Bullying não é ritual de passagem. E eu completo: nem normal.

Bullying não é ritual de passagem. E eu completo: nem normal.

Muito boa, esclarecedora e assustadora a entrevista, de página inteira, com a secretária adjunta do Departamento de Educação dos EUA, Russlynn Ali, n’O Globo (O Globo, 05/09/11, p.4) .

Sempre me assustei com os filmes americanos ambientados em escolas ou universidades, os quais demostravam, invariavelmente, um processo de achincalhamento profundo dos “diferentes”.

Em todos os filmes são apresentados os “populares”, de um lado, e os “nerds”, de outro.

Em geral, os populares são brancos, ricos, “bonitos”.

Os nerds, ou os “impopulares” são negros, gordos, feios, de óculos grossos, deficientes…

Em todos os filmes os populares sacaneiam os nerds até o fim, até o inferno.

Em todos os filmes, o bullying está presente como algo natural, dado, indiscutível: existem os populares, existem os nerds. Os populares têm que sacanerar os nerds, senão deixam de ser populares.

Eu sempre achei que se eles insistem tanto em mostrar isso nos filmes, é porque deveria ser algo normal, verdadeiro.

Assim como a miséria e corrupção dos filmes brasileiros.

Arte imitando vida.

Pois bem, podemos tirar algumas questões importantes da entrevista citada acima.

Em primeiro lugar, que o bullying é visto por muita gente como um “ritual de passagem”, ou seja, algo normal na idade das crianças e adolescentes, que faz parte do crescimento.

Mentira. Não faz. Se um dia fez, não deve mais fazer.

A secretária admite, na entrevista, que “estamos machucando nossas crianças”.

Segundo ela,

Nossa missão é garantir que todos consigam se formar na faculdade e seguir uma carreira.

Para isso,

Baseamos-nos  naquilo que eles precisam. Estamos coletando dados de uma maneira como nunca fizemos. Queremos compreender como cada estudante se desenvolve, para que possamos identificar os problemas e encontrar soluções.

Por fim, ela deixa claro – afirmando duas vezes – que, mais do que uma questão moral, é uma questão econômica e demográfica.

Isso porque “a previsão é que, por volta de 2023, a maioria dos estudantes em escola pública seja negra ou hispânica” e “em 2050, eles serão a maioria dos adultos”.

E essa massa, hoje, tem uma educação com resultados inferiores daqueles que estudam em melhores escolas: os “brancos”.

O bullying, sim, tem relação indiscutivelmente com a questão social e étnica [especialmente nos EUA], e tem relação indiscutivelmente com a aprendizagem.

Alguma semelhança com o Brasil?

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Professor

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