não só o compreendam, como tenham capacidade de aplicá-lo.
    Em resumo: as escolas deveriam ensinar a pensar – a transmissão de informações é uma mera consequência.

  9. Concordo com vc, João Carlos!

    Quando se fala em construtivismo, hoje, se fala nas descobertas de Piaget (começou com ele) sobre as etapas de desenvolvimento da inteligência da criança, mas, também, numa prática escolar onde entram vários outros, como Vygotsky, por exemplo.
    Montessori abriu muitos caminhos, Emilia Ferrero também, Henri Wallon, Paulo Freire… São muitos pensamentos e práticas que caminham bastante bem juntos.

    O construtivismo não é uma mera técnica, mas uma visão de ser humano e de mundo em constante construção. O aprendizado é uma construção e o conhecimento é dinâmico e não imutável.

    Um trecho bacana e simples sobre isso:

    “Entendemos que construtivismo na Educação poderá ser a forma teórica ampla que reúna as várias tendências atuais do pensamento educacional. Tendências que têm em comum a insatisfação com um sistema educacional que teima (ideologia) em continuar essa forma particular de transmissão que é a Escola, que consiste em fazer repetir, recitar, aprender, ensinar o que já está pronto, em vez de fazer agir, operar, criar, construir a partir da realidade vivida por alunos e professores, isto é, pela sociedade – a próxima e, aos poucos, as distantes. A Educação deve ser um processo de construção de conhecimento ao qual ocorrem, em condição de complementaridade, por um lado, os alunos e professores e, por outro, os problemas sociais atuais e o conhecimento já construído (‘acervo cultural da Humanidade’).”

    Alguns outros artigos e entrevistas sobre o tema:

    E muitos outros artigos, entrevistas, matérias, teses, dissertações, etc. É um tema que foi e ainda é bastante estudado, questionado e debatido.
    Como já disse, sou a favor, embora respeite os tradicionalistas e conteudistas. Mas, pra mim, a educação tem que andar pra frente e o construtivismo é parte desse progresso. E, nesse contexto, o mais importante não é a mera transmissão de conteúdos tantas vezes “chatos” e ultrapassados do ensino tradicional. Não sou conservadora.

    Abraços…

  10. Os links não entraram, não sei porque…
    Mas o trecho que coloquei entre aspas acima é de

    e os outros links que sugeri foram:

  11. É… está acontecendo algum problema… Os links não estão entrando.
    Mas são da http://www.crmariocovas.sp.gov.br, http://www.pedagogia.com.br, http://www.ufpa.br, http://www.educacional.com.br, educarparacrescer.abril.com.br, educador.brasilescola.com, revistaeducacao.uol.com.br, entre outros.

    (espero que o comentário agora entre…)

  12. Regina, em nenhum momento eu disse que concordava com a matéria da Veja. Apenas fiz a recomendação para a leitura, tendo em vista as críticas que o João havia colocado ao modo como o Construtivismo foi adotado no Brasil. Todos nós estamos cansados de saber que esta revista está a serviço de interesses bem determinados de uma elite reacionária. Não sou favorável ao modelo tradicional de ensino. Deixei isso bem claro na minha apresentação, quando apontei meus referenciais teóricos (“Tenho uma certa visão marxista da educação, entendendo a escola como um aparelho ideológico do Estado, que por sua vez é dominado pelas classes dominantes. Esta abordagem é constantemente apontada como um dos fatores para o pessimismo de quem trabalha nesta área. Realmente, não é muito empolgante pensar que você é parte de uma engrenagem de um sistema que, em ultima análise, pretende manter o status quo da sociedade. Por isso (e para não entrar em depressão), sigo os passos deixados por Gramsci e acredito que a escola também é um espaço da construção de uma contra-hegemonia. Para tal, concordo com a linha teórica de Saviani que, falando da importância da escola, afirma que “o dominado não se liberta se ele não vier a dominar aquilo que os dominadores dominam.” Em resumo, de forma bem simples, meu trabalho em sala de aula é dar as ferramentas necessárias para que meus alunos percebam sua condição, tornem-se críticas em relação a ela, para que no futuro tenham condições de pensar e escolher seus caminhos com autonomia.” – http://www.diariodoprofessor.com/2012/10/28/novo-colunista-do-diario-professor-luiz-eduardo-farias/)
    Abraços!

  13. Luiz, acho que me expliquei mal.

    Acho o seu texto ótimo, pois vc tocou em um assunto polêmico e da maior importância.

    Quando falei dos conteudistas serem tradicionalistas foi porque essa é uma das denominações dadas hoje para quem prefere esse modelo de educação, que é contrastante com a ideia de construtivismo, de escola nova, escola moderna, etc.
    Mas o fato de ser marxista não quer dizer ser a favor de uma educação moderna. Na maioria das vezes, justamente porque se pensa que os alunos tem que dominar os instrumentos – no caso da escola, os conteúdos – que as elites dominam para poder virar o jogo, muitos marxistas acabam sendo bastante tradicionalistas em relação ao que e como ensinar. Considero essa uma posição conservadora que só leva em conta um aspecto, que é o fato dos oprimidos precisarem conhecer os instrumentos dos opressores, sem levar em conta que, desse jeito, pouco ou nada de verdadeiramente estrutural está se modificando em relação ao que é educar, como educar, com que finalidades, etc. E isso pode acabar levando apenas a uma mudança de quem oprime quem e não a uma mudança que possa levar alguém além desse eterna guerra.

    Mas respeito totalmente sua visão de mundo marxista! E que bom que vc não é tradicionalista em relação a educação por causa dessa vida. Acho, inclusive, mais profundamente coerente com o pensamento de Marx ser a favor de uma mudança muito maior, estrutural sim, na educação. E existem muitos marxistas a favor de uma escola mais moderna também!
    Enfim, existe de tudo. E vc sabe disso tanto quanto eu.

    Acho legal esse artigo – http://www.ufpa.br/eduquim/construtquestoes.htm -, onde 50 perguntas sobre o construtivismo são respondidas, entre outros artigos.

    Espero ter sido mais clara agora em relação ao que tentei expressar.

    Um abraço…

  14. Regina,
    Agora eu entendi melhor o que você falou.
    Achei ótimo a sua indicação sobre o construtivismo.
    Mas a história está aí pra comprovar que não há verdades absolutas. Nas minhas aulas eu tento usar o que há de bom em várias correntes pedagógicas e não vejo problema nisso. Não creio que exista uma delas que seja perfeita e irrefutável. Aliás, isso será objeto de um artigo futuro, a maioria das tendências é baseada em pesquisas com crianças. Quem é professor do Ensino Médio e dos anos finais do Ensino Fundamental, como eu, percebe que muitas certezas teóricas se diluem com a prática cotidiana, sobretudo porque a sociedade é profundamente dinâmica e os alunos de hoje são bem diferentes daqueles das pesquisas de décadas passadas.
    Resumindo, Regina, não acredito em verdades pedagógicas. Acho que cada professor deve encontrar a corrente que acredita, se adapta à sua realidade e que dá maiores frutos. É isso!

  15. Oi, Luiz!
    Pois é. Verdades absolutas não existem. Mas é preciso ao menos conhecer melhor o que existe antes de sair criticando e dizendo que aquilo “não dá certo” ou “não tem nada a ver com a nossa realidade”, como muitos fazem (não é o seu caso, claro).
    O fato é que a base pedagógica dos cursos de formação de professores é fraquíssima e, desse jeito, quando a maioria critica ideias e práticas pedagógicas, não sabe nem bem do que está falando! Infelizmente…
    As pesquisas não são antigas e nem feitas só com crianças. De forma alguma. Estou sempre me atualizando nesse sentido e te digo que não mesmo. Nesse ponto, vc está enganado, até porque novas pesquisas tem surgido a cada dia.
    Quanto a buscar uma solução baseada em várias correntes pedagógicas, acho que é por aí mesmo. E, na verdade, é o que a própria visão construtivista faz hoje, embora o construtivismo não seja exatamente uma corrente pedagógica.
    Só acho que seria melhor ainda se toda uma escola seguisse essa junção de correntes, buscasse um trabalho multi e interdisciplinar utilizando práticas pedagógicas ao menos parecidas, para que a escola tenha força como escola mesmo, como um todo, sem confundir a cabeça dos alunos nem sobrecarregar os professores, como acontece hoje, justamente porque não há essa consciência (é um dos motivos em que pouco se fala). Mesmo assim, essa prática e base teórica decidida coletivamente seria usada com as diferenças individuais de cada professor, claro, mas mantendo a filosofia daquela escola como base maior. E isso é uma das coisas que falta. E claro que precisaria de constante reflexão e troca entre todos sobre as teorias e as práticas usadas ali, através de reuniões pedagógicas frequentes, além do bate-papo na hora do cafezinho na sala dos professores, claro (sempre adorei esses momentos, muitas vezes de puro riso e, outras vezes, de reflexões surgidas assim, meio “de repente”…).
    Uma coisa que sempre senti que faz a maior falta e pude observar as consequências disso mil vezes é um conhecimento maior, de todos, sobre o desenvolvimento da criança e do adolescente, não só em termos biológicos, mas, também, psíquicos e sociais. Como isso faz falta!!! Eu tenho essa base, tanto da pedagogia quanto, mais aprofundadamente, da psicologia, e, por isso, acho que consigo avaliar bem a falta que realmente faz! É um conhecimento FUNDAMENTAL pra quem vai trabalhar com crianças ou adolescentes! Sem esse saber, comete-se erros primários, absurdos, que poderiam perfeitamente ser evitados!
    Ainda vou escrever um artigo aqui sobre isso.
    Grande abraço, querido…

  16. Eu acho que um dos erros que a escola faz é não aproveitar os momentos de encontros entre docentes e a equipe pedagógica. Muitas vezes essas horas se transformam numa verdadeira terapia em grupo (que deve ocorrer também, mas não se reduzir a isso). Falta conscientização dos professores, de que teoria também é importante, e preparo dos pedagogos, que na maioria das vezes (nas minhas experiências) não sabem conduzir as reuniões e transformam esses encontros em momentos enfadonhos e sem sentido.
    No final das contas também cabe a seguinte pergunta? Será que existe interesse neste debate? A escola de hoje se transformou num depósito de crianças e adolescentes, que se sentem numa prisão (justamente!), e numa linha de produção, onde os professores são pressionados a atingirem cotas e aproveitamentos, transformando estes profissionais em verdadeiros operários alienados.

  17. Luiz,
    Concordo inteiramente com o que vc disse agora.
    Infelizmente admito que muitos pedagogos não sabem coordenar esse tipo de reunião, algumas transformam-se em bate-papos sobre futilidades ou em meros repasses de “instruções” da Secretaria de Educação, até porque grande parte das faculdades de pedagogia também é bastante fraca (tive a sorte de estudar numa excelente: a UERJ) e isso é profundamente irritante! Não é e nunca foi o meu caso, mas sou minoria.
    Por outro lado, o resultado de uma reunião é da responsabilidade de todos que dela participam e, nesse caso, muitas vezes os pedagogos tentam dinamizar e recebem todo tipo de resistência, mecanismos de defesa, deboche, desconfiança, etc., dos outros profissionais presentes, o que acaba tornando a reunião inútil, muitas vezes e, nesses casos, que são muitos também, a responsabilidade maior nem é dos pedagogos presentes…
    Abraços…

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Required fields are marked *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>