Sou um desistente

Escrevo esta carta-bilhete para dizer que sou um desistente.

Estou desistindo de ser professor do ensino fundamental.

Parabéns, sistema, você conseguiu.

Acho (pois não tenho certeza) que sempre pensarei, discutirei, escreverei sobre educação, na vã esperança de vê-la um dia se tornar, no País dos Absurdos, coisa séria.

E enquanto isso ocorrer, nos encontraremos por aqui.

Mas hoje, lutando mais uma vez para tentar dar aula e após ser mandado calar a boca por uma aluna, tomo a decisão de parar de lecionar para o público a quem me dedico há 12 anos.

Cheguei ao meu limite com alunos, responsáveis, colegas, diretores, gestores e todos mais.

Ainda não tenho a opção, mas correrei atrás.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Professor Desistente de Ensino Fundamental



53 comentários sobre “Sou um desistente

  1. Declev Reynier Dib-Ferreira, olá !
    Calma, amigo, isto vai passar …
    Pelo que pude sentir, no pouco tempo que lhe acompanho, o que você sente é comum nos seus colegas conscientes da importância que a educação fundamental tem para com a formação de uma Nação !
    Estamos num momento delicado, onde o nível de revolta por ter consciência (tensão emocional) está acima do normal, acrescido pela proximidade das eleições ( 3 de outubro) !
    Quem sou eu … , mas sugiro ao amigo, entrar em licença para um tratamento psicológico .
    Demora um pouco, mas resolve.
    Falo isto por experiência própria !

    Declev, não se prejudique! Afinal é o Sistema o único culpado por tudo o que você está sentindo agora !
    Dá um tempo para si próprio !
    Vá se tratar e considere isso necessário! Não seria uma fuga, muito menos uma esperteza, é, sim, um ato de coragem em proseguir lutando pelo que você, como eu, considera ser mais importante : transmitir o conhecimento ! E, nisso você é muito capaz !
    Vá à luta, então, amigo !
    Quem sabe, após a sua psicoterapia, as coisas já não estejam melhores ?
    Permaneça no seu ideal, que hoje em dia, chega à ser uma utopia, face à circunstâncias vivenciadas por nós, Brasileiros!
    Abraços à todos !
    Somel Serip.
    “Analista” e Amigo.

  2. Como assim, meu amigo? Entregando o ouro ao bandido? Aqui quem fala é uma pessoa que tem quase o dobro que você no magistério. Eu sei, a luta às vezes parece perdida, mas não é. Disse-me uma vez, uma sábia professora da Fac. de Letras da UFF: “busque o brilho no olhar; nem que seja apenas um em muitos…” – pois é, somos mesmo o colibri diante do incêndio. Sem a nossa gota aumentamos a chance de a floresta queimar por completo, e sabíamos disso quando abraçamos essa carreira. Fique aqui com as palavras do Cidade Negra, talvez elas venham a aquietá-lo um pouco:
    “se eles querem meu sangue, terão o meu sangue só no fim, mas se eles querem meu corpo, só se eu tiver morto, só assim…”
    Abraços fraternos e solidários.

  3. Professor,
    Sei que deve ter muitos motivos, mas entendo que ela mandou você se calar. E o professor está acatando? Está se calando? Se eles querem formação de imbecis, então formemos imbecis!

  4. Declev, você é um herói brasileiro como muitos professores brasileiros! Acompanho a sua luta através do seu blog e lhe dou parabéns por toda a sua luta! Hoje em dia somente existem dois caminhos dignos para o Professor no Brasil! Repito: Dois caminhos dignos! Pegar o boné e ir procurar outro trabalho (perfeitamente digno!). Ou ir para a Guerra! A Educação Brasileira virou uma Guerra! A Universidade não nos preparou para a Guerra! Temos que aprender sobre Guerra com quem foi preparado para isso que foram os Militares! Que as Forças Armadas tenham cada vez mais uma contribuição e participação maior na Educação Nacional. Lhe convido desde já para integrar a ONG Movimento Educacionista do Brasil (MEB). Já lhe adianto que não temos nada com o Senador Cristovam Buarque! Você seria uma grande aquisição para o MEB. Sucesso em sua vida nova sem ser professor e que venha o Apagão de Professores!!!

    Tomaz Passamani
    Professor do Ensino Médio (Enquanto suportar!!!)
    Vice-Presidente do Movimento Educacionista do Brasil (MEB)
    http://www.movimentoeducacionista.org.br

  5. Nossa! O Ensino no Brasil realmente é catastrófico.
    Achei seu blog por acaso, mas confesso que adorei (até certo ponto). Acato sua ideia de parar de lecionar e posso imaginar o quanto isso deve ter afetado sua moral.
    Sucesso!

  6. Querido amigo,
    vc mudou?……………
    Não desista!!!!
    Aqui em Manaus também esotu nesta luta!
    Não é fácil, vc sabe, nós sabemos!
    Mas se um bom, como vc sair, será um bom a menos na guerra contra esse sistema.
    Vc não pode abandonar o front de batalha assim!!!!
    Faça como a colega acima sugeriu: peça uma licença, respire fundo, conte até mil e ……………..
    PROSSIGA!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    Vc não pode ser vencido assim!!!!
    É isso que o sistema quer: eliminar os bons!
    Não permita!!!
    Conte com minha solidariedade!!!
    Se cuida, fica bem e seja feliz!!!!

  7. Caro Declev,

    Parece que nós – ainda – educadores estamos perdendo espaço cada vez mais para a “Idiocracia” estabelecida pelas elites desse país e aceita pelos níveis médio e mais baixo da população. Ser educador neste país se tornou uma atividade de resistência e perseverança, mas tudo tem limite, não queremos ser mártires e/ ou santos. Enquanto indivíduos solitários e cada vez mais raros(nós professores!) tentam defender ideias e práticas – que são sistematicamente desmotivadas e destruidas pelos administradores/gestores da educação e por gerações de crianças e adolescente que não compreendem e não querem compreender a importância de uma educação democrática – muitos vão capitulando, adoecendo diante dessa grande estrutura de hipocrisia e objetivos bem claros, qual seja,ridicularizar a democracia até ela ser considerada uma utopia, idealismo de filósofos distantes da realidade, da prática, do mundo real, em suma, do lucro e da utilização da pessoas como coisas. Tudo o que vem acontecendo é reflexo desse projeto bem claro. Sucatear a educação de cunho democrático, destruir os professores progressistas e desprezar o conhecimeto – em todas as áreas – produzido ao longo da história. Entendemos o que você vem passando. Todos nós em maior ou menor grau enfrentamos tal situação. Sei que é bastante difícil, pois nos sentimos impotentes e todos nós comprometidos com a educação de qualidade e democrática, com ideias e projetos contrários ao status quo, não gostamos de tal sentimento. Retire-se para uma longa reflexão, mas por favor, não abandone o campo de batalha, que infelizmente, se tornou a educação contemporânea. Continue expondo suas ideias e propondo debates de qualidade para que o projeto “idiocrático” não triunfe de vez…
    “(…)desbarbarizar tornou-se a questão mais urgente da educação hoje em dia” Theodor W. Adorno

    Abraço e até mais!

  8. Declev

    Querido amigo, compreendo a sua atitude e posso avaliar o quanto você sofreu e deve estar sofrendo, mas gostaria de te pedir para não tomar nenhuma decisão de cabeça quente. Diversos amigos já sugeriram que tires uma licença e eu concordo com todos eles.

    Você é um profissional integro, leal e capaz, não deixe que uma criança mal educada e desorientada, te faça desistir.

    Atravesamos um momento delicado caracterizado pela inversão dos papéis, os adultos estão sendo conduzidos e guiados pela crianças, é a pirraça substituindo a razão e os arroubos infantis abafando a experiência. Poucos ainda estão conscientes tentando conduzir essa nau desgovernada, você é um dos condutores. Tire uma licença e volte recuperado para nos ajudar a manter esse barco no curso certo, sei que não está nada fácil, mas com certeza, ficar fora desse barco e vê-lo naufragar no mar da indiferença e da irresponsabildade não vai nos fazer sentir melhor.

    Descanse, regarregue as baterias e volte com todo o gás e esperança.

    Um forte abraço

    Graça Aguiar

  9. Se você pode trabalhar em outra área … Faça isso!!! É triste, mas a vida é curta e todo esse estresse, muitas vezes acho que não vale a pena!!! Sonho com o dia que poderei fazer o mesmo !!! ser desistente!!!!

  10. É Declev… Você está passando pelo trauma que me curou de meu comunismo-juvenil: a descoberta que que existe um lumpen proletariat que simplesmente não quer melhorar de vida…
    No ensino, assim como nos amores, a relação não pode ser unilateral, senão esgota, cansa e acaba.
    Você “jogou pérolas aos porcos” durante muito tempo.
    Só que o sistema de ensino não é a “doença”; é apenas um “sintoma” de uma sociedade doente. Daqui a alguns anos, esse monte de zé-ninguém vai estar realizando tarefas de grande relevância social: preenchendo bilhetes de ônibus nas rodoviárias, carregando malas ou fazendo limpeza de fossas sépticas. Isso se não houver uma máquina que o faça de maneira mais barata e eficaz… Mas a Prefeitura Municipal de Cucuí de Las Palomas sempre vai ter vagas de gari…

  11. Um amigo comunista meu certa vez me disse que no período de Stalin na União Soviética quem não queria estudar era mandado para os campos de trabalhos forçados e assim a União Soviética conseguiu formar gerações e gerações de grandes matemáticos!!!
    Até hoje os Russos são grandes matemáticos!!!

  12. Sou a Angela do sol do Twitter e confesso que chorei ao ler sobre a sua desistência. Desisto todos os dias, e no outro dia estou lá, insistindo. Teimo, mesmo querendo desistir. Não sei até quando…
    sua leitora sempre.
    Abraços!

  13. Caro Declev,

    Eu queria muito poder lhe falar palavras amáveis, recitar poemas, músicas e outros textos de encorajamento. No entanto, só o que consigo neste momento é lhe desejar conforto, torcer pela pessoa Declev. Você terá sabedoria para decidir pelo seu futuro profissional. Quanto à isso, não tenho dúvidas que pela sua capacidade não faltará emprego. Mas o trauma destes anos talvez nunca irá sair da sua cabeça, seja lá pra onde você for.
    Siga o seu caminho, faça exatamente o que seu coração pede, mas, concordando com a Graça, esfrie a cabeça primeiro.
    Sabe Declev, o “sistema” destroi muito mais do que os nossos nervos e a saúde, acaba com o que há de mais importante para mover um ser humano – os sonhos.
    Como é triste a constatação de que não podemos mudar o mundo!

    Do sempre amigo,

    Luiz Eduardo

  14. Declev Reynier Dib-Ferreira, olá !
    Estou sofrendo assédio com 33 anos no mesmo emprego, que é o meu quarto emprego !
    Estou como estivesse dentro de uma geladeira ! À cada dia, mais intensa a vontade de desistir ! Mas desistir é justamente o que estão querendo que eu faça !
    Porém, o que me resta é querer, ainda, poder colaborar, através deste meu emprego, com algo de proveito para todos !
    Caso eu venha desistir, quem sabe eu não cogite em revidar, ao iniciar uma ação judicial por assédio moral …
    Bem, falo isto aqui pois é justamente assédio moral o que ocorreu contigo !
    Quem sabe se a solução não seja através do judiciário ?
    Já que acabaram com expulsão, o caso é de Polícia mesmo !
    O que puder ser feito para que você não falte aos quem ainda desejam aprender na escola !
    Procure nas suas lembranças, o mérito honroso que inúmeros alunos já lhe deram !
    Peças uma licença médica, faças uma psicoterapia e depois volte renovado !
    Coragem, amigo !
    Estejas sempre acompanhado do carinho e consideração dos amigos, que lhe desejam o melhor possível !
    Abraços à todos !
    Somel Serip.
    Ex- Deprimido também !

  15. Não o conheço, entrei em seu blog por “acaso”, li seu relato, os comentários se seus amigos (as) faço coro a força que eles estão dando para continuar na luta. Semana passada me tornei Conselheiro Municipal de Educação do meu município N.Iguaçu sinceramente não sei o que me espera pela frente, a inúmeras batalhas a enfrentar, a educação por aqui esta no fundo do poço, escolas insalubres, obras inacabadas, crianças estudando em galpões, enfim o caos. A luta por políticas publica educacional é gigantesco, porem se cada individuo, ou segmento desistir, o que será de nossas crianças e gerações futuras? Enquanto estou escrevendo este comentário, estou lembrando aquele filme “ao mestre com carinho” aquele professor tinha N razões para desistir e, no entanto… Não desista! Lute! Lá na frente você terá seu galardão e sem dúvida esta menina será a primeira a agradecer.
    Boa sorte!

  16. Pessoas como você são preciosidades que a Educação não pode se dar ao luxo de perder. Conheci seu trabalho em 2007, na EM Mal. Mascarenhas de Moraes e me encantei com sua organização e com o Laboratório de Ciências que montou: era a sua sala de aula. Seus alunos não perderam apenas um professor, perderam um profissional dedicado e disposto a oferecer materiais que facilitassem a construção de conhecimento. Acredito que passará para um nível que dará muitas contribuições para a sociedade. Parabéns pelo seu trabalho! Um abração!!

  17. O Dr. Gustavo Teixeira explica muito bem o que está acontecendo com nossos alunos: “Transtornos Comportamentais na Infância e na Adolescência”, editora Rubio. Enquanto as discussões não envolverem a saúde física e mental dos nossos alunos…

  18. Querido Declev,
    Respondi a esse seu texto diretamente pro seu email pessoal, pois foi muito dolorido lê-lo e, responder, exigiria uma força que não estou tendo nem pra mim no momento…
    Preciso dizer que entendo totalmente o que está passando? Acho que não, né!
    Eu também desisti. E fui além dos meus limites antes disso, por ouvir sempre, de muitas pessoas: “não desista”, “pessoas como vc fazem muita falta na Educação”, etc. Só que somos apenas HUMANOS e lidar com tanta sujeira, diariamente (e vc sabe que falo do sistema justamente, dos políticos e políticas públicas), vai desgastando a tal ponto que ou vc vira um cínico, ou se engana eternamente se achando um “salvador”, ou continua guerreando sem parar (porque essa luta não tem fim!!!) ou realmente vai tentar fazer algo em outro lugar, onde possa também contribuir mas sem prejudicar tanto a própria saúde.
    Digo isso, e vc sabe, porque extrapolei meus limites, como já disse, e ainda estou cuidando da minha saúde, de licença médica na escola, até hoje!
    Ser gotinha que ajuda a apagar o incêndio é absolutamente exaustivo e eu não acredito mais nisso.
    Por isso demorei a deixar alguma mensagem pra vc aqui: porque estou completamente desanimada, desiludida, descrente e desestimulada em relação ao trabalho em escola atualmente. E tudo indica que isso não tem volta. Não vou acreditar mais.
    O problema é tão imenso, envolve tanta coisa (não é simplesmente “culpa” de um ou de outro segmento!!!), que só acabando com essa instituição falida e começando tudo de novo, o que também só adiantaria se tivéssemos um povo minimamente consciente e que desejasse essa mudança, o que não temos, já que a própria Educação tem sido usada pra embotar e reprimir pensamentos, consciências, criatividades e qualquer capacidade crítica e auto-crítica, porque um povo ignorante será sempre mais facilmente manipulado…
    Esse filme é antigo e acabei absolutamente exausta de tanto assisti-lo e tentar pelo menos fazer parte dos que querem mudar o seu final!
    Quando algo está corrompido demais, é melhor mesmo sair fora e manter sua dignidade e integridade (física, moral, intelectual e emocional) acima de tudo!
    Continuarei seguindo seu blog e torcendo por vc, principalmente pra que encontre outras formas e caminhos para lutar sim, mas sem ser “mártir” nem adoecer mais! O que desejo é que seja reconhecido como merece e seja muito FELIZ!!!!
    E concordo com o que alguns já disseram aqui: busque uma psicoterapia, meu querido. Ajuda muito nesses momentos difíceis!!!
    Beijos solidários e sempre amigos,
    Regina Milone.

  19. Declev Reynier Dib-Ferreira, olá !

    Desejo, intensamente, que você possa se situar do lado de fora e visualizar o que de real esteja ocorrendo contigo, amigo !

    Que você reveja, em câmara lenta, curtas sequências do ocorrido e nos intervalos, procure analisar, como sendo alguém lhe observando!

    Assim, talvez lhe surja um trecho, no qual você possuía dois caminhos de conduta para serem seguidos.
    Aí, você procura imaginar, como você estaria hoje, caso você tivesse optado por aquele caminho de conduta alternativo!
    Se você concluir que hoje você poderia estar em melhores condições, você, então, poderá compreender o que você esteja sentindo e, isto lhe indicará a saída deste seu confinamento ! Assim desejo !
    Falo isto pois eu já entrei em depressão profunda, em 1987, quando me submeti à Psicoterapia, durante um ano e meio, meia hora por dia, dois dias por semana ! Na sequência do tratamento, passaram três Pisicoterapeutas até que, por fim compreendi o que tinha ocorrido e retornei à minha realidade !

    Amigo, tenhas coragem e sabedoria para que você encontre a saída deste casulo que lhe aprisionou !

    É por estas e outras, que encontrei um vídeo onde o professor pegou o celular do aluno e atirou na parede, quebranto o aparelho ! Enfim, ele chegou além do seu limite aceitável, e explodiu na integra !
    Boa-sorte, amigo !
    Encontre a Paz Interior !
    Abraços á todos !
    Somel Serip

  20. Há 20 anos leciono, e jamais vi alguma melhora. Sempre foi assim e a tendência é piorar. Se eu pudesse também desistiria, mas ainda continuo sendo o beija-flor que tenta sozinho apagar o incêndio da floresta. Talvez em vão, tapando olhos, ouvidos e falando o necessário. Tem dias que visto minha roupa de educadora, outros, uma armadura. Vou levando, esperando algo bom, ou me conformando com a cruel realidade.
    Espero que você possa viver suas escolhas. Eu, estou apenas existindo.
    Abraços

  21. Eu sei exatamente como vc está se sentindo. Saí de uma licença de 10 dias – surtei no psiquiatra – e hj já não consegui ir trabalhar. Não suporto mais não conseguir fazer aquilo que quero. Tenho vontade de desistir. A minha razão manda com que eu fique na minha e não faça absolutamente nada em sala de aula, mas eu simplesmente não consigo agir assim.
    O que eu posso desejar a vc é força. Mta força. E mude de área, antes que a área acabe com vc.

  22. Caro Declev,
    Também sou uma professora desistente. Não acredito mais na minha profissão. Não existe valorização do profissional da educação e a palavra respeito foi riscada da carreira. É como diz uma colega de trabalho: “Somos farol político”. O ambiente de trabalho chega a ser hostil, pois os conflitos vão além da sala de aula, invadem a sala dos professores e alguns colegas se portam como os alunos que têm. É um descontrole! Sinto-me como mão de obra qualificada e barata. O sistema venceu!!! Tenho 14 anos de magistério e vou abandonar o barco. Estou mudando de área, pois acho que existem outras possibilidades. É difícil recomeçar, mas ainda dá tempo.
    Um abraço.
    Adriane Nov.2010

  23. Li a todos os depoimentos e me senti um pouco reconfortada. Minha experiencia como professora não passa de dois meses e 23 dias mas o que vi e senti me deixaram decepcionada. Alunos, professores e principalmente uma direçao ….. Não tiven apoio e fui me consumindo aos poucos. Estou enojada e não quero pisar mais lá. Desejo a todos nós força, coragem.

  24. Oi Declev e outros companheiros de luta.

    Sou uma professora brasileira, assim como vocês, mas exerco a profissão em Estocolmo, na Suécia, país em que vivo há quase 4 anos.
    Durante 6 anos ensinei no Brasil e juro por tudo que é mais sagrado, que nunca senti a dor, a decepcão, a tristeza que sinto em ser professora aqui. Nunca me senti tão amargurada na vida, e antes de vir pra cá achava que esse problema que vcs relatam só existiam aí na nossa terra. Agora posso dizer por experiência própria que esse caos na Educacão está em toda parte infelizmente.
    Mal comecei e já estou pensando em desistir. Não posso dormir bem à noite e acordo sempre antes da hora e nao me sinto bem a caminho do trabalho. Os meninos são agressivos, selvagens mesmo e olhe que a maioria é sueco. Eles falam muito sobre a democracia, os direitos dos alunos e esquecem de falar no estresse que é ser professor para uma clase trabalhadora que se crê classe média por ter um Ipod ou um tênis de marca.

    Voltarei mais vezes para ler e comentar. Hj li e me acalmei com os relatos.
    Abraco a todos!

    • Oi Camila,

      Fique calma, pois isso pode ainda ser pior por aqui, acredite.

      Mas você tem a experiência dos dos países, né?

      Talvez o fato de ser uma brasileira dando aula por aí possa piorar as coisas, não?

      Agora, uma pergunta minha: há aspectos positivos?

      Abraços,

  25. Ah, querido professor, como sei do que estás falando, todos os dias tentam nos fazer ser desistentes, mas nós somos mais. Quando entrares para aquela sala de aula, fechares a porta, pensa que aquele espaço é seu, só seu, aproveita amigo e com o passar dos anos, já com a barba e os cabelos grisalhos, sorria vendo-os fazerem a mesma coisa que voce, sendo professores de porta fechada, incentivando-os a alçarem voo como os pássaros livres e certos, por que como diz Rubem Alves ” ha escolas que são gaiolas e escolas que são livres”, seja o professor livre…Vai em frente.

    • Oi Marlene,

      Meus cabelos e barba já estão grisalhos…

      Eu estou sempre renovando minhas forças pra continuar, mas está cada vez mais tênue a linha divisória.

      Se eu pudesse, eu parava agora…

      Abraços,

  26. Poxa, 🙁
    Comecei há pouco visitar este excelente site em busca de auxílio e me surpreendi com esta nota de sua desistência! Também passo por situação semelhante… Novo esgotamento físico/emocional. Ano passado, inclusive, fui afastado e foi aberto um tipo de sindicância para apurar o por quê de eu ter surtado em uma de minhas aulas às vésperas das férias de julho… Fiquei quatro meses aguardando um veredicto num processo administrativo que apontava para uma demissão, por me julgarem incompetente e desconhecedor do processo de ensino-aprendizagem, sendo que eu ainda estava no início de meu período de estágio probatório de 3 anos (pois fui efetivado em concurso público municipal). Realmente é uma tarefa árdua para nós, educadores (como somos agora conhecidos). Embora meu psiquiatra tenha me dado alta no final do ano, período em que logo iniciaram o recesso escolar, sinto-me atualmente assustado e, novamente, tenho tido “fobia” ao saber que voltei a encarar a mesma situação, porém, em outras duas escolas… A diretora já me aconselhou novamente a procurar ajuda psicológica! Até quando resistiremos??? Ou então, desistiremos???
    Me faz lembrar uma charge de 2002, republicada no UOL em 2004, e que, a bem dizer, continua “atualizada” hoje mesmo em 2011…
    Abraços, e boa sorte, amigo.

    http://charges.uol.com.br/2004/10/04/classicos-professoras-cantam-asereje/
    ou,
    http://charges.uol.com.br/2002/09/22/professoras-da-rede-publica-asereje/

    • Oi Kazuo,

      Apesar desta nota de desistência – que foi realmetne séria – ainda resisto…

      Cá estou eu pra mais um ano louco.

      Acompanhe os posts mais recentes e você verá que estou aprendendo que o problema, na verdade, não vem só dos alunos. A maior parte dos problemas nos vem dos gestores da educação!

      Mas vamos caminhando, até quando der…

      Abraços,

  27. Estava a procura de um lugarzinho no mundo em que eu pudesse desabafar…e na minha busca encontrei seu blog em que vc diz exatamente o que eu estou fazendo agora..EU DESISTO DE SER PROFESSORA…muitos são os motivos…inclusive uma depressão ocasionada pela profissão. Cansei de me iludir, da desvalorização, do pouco caso dos gestores, da incompetência de muitos coordenadores, da perseguição por vc não ser do msm Estado…tomando a vaga deles..pode??(já são 14 anos de ensino fundamental e médio)…só sentirei falta do cantato com os alunos(pra mim era a melhor parte..amo meus ex-alunos)..Vou pedir exoneração e recomeçar a vida profissional…
    Obrigada msm
    abraço

  28. Olá, novamente! Saudações a todos!
    Solidariedade também à Profª Márcia Gomes, e que tenha sucesso em sua nova empreitada! Quatorze anos não são 14 meses. . .
    Enfim, fiquei livre da escola municipal (EMEF) onde estava neste meu segundo ano… Como já disse em um comentário anterior, não pude resistir a tanta pressão psicológica em sala e fui afastado novamente… Após uns 14 meses em sala!!! Como era de se esperar, neste novo processo administrativo o veredito foi “demissão por não aprovação em estágio probatório”. Sim, nós não podemos ficar doentes pelo estresse causado por essas crianças! Mesmo passando por seções com psicólogos e até psiquiatras, são esses alunos os sempre privilegiados e defendidos com unhas e dentes…
    Fico surpreso de ter me saído bem o ano passado em uma outra escola de Ensino Médio [3º ano], sem passar por tudo isso. Tanto que os alunos dessa outra me convidaram para ser o paraninfo de sua formatura, o que me deixou de certa forma reconfortado. Só lamento o contrato de temporário ter se acabado.
    Realmente, com este desfecho, desisto também de continuar sendo professor de Ensino Fundamental de Escola Pública. Temo também lecionar em Escola Particular de E. F., pois a realidade não é tão diferente assim, e a dispensa do professor com certeza é mais rápida!
    Li há algum tempo em um artigo da Folha de SP que “A Secretaria de Estado da Educação atende a dois pedidos de demissão de professores a cada dia…” e que “60 docentes já haviam finalizado o processo de exoneração a pedido, depois de … apenas 25 letivos.”
    (http://www.agora.uol.com.br/trabalho/ult10106u891547.shtml)
    Enfim, é isto! Não pretendo abandonar de vez a profissão de ser professor, o que gosto muito de ser/fazer. Mas, como alguns colegas também tem feito, continuarei sendo professor particular (de inglês [o que já faço há uns 25 anos!] ) e ter uma clientela diferenciada, que dê valor ao aprendizado, seja pela necessidade profissional ou satisfação pessoal.
    Aos que continuam se dedicando à causa, meus votos de sucesso, perseverança e prosperidade, afinal, amamos o que fazemos!
    Abraços a todos!
    Kazuo

  29. Estou cansada…desiludida com essa profissão…
    No ano de 2010 prestei concurso para ser professor estadual e me efetivei no cargo , mas depois de ter enfrentado a realidade no ano passado e saber como é o sistema estou deixando essa profissão.A falta de respeito é imensa, o desinteresse por parte dos alunos é enorme e a situação conflitante entre querer estabelecer a ordem e o aprendizado se torna algo extremamente difícil.
    O meu salário está em torna de 1.080,00 líquidos com 20 aulas.Então pergunto ,isso é salário de quem cursou faculdade?
    Estou indignada, chateada e não vejo uma luz no final do tunel para a educação no nosso país.
    Acessando alguns sites de emprego vi que um pintor de parede com ensino fundamental incompleto pode ganhar até 2.000.00.
    Penso: O que estou fazendo nessa profissão?
    Realmente estou cansada…vou fazer qualquer coisa da vida pois ser professor é ter dom para ser Madre Tereza ou qualquer outro santo…pois a cruz é pesada demais para os meus ombros e eu não aguento… Parabéns ao siatema ele venceu…Deixo o meu cargo para prestar seviço em outro lugar e assim ser valorizada.
    agradeço pela oportunidade de desabafar!!!
    abraço

  30. Estou por um fio! A esperança de que algo vai melhorar? Já está sepultada! Tenho 6 anos na rede estadual e já não suporto mais. Minha meta é arrumar outro ganha-pão, pois não pretendo ficar a vida inteira dando murro em ponta de faca e adoecendo a té surtar. Boa sorte aos quase beatificados educadores.

  31. Antes de mais nada, boa tarde professor Declev. Realmente me identifiquei muito com sua carta.
    Nos tempos do colegial eu admirava muito meus professores, sempre transmitindo tudo o que sabiam, aquelas pessoas que eram líderes de um batalhão de alunos. Como eu também gostava de transmitir o que sabia aos outros, acabei por me decidir: vou me licenciar em matemática, e o meu sonho de um dia fazer o mesmo (ou até melhor…) do que meus mestres faziam seguia dia após dia, invejando meus colegas que já haviam conseguindo um contrato de aulas no estado. Mesmo antes de terminar a faculdade, deixei o meu emprego no estacionamento para me dedicar ao ensino. Tudo bem que eu não tinha experiência e cometi muitos erros (dentre eles, tentar ser legal demais…). Mas, meu deus, por que eu fui fazer isso? Hoje eu entendo que o desafio de se ensinar a verdadeira matemática é muito mais duro do que parece! Temos que fazer milagres para tentar ensinar as pessoas a correr sem mesmo que elas tenham aprendido a andar! Meus estágios obrigatórios do curso só corrobaram esse meu ponto de vista (em contraste com uma visão de escola ideal que se tem nas disciplinas pedagógicas).
    Hoje eu entendo o porquê de uma sutil decepção de alguns professores meus quando eu decidi seguir a carreira docente, atitude ao qual imaginava ser apenas “picuínha” deles. Resumindo: simplesmente comecei a ficar com náuseas só pelo fato de saber que teria que dar aulas amanhã, não tinha a autonomia que pensei que teria e simplesmente fiz papel de palhaço perante os alunos.
    Mas não estou aqui dizendo que minha fobia recém instalada seja totalmente culpa da sociedade, até mesmo porque reconheço que cometi erros. Todavia, aprendi o quão verdadeiro é o seguinte ditado: AS PESSOAS SÓ APRENDEM O QUE ELAS QUEREM!
    Voltei com o rabo entre as pernas para o lugar de onde nunca deveria ter saído. Hoje estou me formando e minha frustração me fez perceber que vou ter que fazer outra graduação, a saber, de análise de sistemas, onde posso aplicar boa parte do que aprendi na faculdade, afinal de contas, tenho 26 anos e ainda há tempo para mudar a minha história…
    Entretanto, parabenizo aos que se mantém firme nessa missão, afinal, hoje devo boa parte do que consegui a eles.

    Claudio Arthur…
    Professor desistente de Matemática

    • Obrigado pelo seu relato, Claudio.

      De fato, não é fácil.

      Mas vamos continuando nesta vida – apesar de eu ser um “desistente” desde o meu primeiro dia – por conta de uma série de coisas.

      Dentre elas, o gostar da educação e a vontade de fazer algo, mesmo com toda dificuldade.

      Por outro lado, a profissão de professor, no meu caso pelo menos, me traz algumas vantagens que não consigo em outras, como o salário – sim, é razoável, perto do que temos por aí – e o fato de não ser tempo integral, pois tenho duas matrículas de 16h cada – comente 12 aulas cada uma. Mais do que isso, eu não aguento.

      Por conta disso, tenho um certo tempo livre para me dedicar a outras coisas, como ao blog.

      Penso nisso todos os dias, para não chutar o balde de vez.

      Abraços,

  32. Oi Declev, tbem estou mal.
    Me formei em turismo, trabalhei 15 anos na área e desisti desta para ser professora de espanhol.
    Leciono há 2,5 anos, trabalhei em várias escolas e fui demitida da maioria delas porque não dou conta da disciplina em classe. Me sinto muito triste e acho até que estou síndrome de bornout.
    Não quero mais dar aulas. Só de pensar em entrar numa sala de aula me causa insônia, desespero, medo e vontade de vomitar e sair correndo.
    Queria encontrar outro emprego , mas ainda não consegui nada… tbem peço socorro…

    • Oi Roberta,

      Eu sei e entendo o que você está sentindo. Nem sei o que dizer. Eu continuo dentro de sala, mas agora com mais calma e achando meu ritmo. Tenho sala ambiente (de ciências), o que me facilita em muito o trabalho. Já não me estresso tanto com os alunos que não querem. Faço a minha parte, mas sei que eles têm que fazer as deles. Então, nem reprovar eu reprovo. Quem quiser aprender, tem que fazer por onde – eu oriento a aprendizagem, mas a aprendizagem é com eles. Assim, sobrevivo.

      Abraços,

  33. Declev,
    Gostaria de lembrar o seguinte, a vc e a todos que passam por aqui e que acham que podem estar com Síndrome de Burnout : aqui mesmo no blog tem um artigo, de minha autoria, falando exclusivamente dessa síndrome (eu tive que pedir aposentadoria proporcional justamente porque tive esse síndrome).
    Sou pedagoga, psicóloga, professora e arteterapeuta, com anos de estudo e de prática, inclusive trabalhando em escolas públicas de periferia. Por isso, acho que vale a pena ler este e outros artigos meus aqui no blog, onde sou uma das colunistas por ter sido convidada por vc. Tenho muito a contribuir, principalmente pra quem só consegue enxergar toda essa situação da educação pública hoje por um ângulo, justamente porque trago, em muitos momentos, outra visão.
    Lamento bastante que a maioria das pessoas que passa por aqui e deixa comentários fale sempre a mesma coisa, o que pode deixá-las cada vez pior, encarceradas nessa visão única, sem flexibilidade para ouvir/ler outros pontos de vista, igualmente importantes.
    Um abraço,
    Regina Milone.

    • Outras leituras são importantes, assim como a localização temporal de todas elas. Quando escrevi – é um “diário”, ceto? – era um momento, hoje é outro. Você saiu, assim como outros, mas eu continuo. Estou melhor com a profissão, mas um pouco “anestesiado”…

      • Desculpa, Declev, mas eu não entendi… O que vc escreveu foi pra mim???

  34. Sinceramente não entendi sua resposta, Declev.
    Só escrevi o comentário acima por causa do comentário da Roberta, que foi feito nesses dias, ao qual vc tinha acabado de responder.
    Eu quis completar a sua resposta, contribuindo com algo que conheço bem, como a Síndrome de Bournout, já que também sou psicóloga. Não coloquei em questão nada do que vc ou ela falaram. Muito pelo contrário! Tentei complementar,ajudar… Só isso! Acho normal que cada um de nós, colunistas aqui do blog, divulguemos os artigos uns dos outros, especialmente quando alguém deixa um comentário a respeito de algo que já abordamos aqui. Foi só isso.
    E não trabalho mais em escolas, mas trabalhei anos. E parei há pouco tempo, na verdade, já que nenhuma mudança significativa aconteceu de lá pra cá, na Educação Pública.
    E não parei porque quis parar e sim porque fiquei doente!!! Não consegui continuar. Sofri pra caramba. Não foi nada fácil parar, assim como não era nada fácil estar lá, em meio a todos os tipos de violência imagináveis!
    Enfim…
    Que bom que vc encontrou uma forma de exercer sua profissão hoje, sem o mesmo desgaste de antes. Espero ter contribuído ao menos um pouquinho nisso.
    Quanto a estar meio anestesiado, se essa tem sido a forma que vc descobriu pra se estressar menos, então pode estar sendo bom pra vc, né?! Torço sempre e muito por vc!
    Grande abraço, meu amigo.

    • Oi Regina,

      Escrevi rápido e pouco. Não tem nada a ver com sua resposta no sentido que você está falando, não.

      Faz bem em fazer comentários indicando outros posts, isso é ótimo.

      Só quis dizer que, como é um blog – e como já tem muitos anos – muitas das coisas que escrevemos nem sempre refletem o que sentimos no momento.

      Não fiz uma crítica ao dizer que você saiu da escola, foi a constatação de um fato, no sentido de que cada um lida com este problema (bournot ou seja lá o que for em relação a esta profissão) de uma maneira. Muitos saem, outros ficam como podem… no meu caso, “anestesiado”.

      Na verdade, sinto até uma ponta de inveja de você por ter conseguido sair… rs…

    • Regina, tb desisti. É uma dor horrível desistir, estou sofrendo bastante. É um luto. Há dias que me sinto aliviada, em outros sinto saudades, porque sou uma apaixonada por educação. Estou cursando psicologia e me especializando em yogaterapia. Vai ver é uma forma de sublimar a dor. Curar o outro enquanto minhas feridas vão cicatrizando.

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