Não adianta ensinar quem está decidido a não aprender

Não adianta ensinar quem está decidido a não aprender.

Venho constantemente escrevendo sobre isso por aqui e debatendo com amigos e leitores do blog.

Sempre falo sobre o desinteresse dos alunos e a luta que é tentar ensinar algo.

Vejam, por exemplo, esseas histórias:

É uma grande frustração dos profesores tentar dar aulas e não conseguir.

E não venha com aquele discurso de quem nunca entrou numa sala de que “o professor tem que ganhar os alunos” ou “o professor tem que fazer aulas interessantes”.

Faço, tento, brigo, despenteio, brinco, movo, balanço, rebolo mas… nem sempre. Aliás, quase nunca.

No final, depois de falar durante 30 minutos sobre o que é para fazer, eles me perguntam, depois de 5 minutos: “professor, o que é pra fazer?”.

Mas aí me deparo com a imagem abaixo:

Pois é, não adianta tentar ensinar a quem está decidido a não aprender!

Pra terminar meu pensamento: temos que parar de achar que a escola vai, de um jeito milagroso, dar um jeito de ensinar às crianças e salvar a sociedade.

A própria sociedade como um todo é que tem que valorizar a educação, o estudo, o saber mais do que valoriza o jogador, a popozuda, o bbb, o futebol, o cantorzinho e cantorazinha…

Assim, quem sabe, as crianças cheguem à escola querendo aprender e dispostas a nos ouvir, ao invés de somente querer ser jogador de futebol.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Disposto a ensinar a quem quer aprender

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No Diário do Professor você encontra artigos e links sobre o dia-a-dia da Educação:

Planos de aula, Atividades, Práticas, Projetos, Livros, Cursos, Maquetes, Meio Ambiente… e muito mais!

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10 comentários sobre “Não adianta ensinar quem está decidido a não aprender

  1. Como havia dito antes, não adianta tentar lutar contra um problema cultural, população carente do BR tem mente “pequena” em sua maioria! Obvio que tem exceções, mas como o Sr. mesmo diz no texto: ”temos que parar de achar que a escola vai, de um jeito milagroso, dar um jeito de ensinar às crianças e salvar a sociedade.”

  2. Motivação não se ensina, é algo interior de cada um. Depende da vontade de cada um, do interesse.Isso aprendi quando estudei psicopedagogia, foi um alívio porque me sentia culpada por não conseguir alcançar certos alunos. Qndo percebi que não posso salvar ninguém , só propiciar um ensino adequado me senti mais aliviada. Ainda me preocupo com o total desinteresse de nossos adolescentes e jovens, mas na psicologia aprendi que nem todos nasceram para o estudo, muitos deveriam trabalhar somente. Além disso como ensinar com salas com 57 alunos? Isso é ensino de qualidade?Abs e paz.

  3. Discordo da Elaine. Sou pedagoga e psicóloga e aprendi outras coisas, tive outras experiências, enfim… Motivação se estimula sim!!! O que vem do interior de cada pessoa também é formado pelo contexto social, histórico e econômico em que vivemos. Por isso, aqueles que ouvem desde cedo que são burros, que pobre vai ser sempre pobre, que o melhor é parar de estudar logo e ir trabalhar porque nem todos tem inteligência pra estudar, etc., acabam mesmo sendo alunos desinteressados e que largam os estudos cedo. Não fazem isso por “escolha consciente”, embora pensem que sim, mas porque foram levados a pensar assim desde cedo. Foram moldados, desde pequenos, para serem a futura mão-de-obra barata da sociedade! Não se trata de salvar, de um lado, ou ensinar, de outro. Não somos salvadores e sim educadores, mas educar também é ensinar o valor e o prazer da leitura, do conhecimento, a abertura que isso traz pra mente de cada um, pra se compreender e compreender o mundo em que vivemos, enfim… Isso é educar! Não só passar conteúdos dessa ou daquela matéria, fragmentadas de forma bastante questionável, mas sim despertar para o universo do saber! O saber sobre si e sobre o mundo!
    Do contrário, começa a segregação novamente: alunos que querem estudar podem frequentar escolas, os que não querem não podem! A mesma segregação que antes deixava os mais pobres de fora completamente (os alunos de escola pública eram de classe média; os pobres não tinham acesso), deixaria, nesse caso, os que “não querem nada com o estudo” de fora! Um absurdo!!
    Alunos mudam, nós mudamos. Os que “não querem nada” hoje podem ter querido um dia e podem voltar a querer, assim como nós mesmos!!! E gostar de estudar não significa gostar de estudar tudo! É claro que as pessoas tem preferências! E, por isso, vão se dedicar mais a alguns assuntos e menos a outros.
    Pessoas que não nasceram pra estudar e sim pra trabalhar? Cuidado com esse discurso! São falas como essa que ajudam a manter a desigualdade social em que vivemos, partindo-se do princípio que gostar de estudar é algo inato e não é! A sociedade precisa de técnicos, assim como de trabalhadores braçais, e não só de doutores e, por isso, dissemina essa idéia de que alguns podem chegar, no máximo, a serem bons técnicos, quando, na verdade, quanto mais desenvolvermos cultura, inteligência, sensibilidade, saber… melhor sociedade seremos! Mas isso não interessa aos que querem manter a desigualdade social em que vivemos, pois beneficiam-se financeiramente dela!
    Salas com menos alunos? Com certeza! Precisamos sim!!! Além de tantas outras coisas que o Declev sempre coloca tão bem aqui no seu blog.
    Mas segregar? Botar pra fora da escola quem dá mais trabalho porque, aparentemente, não quer nada com o estudo? Isso não!!! Isso é segregar, criar outro tipo de injustiça e perpetuar a desigualdade social!
    É a minha opinião.
    Abração…

    • Olá Regina Milone. Belíssima resposta. Acho que a escola de hoje precisa de mais salas e mais professores (psicopedagogia, psicólogos etc.), não para trabalhar em primeiro lugar os conteúdos e sim a motivação, importância do estudo, leitura etc. Já que as famílias não dão conta do recado (tem excessão é claro). Pra essas salas “diferentes” talvez o correto seria dois ou mais professores (psicólogos, psicopedagogia etc). É claro que também nessa mesma escola haveria as salas “normais” com um professor e os conteúdos em primeiro lugar. Dessa forma acredito que a escola caminharia em direção da qualidade. Entender que o ensino não pode ser padronizado, pois não é fábrica do sistema fordista. A escola tem que oferecer possibilidades diferentes para diferentes alunos. Não sou nenhum Piaget ou Paulo Freire, mas essa é minha opinião. Escola reflexiva sim, fábrica padronizada de ensino não!

      • Jefersson, quem está dentro da escola tem suas ideias e sabe tudo o que falta. Mas a escola brasileira não é feita pra pensar, ela é feita pra produzir ignorância. Quem está com a caneta na mão não quer.

  4. Não adianta…tem gente que não quer mesmo e ponto!!!! Sempre foi assim…não adianta discurso bonito!!! Nem Cristo conseguiu…lembra da Arca de Noé??? Não adiantou incentivo. E Sodoma e Gomorra? Não adiantou advertência? E no Paraíso? A maldade de Lúcifer foi maior que as maravilhas ditas e mostradas por Deus!
    NÃO adianta! Só se ensina se alguém quiser aprender! Não adianta querer arrombar a porta!

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