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A escola que eu sonho é diferente da que tenho

A escola que eu sonho é diferente da que tenho.

Nada de gastar milhões com empresas ou institutos ou ONGs ou organizações sociais ou com ninguém mais do que aqueles que foram contratados – por concurso – para fazer a educação acontecer.

Para que a educação aconteça, é necessário dar aos profissionais de educação a estrutura necessária para tal.

Já falei por aqui talvez dezenas de vezes sobre os 4 ou 5 pontos que acho primordiais. Veja na Nova Carta Aberta esses pontos.

E também já sonhei se essa escola, se essa escola fosse minha…

Mas, fechando os olhos, ainda viajo e a vejo…

… Ela tem salas para cada professor e os alunos vão de uma sala a outra para ter as diversas aulas. Desta forma, as salas de aula ficam com “a cara” de cada professor, com seus materiais, sua maneira de ensinar, seus objetos pedagógicos.

… Mas, se isso não for possível por conta do quantitativo de professores da escola, façamos diferente: cada sala de aula é uma “sala ambiente ao estudo”, com mesas em grupo, estantes com livros para pesquisas, TV/DVD, aparelho de som, prateleiras com materiais, armários para os professores guardarem seus materiais, mapas disponíveis, alguns computadores conectados para pesquisa, dentre outras formas de incentivo ao estudo.

… Além dessas salas de estudo (antigas salas “de aula”), ela tem salas específicas, como, dentre outras:

  • sala de artes;
  • sala de teatro;
  • sala de leitura – ampla, arejada, iluminada e com um(a) professor(a) responsável;
  • sala de informática – grande, que caiba uma turma!, computadores conectados à internet, com um(a) professor(a) responsável – e para além dos computadores nas salas de estudo;
  • Sala de música;
  • Sala de Ciências…

… Os professores são bem remunerados e trabalham só nessa escola, em tempo integral. Eles não estão o tempo todo dentro de sala com uma turma, mas estão planejando projetos pedagógicos entre si; estão desenvolvendo os projetos; estão, sim, trabalhando os conteúdos de suas disciplinas, mas podem, para isso, contar com outros professores que estão na casa para sua ajuda.

… Os professores podem, com a sua experiência, perceber quais alunos têm mais aptidão para determinada atividade e formar grupos com esses alunos, para que tenham oficinas: de teatro, de artes, de esportes diversos, de cinema…

… Os professores podem, também, perceber quais alunos têm maiores dificuldades com alguns conteúdos específicos e, da mesma forma, montar grupos de estudos para reforço escolar.

… Isso porque eles ficam na escola se dedicando a ela, sem estarem dentro de sala o tempo inteiro. Isso porque eles recebem um salário decente para que possam se dedicar aos seus alunos sem se preocupar com seu rendimento.

… Os alunos, por sua vez, além das aulas das disciplinas do currículo comum, também podem escolher por quais caminhos querem se aprofundar, através das oficinas e grupos de estudo.

… Nessa escola há, espalhados pelos corredores e pelos pátios, diversos ambientes para os alunos em suas horas vagas: “cantos de leitura”; “cantos de desenhos”; “espaço do ping-pong”; “mesa do xadrex”, “jornal mural” etc.

E, nessa escola, os responsáveis também participam, orientam, visitam, ajudam a educar seus próprios filhos – e não são só chamados para ouvir falar mal do seu filho.

Pronto.

Acordei.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Sonhador

Sobre Declev Dib-Ferreira

Declev Reynier Dib-Ferreira é professor, biólogo, educador ambiental, especialista em EA pela UERJ, mestre em Ciência Ambiental pela UFF, doutor em Ciências pela UERJ.

6 comentários

  1. Rosângela Valentim

    Hoje tivemos ‘festival de pipas’ na escola.
    Como tenho que dar os dois tempos iniciais em outro estabelecimento, cheguei no 4º tempo crente que encontraria o festival em pleno andamento. Qual minha surpresa, as turmas estavam em sala, tendo aula normalmente. Indaguei à coordenação se não haveria o evento e tive como resposta que sim, teria após o fatídico almoço, pois não seria possível que os alunos ‘ficassem sem aulas’ o dia todo por conta de tal atividade.
    As crianças almoçariam e, após isso, começaríamos a parte prática muito rapidamente, pois só teríamos algumas horinhas para a distribuição do material, a confecção das pipas, a competição em si, em que todos os alunos deveriam empinar seus papagaios e a eleição dos melhores exemplares de acordo com os quesitos pré estipulados.
    Ora!
    Se levarmos em conta que temos que ter concentração e paciência para a realização de qualquer tarefa, principalmente artística, o pouco tempo destinado ao evento foi fatal para o fracasso do mesmo.
    O resultado foi péssimo, as crianças nada aproveitaram, e perdemos, assim, grande oportunidade de resgatar uma brincadeira tão saudável para o desenvolvimento desses alunos.
    Será que lugar de professor é tão somente sala de aula? … Será que lugar de aluno é tão somente sala de aula? …
    O sucesso do evento está registrado em fotos, somente.

  2. Eu até teria uns “aperfeiçoamentos” a propor a sua “dream school”… Mas o diabo é que eu não acho que isso que você descreve seja absolutamente um “sonho”: isso, para mim, é apenas o mínimo necessário.
    Sonho seria uma sala onde todos os alunos tivessem computadores em rede com o do professor (por falar nisso: sem auxiliares?… — eu ia dizer “monitores”, mas poderiam confundir com monitores de computador) e, através desse “servidor” (o computador do professor, não o Servidor Público) pudessem se comunicar com a Internet.
    Uma escola com serviços médicos/odontológicos/psicológicos e de assistência social (para alunos e, principalmente, suas famílias). E com transporte escolar decente (instalações sanitárias e refeitórios decentes também são parte do “mínimo”).
    Dinheiro para isso, não falta. Falta é vergonha na cara…

  3. Lembra de um artigo que publicou há um tempo sobre como trabalhou em sala de aula com aparelho reprodutivo, levando seus alunos a perguntarem secretamente tudo o que queriam sobre o tema e depois você foi respondendo a cada uma de suas dúvidas?

    Pois é! Temos um evento na nossa unidade escolar que se chama EUREKANDO. O objetivo desse evento é fornecer aos nossos alunos uma ampliação de sua visão de mundo. Eles moram a 50 minutos do centro do Rio, mas a distancia cultural e educacional parece ser ainda maior. Por isso, uma vez por ano, organizamos uma série de atividades que envolvem palestras, oficinas, passeios, exibição de filmes, a fim de ampliar o universo deles.
    Meu objetivo com este e-mail é convidá-lo para trabalhar esse tema com nossos alunos do Ensino Fundamental, mais especificamente alunos do 7º ano através de uma palestra sobre sexualidade. Temos, como em todas as escolas, alunas nessa faixa etária, encarando sexo com muita falta de responsabilidade, sem consciência de seus próprios corpos e sua palestra seria essencial no desenvolvimento do nosso trabalho. O objetivo esse ano é trabalhar IDENTIDADE e nada melhor que, para esse grupo ainda tão ‘ignorante’ de sua identidade sexual, um trabalho como o que você (tomo permissão para tratá-lo assim) desenvolveu com seus alunos.
    O Evento ocorrerá nos dias 16, 17 e 18 de novembro, logo, dentre essas datas, a palestra poderia acontecer em qualquer um dos três dias, a sua escolha.
    O local é Paciência: CIEP 312 Brizolão Raul Ryff – Paciência (nós podemos ver a possibilidade de buscá-lo e levá-lo de volta após a palestra)
    O ideal seria tê-lo conosco palestrando para os nossos dois turnos: manhã e tarde. Logo, se possível, gostaríamos de uma palestra pela manhã (11 às 12), depois você almoçaria conosco (a comida do CIEP é ótima!rs…) e palestria para o turno da tarde também (13 às 14 horas). Esse horário é flexível. É apenas uma sugestão.
    É claro que, sendo uma escola pública, não há como pagá-lo por esse trabalho. Só a declaração de participação.
    Avalie essa possiblidade com carinho, por favor.
    Aguardo seu retorno,ok?