Texto com reflexões de um educador: a culpa é do professor?

Mais uma vez abro espaço para um colega.

Recebi este texto de Geraldo Ramos, professor.

Texto de um educador que tenta desmascarar um dos discursos dominantes da educação brasileira: a culpa é do professor.

Aqui, não preciso dizer mais nada, mas desdobraremos opiniões em outras ocasiões.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira

“A novela da qual fazemos parte

A situação caótica da educação brasileira tem raízes diversas e complexas. Quero, porém, abordar uma questão que poucas pessoas dispensam atenção – o discurso pedagógico. Nos últimos anos, os professores foram doutrinados a pensar que são inteiramente responsáveis pela educação (seja o sucesso, seja o fracasso), como se a relação professor-aluno fosse o único elemento a se considerar neste processo. As produções acadêmicas de psicólogos, pedagogos e psicopedagogos são unânimes em apontar o culpado pela decadência do ensino no país – o magistério. Claro que não dizem isso diretamente, mas é indiscutível que esta ideia está implícita em suas teorias.

A minha intenção é não cair no lugar comum e dizer que o sistema está falido devido à má formação e atualização dos professores, da desvalorização moral, social e econômica dos docentes, da falta de infra-estrutura da maioria das escolas do país, enfim, isso todos já sabem, não se discute.

O que estou propondo é ampliar este debate. Deste modo, vou citar um estudioso do assunto, Júlio Groppa, adorado por todos aqueles que compartilham o prazer de falar mal do magistério, sobretudo público. Trata-se de uma análise rápida, apenas com a intenção de ilustrar o que pretendo repudiar.

O senhor Júlio Groppa foi escolhido pela secretaria de educação da cidade onde leciono para apresentar uma palestra intitulada “A indisciplina na sala de aula”. Na ocasião, deixou os docentes revoltados com sua arrogância e colocou toda a culpa da desobediência dos alunos nas costas do professorado. Se levarmos em consideração que as palestras deste profissional são muito requisitadas pelas secretarias de educação pelo Brasil afora, trata-se de afirmar que é um discurso comprado (ou assumido) pelo Estado.

Em uma de suas entrevistas, o “professor” Júlio Groppa afirma que a questão da violência na escola é tratada com alarde pela imprensa e pelos professores. A situação é bem menos grave do que parece. Quando questionado sobre a posição dos docentes em falar que o problema está na (falta de) educação familiar do aluno, o referido autor é categórico ao dizer que o professor deveria “se silenciar” ao abordar questões que estão fora da sua alçada. Sem comentários!

Em outra ocasião, num artigo intitulado “da palavra e o professor: notas sobre pregar, narrar e democratizar”, o senhor Júlio Groppa busca no século XVII um texto referencial para defender suas teses. Trata-se de um sermão do Padre Antônio Vieira discorrendo sobre o fracasso das pregações do seu tempo. Desprovido de qualquer análise do contexto histórico de Vieira, o “educador” Júlio Groppa faz suas as conclusões do padre: o fracasso é culpa do pregador.

O estudioso da USP não está sozinho. Faz um bom tempo que as faculdades de pedagogia não fazem outra coisa senão culpabilizar os professores pelo insucesso da aprendizagem dos seus alunos. Poderia aqui citar outros inúmeros profissionais renomados que compartilham este pensamento.

Muitos educadores adoram trazer experiências bem sucedidas na Europa e adaptá-las ao Brasil. Claro que eles se esquecem que lá a educação é levada a sério. Os professores recebem um salário compatível com sua importância social. Pratica-se a verdadeira democratização do ensino, ou seja, a educação pública é freqüentada por todos. Desta forma, toda a sociedade realmente se preocupa com a qualidade de suas escolas. No Brasil, quem tem dinheiro simplesmente manda o filho para uma escola particular. Resolve-se, assim, o problema, bem ao jeitinho passivo do brasileiro!

Entretanto, quando penso na Europa como referencial educacional prefiro seguir uma prática bastante comum na maior parte deste continente: a distribuição de papéis. As leis educacionais costumam definir a seguinte estrutura: ao Estado cabe disponibilizar toda a estrutura para que as escolas possam funcionar; ao professor cabe a obrigação de ensinar, sendo apoiado pelo Estado neste papel; ao aluno cabe a obrigação de aprender, sendo apoiado pela família neste papel. Mais simples do que isso é impossível.

Sabe-se que as certezas e verdades são tão efêmeras quanto duvidosas. Porém, há muitos anos que o Brasil resolveu adotar um pensamento como dogma – a noção de ensino-aprendizagem. Assim como numa Inquisição, cometer a heresia de contestar esta verdade é passível de condenação, menos mal que hoje em dia dispensamos as fogueiras, embora mantenhamos os expurgos.

É preciso abrir um parêntese. Não estou colocando em discussão inúmeros estudos sérios demonstrando a relação estreita entre a forma de ensino e o tipo de aprendizado. Apenas chamo a atenção para os desdobramentos que isto acabou provocando no pensamento pedagógico, sobretudo brasileiro. Utilizando a lógica do dogma em questão, deduzimos que só há ensino se houver aprendizagem, ou seja, se o aluno não aprendeu é porque quem ensinou – o professor – falhou. Que engraçado, acho que já falamos disso lá em cima.

O discurso que aqui entendemos ser dominante na educação brasileira acabou por trazer uma triste consequência para o trabalho do professor. Diante da realidade (alunos semi-analfabetos chegando ao Ensino Médio), muitos colegas sucumbem e apesar de saber que seu aluno não tem condições de seguir adiante não querem conviver com o rótulo de fracassado. No final do ano, arruma-se sempre um “jeitinho” para que o “aproveitamento” seja “satisfatório”. Alimenta-se, desta forma, um circulo vicioso. Mas este mesmo discurso, bancado pelo Estado (viva Júlio Groppa!), está ajudando o Brasil a melhorar os seus números (viva Maquiavel!). Que coisa linda ver aquela mulher do comercial subindo as escadas do desenvolvimento na educação do país! O Ideb só melhora! Escolas e prefeituras pulam de alegria quando veem seus cofres mais cheios por cumprirem a meta do Ideb. O contraditório é que isso tudo contrasta com aquilo que os professores percebem no dia a dia do seu trabalho: a cada ano que passa o “nível” fica pior. Qual é o segredo?

Se você pensar um pouco mais, com calma, vai perceber o quanto de podre se encontra a educação brasileira. O país quer mostrar para o mundo que investe na educação, para isso precisa melhorar os índices de escolaridade. Uma das primeiras iniciativas foi a tão conhecida universalização da educação, garantindo a todas as crianças o acesso à escola. Para garantir lugar para toda esta demanda, era comum os governantes criarem escolas, assunto corriqueiro nas campanhas políticas. Com o passar do tempo, achou-se que não precisava de mais unidades, afinal, seguindo a linha do “coração de mãe”, quem dá aula pra 20 pode muito bem se virar com 40. E, afinal de contas, como já testemunhei uma educadora dizer, “não há nenhuma pesquisa comprovando que numa turma menor há melhor aprendizado”.

Outra iniciativa, esta mais recente, foi incluir a antiga Classe de Alfabetização no Ensino Fundamental, uma manobra simples que aumentava em 1 ano a escolaridade do brasileiro.

Paralelamente, buscou-se uma forma de quantificar a qualidade da educação. Encontrou-se uma fórmula mágica. O Ideb faz uma média entre a nota da Prova Brasil, os índices de evasão e de repetência. E não é de se estranhar que o peso dos números da repetência é maior do que o da avaliação nacional.

Agora é só fazer a brincadeira do siga os pontinhos: o Brasil quer que o Ideb do país melhore e para isso fornece gratificações para os estados e municípios que obtenha tal feito. Os estados e municípios querem receber mais dinheiro e por isso premiam as escolas que conseguem melhorar seu desempenho. Junta-se agora a fome com a vontade de comer. Temos um professor encurralado por dois lados: por um, a equipe pedagógica dizendo que quanto mais ele aprovar, mais competente ele é; de outro, uma secretária de educação ou o diretor de escola (loucos por mais verba) dizendo que quanto menos ele reprovar, menos chance de algo acontecer com ele (leia-se demissão, para os contratados; perseguições; transferências de escola; desvios de função, etc.). Ingredientes perfeitos para explicar uma das facetas da falência da educação no país.

Mas quando se culpa o professor pelo fracasso escolar do aluno, há de se debater outros pontos. Quando falamos em educação, somos obrigados a falar em quatro atores: Estado, professor, aluno e família. Toda vez que alguém restringe esta tarefa à relação professor-aluno incorre num erro grave.

Há pouco tempo li um texto de um colega professor, Declev Dib-Ferreira, que aborda, entre outras coisas, esta discussão. O autor dizia que recebemos, salvo algumas exceções, um aluno extremamente carente. Primeiro é o Estado, que desde os seus primórdios dias quase sempre não cumpre com que prometeu. Coisas “pequenas” como o que a constituição do país ordena: saneamento básico, saúde, segurança, habitação etc. Com isso, temos a criança e sua família desprovida de elementos básicos para se viver dignamente. E por falar em família, além de sofrer toda a falta do Estado, o aluno, antes de chegar até você, professor, ainda passa pela experiência de ser criado em ambientes tão desestruturados como os lares atuais. Poderia aqui falar da ausência de limites imposta às crianças, da falta de exemplos, da violência doméstica etc. Mas assim estaria desobedecendo às ordens do mestre Groppa.

Tudo isso foi pra dizer que quando recebemos um aluno em sala de aula, ele já se encontra afetado por inúmeros traumas que vão, indiscutivelmente, afetar seu desempenho educacional. No entanto, os mesmos atores (Estado e família) que malograram no seu papel, transferem para os docentes a culpa que deviam repartir.

Como os antigos hereges, não busco criar uma doutrina nova. É exatamente por acreditar na capacidade transformadora da educação que afirmo: somente avançaremos quando os quatro atores admitirem suas limitações e suas falhas. Enquanto a novela da qual fazemos parte continuar a colocar o professor como vilão, continuaremos a ver a mesma história, ano após ano.

Geraldo Ramos

Professor”

Sobre Declev Dib-Ferreira

Declev Reynier Dib-Ferreira é professor, biólogo, educador ambiental, especialista em EA pela UERJ, mestre em Ciência Ambiental pela UFF, doutor em Ciências pela UERJ.

14 comentários

  1. Declev!
    Quanto tempo…Estou com saudades!
    Olha Estou aqui para te convidar à participar da Conferência que vai rolar na minha escola, no dia do meio ambiente!
    Teremos muitas atividades ( como caminhada pelo meio ambiente, apresentação de trabalhos feitos pelos alunos, como Jornal, cartazes, Rádio,palestras…entre muitas outras que depois te conto ou mando por e-mail!)
    Venha participar conosco será um prazer!
    Qualquer coisa entre em contato comigo…

    OBS: Seu site, arrebentando cada vez mais heimm ! rs

    Beijosss

  2. SONIA MARIA LOPES DISSENHA

    Professor Geraldo, parabéns. Esse artigo é simplismente sensacional. Neste momento estou me sentindo leve, é tudo o que eu penso sobre a real situação da educação brasileira. E foi exposto pelo senhor de uma maneira bem clara. Mas, aqui no nosso país é assim: os mais fracos pagam sempre a conta…

  3. Questões em Aberto
    Uma discussão filosófica da pedagogia atual
    Vamos iniciar colocando uma visão, simples a meu ver, de como poderíamos trabalhar, caso as instituições públicas realmente desejassem ver as nossas leis sendo cumpridas de fato. Então coletemos boas idéias!
    “Educação é muito mais do que transmitir conhecimento e habilidades por meio dos quais se atingem objetivos limitados. É também abrir os olhos das crianças para as necessidades e direitos dos outros. Precisamos mostrar às crianças que suas ações têm uma dimensão universal. E precisamos encontrar uma forma de estimular seus sentimentos naturais de empatia para que venham a ter uma noção de responsabilidade afetiva em relação aos outros. Pois é isso que nos motiva a agir. Se tivéssemos de escolher entre conhecimento e virtude, a última seria sem dúvida a melhor escolha, pois é mais valiosa. O bom coração que é fruto da virtude é por si só um grande benefício para a humanidade. O mero conhecimento, não.” Dalai-Lama – O Caminho da Tranqüilidade – paginas 46 / 47.

    Tendo isso em mente podemos apreciar o que nosso próximo “pensador” coloca como uma visão do futuro!

    Howard Gardner
    Inteligências Múltiplas – A Teoria na Prática

    … “O planejamento de minha escola ideal do futuro baseia-se em duas suposições. A primeira delas é a de que nem todas as pessoas os mesmos interesses e habilidades; nem todos aprendem da mesma maneira. (E agora nós temos os instrumentos para começar a tratar dessas diferenças individuais na escola.) A segunda suposição é uma que nos faz mal: é a suposição de que, atualmente, ninguém pode aprender tudo o que há para ser aprendido. Todos nós gostaríamos, como os homens e mulheres da Renascença, de saber tudo, ou pelo menos de acreditar no potencial de saber tudo, mas esse ideal claramente já não é mais possível. Conseqüentemente, a escolha é inevitável, e uma das coisas que gostaria de defender é que as escolhas que fazemos para nós mesmos, e para as pessoas que estão sob nossa responsabilidade, deveriam pelo menos ser escolhas informadas. Uma escola centrada no indivíduo seria rica na avaliação das capacidades e tendências individuais. Ela procuraria adequar os indivíduos não apenas a áreas curriculares, mas também a maneiras de ensinar esses assuntos. E depois dos primeiros anos, a escola também procuraria adequar os indivíduos aos vários tipos de vida e de opções de trabalho existentes em sua cultura.
    Eu gostaria de propor um novo conjunto de papeis para os educadores, que poderia transformar esta visão em realidade. Em primeiro lugar, nós poderíamos ter o que chamarei de “especialistas em avaliação”. A tarefa dessas pessoas seria a de tentar compreender, tão sensível e completamente quanto possível, as capacidades e interesses dos alunos de uma escola. Entretanto, seria muito importante que os especialistas em avaliação utilizassem instrumentos “justos para com a inteligência”. Queremos ser capazes de observer, específica e claramente, capacidades espaciais, capacidades pessoais e assim por diante, e não através das lentes das inteligências lingüística e lógico-matemática. Até o momento, quase toda a avaliação dependia indiretamente da medida dessas capacidades; se os alunos não são bons nessas áreas, suas capacidades em outras áreas podem ficar obscurecidas. Quando começarmos a tentar avaliar outros tipos de inteligência diretamente, estou certo de que determinados alunos revelarão forças em áreas bastante diferentes, e a noção de inteligência geral irá desaparecer ou atenuar-se imensamente.
    Além do especialista em avaliação, a escola do futuro poderia ter o “agente do currículo para o aluno”. Sua tarefa seria de ajudar a combinar os perfis, objetivos e interesses dos alunos a determinados currículos e determinados estilos de aprendizagem. Incidentalmente, penso que as novas tecnologias interativas são consideravelmente promissoras nesta área: no futuro, provavelmente será muito mais fácil para esses “agentes” combinarem cada aluno com o modo de aprendizagem mais confortável para ele.
    Eu penso que também deveria haver um “agente da escola-comunidade”, que adequaria os alunos a oportunidades de aprendizagem na comunidade mais ampla. A tarefa dessa pessoa seria a de encontrar situações na comunidade, determinadas opções não disponíveis na escola, para as crianças que apresentam perfis cognitivos incomuns. Eu tenho em mente aprendizados, atividades acompanhadas por um mentor e estágios supervisionados em organizações, “irmãos mais velhos”, “irmãs mais velhas” – indivíduos e organizações com os quais esses alunos poderiam trabalhar para assegurar uma sensibilidade em relação a diferentes tipos de papéis profissionais e de passa-tempos na sociedade. Não me preocupo com aquelas ocasionais crianças que são boas em tudo. Elas vão se sair muito bem. Eu me preocupo com aquelas que não brilham nos testes padronizados, e que, conseqüentemente, tendem a ser consideradas como não tendo nenhum tipo de talento. Parece-me que o agente da escola-comunidade poderia identificar essas crianças e encontrar colocações na comunidade que lhes dariam uma chance de brilhar.
    Existe um espaço imenso nesta visão para os professores, igualmente, e também para os professores-mestres. Em minha opinião, os professores seriam liberados para fazer aquilo que devem fazer: que é ensinar o assunto da sua matéria, em seu estilo de ensino preferido. A tarefa do professor-mestre seria bastante exigente. Envolveria, antes de tudo, supervisionar e orientar os professores inexperientes; mas o professor-mestre também procuraria assegurar que a complexa equação aluno + avaliação + currículo + comunidade estivesse adequadamente equilibrada. Se a equação estivesse seriamente desequilibrada, os professores-mestres interfeririam e sugeririam maneiras de melhorar as coisas.
    Certamente, o que estou descrevendo é uma tarefa difícil; poderia inclusive se chamado de utópico. E existe um grande risco nesse programa, do qual estou bem consciente. É o risco da destinação prematura – de dizer: “Bem, Jonny está com quatro anos de idade, ele parece ser musical, então vamos mandá-lo para Juilliard e suspender todas as outras coisas.” Entretanto, nada existe de inerente nesta abordagem descrita por mim que exija esta supra determinação precoce – muito pelo contrário. Parece-me que a identificação precoce das forças pode ser muito útil para indicar os tipos de experiências das quais as crianças poderiam se beneficiar; mas a identificação precoce das fraquezas pode ser igualmente importante. Se uma fraqueza é identificada precocemente, existe a chance de cuidarmos disso antes que seja tarde demais, e de planejarmos maneiras alternativas de ensino ou de compensarmos uma área importante de capacidade.
    Nós agora temos os recursos tecnológicos e humanos para implementar essa escola centrada no indivíduo. Consegui-la é uma questão de vontade, incluindo a vontade de resistir às enormes pressões atuais para a uniformidade e para as avaliações unidimensionais. Existem fortes pressões atualmente, sobre as quais você pode ler todos os dias nos jornais, para comparar os alunos, para comparar os professores, até mesmo países inteiros, utilizando-se uma dimensão ou critério, uma espécie de avaliação de QI-universal. Evidentemente, tudo o que eu descrevi hoje se opõe diretamente a essa determinada visão de mundo. Na verdade, a minha intenção é esta – acusar formalmente esse pensamento de via única.
    Eu acredito que temos três preconceitos em nossa sociedade, que apelidei de “Ocidentalista”, “Testista” e “Melhorista”. O “Ocidentalista” significa colocar certos valores culturais ocidentais, que remontam a Sócrates, num pedestal. O pensamento lógico, por exemplo, é importante; a racionalidade é importante; mas eles não constituem as únicas virtudes. O “Testista” sugere um preconceito no sentido de focar aquelas capacidades ou abordagens humanas que são prontamente testáveis. Se ela não pode ser testada, ás vezes parece, não vale a pena prestar atenção a ela. O meu sentimento é o que a avaliação pode ser muito mais ampla, muito mais humana do que é atualmente, que os psicólogos deveriam passar menos tempo classificando as pessoas e mais tempo tentando ajudá-las.
    O “Melhorista” é uma referência não muito velada ao livro de David Halbertam, intitulado “The best and the Brightest”. Halbertam referiu-se ironicamente a algumas figuras, tais como membros da Universidade de Harvard que foram trazidos a Washington para ajudar o presidente Johm F. Kennedy e no processo lançaram a guerra do Vietnã. Em minha opinião, qualquer crença de que todas as respostas para um dado problema estão numa determinada abordagem, tal como o pensamento lógico-matemático, pode ser muito perigosa. As atuais visões do intelecto precisam ser impregnadas com outros pontos de vista mais abramgentes.
    É da máxima importância reconhecer e estimular todas as variadas inteligências humanas e todas combinações de inteligências. Nós todos somos tão diferentes em grande parte porque possuímos diferentes combinações de inteligências. Se reconhecermos isso, penso que teremos pelo menos uma chance melhor de lidar adequadamente com os muitos problemas que enfrentamos neste mundo. Se pudermos mobilizar o espectro das capacidades humanas, as pessoas não apenas se sentirão melhores em relação a si mesmas e mais competentes; é possível, inclusive, que elas também se sintam mais comprometidas e mais capazes de reunir-se ao restante da comunidade mundial para trabalhar pelo bem comum. Se pudermos mobilizar toda a gama das inteligências humanas a aliá-las a um sentido ético, talvez possamos ajudar a aumentar a probabilidade da nossa sobrevivência neste planeta e talvez inclusive contribuir para a nossa prosperidade.” – paginas 16 à 18.

    Também podemos apreciar filosoficamente o que temos visto nesses milênios em nosso planeta. Vejamos com olhar crítico o texto:

    J. J. Benitez
    A Rebelião de Lúcifer

    … “Se tivessem contado com um príncipe planetário honesto e com uns Filhos Materiais firmes, as raças humanas do teu mundo, como todas as do espaço e do tempo, teriam conhecido os seguintes estágios:
    “A Era da Nutrição”: nessas épocas, as criaturas pré-humanas e as raças iniciais de um planeta vivem principalmente para a sua alimentação e sobrevivência física. A busca de comida é o seu horizonte único e básico.
    “A Era da Segurança”: tão logo os caçadores primitivos disponham de alimentação abundante, todo o seu tempo se destinará a reforçar sua segurança e a do seu clã. Nascem assim novas técnicas guerreiras e de construção de vivendas.
    “A Era da Comodidade e dos Prazeres”: depois de ter resolvido seus problemas de alimentação e segurança, os homens caem no luxo e na esfera dos prazeres. São épocas que se caracterizam pela tirania em todos os níveis, pela intolerância, gula, embriaguez e o que hoje chamais “consumismo desenfreado”.
    “A Era da Busca da Sabedoria e do Conhecimento”: a alimentação, a segurança, o prazer e o ócio são as bases que permitem o desenvolvimento da cultura e da inteligência. O esforço para pôr em prática os conhecimentos desemboca na sabedoria. A obsessão pelo bem-estar material domina ainda essa civilização, mas muitos dos seus indivíduos visam já outro horizonte: o do conhecimento. Em geral, a educação e a cultura é o grande triunfo dessa Era.
    “A Era da Filosofia e da Fraternidade”: quando os mortais aprendem a pensarem por si mesmos e a tirar proveito da experiência, surge a Filosofia. A sociedade então se faz ética e seus homens, morais. E somente esses seres sábios e realmente morais estão capacitados para estabelecer uma autêntica irmandade humana.
    “A Era do Esforço Espiritual”: quando os mortais evoluem e passam pelos estágios de desenvolvimento físico, intelectual e social, cedo ou tarde alcançam os níveis de clarividência que os leva, irremissivelmente, à busca de satisfações espirituais e à compreensão das verdades cósmicas. As religiões conseguem elevar-se acima das motivações do medo e da superstição, até à verdadeira sabedoria da experiência pessoal. Os humanos desta Era conhecem, por vez primeira, a plenitude da palavra “Deus”.
    “A Era da Luz e da Vida”: é o florescimento das idades sucessivas da segurança física, da expansão intelectual e espiritual. Os desejos e objetivos humanos se fundem, então, com os de outros seres celestes. É a época final, época em que não existem fronteiras. O intercâmbio com outras civilizações é total. Nesses tempos, os príncipes planetários dos mundos “ancorados na luz” ascendem à posição de soberanos planetários.
    Não era preciso ser muito sagaz para deduzir que a Terra não superara ainda a terceira dessas eras: a da Segurança. E mais: em algumas regiões do globo, os humanos se debatem ainda na primeira e na segunda. E, embora não seja menos certo que no planeta se “pressinta” uma mudança – um “salto” talvez para essa outra Era da Busca do Conhecimento – a verdade é que o caminho a percorrer é ainda imenso.” – paginas 302 / 303.

    “Desde os primeiros dias do desenvolvimento da criança, suas atividades adquirem um significado próprio num sistema de comportamento social, e sendo dirigidas a objetivos definidos, são refratadas através do prisma do ambiente da criança. O caminho do objeto até a criança e desta até o objeto passa através de outra pessoa. Essa estrutura humana complexa é o produto de um processo de desenvolvimento profundamente enraizado nas ligações entre história individual e história social.” VYGOTSKY.

    Como podemos pensar em instituir “saberes” voltados para a construção de uma prática pedagógica com o dito “material humano”? Será que Howard Gardner é apenas um gerador de pensamentos utópicos? Realmente desejamos a “sabedoria”? Podemos pensar em resolver nossos problemas sem pensar em modificar nossas práticas, sem cobrar responsabilidades daqueles que detêm o poder de solucionar as questões? Será que as esferas governamentais não estão deixando muito a desejar, colocando múltiplas funções nas mãos de um único ator – o professor – prejudicando assim o processo de ensino-aprendizagem, conseqüentemente fazendo-o passar por incompetente? Será que devemos apenas nos tratar com os médicos de clínica geral, deixando de lado todos aqueles médicos que detêm um conhecimento mais especifico, entregando as cirurgias de qualquer escopo a um que só conhece as generalidades? Será que os senhores realmente agiriam assim quando suas vidas estivessem em risco?
    Poderia ficar horas aqui escrevendo sobre as indagações que me acossam no dia-a-dia em sala de aula… Pensem na família, no convívio social, na segurança pública, no entretenimento oferecido aos nossos jovens… Pensem em quantas questões poderíamos suscitar durante o processo! A Lei é clara… Que se cumpra.

    Bases Legais

    ? CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988
    CAPÍTULO II – DOS DIREITOS SOCIAIS
    Art. 6º. São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.

    ? CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
    Promulgada a 5 de outubro de 1989
    CONSOLIDADA
    TÍTULO VIII – DA ORDEM SOCIAL

    Capítulo III
    DA EDUCAÇÃO, DA CULTURA E DO DESPORTO

    Seção I
    DA EDUCAÇÃO (arts. 306 a 321)

    Art. 306 – A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visa ao pleno desenvolvimento da pessoa e a formação do cidadão; o aprimoramento da democracia e dos direitos humanos; a eliminação de todas as formas de racismo e de discriminação; o respeito dos valores e do primado do trabalho; à afirmação do pluralismo cultural; a convivência solidária a serviço de uma sociedade justa, fraterna, livre e soberana.
    Art. 307 – O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:
    I – igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
    II – liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber, vedada qualquer discriminação;
    III – pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;
    IV – ensino público, gratuito para todos…
    V – valorização dos profissionais do ensino, garantidos, na forma da lei, planos de carreira para o magistério público;
    VI – gestão democrática do ensino público, na forma da lei, atendendo as seguintes diretrizes:
    a) participação da sociedade na formulação da política educacional e no acompanhamento de sua execução;
    b) criação de mecanismos para prestação de contas à sociedade da utilização dos recursos destinados à educação;
    c) participação de estudantes, professores, pais e funcionários, através de funcionamento de conselhos comunitários em todas as unidades escolares, com o objetivo de acompanhar o nível pedagógico da escola, segundo normas dos Conselhos Estadual e Municipal de Educação.
    VII – garantia de padrão de qualidade;
    VIII – educação não diferenciada entre sexos, seja no comportamento pedagógico ou no conteúdo do material didático;
    IX – regionalização, inclusive para o ensino profissionalizante, segundo características sócio-econômicas e culturais, respeitado o estabelecido no artigo 317, desta Constituição.
    Art. 308 – O dever do Estado e dos Municípios com a educação será efetivado mediante garantia de:
    IV – atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência e ensino profissionalizante na rede regular de ensino, quando necessário, por professores de educação especial;
    V – atendimento especializado, aos alunos superdotados, a ser implantado por legislação específica;
    X – liberdade de organização dos alunos, professores, funcionários e pais de alunos, sendo facultada a utilização das instalações do estabelecimento de ensino para as atividades das associações;
    * XII – eleições diretas, na forma da lei, para direção das instituições de ensino mantidas pelo Poder Público, com a participação da comunidade escolar;
    * Lei nº 2518, de 16 de janeiro de 1996, que regulamenta o inciso XII do artigo 308 da Constituição do Estado do Rio de Janeiro que estabelece eleições diretas para as direções das instituições de ensino mantidas pelo poder público com a participação da comunidade escolar.
    XIII – assistência à saúde no que respeita ao tratamento médico-odontológico e atendimento aos portadores de problemas psicológicos ou destes decorrentes.
    Art. 313 – O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental.
    *Art. 314 – O Estado aplicará, anualmente, nunca menos de 35% (trinta e cinco por cento) da receita de impostos, compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino público, incluídos os percentuais referentes à UERJ (6%) e à FAPERJ (2%).
    * * § 2º – A distribuição dos recursos públicos assegurará prioridade ao ensino obrigatório, nos termos dos planos nacional e estadual de educação, e garantirá um percentual mínimo de 10% (dez por cento) para a educação especial.
    Art. 316 – O Estado e os Municípios, na elaboração de seus planos de educação, considerarão o Plano Nacional de Educação de duração plurianual, visando a articulação e ao desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis, e a integração das ações do Poder Público, que conduzam a:
    I – erradicação do analfabetismo;
    II – universalização do atendimento escolar;
    III – melhoria da qualidade de ensino;
    IV – formação para o trabalho;
    V – promoção humanística, científica e tecnológica do País.
    Art. 317 – Serão fixados conteúdos mínimos para o ensino de 1º e 2º graus, em complementação regional àqueles a serem fixados pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de modo a assegurar formação básica comum e respeito aos valores culturais e artísticos nacionais e latino-americanos.
    Art. 320 – Proverá o Estado a sua rede de ensino de condições plenas de abrigar tantos quantos busquem matrículas nas séries de 1º grau, na faixa etária dos sete aos quatorze anos, sendo proibida a sua negativa.
    § 2º – Na rede estadual de ensino, nas escolas de 2º segmento do 1º grau, far-se-á obrigatória a inclusão de atividades de iniciação e prática profissionais, objetivando promover o respeito dos valores e do primado do trabalho, tendo em vista as características sócio-econômicas e culturais regionais, e a carga curricular oficial.
    Seção II
    DA CULTURA (arts. 322 a 324)

    Art. 322 – O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e o acesso às fontes da cultura nacional, estadual e municipal, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais, através de:
    IV – estímulo à instalação de bibliotecas nas sedes dos Municípios e Distritos, assim como atenção especial à aquisição de bibliotecas, obras de arte e outros bens particulares de valor cultural;

    ? REGULAMENTO ESCOLAR
    GOVERNO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
    SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO
    MINUTA

    CAPÍTULO II
    DOS PRINCÍPIOS, FINALIDADES E OBJETIVOS

    Art. 3º – A educação escolar visa ao pleno desenvolvimento das potencialidades do indivíduo, à formação necessária ao exercício da cidadania e à preparação básica para o trabalho.

    Art. 4º – III – Ensino Médio

    a) dar condições de acesso ao conhecimento sistemático e universal, bem como dos fundamentos científico-tecnológico dos processos produtivos, relacionando a teoria com a prática nas áreas curriculares;
    b) estimular o aprimoramento pessoal e social do aluno, com ênfase na formação ética e no desenvolvimento da autonomia;
    c) garantir a preparação básica do aluno para o trabalho e o exercício da cidadania;
    d) estimular o desenvolvimento da atitude crítico-reflexiva, do espírito de investigação, da criatividade e da solidariedade;
    e) propiciar a compreensão e a utilização dos conhecimentos das áreas de Linguagens, Códigos e suas tecnologias, Ciências da Natureza, Matemática e suas tecnologias e Ciências Humanas e suas tecnologias, possibilitando o prosseguimento de estudos.

    TÍTULO II – CAPÍTULO I – DA ESTRUTURA BÁSICA

    Art. 7º – A direção da unidade escolar da Rede Pública Estadual de Ensino é exercida por uma equipe de direção, eleita, designada por ato do Secretário de Estado de Educação publicado no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro.

    Art. 8º – Ao Diretor da unidade escolar da Rede Pública Estadual de Ensino compete:
    VI. estimular e apoiar o aperfeiçoamento profissional e a atualização continuada dos servidores sob sua direção;
    XII. zelar pelo cumprimento do plano de trabalho de cada docente;

    SEÇÃO II – DA EQUIPE DE ASSESSORAMENTO PEDAGÓGICO

    Art. 10 – A equipe de assessoramento pedagógico é constituída de:

    I. Professor Orientador;
    Art. 11 – Cabe ao Professor Orientador:
    V. estar atento às relações entre o corpo docente, discente e administrativo, assim como às relações entre a escola e a comunidade e, se preciso for, apresentar sugestões para melhorá-las;
    VI. participar do Conselho de Classe, agilizando estratégias mais eficazes propostas pelo Conselho, objetivando a melhoria do processo educacional.

    II. Coordenador Pedagógico;
    Art. 12 – Cabe ao Coordenador Pedagógico:
    III. participar, junto com a comunidade escolar, da elaboração e da avaliação do Projeto Pedagógico da unidade escolar;
    IV. propor e executar ações junto ao corpo docente que possam garantir a execução do Projeto Pedagógico da unidade escolar;
    VI. promover a integração e a articulação entre os professores, buscando a consecução de um currículo interdisciplinar;
    VII. participar das reuniões do Conselho de Classe, propondo alternativas para a melhoria do processo educacional;
    VIII. colaborar com o planejamento e replanejamento dos professores, oferecendo subsídios para um trabalho pedagógico mais dinâmico e significativo;
    X. atuar em conjunto com o Orientador Educacional, cuidando das relações entre o corpo docente, o discente e o administrativo, assim como com a comunidade.

    III. Orientador Educacional.
    Art. 13 – Cabe ao Orientador Educacional:
    III. participar junto com a comunidade escolar da elaboração e avaliação do Projeto Pedagógico da unidade escolar;
    IV. promover a integração e a articulação entre todos os segmentos que compõem a comunidade escolar: direção, equipe técnica de assessoramento, professores, alunos, funcionários e famílias, visando à construção de um espaço educativo colaborador, ético e solidário;
    VI. promover entre os alunos atividades de discussão e informação sobre o mundo do trabalho;
    VII. participar das reuniões do Conselho de Classe, oferecendo subsídios para uma melhor avaliação do processo educacional;
    IX. oferecer ao corpo docente e aos funcionários orientações e subsídios a respeito do desenvolvimento do ser humano em sociedade, visando à criação, em cada um dos espaços escolares, de um ambiente sócio-educativo.

    SEÇÃO IV – DO HORÁRIO INTEGRAL

    Art. 17 – Ao professor de estudo dirigido compete:
    Art. 18 – Ao professor de vídeo-educação compete:
    Art. 19 – Ao professor de educação física, ou professor recreador, compete construir uma proposta de planejamento integrado, visando garantir aos alunos a aquisição de habilidades motoras para o esporte, participação e performance.
    Art. 20 – Ao professor de educação Artística, preferencialmente, ou professor com capacidade compatível compete desenvolver a identidade do aluno, através de oficinas de música, artes cênicas e artes plásticas que despertem e incentivem as diversas manifestações culturais locais e individuais, trabalhando percepção, cor, forma, movimento e espaço.
    Art. 21 – Ao Professor da Sala de Leitura compete incentivar e provocar situações adequadas de aprendizagem da leitura e da escrita, despertando a curiosidade do aluno quanto ao mundo que o cerca, de modo lúdico e criativo.
    Art. 24 – O Animador Cultural constitui o elo integrador entre a escola e a cultura local, possibilitando a articulação entre cultura e educação.

    Fica claro que não é nenhum problema utópico que impede a formação adequada de nossos discentes. Se o poder público cumprir a Lei em sua totalidade todos os projetos éticos e filosóficos serão totalmente exeqüíveis. As pessoas para cumprir as várias funções descritas por Howard Gardner já estão previstas em Lei, basta realmente tornarmos efetiva essa realidade. Como sempre estaremos encarando a tal “vontade política”. Enfrentando o infortúnio dos gestores que querem “mostrar serviço” visando o prestígio pessoal ou simplesmente se mantendo em funções de maior remuneração visando ganho pessoal, isto à custa do bem estar social.
    Como ocorreu uma vez com a nossa heroína dos quadrinhos do grande Henfil, a “Graúna”, ao interpelar as “almas do outro mundo”: –- Escuta aqui almas do outro mundo, observem só minha cara de indignação – após várias tentativas de esboçar a expressão facial correta –- Como é que é se indignar mesmo, gente? Alguém lembra? – com um olhar constrangido desabafa – Eta nós hein?

    Então vamos pensar em fornecer recursos àqueles que querem caminhar pelas próprias pernas – Aprender a aprender. A questão é: como estudar? Se meus alunos, após nossos enfrentamentos, tiverem condições de não mais necessitar de minha assistência, já estarei dando por realizada minhas competências. Podemos desejar mais dentro de nossa realidade? Eu acredito que não!
    Segue duas visões, compiladas, de como o aluno pode realizar a “sua parte” nessa etapa do caminho:

    Como estudar
    Como estudar? Como proceder de modo a reter o conteúdo estudado? Que fazer quando, após várias horas de estudo, tem-se a sensação de que nada foi aprendido? Estas são questões que povoam a mente do estudante e que sempre o preocupam. Embora não exista um processo único e definitivo que dê bons resultados para todos, alguns procedimentos são, sem dúvida, benéficos. O presente trabalho apresenta alguns deles.
    Interesse:
    A primeira condição para um bom aprendizado é o INTERESSE.
    Não duvide: aprendizado sem um mínimo de interesse não existe!
    Torna-se esforço cansativo e inútil.

    O meio ambiente:
    O local onde se estuda é importante. Algumas condições desejáveis para o local bem como acerca da postura do estudante são:•
    a) Procure um local tranqüilo e isolado, livre de ruídos e de trânsito de pessoas. Essas condições vão favorecer sua concentração.
    b) Evite estudar com rádio ou CD ligados. Nossa atenção tende a se fixar naquilo que é mais interessante, mais “light”.
    c) Combine com seus amigos os horários para o “papinho” ao telefone. Evite estudar perto do telefone e desligue o seu celular enquanto estuda. nada é mais exigente e autoritário que o som de uma chamada telefônica!
    d) Evite estudar deitado. O sono vem e o trabalho se perde.
    e) Mantenha na mesa de estudos todo o material a ser usado mas somente o necessário para aquele período.

    O período de estudo:
    a) Elabore um horário e siga-o. Ao elaborar o horário, dê preferência às matérias cujas aulas foram ou serão dadas naquele dia. Elabore, um horário de estudo de uma semana, colocando primeiro todos os blocos de atividade fixa que você tenha (horários de trabalho, por exemplo) para um candidato à Medicina e que freqüenta as aulas do turno da manhã. Adapte-o às suas necessidades e preferências.
    b) Estude por um período de, no máximo, 1 hora e meia, com intervalos de 10 a 15 minutos.

    O método:
    a) Comece por uma leitura geral de todo o assunto a ser estudado. vá direto até ao fim; não se detenha em detalhes. Nessa fase você está “esquentando o motor”.
    b) É evidente que a extensão da matéria a ser estudada não pode ser demasiadamente longa.
    c) Volte a ler, desta vez, separando as idéias principais de cada parágrafo. Sublinhe os trechos mais importantes. procure o significado de cada termo ou de cada palavra desconhecida.
    d) Faça um resumo escrito do conteúdo, usando frases curtas e objetivas.
    e) Procure relacionar o conhecimento novo ao já adquirido anteriormente.
    f) Faça a si próprio a pergunta: “que significa isso?”. Se houver dúvida, volte a estudar, esclarecendo conceitos que ainda lhe parecem obscuros.
    g) Terminada essa fase, passe à resolução de questões envolvendo o conteúdo estudado. Caso não consiga resolver algum, pode ser porque alguns aspectos do conteúdo não ficaram claros ou porque não estão totalmente compreendidos. Volte e faça uma revisão.
    h) Lembre-se: bons resultados podem ser conseguidos com uma pequena dose de inspiração, mas apenas 10%; os outros 90% são de transpiração, trabalho e, sobretudo, perseverança.

    http://www.focca.com.br/cac/textocac/Como_Estudar.htm

    Onde está dizendo que é possível estudar sem esforço?
    http://www.fisica.ufpb.br/~pet/Estudar.htm
    Universidade Federal da Paraíba – Departamento de Física – PET – Programa de Educação Tutorial
    Autores: Integrantes do grupo PET – Física/UFPB
    Bruno C. B. N. de Souza (bolsista)
    Geraldo F. de Santana Jr. (bolsista)
    Marcelo Vieira (agregado)
    Nadílson Rocha (bolsista)
    Pedro L. Christiano (tutor)
    Thadeu O. Formiga (bolsista)

    Introdução:
    Toda atividade humana, para ser bem realizada, requer a utilização de técnicas adequadas. Até mesmo o ato de apertar um parafuso pode ser fácil ou difícil dependendo da utilização ou não das técnicas e ferramentas adequadas. Dessa forma, estudar, assim como qualquer outra atividade humana, para ser eficiente, também requer a utilização de técnicas adequadas. É através da utilização dessas técnicas que se pode maximizar a eficiência na aprendizagem reduzindo-se ao mesmo tempo o esforço para consegui-la. Esta apostila tem o objetivo de apresentar técnicas que vão lhe permitir aumentar sua capacidade de aprendizagem reduzindo o esforço despendido nesse processo. Para que este procedimento funcione, é recomendável que se adote a seguinte atitude:

    Aceite: Acredite que o sistema funciona e se esforce para dominar as técnicas.
    Adote: Adote as técnicas e passe a utilizá-las sempre que for estudar.
    Adapte: À medida que for utilizando essas técnicas, você vai perceber que algumas modificações poderiam fazer com que elas ficassem mais ajustadas ao seu temperamento. Não hesite em fazer e testar essas modificações.

    Com o intuito de atingir os objetivos acima mencionados, essa apostila foi dividida da seguinte forma: na segunda seção apresentamos um procedimento que vai lhe permitir tomar notas em sala de aula de forma mais eficiente, ao mesmo tempo que lhe permite revisar essas notas de forma sistemática, rápida e eficiente. Na terceira seção é apresentada uma técnica para se determinar de forma muito rápida de que assunto trata um determinado texto. Recomendamos que você a utilize para dar uma olhadinha no livro texto antes da aula. Você verá que mesmo sem ter lido o assunto completamente seu rendimento vai melhorar. A partir da quarta seção, é que vamos nos dedicar à técnica de estudo propriamente dita. Começaremos por apresentar, nesta seção quatro, algumas dicas de como você pode melhorar a sua concentração e, conseqüentemente, o seu desempenho quando vai estudar. Finalmente, na seção cinco, apresentamos a técnica de leitura (estudo) conhecida como SQ3R que, esperamos, vai fazer com que seu rendimento ao estudar melhore significativamente.

    Como tomar notas em sala de aula?
    O ato de tomar notas de aula, além de economizar tempo na prendizagem, é a maneira mais eficiente de reter informações obtidas em sala de aula. Para que suas notas de aula atinjam esses objetivos, devem ser seguidos os seguintes passos:

    Preparação:
    Use um caderno de notas com folhas largas, de preferência espiral ou tipo fichário de modo que as folhas possam ser ”viradas” com facilidade. Ele não deve ser muito grosso para não dificultar a escrita, mas deve ser grosso suficiente para conter todo o material da disciplina.
    Trace uma linha vertical criando uma coluna com pelo menos 4 cm de largura. Essa coluna pode ser criada do lado esquerdo ou direito das páginas e será usada para fazer destaques (escrever palavras chaves, por exemplo), dúvidas e observações. As anotações feitas pelo professor no quadro devem constar na outra parte da folha.

    Como devem ser as anotações?
    Limpas, sem rasuras e detalhadas, a fim de facilitar seu entendimento após a aula (ver item 3);
    Pode, conter abreviações, sinais que só você entende, desde que você tenha certeza que vai entendê-los depois;
    Use letras maiúsculas, cores e marca textos para destacar os pontos/conceitos importantes;
    Escreva legivelmente.
    Fazendo as anotações: não anote apenas o que está escrito no quadro, anote também pontos importantes do que o professor fala; não tente anotar tudo o que o professor diz. Anote o que é importante da forma como você entendeu; faça distinção entre meros detalhes e pontos chaves (idéias gerais); faça suas anotações na forma de parágrafos; pule linhas para destacar o final de idéias ou argumentos.

    Observações:
    As notas de aula não são resumos, mas anotações com as informações mais relevantes e estas não substituem o raciocínio, apenas facilitam a rememorização. As notas de aula não devem nunca ter como objetivo substituir o livro texto.

    O que deve ser feito após a aula?
    Releia as notas e torne-as legíveis, se for o caso (utilização das memórias: auditiva, visual e mecânica);
    Marque os pontos importantes na coluna que você criou. Escreva nela se uma dada frase se trata de uma definição, por exemplo. Identifique as partes que contém demonstrações (escreva demonstração no espaço ao lado). Faça o equivalente com as conclusões.

    Faça resumos:
    Procure uma fonte mais extensa (livro texto); Releia essa coluna e reflita sobre o que você anotou; Cubra o lado da página com suas anotações e tente repetir as idéias e conceitos mais importantes da aula. 5. Para a próxima aula; Anote a lápis na coluna que você criou as suas dúvidas para consultar o professor na próxima aula; Não deixe suas dúvidas acumularem.

    Skimming: como dar uma olhadinha rápida em um texto científico?
    A compreensão de um texto cientifico deve ocorrer de maneira fácil e no menor tempo possível. O “skimming” é uma técnica preciosa que auxilia na compreensão do texto. Skimming: Objetivo > Ter uma visão panorâmica do assunto; Descobrir o objetivo do autor ao escrevê-lo.

    Como fazer um skimming?
    Leia o título, o primeiro e o último parágrafos. Pense neles e tente descobrir o que significam. Preste atenção às palavras chaves (em geral elas estão escritas em maiúscula, negrito, sublinhado, itálico); estas palavras devem ser compreendidas, anotadas e memorizadas. O que elas têm a ver com o título? Preste a atenção em fotos, figuras e gráficos, caso apareçam. Os gráficos muitas vezes nos trazem mais informações e mais claras do que equações. Leia as legendas. O que elas têm a ver com o restante? Se você já tem uma idéia do que trata o texto, seu skimming está concluído.

    Como melhorar sua concentração ao estudar:
    Você deve reservar alguns lugares para estudar (salas de aulas vazias, seu quarto, bibliotecas, etc). Este ambiente de estudo não deve ser utilizado para outras tarefas (bate-papo, escrever cartas, pensar na vida, etc).

    Seu ambiente de estudo tem que ter:
    Boa iluminação. Ventilação. Uma cadeira confortável, contudo não tão confortável. Um conforto exagerado pode levar à sonolência. Uma mesa (escrivaninha) grande; o suficiente para colocar todo os materiais (livros, caderno, artigo, lápis, caneta, etc) sem lhe causar incômodo.
    Seu ambiente de estudo não deve ter:
    Telefone. Televisão e/ou aparelho de som ligado. Um companheiro ou um amigo com conversas paralelas. Geladeira cheia de comida. Sempre que for estudar não estude varias horas seguidas. Divida seus estudos em pequenos objetivos (etapas). Estes objetivos devem ser traçados antes do inicio da leitura e tendo sempre a certeza de que irão ser cumpridos. Se você achar conveniente, você pode até programar uma recompensa para si próprio se o objetivo for atingido. Algo como um lanche, um breve papo com os amigos, um telefonema para a namorada ou alguma coisa assim. É sempre bom ter em mente que a recompensa deve ser proporcional ao tamanho da conquista.

    O método SQ3R
    Introdução:
    Como você lê um texto científico? Você lê da primeira linha até o final sem interrupções, como se lesse um romance ou uma história em quadrinhos? Se você faz isso num texto científico, sentimos dizer que você não terá um bom aproveitamento na sua leitura. Para termos um bom aproveitamento na leitura de um texto científico, devemos saber mais ou menos do que se trata e o que vamos encontrar no texto. Então, para você que tem o mau hábito de ler um texto científico como se fosse um romance, saiba que nunca é tarde para mudar seu mau hábito. Para isso, apresentamos aqui o SQ3R, que consiste numa técnica eficiente de leitura de um texto científico. Com o SQ3R, preparamos todo o caminho antes da leitura do texto propriamente dita. Consiste em cinco etapas que descrevemos a seguir (o termo SQ3R é montado usando-se as iniciais, em inglês, de cada uma dessas cinco etapas).

    1ª Etapa – Survey – Esta é uma etapa preliminar à leitura propriamente dita. É aqui que nós verificamos o objetivo do texto. Esta etapa é também importante para saber se o texto vale a pena ser lido. Esta etapa é feita utilizando os passos seguintes e, como você pode verificar facilmente, trata-se de fazer um “skimming” no texto:
    Leia o título – Gaste alguns minutos pensando em seu significado. Leia a introdução e o resumo (se houver) – Com isso procure descobrir como o texto está organizado, e o que o autor pretende com ele. Observe os tópicos em destaque e subtópicos – A partir da forma como os tópicos e sub-tópicos são apresentados, você pode ter uma idéia de como o texto está estruturado, ou seja, como ele está organizado. Observe os gráficos, cartas mapas e diagramas, etc – Estes estão no texto para completar algum ponto. Não os ignore. Pense um pouco em seu significado.

    2ª Etapa – Question – Esta também é uma etapa preliminar à leitura. Uma vez feito o survey, volte aos tópicos em destaque e formule perguntas, as quais você acha que serão respondidas com a leitura do texto. No fundo, você deve perguntar-se: o que aprenderei se ler este texto? Veja se você já consegue ter uma idéia da resposta a esta questão só fazendo o survey. Isto lhe ajudará a lembrar e fixar a informação.

    3ª Etapa – Read – Esta etapa consiste na leitura propriamente dita. Leia cada tópico com suas questões em mente, olhe para as questões, e veja se você precisa elaborar novas questões para fixar a informação do tópico. Tente separar os detalhes das idéias principais. Use os detalhes para lhe ajudar a entender as idéias principais, mas não se exceda neles. Não deixe de entender a idéia principal porque ficou preso em um ponto por não entender um detalhe.

    4ª Etapa – Recite – Depois de lido o tópico do capítulo, volte às questões que você elaborou antes da leitura e tente respondê-las sem consultar o texto. Escreva as respostas num pedaço de papel. Se não conseguir responder às questões repita a 3ª etapa (Read) e tente responder as questões novamente.

    5ª Etapa – Review – Esta é a etapa de revisão. A revisão ajuda a fixar e organizar a informação na nossa mente, pois aprendemos através de repetição. Esta etapa é como se fosse um Recite de todo o capítulo. Uma vez usada as etapas anteriores para cada tópico do capítulo, pegue todas as questões elaboradas no capítulo e veja se você consegue respondê-las silenciosamente. Caso não consiga, repita as etapas Read e Recite.

    Para finalizar o exposto nesse documento farei uso novamente das palavras do Dalai-Lama: “As indagações fundamentais da existência humana – tais como por que estamos aqui, para onde vamos – produziram respostas diversas em diferentes tradições filosóficas. Mas é indiscutível que um coração generoso e ações íntegras levam a uma paz maior. É igualmente claro que seus opostos têm conseqüências indesejáveis. A felicidade provém de causas virtuosas. Se desejarmos de fato, não há outra maneira de proceder a não ser através da virtude: ela é o método pelo qual se alcança a felicidade. E podemos acrescentar que a base da virtude, o solo onde estão suas raízes, é a disciplina ética.”
    “Constato que, de modo geral, as pessoas cuja conduta é eticamente positiva são mais felizes e satisfeitas do que aquelas que se descuidam da ética. Isso confirma minha convicção de que, se pudermos reorientar nossos pensamentos e emoções e reordenar nosso comportamento, não só aprenderemos a lidar mais facilmente com o sofrimento, como seremos capazes também, acima de tudo, de impedir o surgimento de uma porção significativa dele.”
    “A atmosfera em que uma criança vive o seu dia-a-dia e que é percebida por ela é um dos elementos mais importantes para determinar se a sua vida será bem-sucedida. Em uma família em que existe amor e compaixão, as crianças serão adultos mais felizes e realizados. Sem amor, toda a sua vida futura corre o risco de ser estragada, arruinada. O afeto tem portanto uma influência decisiva no desenvolvimento das crianças… A compaixão e o amor não são artigos de luxo. São fundamentais para a sobrevivência de nossa espécie. São o que de fato dá sentido às nossas atividades e as torna construtivas” – A Caminho da Tranqüilidade; paginas 50/51/68/69.

    Agradeço se todos os colegas, da “jornada educacional”, apreciarem este trabalho com respeito e carinho. Espero poder assim contribuir com algo realmente edificante.

    Saquarema, 11 de maio de 2006.

    A. Luiz Canelhas Jr.

    O que mudou desde então?
    Responda com coragem.

  4. Apesar de compreender as angústias do colega professor que escreveu o artigo, ouso manifestar uma opinião diferente.
    Me parece que seu texto coloca pedagogos e psicólogos de um lado e “especialistas” de outro. Primeiramente, se generalista é aquele que procura compreender a realidade para além de seu umbigo, para além de sua “disciplina”, não tenho medo em dizer que sou um generalista. Me utilizo sim, enquanto educador, das diversas contribuições dos vários campos do conhecimento.
    Não há como negar colaborações, venham elas da biologia, da história ou da sociologia. Venha elas da Europa, Ásia ou América. Eu quero é mais.
    Quem faz o discurso da culpabilidade do professor está sendo reducionista. Aliás, o autor do artigo põe todos os pedagogos no mesmo “balaio de gatos”. Infelizmente, só teve contato com educadores narcisistas e de discursos subservientes aos desígnios dos governantes.
    Vi muitos colegas pedagogos patinarem. Mas, escolhi ser educador e pedagogo. Enquanto aluno sofri as injustiças e os abusos do poder de professores de diversas disciplinas.
    Na escola onde trabalho, alunos queixam-se do professor de geografia. Ele os chamam de burros e diz que está “cagando” para eles. Um professor de inglês reprovou um aluno que falava espanhol fluentemente na 5ª serie. O professor de matemática não conseguiu fazer um aluno excepcional de xadrez gostar de sua matéria… Sinceramente, enquanto o professor não for capaz de tornar-se educador, vamos ler acusações descabidas sobre de quem é culpa pelo fracasso escolar.
    Pelo menos avançamos numa coisa: não dá mais pra dizer que a culpa é do aluno.
    Para aqueles que continuam aprendendo, minhas saudações!

  5. bravo! Geraldo!

  6. Finalmente alguém publicou a verdade por trás do Sr Julio Groppa. Sempre me perguntei qual a vivência desse “doutor de biblioteca” dentro do magistério, um “lobista a serviço de um governo neoliberal” que não é digno de engraxar os sapatos do grande Paulo Freire.
    Parabéns pelo Blog.

  7. Anderson,
    Que bom ler seu comentário aqui!
    Também sou pedagoga, já trabalhei como professora, atuo como Orientadora Educacional em escola pública, sou psicóloga clínica e arteterapeuta. Portanto, no sentido que vc colocou, também sou generalista!
    Acho que desculpabilizar o professor é importante, mas sem deslocar essa atitude, de buscar um bode expiatório, para os pedagogos ou psicólogos!
    Na verdade, somos, professores e pedagogos, em parte responsáveis e em parte vítimas desse estado atual da Educação.
    Tem gente séria em todas as áreas! Pessoas conscientes, corajosas e atuantes, buscando mudanças, melhorias e, por isso, a primeira coisa que deveríamos fazer era paramos com essas acusações, arregaçarmos as mangas e, partindo de uma auto-crítica verdadeira, construirmos juntos as soluções!
    E, entre elas, está a luta diante dos absurdos que os governantes fazem, diariamente, para manter tudo como está, apenas “maquiando” um pouco “para inglês ver”!
    Mas, o que vejo, é que não existe união.
    Existe uma enxurrada de palavras de ordem e a participação da maioria dos profissionais de educação acaba aparecendo só na hora de discutir salários, o que é importantantíssimo MAS NÃO PODE SER O ÚNICO MOTIVO A MOBILIZAR A CLASSE!!!
    E outra coisa: os que criticam os pedagogos, nem pedagogos são! Então como sabem o que estudamos, quais são nossas referências, se temos ou não experiência no magistério, entre outras coisas?
    Isso é preconceito!
    Não se combate um erro cometendo outro igual!
    Desculpabilizar o professor e culpabilizar pedagogos, psicólogos e psicopedagogos, sem ter nenhuma dessas formações, é tão absurdo quanto!!!
    Estou cansada de ouvir essas coisas…
    E lamento que muitos professores realmente achem que as formações e produções de pedagogos, psicólogos e psicopedagogos nada mais fazem do que apontar o dedo para culpá-los, o que não é verdade.
    Entendo o desabafo do professor Geraldo aqui, como os do Declev, compartilho de muitos sentimentos deles, pelo que tenho lido, mas insisto que precisamos ir além dessa busca maniqueísta de “culpados”, “vilões” ou o que seja!
    Gostei da contribuição do Luiz Canelhas aqui.
    Precisamos ampliar esse debate.
    Um abraço,
    Regina Milone.

  8. Agradeço a você por estas palavras. Sinto-me aliviada em saber que a culpa pelo fracasso não é só minha. Estive nos EUA e constatei que lá o professor recebe salários mais dignos e os pais se encarregam da educação dos filhos e são penalizados caso não cumpram com seus papeis. Há problemas, é claro, mas não fica tudo nas costas do pobre professor, profissão que parece mais com expiação dos pecado. Obrigada mesmo e um grande abraço

  9. Maria Marcolina

    Oi Declev Reynier ,

    Achei o seu artigo muito bom, na verdade excelente.
    Eu sou professora, amo ser professora, e luto na sala de aula para um ensino de qualidade.
    Na universidade, já tive debates fortes com professores que diziam que a culpa era da falta de vontade dos professores. E eu sempre sabia que não era em assim! Pq eu era e sou professora e para mim sobra vontade de fazer o melhor! E todos os professores dos colegios onde passei também eram muito esforçados, claro que existem exceções.
    Na verdade, esta ideia de que a culpa é do professor vem de diversos acadêmicos que na maioria nunca enfretaram uma sala de aula de verdade, ou se enfrentaram foi numa época em que tudo era mais fácil, a desestruturação familiar era pouca, valorizava-se o professor e tudo mais.

    Realmente está na hora de repensar a estrutura de ensino público do Brasil.

    Bem, no couber a mim, vou divulgar esse seu artigo para muitas pessoas!

    Parabéns

    • Oi Maria,

      Agradeço as palvras, mas atento para o fato de que este artigo, em particular, é colaboração de um colega, não é meu.

      Costumo colocar em meu site colaborações de outros profissionais, desde que eu ache que podem nos ajudar, como é o caso.

      Abraços,

  10. Adoreii o textos,
    o professor é a base de tudo que somos hoje.
    Agradeca o professor todos os dias de sua vida.
    porque sé ñ fosse ele vc ñ seria ninguem.Pense nisso.
    um abraço.

  11. GILBERTO KESLLER - CODÓ - MA

    REALMENTE PROFESSOR, NO BRASIL É ASSIM
    PARABENS PELO ARTIGO

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