Corpo e beleza: reflexões nas aulas de educação física

Será que nas aulas de educação física se pensa? Pensar em quê? Será que o pensar se restringe às matérias consideradas de “elite” (português, matemática, ciências)?  Como podemos levar o aluno a pensar?

Além das aulas práticas, onde os alunos aprendem as diversas modalidades esportivas, podemos levá-los a refletir sobre temas que têm influência direta sobre a sua vida, como o tema Corpo e Beleza.

Que adolescente não se sente feio? Que adolescente não se acha gordo ou magro demais? Que acha que seu cabelo nunca está bom? Quantas dificuldades enfrentadas em se aproximar de um menino ou de uma menina?  Que menina não tem dificuldade de colocar um short nas aulas de educação física?

São muitos pensamentos e questionamentos que assolam a mente dos adolescentes nessa fase tão crucial da vida, quando saíram do sonho, que tudo era um conto de fadas e estão começando a cair na realidade.

Partindo dessas observações da prática cotidiana, o professor pode  mostrar vídeos que falem sobre o tema, ler textos e trazer essas reflexões feitas anteriormente para as suas aulas e solicitar que os alunos produzam seus trabalhos para divulgação através das mídias, levando outros colegas da sua idade a começarem a pensar sobre o tema.

Giseli Brum

3 comentários sobre “Corpo e beleza: reflexões nas aulas de educação física

  1. Adorei, Giseli! É isso aí!!!

    Por isso educar é muito mais do que passar conteúdos fechados e, muitas vezes, ultrapassados. O conhecimento, afinal de contas, é dinâmico! Está sempre se transformando.

    E isso se aplica à Educação Física também, claro! Se é Educação FÍSICA, conhecer o corpo, compreender as reviravoltas pelas quais ele passa na adolescência e ajudar os alunos a lidarem com isso é, sim, conteúdo necessário e importantíssimo nessas aulas !
    Que bom que vc trabalha assim!!!

    Na escola onde meu filho estudou, uma das coisas que eu gostava era a denominação de “Educação Corporal” e não só Educação Física, pois eles realmente tinham essa mentalidade que vc mostrou aqui e davam aulas fantásticas, inclusive já ajudando, desde cedo, os alunos a lidarem com as semelhanças e diferenças entre um e outro, respeitando e lidando ludicamente, prazeirosamente com tudo isso.

    De cara, uma das coisas mais legais que podem ser trabalhadas assim é a questão dos padrões de beleza na nossa sociedade, que ainda é ligada ao biotipo do branco europeu e pouco tem a ver com a diversidade que temos em nosso país.

    Mostrar que ter um corpo sadio é beleza também, isto é, que a beleza não está só em traços pré-determinados como belos mas, também, nos cuidados com a saúde e o bem estar, é prestar um serviço maravilhoso para esses alunos, desde cedo. Na adolescência então, quando as mudanças no corpo são muito rápidas e geram um certo desajeitamento, vergonha de ser visto, estranheza, etc., esse tipo de aula pode ensinar muito! E mostrar, também, o vigor, a sexualidade (bem diferente da da criança) chegando a mil, a energia e tudo isso que é tão próprio dessa idade, assim como a necessidade de mais horas de sono por dia – o corpo está crescendo – e de atividades que coloquem o corpo em movimento – o contrário de estar sentado horas por dia numa sala de aula -, tanto esportivas quanto artísticas (geralmente adoram dançar!), tudo isso é educar. É EDUCAÇÃO FÍSICA sim!!

    Parabéns pelo trabalho!

    Beijos,
    Regina Milone.

  2. Como eu disse antes, eu era um daqueles alunos que DETESTAVA educação física.

    Via aquele bando de meninos correndo atrás de uma bola e não via, realmente, sentido nenhum.

    Lembro uma vez que o professor colocou eu e um amigo “nerd” pra bater um pênalti. A bola saiu toda desengonçada pela lateral.

    Eu não era bom em esporte nenhum, por isso a EF era um sacrifício.

    Como trabalhar com esses, Giseli?

  3. Pois é, Giseli, pena que a sua disciplina tenha recebido o estereótipo de “recreação”, muitas das vezes reforçada por vários professores que dão uma bola para os alunos e… só. Sempre achei que o trabalho de vocês é fundamental. O trabalho bem feito, é claro. Que outros colegas da sua área sigam o seu caminho de trabalhar a disciplina de forma crítica e atual.

    Abraços!

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